Protagonismo feminino, B2B ucraniano e drum’n’bass marcaram última abertura do Warung

Nastia e Daria Kolosova foram as grandes atrações da noite, que ainda teve Eli Iwasa, L_cio, Ney Faustini e YokoO

* Com a colaboração de Leonardo Smith
** Edição e revisão: Flávio Lerner

No último dia 21, o Warung Beach Club apresentou Eli Iwasa, L_cio, Ney Faustini, YokoO, Nastia e Daria Kolosova, que estreava no clube. Foi uma festa importante para mostrar a preocupação da casa com a ainda persistente — embora cada vez menor — desigualdade de gênero no cenário eletrônico, com Eli e as DJs ucranianas assumindo o comando da pista principal.

De início, no Garden, o paulistano Ney Faustini foi o encarregado para dar a largada, passando a pista para uma das atrações mais aguardadas da noite: o francês YokoO, DJ bastante querido pelo público do templo desde a sua estréia em 2017, no showcase do selo All Day I Dream. YokoO tem como suas principais características o deep house e o deep tech, sempre mostrando um alto nível de controle sobre a pista com tracks melódicas acompanhadas de drops dançantes, casando perfeitamente com o warmup que foi realizado.

Na sequência, L_cio apresentou um live act emocionante em seu retorno ao club, conduzindo a pista até o amanhecer e mostrando as infinitas possibilidades de criação que um live proporciona ao público. O músico passeou por vertentes do techno melódico e da house, além de apresentar brasilidade através de um de seus releases mais marcantes — o remix para o clássico “Construção”, de Chico Buarque.

Comando feminino no Inside

Segundo o IMS Business Report, até 2018, apenas 19% dos lineups dos grandes festivais foram compostos por DJs mulheres, o que comprova que ainda estamos bastante atrasados no que diz respeito ao equilíbrio de gênero nas importantes cabines mundiais. Esse dado nos ajuda a entender o quão especial foi essa festa no clube em Itajaí, em que somente mulheres foram encarregadas da missão de conduzir a pista principal durante toda a noite.

Iniciando os trabalhos do pistão com muito techno, a residente Eli, em mais uma de suas apresentações memoráveis, preparou o público para a estreante Daria Kolosova. A estreia de um DJ em um club como o Warung é sempre um momento ímpar. Em sua apresentação, Daria fez jus a toda confiança e expectativa colocada em cima dela. A artista teve duas horas para nos mostrar sua qualidade e bagagem musical, conduzindo a pista de forma eletrizante e nos fazendo entender o porquê de ter seu nome entre os grandes do leste europeu.

Daria Kolosova e Nastia mandando um B2B. Foto: Gustavo Remor/Reprodução

A cena ucraniana vem sendo transformada ao longo dos últimos anos, e poucos DJs fizeram tanto quanto Nastia e Daria para colocar o país no mapa do techno mundial. Recentemente essa união vem chamando muita atenção em apresentações em diversos países — e nessa noite, tivemos a oportunidade de presenciar um incrível B2B entre ambas.

Após a apresentação individual de Daria, Nastia se juntou nas mixagens para mais duas horas e meia de som junto de sua conterrânea. Diferentes estilos de techno intercalados com fortes tracks de electro e breakbeat trouxeram uma cadência impecável, com momentos frenéticos e dançantes.

Nastia, que se apresenta frequentemente no clube, mostrou estar totalmente conectada ao público da casa e à vontade para mostrar seu verdadeiro gosto musical. Assumindo sozinha a finaleira da festa, nos presenteou com mais de meia hora de um estilo nada convencional para aquele ambiente: jungle e drum’n’bass. Em seu Instagram, a DJ falou sobre o quão especial foi a sua decisão de finalizar seu set com essas diferentes vertentes que, aqui no Brasil, atualmente parecem esquecidas.

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“O Brasil tem seus próprios heróis do jungle/dnb, como a lenda DJ Marky e o selo Sambass, mas hoje em dia não existe uma cultura, e eu nem sei se existem festas ‘de jungle’ no país. De qualquer forma, eu acredito nesse tipo de som, porque ele traz apenas benefícios: alta energia e uma incrível produção dinâmica”, escreveu.

Nessa noite histórica para o Warung, reforçamos a importância das mulheres estarem sendo cada vez mais valorizadas e colocadas em seu devido espaço de destaque na cena — e também como é maravilhosa a abertura que o clube dá aos artistas de se expressarem verdadeiramente.

A oportunidade de receber um estilo musical diferente durante o nascer do sol da Praia Brava foi indescritível. Após uma noite de techno intenso, foram tocadas tracks com BPM reduzido e muita energia, levantando a pista, arrancando sorrisos do público e deixando essa noite registrada na nossa memória.

Leon Pureza é colaborador da Phouse.

DJ de psy lança música com mensagem para as mulheres: “Libertem-se!”

Soul Shine aproveitou o Dia Internacional da Mulher para mandar a letra a todas as garotas

Ao longo dos últimos anos, já falamos aqui na Phouse diversas vezes sobre os estigmas que as mulheres sempre enfrentaram na cena DJ e como artistas de música eletrônica, assim como o fato de que esse cenário, aos poucos, tem sido revertido.

Nunca tínhamos visto, porém, uma produtora lançar uma música explicitamente sobre o tema. É o que fez hoje Bruna Raíssa, mais conhecida como Soul Shine, artista de prestígio no cenário psytrance brasileiro. Bruna aproveitou este Dia Internacional da Mulher para lançar “Like a Girl”, sua mais nova faixa pela Alien Records.

Nela, a jovem mineira de 24 anos vocalizou seus pensamentos sobre o tema, e buscou justamente falar sobre como “as mulheres se sentem limitadas pelo comportamento que a sociedade as impõe. Que não podem agir, falar e até pensar de maneiras diferentes”, conta Raíssa à Phouse.

Segundo a produtora, o título da faixa foi inspirado em um movimento na internet chamado “Like a Girl”, que ironiza aqueles que desmerecem quem, por exemplo, “luta como uma menina”, ou “joga bola igual a uma menina”. “É hora de as garotas se libertarem! Quem disse que meninas não podem lutar ou jogar futebol bem? Fiz uma pequena crítica justamente por muitos, às vezes, desmerecerem as mulheres em vários campos, inclusive profissionais. A luta é constante”, segue.

“A intenção da track é justamente quebrar esses paradigmas e encorajar as garotas a fazerem tudo o que quiserem. A acreditarem em si mesmas, irem atrás de seu propósito de vida, serem felizes e se empoderarem”, conclui Bruna.

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Como Soul Shine, Bruna Raíssa já vem se destacando há quase quatro anos. A DJ integra o casting da 2Soul Agency e já tem mais de 20 músicas assinadas pela curitibana Alien Records — incluindo a recente “Irish Fairy Tales”, que fez sucesso com seu público. Também já lançou collabs com importantes nomes do cenário, incluindo o GMS, cujo cofundador, Bansi, infelizmente faleceu no ano passado.

Universo Paralello, Soulvision, Cyclus, Todai-ji e Flor de Vida são alguns dos festivais em que já tocou, além de ter representado o Brasil em gigs nos Estados Unidos e no México. Como inspirações femininas, citou as brasileiras Ekanta, Alturism, Moon, Rosa Ventura, Kitty e Steph.

Confira a letra de “Like a Girl”:

The Girls feel boxed, they feel limited to behaving acting, speaking and even thinking a certain way
It’s time to get out of those boxes
It’s time for society to stop telling girls what they should or shoudn’t do
It’s time for girls to be free!
Free to nurture and celebrate whatever qualities and talents make them different 
It’s the most liberating time 
Time for girls to be free!
Time for girls to be free!
The girls feel boxed!
Time for girls to be free!
In fact it’s time to get rid of them all together

I have more sheds than I know that to do with,
But in the end, I want to be happy, and I believe, the best way to be happy in life,
is to be true to who you are!

It’s time to get out of those boxes.
Free to nurture and celebrate whatever qualities and talents make them different 
Its the posted liberating time!
Time for girls to be free!
Time for girls to be free!

You have a responsibility, an opportunity to share your gifts with the world
People want what you’ve got
Believe it!

