5 sintetizadores que revolucionaram a música eletrônica

Uma breve história de cinco dos mais famosos synths que ajudaram a definir o gênero

* Por Danilo Bencke
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Os sintetizadores foram responsáveis por uma revolução musical, já que criavam timbres que nunca tinham sido ouvidos antes. Com o tempo, se tornaram uma das principais ferramentas de um estúdio musical, pois conseguem criar praticamente qualquer som que o produtor venha a precisar: baixos, leads, pads, bateria e efeitos. Isso não só mudou a forma de produzir música, como também foi a base do desenvolvimento da música eletrônica.

O primeiro dispositivo a gerar sons usando apenas circuitos elétricos foi criado no final do século IX. Mas foi somente no início dos anos 60 que o sintetizador começou a figurar como um instrumento musical de verdade, graças ao pioneirismo de Bob Moog e Don Buchla, que criaram o primeiro sintetizador a ser disponibilizado comercialmente, abrindo as portas para um incontável número de modelos e marcas que seguiram.

Os primeiros sintetizadores analógicos eram grandes e complicados de usar, mas com o avanço da tecnologia eles se tornaram cada vez menores e mais fáceis de utilizar. Hoje em dia, você pode facilmente tocar um sintetizador em seu próprio computador.

A história da música eletrônica quase se confunde com a própria história dos sintetizadores, sempre andando lado a lado com as novas tecnologias e tendências, passando por estilos e gerações, influenciando e sendo influenciada por todos os tipos de música e músicos. Veremos agora cinco sintetizadores que possuem relação direta com o surgimento e desenvolvimento do gênero.

1 – Minimoog

O primeiro sintetizador compacto a ser disponibilizado comercialmente — e ainda um dos melhores — foi usado em diversos gêneros musicais. Lançado em 1970 e comercializado até 1981, o Minimoog monofônico revolucionou a música eletrônica, fomentando a base para todos os sintetizadores que vieram depois.

Antes dele, os sintetizadores modulares eram grandes e caros, sendo inadequados para apresentação ao vivo e principalmente para carregar em viagem pelas turnês. Assim, o Minimoog foi pensado para incluir somente as partes mais importantes de um sintetizador modular em um móvel compacto, sem a necessidade de cabos para conectar os elementos.

O Minimoog foi amplamente usado por diferentes gerações e gêneros musicais e permanece muito utilizado até hoje, mais de quatro décadas após sua invenção, devido ao seu design intuitivo e pela riqueza de seus sons em todos os registros — desde o rock da banda Rush ao eletrônico do Kraftwerk, até o reggae de Bob Marley and the Wailers. Isso mostra a versatilidade do sintetizador e suas diversas utilidades e aplicações na música.

Renomado por seu baixo funky e seus leads peculiares, a Moog ainda faz alguns sintetizadores de hardwares que seguem os passos do original. Hoje em dia, a Arturia faz a emulação de software oficialmente licenciada dele, o plugin Mini V3.

2 – Roland TB-303

TB-303 (cujo nome vem de “Transistor Bass”, “baixo transistorizado”) foi um sintetizador/sequenciador produzido pela Roland Corporation entre 1982 e 1983, que desempenhou um papel crucial no desenvolvimento da música eletrônica contemporânea. Sua história, porém, é bastante curiosa.

O TB-303 foi originalmente vendido como uma forma de fornecer um acompanhamento de baixo para guitarristas enquanto praticavam sozinhos. No entanto, a ideia inicial não vingou e o TB-303 foi um fracasso total de vendas. Isso porque ele não soava como um baixo de verdade, mas como um som completamente novo e diferente. A produção durou cerca de 18 meses, sendo produzidas apenas 20 mil unidades.

Somente alguns anos depois, a partir de meados dos anos 80, que o sintetizador foi cair nas mãos de DJs e músicos de Chicago, que encontraram um uso para o hardware no contexto da house music (