Girls, we have to stick together, please support each other, and when you feel lost or alone, remember, stay in your lane, never mind what they’re doing,
just look at what you’re doing, and what you’ve done,  
be proud, stay focused, you’re allowed to be the most important person in your story!

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Confira as vencedoras do 2º Women’s Music Event Awards 2018

Cerimônia rolou na terça-feira, no Cine Joia, em São Paulo

O Women’s Music Event Awards divulgou o resultado de seu segundo prêmio, que teve cerimônia realizada nessa terça-feira, 04, no Cine Joia, em São Paulo — uma semana depois do que havia sido previsto inicialmente.

Com a premiação dividida entre voto popular (pela internet) e voto técnico, mulheres como Elza Soares (Melhor Cantora), Luísa Sonza (Revelação do Ano) e a cantora carioca Iza (Melhor Álbum e Melhor Música) foram os destaques da noite.

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No cenário eletrônico, vale destacar a vitória da brasiliense DJ Donna — famosa no cenário hip-hop — como Melhor DJ (pelo voto popular), enquanto a BadSista ergueu o troféu de Melhor Produtora Musical (voto técnico).

A grande homenageada da noite foi Elza Soares, que recebeu uma apresentação especial de Luísa Sonza, Daniela Mercury, Tulipa Ruiz, Anelis Assumpção, Bia Ferreira e Duda Beat, que performaram a música “Banho”, de Tulipa. Além de Elza, a cerimônia também saudou a memória da “Rainha do Samba”, Dona Ivone Lara, que faleceu em abril, aos 96 anos.

Confira todas as vencedoras:

VOTAÇÃO POPULAR

Melhor Álbum

IZA | Dona de Mim

Melhor Cantora

Elza Soares

Melhor DJ

DJ Donna

Melhor Música

IZA | Pesadão

Revelação do Ano

Luísa Sonza

Melhor videoclipe

Preta Gil e Gal Costa | Vá se Benzer

VOTO TÉCNICO

Melhor Diretora de Videoclipe

Joyce Prado

Empreendedora Musical

Fabiana Batistela

Melhor Instrumentista

Maria Beraldo

Melhor Jornalista Musical

Adriana Couto

Melhor Produtora Musical

BadSista

Melhor Radialista

Roberta Martinelli

Melhor videoclipe (única categoria que teve voto popular e técnico)

Preta Gil e Gal Costa | Vá se Benzer

Melhor Show

Letrux

Dez DJs brasileiras figuram no Top 200 da DJane Mag

Confira a lista deste ano do ranking que surgiu como resposta feminina à DJ Mag

A DJane Mag, revista digital britânica que promove e nomeia as 200 Top DJs mulheres ao redor do mundo — em uma espécie de resposta feminina ao Top 100 da DJ Mag — soltou seu ranking de 2019. Os destaques foram anunciados no Instagram da marca neste que é o quinto ano da premiação, desde a sua criação, em 2014.

Na lista, além de nomes bem conhecidos como NERVO, Alison WonderlandNina Kraviz (as três primeiras colocadas, respectivamente), cinco nomes brazucas — alguns bem ranqueados — também entraram: Groove Delight subiu 12 posições em relação ao ano passado, aparecendo em 26º. A DJ ANNA escalou incríveis 43 posições, estrelando agora na 29º colocação, enquanto Devochka (32º), Fernanda Martins (61º) e Eli Iwasa (99º) fecham a lista das Top 100.

Na outra centena do ranking, o elenco de nomes femininos que representam a nossa bandeira continua com Samhara (139º), Any Mello (140º), Larissa Lahw (161º), BLANCAh (186º) e Joyce Muniz (196º).

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Algumas categorias individuais, como melhor performance, melhor faixa, melhor produtora e melhor agência também foram premiadas. Confira a lista:

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Também definida por votação popular, a classificação existe, principalmente, para mostrar ao mundo a força das DJs femininas, servindo também como impulso para que novos nomes apareçam na cena. 

A marca DJane Mag ganhou tanta notabilidade nos últimos anos que ultrapassou fronteiras. Hoje há, inclusive, uma edição brasileira da revista, que está com votação para o seu próprio Top 100 aberta até o dia 05 de dezembro.

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WME anuncia sua 2ª premiação voltada às brasileiras da indústria da música

Saiba mais sobre o WME Awards by Music2!

Tudo certo e programado para o segundo prêmio do Women’s Music Event. Neste ano, a cerimônia será chamada WME Awards by Music2!, destacando ainda mais a fusão do WME, de Monique Dardenne e Claudia Assef, com a empresária Fátima Pissarra, que saiu da VEVO e fundou a empresa de entretenimento e música Music2!.

Assim como no ano passado, serão 13 categorias, mesclando voto popular e juri especializado. As indicações — que vislumbram mulheres dos mais variados campos de atuação na indústria musical brasileira, incluindo o cenário eletrônico — são apontadas pelas mais de 150 embaixadoras do WME, e devem ser conhecidas no próximo dia 15, quando a votação será aberta para o público.

Também como no ano passado, o WME Awards by Music2! homenageia duas figuras icônicas da música brasileira: Elza Soares e a Dona Ivone Lara, conhecida como a “Rainha do Samba”, que faleceu em abril, aos 96 anos. Com apresentação da Preta Gil, a cerimônia, que rola no dia 27 de novembro, será fechada para convidados, mas terá transmissão ao vivo pela web.

AFTERMOVIE WME 2018

Vem com a gente ver como ficou MARAVILHOSO o aftermovie do WME 2018. É hora de ver, rever, lembrar, marcar pessoas queridas e compartilhar o registro desse marco na nossa história. O WME 2018 rolou nos dias 16, 17 e 18 de março em São Paulo e reuniu mais de 6.000 pessoas em três dias de música, networking, aprendizado e amizade! Já estamos com saudades! Vídeo: Roberta Ferreira Almeida Cunha

Posted by Women's Music Event on Tuesday, May 29, 2018
WME 2018 rolou em março

“A gente tá muito feliz de realizar o WME Awards pelo segundo ano. É mais um impulso pra gente mostrar a força que a mulher tem na indústria musical”, revelou a Monique Dardenne, em contato com a Phouse. “A gente sempre fala que a intensão não é ter prêmios individuais, é ter um prêmio que foque na potência e no reconhecimento da mulher no mercado. É abrir portas não somente para as artistas serem reconhecidas, mas para as mulheres que fazem essa máquina girar nos bastidores.”

“São muitas mulheres diferentes, incríveis, cada uma na sua área. Você pega lá uma categoria de produtora musical: são mulheres do Brasil que são pouco reconhecidas e pouco conhecidas”, concluiu. Na primeira premiação, a DJ Cinara e a carioca Letrux faturaram os troféus nas categorias “DJ” e “Produtora Musical”, respectivamente. 

Confira as categorias:

– Juri Popular:
Álbum 
Cantora 
Videoclipe
DJ 
Música do Ano
Revelação do ano

– Juri Técnico:
Diretora de Videoclipe
Empreendedora Musical 
Instrumentista 
Jornalista Musical 
Radialista 
Show do ano
Produtora Musical

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Depois de ofender mulheres da dance music, Dua Lipa não reconhece erro

Diversos fãs de música eletrônica, sobretudo mulheres, criticaram afirmação equivocada da cantora

Depois de tocar no Organ of Harmony, novo palco do Tomorrowland, Dua Lipa conseguiu deixar a mulherada da cena eletrônica pistola ao afirmar em suas redes que foi a primeira artista do sexo feminino a se apresentar no festival. Naturalmente, por não chegar nem perto de ter sido a primeira, seu post pegou muito mal, recebendo muitas críticas — sobretudo de DJs mulheres que já tocaram no festival e se sentiram de alguma forma diminuídas pela declaração, como Alison Wonderland e REZZ.

Dua Lipa
“Primeira artista internacional mulher a tocar no Tomorrowland”. Post original foi apagado. Foto: Reprodução/EDM Tunes

Isso foi no final de semana, logo após o seu show. Vendo que pegou mal, a cantora apagou o Tweet, mas editou o post no Instagram, trocando a palavra “artista” por “cantora”. Depois de uns dias de silêncio, Dua voltou a se manifestar no Twitter — e em vez de pedir desculpas pelas “fake news”, ela apenas atacou os “haters” que a teriam atacado supostamente por ser mulher, não demonstrando arrependimento pela afirmação anterior. Confira os tweets:

Quando o ódio é fraco… só me resta rir

Toda mulher na indústria que eu vejo se destacar é erguida para depois ser derrubada. Se nos preocuparmos com “guerreiros dos teclados” que nos atacam porque a bola não está com eles, não estaríamos indo bem como nós estamos

Eu louvo a todas as mulheres que estão aí destruindo, porque as pessoas vão te odiar sem razão… Mas nós estamos bem!

Todas as mulheres, ponto final. Algumas pessoas são animais e precisam de um tempo pra refletir, porque tudo o que fizemos foi respirar e eles já estavam no nosso pescoço!! Tchauuuuu

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Disco integra a campanha “La Femme”, criada para dar visibilidade às artistas do cenário

Depois de curar playlists voltadas à DJs e produtoras da cena nacional, o projeto “La Femme”, da Austro Music/Som Livre, enfim pintou com a sua primeira coletânea. Chamado Austro Selections – La Femme, o VA traz 18 faixas inéditas, com ênfase no techno e tech house. Entre as artistas selecionadas, temos nomes como Aninha, Ellie K, Badsista, Nana Torres, Jessica Tribst, Flow & Zeo, Ania Taop e Bleeping Sauce (projeto formado por Eli Iwasa com Marco A.S.).

A curadoria foi feita pela equipe da Austro, em conjunto com as embaixadoras do La Femme: Amanda Chang, Marian Flow (do Flow & Zeo), Paula Miranda, Melissa Piper e Grazi Largura.

A Gerente de Comunicação da Som Livre, Fernanda Bas, falou sobre o assunto por meio da assessoria da label. “Queremos nos aproximar das produtoras brasileiras e estimular um maior engajamento feminino na música eletrônica. O objetivo é que o Austro se torne uma plataforma de apoio e divulgação para aquelas que buscam espaço. […] Enxergamos essa necessidade de incentivo à cena feminina e resolvemos atuar de forma direta por meio da La Femme”, explica.

A iniciativa, portanto, surge também como uma nova oportunidade para se discutir a participação e inclusão da mulher no cenário da dance music — tema bastante recorrente nos últimos anos, e que vem ganhando cada vez mais atenção. A label promete para 16 de agosto, em seu canal do YouTube, dar sequência à campanha com o lançamento de vídeos que trazem “papos entre mulheres que estejam envolvidas na música eletrônica e engajadas na pauta do empoderamento feminino”.

Confira a tracklist:

1. Elementais – Ania Taop
2. Rotation – Aninha
3. Moody – Antonela Giampietro
4. Ritual – Badsista
5. Sunday Monday – Bleeping Sauce
6. Thunderstorm – Brenda Sayuri
7. Let It Go – Caperooza
8. Allure For Chaos – Carla Cimino
9. Right Here – Ella Whatt
10. 03P Hotel – Ellie Ka
11. Banality Of Evil – Érica
12. Live For Life – Flow & Zeo feat. Mari-Anna
13. Rainbow Rain – Jessica Tribst
14. Spectro – Morganna, Marcal
15. Feel The Beat – Nana Torres
16. Love Fades Away – Raami
17. Criação – Rose Aloy
18. The Waver – Uncloak

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DJ bem-sucedido perde tudo a partir de denúncias de assédio e abuso sexual

Incontáveis histórias comprometedoras sobre o comportamento de Datsik vieram à tona nos últimos dias

O produtor e DJ canadense Datsik era um artista muito bem sucedido no mundo da bass music até essa quarta-feira. O dia 14 de março foi o momento em que começaram a pipocar denúncias de dezenas de mulheres com relatos sobre supostas atitudes escrotas do músico, envolvendo principalmente assédio e abuso sexual.

Similar ao famoso e recente “caso Harvey Weinstein”, o número de denúncias foi crescendo nesses últimos dois dias como uma bola de neve, a ponto de Datsik perder praticamente tudo o que construiu para sua carreira nos últimos dez anos. Basicamente, as histórias contadas pelas meninas convergem para o ponto de que o produtor e sua equipe as recrutavam para sessões de “meet and greet” no camarim, ou em seus ônibus de turnê.

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A partir dali, além de objetificarem as fãs (crachás com o logo do artista eram dados a elas, com a palavra “Tulsa”, que, vendo no espelho, formava “A slut” — “Uma vadia”, em inglês; outros relatos apontam para o fato de garotas terem suas camisetas molhadas no backstage, para ficarem com os mamilos à mostra), não são poucas as acusações sobre Datsik ter embrigado ou drogado as moças para tentar agarrá-las. Ainda segundo os relatos, as meninas com as quais o músico teve êxito em suas “tentativas cavalheirísticas” foram descartadas por ele logo após os atos sexuais, em estados deploráveis.

Uma pequena amostra de algumas das histórias que vieram à tona sobre o comportamento do DJ

Por mais que não existam provas definitivas de sua conduta abusiva com as fãs (os crachás de fato existiram, mas o DJ colocou a culpa num ex-funcionário; prints de tweets antigos [veja acima] também corroboram com tudo o que foi exposto contra ele), o número de casos similares contados por diversas pessoas diferentes foi considerado evidência o bastante para destruir sua carreira e reputação, no que parece um caminho sem volta. A Firepower Records, selo que ele próprio ajudou a fundar, o afastou; sua turnê foi cancelada; sua agência e equipe de management o desligaram; os artistas que estavam direta ou indiretamente envolvidos com ele pularam fora do barco; seus colegas da cena eletrônica o detonaram publicamente.

Em comunicado oficial, Datsik negou todas as acusações e alegou estar devastado. O artista também disse se considerar uma boa pessoa e que nunca tiraria vantagem de ninguém, dando a entender que teria sido mal interpretado.

É, Datsik, assim fica difícil acreditar em você…

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Neste Dia Internacional da Mulher, algumas das garotas que atuam no mercado da música eletrônica respondem sobre o que urge mudar no cenário brasileiro. 

Na cena eletrônica global, a questão do gênero é uma das discussões mais presentes há um bom tempo. Tanto aqui na Phouse quanto em outros portais, já tivemos inúmeros artigos, matérias e entrevistas abordando o assunto. Conferências como o BRMC também já promoveram diversos painéis a respeito, assim como iniciativas como o Women’s Music Event, que surgem principalmente para incentivar uma rede de negócios entre as mulheres do mercado musical, que volta e meia se sentem desprestigiadas em um meio que há décadas é predominantemente masculino, apenas por serem mulheres.

+ Monique Dardenne: abrindo portas pras mulheres na música, sem mimimi 

Com toda essa movimentação em relação ao tema, a situação já vem mudando bastante. Cada vez mais as garotas se mexem para reivindicar tratamento de igual pra igual e vão abrindo o seu espaço na marra — sobretudo as DJs/produtoras, que ainda aparecem significantemente em menor número em relação aos colegas homens. Gênero não deveria ser uma questão importante, mas infelizmente, acaba tendo um papel importante na hora de delimitar quem é quem no mercado de trabalho.

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Partindo desse panorama, o que mais incomoda essas minas hoje em dia? Se elas tivessem o poder de transformar ou fazer desparecer, como num toque de mágica, algum hábito ou comportamento nocivo da cena ou do mercado da música eletrônica, qual seria? Quais as principais mudanças que elas reivindicam para esse cenário hoje em dia — seja relacionado à questão do gênero ou não?

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No Dia Internacional da Mulher — um dia tradicionalmente de luta e reflexão —, fizemos a algumas delas essa pergunta. E estas foram as respostas que tivemos:

BLANCAh Hernan Cattaneo
BLANCAh

“Aboliria os valores abusivos nos preços de alguns ingressos, e principalmente a diferença de preço entre ingressos masculinos e femininos” — BLANCAh, DJ e produtora.

Vanessa Schumacher

“Se eu pudesse erradicar algo, seria a forma que as pessoas enxergam o trabalho uns dos outros. Deixaria todas as discussões de lado e focaria apenas na música. Todos temos diferentes gostos e opiniões e devemos respeitar a preferência de cada um.

Para que o nosso mercado desenvolva mais, precisamos de união, até porque quando um se destaca ele acaba atraindo os olhares para todo o cenário, fazendo assim com que todos tenham a oportunidade de crescer. Música é a resposta!” — Vanessa Schumacher, sócia da TheNight!

Tricy

“O fato de termos uma presença tão pequena, muitas vezes nula de mulheres nos festivais e também como residentes nos clubs por aí. Antigamente alegavam que as mulheres não sabiam tocar como os homens, que só estavam na cabine porque ‘apelaram’ para aparência ou porque namoravam o promotor, gerente, dono do club…  Agora é porque, segundo eles, elas não produzem como os homens. A dificuldade em reconhecer o talento da mulher na nossa cena sempre rolou.

Fora do Brasil isso já está mudando, através de uma iniciativa chamada Keychange, na qual 45 festivais já se comprometeram a alcançar uma meta de lineups igualitários até 2022. Atualmente a média global é de 80% homens e 20% mulheres. Por aqui, seguimos com apenas — pasmem — 5% de presença feminina nos grandes eventos” — Tricy, DJ e apresentadora na Energia 97 FM.

Däi Ferrera

“Voto em diminuir os impostos absurdos do governo que dificultam o investimento dos produtores e DJs em equipamentos importados e afins. A arte no Brasil teria outro patamar se tivéssemos desde crianças mais incentivos nas escolas para estudar música! Acredito que a educação musical é a base da real transformação!

E erradicaria também essa diferença colossal na quantidade masculino/feminino de produtores no Brasil. Mulheres, partiu mudar essa estatística?!” — Däi Ferrera, produtora musical no projeto TRIAD inc.

Cinara

“Escolheria que todos os contratantes deixassem de convidar pessoas que não são DJs profissionais de verdade para tocar. Que deixassem de convidar celebridades, amigos e pessoas que só buscam o status e a fama. Isso educa o público de uma forma MUITO ruim e desvaloriza nosso trabalho” — DJ Cinara.

Bruna Calegari

“Obviamente erradicaria todo tipo de ingressos com valores diferentes para os sexos. Já ouvi de vários homens que isso é visto por eles como ‘bônus porque as mulheres gastam mais em aparência’. Não sei o que é mais bizarro: você esperar que uma mulher pague menos para um evento porque é mulher, ou que ela seja um produto do evento — sempre bonita, com cabelo escovadinho e salto alto. Eu não quero apenas o direito de ser igual a um homem, ser tratada da mesma forma na pista e não ter ninguém duvidando que estou ali pela música. Eu também quero ter o direito de usar maquiagem ou salto alto quando EU quiser, e não porque é esperado de mim me ‘portar assim’.

Mulheres não nascem com papéis para atuar, eles nos são dados por pessoas que acreditam nestes papéis. É muito fácil para um homem branco de classe média achar argumentos pra justificar o porquê de certas ‘manias’ do mercado. Difícil é ter a coragem de mudá-las e arcar com as consequências. No meu festival eu não sonharia em cobrar valores diferentes. Já recusei trabalhar para eventos que têm posturas diferentes desta, e não me arrependo” — Bruna Calegari, publicitária e cofundadora do Festival Subtropikal.

Kesia
Kesia

“O primeiro comportamento que eu mudaria seria a desigualdade no mercado. Muitas vezes temos mulheres boas em um lineup, tão boas ou melhores que alguns dos outros DJs, e mesmo assim elas ficam com os horários ruins ou secundários — ou não ganham tão bem, mesmo tendo o mesmo nível de popularidade que os outros DJs. Sei que temos mulheres bem valorizadas no meio, mas são poucas” — Kesia, DJ e produtora.

Camila Giamelaro

“A competição desnecessária entre DJs. Parece que alguns artistas acham que tocar pesado é mostrar trabalho. Eu pude ver inúmeras vezes DJs fazendo um warmup totalmente fora de contexto pra poder desestabilizar o próximo artista a entrar. Além de desnecessário, mostra a índole da pessoa. Cabe a nós fazermos o nosso melhor dentro do contexto em que fomos inseridos e mostrar pra pista como podemos ser versáteis e oferecer a melhor festa possível, independentemente do horário em que tocamos” — Camila Giamelaro, produtora no Binaryh, professora na DJ Ban e CEO da Gig Agency.

Gabriela Loschi

Eu mudaria a necessidade de controle das pessoas e baixaria um pouco o ego delas. Vivemos numa cena sensível em que marcas levam discursos para o pessoal e se sentem ofendidas. Talvez por ser um nicho onde muita gente se conhece, e por ter bastante competição, estamos sempre pisando em ovos. Para o jornalismo isso é muito ruim, pois tira a autonomia da imprensa especializada, deixando a questão plastificada.

É algo que extrapola a questão dos gêneros, PORÉM, não posso deixar de pontuar que, como mulher em cargo de chefia, já senti muitas vezes a dificuldade de alguns homens em aceitar a liderança de uma mulher. É notória a diferença na forma como um ou outro colega fala com profissionais femininas e profissionais masculinos. E sei que muitas vezes eles nem percebem. Então, se temos o problema de ego, do controle e da autoridade, o ideal seria sempre analisarmos nossos comportamentos profundamente, para identificarmos nossas atitudes em relação a diferentes pessoas no mercado” — Gabriela Loschi, jornalista, assessora de imprensa e social media.

* Flávio Lerner é editor na Phouse; leia mais de suas colunas.

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Festivais se comprometem a dividir os lineups igualmente entre homens e mulheres

Iniciativa está se espalhando na indústria musical da Europa e da América do Norte

Através de uma iniciativa batizada de Keychange (encabeçada pela PRS Foundation), 45 festivais de música na Europa e na América do Norte se comprometeram a alcançar uma meta de lineups divididos meio a meio entre homens e mulheres, até 2022.

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Segundo a Keychange a representatividade das mulheres no mercado da música europeu é baixíssima, com apenas 20% ou menos das compositoras/autoras registradas, além de salários mais baixos e pouca expressão em palcos de festivais.

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A CEO da PRS Foundation, Vanessa Reed, falou sobre a iniciativa para a imprensa: “A ideia da rede do Keychange com artistas femininas, profissionais da indústria e os festivais parceiros de estabelecer um pleito coletivo vai acelerar a mudança significativamente. Eu espero que isso seja o início de uma indústria mais equilibrada, que vai resultar em benefícios para todos”.

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A Keychange se define como “uma iniciativa internacional pioneira  apoiada pelo programa Creative Europe, da União Europeia, que está empoderando mulheres para transformar o futuro da indústria musical e encorajando conferências e festivais a atingir ou manter um balanço de 50/50 [entre homens e mulheres] até 2022. Aproximando-se de organizadores de festivais e conferências com pensamento parecido, a Keychange visa criar uma necessária mudança perene no campo das performances musicais, e além”.

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Confira a lista dos 45 festivais comprometidos com a causa:

– Reeperbahn Festival (Alemanha)
– BIME (Espanha)
– Iceland Airwaves (Islândia)
– Way Out West (Suécia)
– Musikcentrum (Suécia)
– Tallinn Music Week (Estônia)
– MUTEK (Canada) e The Great Escape (Reino Unido)
– Aldeburgh Festival (Inglaterra)
– Blissfields (Inglaterra)
– Bluedot (Inglaterra)
– Borealis (Noruega)
– BreakOut West (Canadá)
– By:Larm (Noruega)
– Canadian Music Week (Canadá)
– Cheltenham Jazz Festival (Inglaterra)
– Cheltenham Music Festival (Inglaterra)
– Eurosonic Noorderslag (Holanda)
– FOCUS Wales (País de Gales)
– Granada Experience (Espanha)
– Hard Working Class Heroes (Irlanda)
– Huddersfield Contemporary Music Festival (Inglaterra)
– A2IM Indie Week (Estados Unidos)
– BBC Music Introducing Stages (Reino Unido)
– Katowice JazzArt Festival (Polônia)
– Kendal Calling (Inglaterra)
– Liverpool International Music Festival (Inglaterra)
– Liverpool Sound City (Inglaterra)
– Manchester Jazz Festival (Inglaterra)
– Midem (França)
– Norwich Sound and Vision (Inglaterra)
– North By North East (Canadá)
– NYC Winter Jazzfest (Estados Unidos)
– Off The Record (Inglaterra)
– Oslo World (Noruega)
– Pop-Kultur (Alemanha)
– BBC Proms (Inglaterra)
– Roundhouse Rising (Inglaterra)
– Spitalfields Music (Inglaterra)
– Sŵn (País de Gales)
– Trondheim Calling (Noruega)
– Waves Vienna (Áustria)
– Westway LAB (Portugal)
– Wide Days (Escócia)
– Gilles Peterson’s Worldwide Festival (França)

Confira a lista das mulheres mais bem-pagas do meio musical em 2017

Ranking da Forbes é formado inteiramente por cantoras pop; Beyoncé é a artista que mais faturou no ano

A revista Forbes divulgou nesta semana outra lista envolvendo a bufunfa de músicos — desta vez, o ranking traz as mulheres que mais faturaram na indústria musical neste ano de 2017.

No pódio estão Beyoncé, Adele e Taylor Swift, seguidas de perto por Celine Dion e Jennifer Lopez. O top 10 ainda traz Rihanna, Britney Spears e Katy Perry, formando uma lista composta majoritariamente por estrelas do pop.

Não há, portanto, nenhuma DJ/produtora da cena eletrônica — em agosto, na “Electronic Cash Kings”, a lista dos DJs mais ricos do ano, já havíamos destacado a ausência de um nome feminino. Será que essa situação pode mudar em breve?

Confira a lista completa:

1. Beyoncé (US$ 105 milhões)
2. Adele (US$ 69 milhões)
3. Taylor Swift (US$ 44 milhões)
4. Celine Dion (US$ 42 milhões)
5. Jennifer Lopez (US$ 38 milhões)
6. Dolly Parton (US$ 37 milhões)
7. Rihanna (US$ 36 milhões)
8. Britney Spears (US$ 34 milhões)
9. Katy Perry (US$ 33 milhões)
10. Barbra Streisand (US$ 30 milhões)

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Claudia Assef, Fátima Pissara e Monique Dardenne (foto) são as idealizadoras do Women’s Music Event Awards by VEVO

Ainda neste ano vai rolar o Women’s Music Event Awards, uma cerimônia de premiação voltada às mulheres do mundo da música. A iniciativa, que busca dar mais visibilidade às mulheres da indústria da música no Brasil, é do Women’s Music Event — projeto de Monique Dardenne e Claudia Assef, sobre o qual já falamos por aqui — em parceria com a VEVO.

No site da premiação, seis categorias estão abertas para voto popular: Cantora, DJ, Melhor Álbum, Melhor Música, Revelação do Ano e Videoclipe. Na categoria de DJ, concorrem ANNA, Groove Delight, DJ Cinara, Bad$ista e Cashu. O prazo para a votação se encerra nesta sexta, dia 03.

Há outras sete categorias de voto técnico — Diretora de Videoclipe, Empreendedora Musical, Instrumentista, Jornalista Musical, Melhor Show, Produtora Musical e Radialista —, que serão realizados pelas embaixadoras do WME, e ainda dois prêmios de honra, de duas artistas homenageadas pelo conjunto de sua obra e relevância no cenário nacional. Esses dois nomes foram anunciados hoje: Rita Lee, que comemora 50 anos de carreira em 2017, e a falecida violeira Helena Meireles.

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“Nosso objetivo com o WME Awards by VEVO é alcançar mulheres de todos os cantos do país e que atuam nas mais diversas áreas da cadeia musical para dar voz a essas profissionais e o reconhecimento necessário, pois muitas vezes elas acabam ficando em segundo plano. A VEVO Brasil tem orgulho de contribuir com a igualdade e celebrar o empoderamento feminino em todas suas frentes de atuação”, disse Fátima Pissara, Diretora Geral da VEVO Brasil, via assessoria de imprensa.

Para Assef e Dardenne, o prêmio “será um passo gigantesco para acelerar e aumentar a participação das mulheres na indústria musical e dar espaço às já existentes. Assim como aconteceu no nosso primeiro evento, o WME 2017, em março, a mulher será novamente o grande foco da premiação, algo totalmente inédito no Brasil”.

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A cerimônia rola no dia 28 de novembro, entre as 20h e as 21h30, na The Week em São Paulo, com transmissão ao vivo pela VEVO Brasil.

Confira as indicadas em cada categoria:

CANTORA:

Anitta

Karol Conká

Juçara Marçal

Marília Mendonça

Elza Soares

DJ:

Groove Delight

ANNA

Bad$ista

Cinara

Cashu

MELHOR ÁLBUM:

Larissa Luz – “Território Conquistado”

Letrux – “Em Noite de Climão”

As Bahias e a Cozinha Mineira – “Bixa”

Flora Matos – “Eletrocardiograma”

Mallu Magalhães – “Vem”

MELHOR MÚSICA:

Anavitória feat. Matheus & Kauan – “Fica”

Mallu Magalhães – “Você Não Presta”

Anitta – “Paradinha”

Karol Conká – “Lalá”

Simone & Simaria feat. Anitta – “Loka”

REVELAÇÃO DO ANO:

Linn da Quebrada

Iza

Anavitória

Xenia França

Luiza Lian

VIDEOCLIPE:

Major Lazer feat. Anitta e Pabllo Vittar – “Sua Cara”

Ludmilla – Cheguei

Aíla – “Lesbigay”

Karol Conká – “Lalá”

Elza Soares e Pitty – “Na Pele”

DIRETORA DE VIDEOCLIPE:

Katia Lund

Paula Gaitán

Gabi Jacob

Camila Cornelsen

Vera Egito

EMPREENDEDORA MUSICAL:

Eliane Dias

Tiê

Anitta

Ana Garcia

Fabiana Batistela

INSTRUMENTISTA:

Lan Lanh

Larissa Conforto

Mahmundi

Anna Tréa

Badi Assad

JORNALISTA MUSICAL:

Gaia Passarelli

Patricia Palumbo

Debora Pill

Claudia Assef

Roberta Martinelli

MELHOR SHOW:

Ivete Sangalo (Rock In Rio)

Karol Conká

Tássia Reis (Outra Esfera)

Marília Mendonça (Raridade)

Elza Soares (A Mulher do Fim do Mundo)

PRODUTORA MUSICAL:

ANNA

Letrux

Mahmundi

ÉRICA

Bad$ista

RADIALISTA:

Sandra Carraro

Fabiane Pereira

Patrícia Palumbo

Debora Pill

Roberta Martinelli

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Alison Wonderland (foto) foi uma das DJs a participar da corrente de denúncias contra assédio sexual

Nessas últimas semanas, o tema de assédio sexual e abuso contra mulheres veio com força no mundo artístico, em diversos episódios distintos. Na semana passada, trouxemos a notícia do Statement Festival, um festival só para mulheres na Suécia, que surge como resposta aos elevados números de crimes de violência sexual ocorridos em festivais de música no país.

Pouco tempo depois, surgiu a denúncia de uma usuária do Twitter, Chelsea, que contou ter sido estuprada junto com uma amiga pelo DJ e produtor de Los Angeles The Gaslamp Killer. Segundo o relato, Killer teria drogado as meninas, quatro anos atrás, para depois transar com elas em estado semiconsciente. O DJ se defendeu da acusação, alegando que houve consenso e que jamais drogaria e abusaria de uma mulher. Até este momento, não houve investigação policial para apurar os fatos, mas a acusação — precedida por outros comentários de mulheres que também relataram casos de abuso ou assédio pelo artista — foi o bastante para comprometer severamente sua carreira; o Gaslamp Killer teve shows cancelados e foi desligado do coletivo Low End Theory, ao qual integrava.

Esse imbróglio tem repercutido bastante, a ponto de Flying Lotus defender o colega em meio a um show, dizendo que a internet mente, para depois pedir desculpas pelo comentário. No entanto, ainda mais significativa foi a enxurrada de denúncias que pipocaram contra o renomado produtor de cinema americano Harvey Weinstein. Atrizes, modelos e outras funcionárias da indústria cinematográfica — incluindo Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Cara Delevigne, Ashley Judd e Heather Graham — passaram a expor publicamente um sem fim de relatos de assédio sexual praticado pelo executivo.

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O caso motivou mulheres no mundo todo a também expor suas experiências de assédio ou abuso nas redes sociais como forma de alerta, mostrando o quão corriqueiros podem ser esses acontecimentos. Esse fenômeno não é nada novo. Quando mulheres com grande visibilidade expõem suas histórias sobre abuso sexual, o impacto causado é grande, e assim muitas outras, famosas ou não, se sentem à vontade para compartilhar episódios que normalmente permanecem no âmbito privado.

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Assim, voltando ao cenário musical, diversas artistas participaram da corrente, incluindo protagonistas do cenário eletrônico. A produtora Alison Wonderland — que ganhou no mês passado o prêmio de revelação do ano no Electronic Music Awards —, por exemplo, contou no Twitter a história de quando foi abusada por um superior em um antigo emprego (veja abaixo). Alison conta que a resposta que teve do RH foi: “Bem, você é bonita e ele estava bêbado”, além de um subentendido de que se ela persistisse na reclamação, iria ser demitida.

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Annie Mac, uma das DJs e comunicadoras mais importantes da cena eletrônica global, comentou não apenas ter sido assediada no metrô quando tinha 20 anos, mas também ter sido perseguida em uma montanha, aos 11 anos, por um homem de terno que se masturbava para ela.

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A famosa cantora e compositora islandesa Björk foi outra que abriu a boca, trazendo diversas histórias sobre assédio imposto por um diretor de cinema dinamarquês — sem citar nominalmente, ela deixou a entender que se trata de Lars Von Trier, com quem trabalhou no filme Dançando no Escuro. Von Trier já se manifestou negando as acusações, dizendo que, apesar de não terem relações amistosas, nunca assediou a artista. Além delas, outras personalidades do meio musical se manifestaram a partir do caso de Weinstein, como The Black Madonna, altamente proativa na causa feminista.

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Independentemente da veracidade desses relatos, o abuso contra mulheres é real e ocorre muitas vezes pela confiança do agressor na impunidade, já que grande parte das vítimas se sente constrangida em denunciar. Este é, definitivamente, um quadro que precisa ser revertido, e o fato das mulheres no mundo todo abrirem o jogo é importante para essa mudança.

Confira abaixo algumas das histórias compartilhadas pelas artistas:

Caso de polícia

Pra fechar as semanas de denúncias e episódios de abuso contra mulheres, Andrew Macrae, até então VP de finanças e estratégia da Live Nation Entertainment — uma das maiores produtoras de eventos musicais dos Estados Unidos —, foi pego em flagrante pela polícia britânica nesta semana, ao tentar filmar escondido embaixo da saia de uma mulher, em um trem na Inglaterra. A polícia ainda descobriu em sua casa cerca de 50 mil filmagens secretas de vizinhas e outras mulheres que visitavam sua casa. O julgamento do executivo está marcado para o próximo dia 07, em Londres. A Live Nation o demitiu imediatamente.

Suécia vai ter festival só para mulheres em 2018

Um dos maiores festivais de música da Súecia, o Bråvalla teve sua edição de 2018 cancelada por conta de uma repetição de crimes de violência sexual que aconteceram no espaço do evento. Na edição deste ano, a polícia da cidade de Norrköping reportou quatro casos de estupro e 23 casos de abuso sexual — todos realizados por homens contra mulheres. Em 2016, esses números foram ainda maiores.

Assim, a humorista sueca Emma Knyckare (foto) lançou a ideia de fazer um festival livre de homens (ou ao menos de qualquer pessoa que se declare do gênero masculino): “O que vocês acham de fazermos um festival bem bacana em que apenas homens não serão aceitos, e que será tocado até que TODOS os homens aprendam a se comportar?”, twittou a comediante, em julho. E se podia parecer uma brincadeira na época, agora virou realidade. O Statement Festival, idealizado por Emma e um grupo de pessoas que aderiram ao movimento, logo ganhou campanha de crowdfunding pelo Kickstarter.

A meta era de arrecadar 500 mil coroas suecas — algo em torno de 63 mil dólares —, e foi com muita alegria que a humorista anunciou em seu Instagram, na semana passada, que a arrecadação foi atingida antes do tempo previsto. Ela diz que o festival está programado para acontecer em dois dias do verão de 2018, com equipe e lineup 100% femininos. Nenhuma atração ou informação adicional foi revelada até este momento.

A comunicação do Statement ainda chegou a afirmar que o festival não é livre de homens, mas apenas de homens cis; “homens trans e não binários são bem-vindos”.  Esse posicionamento tem recebido diversas críticas, que sugerem que permitir ou não a entrada de pessoas com base em seu gênero seria uma medida discriminatória e extremista, bem como uma solução paliativa para os casos de violência sexual contra mulheres. Ao jornal sueco The Local, Knyckare defendeu-se no que diz respeito a possíveis ilegalidades, afirmando que recebeu sinal verde de especialistas na área jurídica para realizar o evento. 

https://youtu.be/0dFHr7uwtzw

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Coletivo da cena Norte/Nordeste lança seminário sobre mulheres na música

O Pragatecno é um coletivo que nasceu em 1998, de uma festa chamada Grove em Garça, em Maceió, Alagoas, onde amantes da música eletrônica se encontravam. A partir dali, surgiram diversas outras iniciativas ao longo desses anos, incluindo trocas de experiências sobre temas como discotecagem, cultura experimental e cibercultura, e agregando pessoas de outras cidades do Norte e Nordeste. Agora, entre 24 e 29 de julho, promove o PitchGirls, evento que reunirá DJs, apreciadores, produtores e pesquisadores do cenário para uma troca de ideias e informações em oficinas e palestras, além de uma festa de encerramento.

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O PitchGirls faz parte da segunda edição do Seminário de Música Eletrônica: De onde viemos, para onde vamos?, desta vez homenageando as mulheres que ajudaram a construir a história do Pragatecno, trazendo uma reflexão com depoimentos de pessoas que foram essenciais para a cena das suas respectivas cidades. A ideia é propor reflexões sobre como superar os diversos problemas na carreira musical atualmente, através de quem fez muita coisa com muito menos recursos. O evento é voltado para mulheres e para o público LGBTQ+, e acontecerá em Salvador, buscando estimular as meninas da cidade a se aventurarem nos equipamentos e a se qualificarem para ocupar a cena.

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Na programação, nomes de peso como a jornalista Cláudia Assef, autora do livro “Todo DJ Já Sambou” e sócia do Woman’s Music Event, a DJ Kylt, uma das pioneiras na cena eletrônica da Paraíba, que ministrará uma oficina sobre a arte da discotecagem, e Neila Khadí, que dará uma introdução à produção musical em software utilizando o Ableton Live. Outros nomes, como Laila Rosa, DJ Adriana Prates, Andrea May, Mauro Telefunksoul e Suzi Quatro Tons estarão presentes, contribuindo em outras atividades. O encerramento será uma festa no Bar Lebowski, em Salvador, com as DJs Adriana Prates, Dany Andrade e Fernanda S.

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O evento é gratuito — basta baixar e apresentar o ingresso no site do Pragatecno. Confira o serviço completo:

Data: 24 a 29 de julho 2017

Realização: Coletivo Pragatecno

Apoio financeiro: Secult — Bahia

Local: Tropos (Rua Ilhéus, 214, Rio Vermelho, Salvador)

OFICINAS EXCLUSIVAS PARA MULHERES

– Produção Cultural, com a DJ Adriana Prates

Segunda-feira — 24 de julho (manhã e tarde, das 9h às 12h / das 14 às 18h)

– Introdução à Arte da Discotecagem, com a DJ Kylt

Quarta, quinta e sexta-feira — 26, 27 e 28 de julho (nas manhãs, das 9h às 13h)

– Introdução à produção musical utilizando softwares (Ableton Live), com Neila Khadí

Quarta-feira, quinta e sexta-feira — 26, 27 e 28 de julho (às tardes das 14h às 18h)

OUTRAS ATIVIDADES

Quarta-feira — 26 de julho

19h30 – 10 tracks produzidas por mulheres para pista de dança — audição comentada com o DJ Mauro Telefunksoul

21h – Live PA (com DJ Angelis Sanctus aka Cláudio M., Neila Kadhí e Laila Rosa)

22h30 – Pistinha com DJ André Urso

Quinta — 27 de julho

19h30 – Abertura oficial com a DJ Adriana Prates

Mulheres, Djing e produção de música eletrônica, com a escritora, jornalista e DJ Cláudia Assef (SP)

Mulher e música eletrônica na Bahia, com Andrea May, Mariella Santiago, Neila Khadí

22h – Pistinha com DJs Mauro Telefunksoul, Kylt e Nai Sena

Sexta — 28 de julho

19h30 – Palestra: Produção musical a partir de softwares (Logic) com a DJ Fernanda S.

20h30 – Palestra: Interfaces da discotecagem, com a DJ Dany Andrade

22h – Pistinha com DJs Môpa, Suzi Quatro Tons e Cigarra Ellerika (projeto das DJs Cigarra & Karielle)

Sábado — 29 de julho

23h – PitchGirls

Festa de encerramento no Bar Lebowski (R. da Paciência, 127. Rio Vermelho, Salvador)

Com as DJs do Pragatecno: Adriana Prates, Dany Andrade e Fernanda S aka Foxxy

VJ May HD

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DJ e sua crew são cortados de festival depois de declarações machistas

O DJ alemão Konstantin e a crew da sua label Giegling estavam marcados para se apresentar no londrino Sunfall Festival, em 12 de agosto, porém foram retirados do lineup graças a declarações controversas de seu cofundador.

À revista alemã Groove, Konstantin disse que na maioria das vezes, mulheres são piores DJs do que homens. O artista ainda alegou que “mulheres que buscam carreiras em uma indústria dominada por homens devem perder suas ‘qualidades femininas’ e se tornarem ‘másculas’”.

Imediatamente após a publicação, Konstantin enviou uma nota à Mixmag pedindo desculpas e afirmando que suas palavras foram distorcidas. “Eu aprendi a discotecar com minha amiga Sarah, então obviamente não acho que mulheres são piores que os homens. Me arrependo do que foi dito à jornalista [da Groove], já que ela não curtiu meu senso de humor cáustico e meu hábito de manifestar opiniões antagônicas pra desafiar as pessoas, mesmo que não representem o que eu realmente acho”, diz a nota. “O que foi escrito não reflete minha opinião, e também não representa o que outros membros da Giegling pensam ou falariam.”

Na mesma matéria da Groove, outros membros da label afirmam que o machismo não é um problema no grupo; no entanto, colegas de profissão, como a DJ The Black Madonna, se manifestaram nas redes sociais, afirmando já ter presenciado comportamento sexista por parte de Konstantin — a DJ chegou a dizer que o que Konstantin realmente pensa é ainda pior.

De uns tempos pra cá, no mundo e também no Brasil, o tema da participação das mulheres na música eletrônica vem crescendo, e afirmações como essa vêm sendo amplamente repudiadas por público, produtores de eventos, DJs e produtores musicais. O caso de Konstantin também remete à polêmica com Ten Walls, que, depois de ter sido pego dando declarações homofóbicas, passou a sofrer uma grande rejeição no mercado.

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Women’s Music Event lança aftermovie da sua primeira conferência

O Women’s Music Event acaba de lançar no Facebook o aftermovie da sua primeira conferência, realizada nos dias 17 e 18 de março. Com quase dois minutos, o vídeo produzido pela Corazon Filmes leva “Ouça-Me”, da rapper Tássia Reis [protagonista da primeira WME Sessions], como trilha sonora, e mostra um pouquinho do que foi esse primeiro evento, que reuniu em torno de 600 pessoas no Centro Cultural São Paulo para curtir palestras, workshops e shows.

Lançado neste ano pela produtora cultural Monique Dardenne e pela jornalista Claudia Assef, o WME é uma plataforma dividida em quatro pilares [conferência anual + três sessões dentro do site] para abrir as portas para as mulheres brasileiras no mercado da música. Você pode saber mais sobre a iniciativa através do papo que bati com a Monique, publicado aqui na semana passada.

* Flávio Lerner é editor-assistente na Phouse; leia mais de suas colunas.

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Monique Dardenne: abrindo portas pras mulheres na música, sem mimimi

Depois de representar projetos como Skol Music e Boiler Room, ela toca iniciativa de inclusão feminina, e defende: chega de conversar sobre mulheres na música — agora é a hora de fazer.

Monique Dardenne não é DJ nem produtora musical, mas não é exagero falar que é uma protagonista do mercado da música no Brasil. Com 33 anos, a moça que sonhava em ser delegada acabou caindo nos bastidores da música eletrônica, sendo responsável por gerir projetos de alto calibre: além da sua agência MD/A, que já foi responsável por bookings de nomes como ANNA, Wehbba e Joyce Muniz, a Monique foi label manager da extinta Skol Music por dois anos, e foi “apenas” a primeira representante do Boiler Room no Brasil. Sua participação à frente do BR durou três anos, encerrando-se com o que ela considera ter sido o ápice do projeto no país: o fantástico Boiler Room de Recife.

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Dardenne saiu da produção do Boiler Room justamente pra focar na sua nova menina dos olhos [além, é, claro, da filha Malu, de dois anos]: o Women’s Music Event, empreitada lançada neste ano com a jornalista Claudia Assef. Dividindo-se em quatro pilares — conteúdo digital, banco de dados, agenda e conferência —, o WME vem chamando muita atenção por se configurar como uma das principais iniciativas para abrir as portas para as mulheres no mercado brasileiro da música; portas estas que, segundo Monique, historicamente se mantiveram fechadas por uma série de fatores.

Ao contrário do que muitos podem pensar, a ideia não é dividir e estigmatizar — pelo contrário. Contando com uma rede de mais de 400 profissionais cadastradas e uma conferência que em sua primeira edição atraiu cerca de 600 pessoas no Centro Cultural São Paulo, o WME já vem fazendo bastante diferença. Como vocês podem conferir abaixo no papo que bati com ela, infelizmente ainda se faz necessário colocar uma lupa sobre a questão de gênero — justamente para que, no futuro, não o seja.

Claudia Assef e Monique Dardenne, as fundadoras do WME

Monique, como é exatamente sua rotina de trabalho?

Home office. Divido o dia entre filha e várias coisas… Meu escritório é em casa, ela tá sempre por perto, sempre pode aparecer [risos]! Moro numa casa grande, onde faço as gravações do WME Sessions. A parte da manhã é mais família, mas a Malu sempre tá comigo, o dia inteiro. Dá pra separar bem. Só quando eu trabalhei no Skol Music que eu tinha que sair de casa; foi um período em que eu consegui levar a MD/A, que representava o Boiler Room e o Skol Music, e grávida. A gente não sabe como faz tanta coisa ao mesmo tempo, mas faz [risos]!

E hoje o seu projeto principal é o WME, certo?

Sim. Meu e da Claudia Assef. Nós nos encontrávamos em conferências, e sempre nos colocavam num espaço sobre “Mulheres na Música”. Participamos do Projeto Pulso, na Red Bull, em que eu dei uma consultoria pros artistas. No último dia a Claudia fechou mediando um painel com todas as mulheres que estavam lá, com o tema “Mulheres na Música”, e todas ficaram comovidas, porque tinha muita artista, várias minas de vários ramos. Aí a Claudia virou pra mim e perguntou por que era difícil de achar mulheres no mercado. Veio na minha cabeça: cara, eu já fiz dez sessões do Boiler Room e coloquei duas mulheres pra tocar. Por que, não existe mais? Foi um clique. A partir dali eu criei o grupo [no Facebook] Mulheres na Música, que virou uma rede de conexões de mulheres do mercado, pra se conhecer engenheiras de áudio, advogadas de direitos autorais, designers, VJs… O grupo cresceu, e então veio a ideia de criar um evento. Foi assim que surgiu o WME, a princípio só como uma conferência, depois como uma plataforma de conteúdo também. Criamos o site, que tem quatro pilares: começa com as notícias, não somente sobre artistas, mas sobre todo o universo da música…

Monique trabalhando na transmissão do Boiler Room de Recife

Com foco em mulheres que fazem?

Sim, mas não sobre “mundo feminino”, sobre business. Tem uma coluna que é a Meu Estúdio. Pegamos produtoras e fazemos perguntas sobre equipamento, workflow, e dá a palavra pra mulher falar sobre o que ela sabe. Porque, principalmente na música eletrônica, tem ainda muito preconceito com a mulher que produz, do tipo: “Ah, não é a Miss Kittin que produz, é o The Hacker; não é a ANNA que produz, é o Wehbba…”. Isso é muito feio, coloca a mulher como se ela sempre precisasse ter um cara por trás.

A mulher é vista sempre como um bibelô, um rostinho bonito, mas quem faz é o cara…

É, exatamente. Então a ideia da Meu Estúdio tem a Nina Kraviz, tem a ANNA, tem a Shanti Celeste falando… E a plataforma não é só música eletrônica, abrange todos os estilos. Ainda nessa parte de conteúdo, além de matérias e colunas, tem o WME Sessions, um programa de web TV, com episódios que a gente grava na minha casa. Nossa intenção é descobrir artistas novas. Isso é um pilar. Outro pilar é um banco de dados, com mais de trinta profissões do mercado da música: DJ, engenheira de áudio, MC, advogada de direitos autorais… A profissional se cadastra e monta seu perfil. Já tem mais de 400 cadastradas — aí você entra e pode fazer uma busca por profissão ou por Estado. É uma ferramenta incrível.

“40% do nosso público nas redes sociais é masculino; eles entendem que é um movimento que não é agressivo.”

Essa ferramenta é meio que uma extensão do Mulheres na Música então, né?

Sim, mas é mais profissional, porque o Mulheres na Música eu fazia tudo na mão, mandava inbox, fazia as perguntas… Mas agora a gente tem um perfil de cada uma, com foto, links, e aberto pra todo mundo. Mas então, te falei de dois pilares; a gente tem uma outra parte de agenda: colocamos ali todos os eventos no Brasil que acontecem com mulheres. A gente cria assim uma agenda global, em que atuamos como um hub, pra todo mundo se comunicar. E o nosso quarto pilar é a conferência, que é nosso maior evento. Neste ano aconteceu agora, entre 17 e 18 de marco, no CCSP.

Como vocês avaliam essa primeira experiência?

Foi muito além das nossas expectativas, porque uma conferencia no Brasil demora pra ter público: a gente não tá acostumado a sentar e ouvir, não temos essa cultura. O RMC, que tá aí ha dez anos, passou a ter um volume de pessoas maior de uns anos pra cá. É algo que vem crescendo. O que fizemos? Uma conferencia com dez painéis de discussão, com temas variados e com profissionais muito gabaritadas; nomes grandes, desde o rap e a música eletrônica à música brasileira. Tivemos grandes CEOs, empresárias de rappers, artistas como Tiê, Mahmundi, Karina Buhr, Negra Li, a homenageada Marina Lima… Juntamos gente do mercado inteiro, com assuntos acessíveis, e todas as voluntárias e a parte técnica foram feitas por mulheres. Desde o primeiro painel, às 13h de uma sexta-feira chuvosa, já tava cheio — isso foi uma surpresa. Deram 600 pessoas, e o que mais me impressionou foram os workshops, sempre lotados.

Com o DJ Marky, na gravação do Boiler Room na casa do artista

O principal objetivo do WME é combater o preconceito?

É a abertura do mercado de trabalho pras mulheres. A gente quer fazer conexões, e que novas profissionais entrem no mercado mais assertivas. As mulheres da parte técnica, o quanto elas não sofrem de preconceito? Muitos pensam: “Essa aí que vai ser a técnica de PA? Sei não…”.

Parece que o trabalho de bastidores sempre teve mais mulheres, mas nos trabalhos mais técnicos que há menos. É pelo machismo?

Historicamente falando, não tem como ter muitas mulheres no mercado. Os homens tão há muito tempo fazendo isso, estudando. São poucas que há quinze anos tinham coragem pra se dedicar, e a menina que era mais corajosa e tava ali, muitas vezes era zoada. De uns anos pra cá, com essa independência feminina, essa coragem vindo… você vai ver, daqui a dez anos, quantas mulheres vão ter na parte técnica, porque agora tá se dando essa abertura, de que a mulher pode ser o que ela quiser.

Entendo que o objetivo de vocês é chegar em um ponto em que não se precise mais falar em gênero, certo?

Sim, com certeza. Mas isso vai demorar muito; a gente ainda tem que correr muito atrás pra igualar as coisas. Quem sabe a minha filha, que tem dois anos, consiga pegar uma melhora? Tem gente que não consegue enxergar [o preconceito], acha exagero. Eu não tenho muito o que lamentar, porque eu fui criada por homens, então sempre tive que ter uma postura mais firme — se um cara falasse algo pra mim, eu já mandava praquele lugar. Todo mundo sempre me respeitou porque eu era vista como igual. Só que não acontece isso normalmente.

No Women’s Music Event, com Claudia e o grupo Rimas & Melodias

A mulher é criada pra ser mais submissa…

Óbvio, olha a sociedade machista em que a gente vive, o Brasil é o quinto país que mais mata mulher no mundo. A situação é muito grave, a gente tá em outra realidade, em que as pessoas não enxergam a profundidade do assunto — mas temos que mudar o mundo no ambiente em que estamos, e o que eu e a Claudia conseguimos é o mínimo: criar uma rede de conexões, abraçar essas mulheres e falar: aqui vocês têm esse espaço. E a gente não exclui homem; óbvio que não, justamente porque queremos que no futuro os profissionais sejam vistos como humanos, não como homens ou mulheres.

É engraçado que até uma menina chegou [na conferência]: “Mas tem muito homem aqui!”. Claro que tem, não queremos excluir, mas somar! Se a gente não quer que os homens tenham preconceito com a gente, a gente não pode ter com ninguém. Todos são bem-vindos; 40% do nosso público nas redes sociais é masculino. Eles comentam, dão share, convidam amigas, entendem que é um movimento que não é agressivo — a gente tem um jeito de falar que é amor, sabe?

Lembrei de uma entrevista da Annie Mac ao THUMP, em 2014. Ela dizia: “Parem de perguntar o que é ser uma mulher na indústria da música”. Você acha que já tá chato falar sobre isso?

Nossa, acho que já passou, sim. A gente tem que ir pro próximo passo: valorizar a mulher no trabalho dela. A gente fez a curadoria de alguns painéis do RMC, e um foi sobre produtoras musicais. A Claudia foi mediadora e falou que foi um papo superinteligente. Então por que insistir no “Mulheres na Música”? Isso já tá dois anos atrás!

Nas conferências ou no site do WME, você não vai ver nenhuma entrevista sobre como é ser mulher no mercado da música. Agora é hora de mostrar trabalho. Eu não sou mulher de mimimi: “Ai, nossa, já aconteceu isso comigo”… Não! Se a gente realmente quer que as pessoas nos olhem como mulheres de negócio, a gente já pode pular essa parte da sofrência.

* Flávio Lerner é editor-assistente na Phouse; leia mais de suas colunas.

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Festivais no Reino Unido fazem campanha contra assédio sexual

Uma campanha reuniu 25 festivais expressivos do Reino Unido para lutar contra o assédio sexual. A iniciativa parte da ONG AIF, e chama-se Safer Spaces at Festivais (espaços mais seguros nos festivais). O objetivo é “chamar atenção para a violência sexual em todos os espectros — do público aos artistas, passando pelo staff e pelos voluntários — e espalhar mensagens sobre ‘consentimento’, sobre ‘não ficar parado’ e a ter ‘tolerância zero’ com qualquer forma de assédio sexual”.

Dos 25 festivais envolvidos, os mais famosos são Parklife, Secret Garden Party e o Bestival — que, desde 2004, já trouxe atrações do calibre de Fatboy Slim, Petshop Boys, Beastie Boys, Basement Jaxx, 2manydjs, The Chemical Brothers, New Order, Prodigy e Underworld.

Você pode conferir todos os detalhes da campanha aqui.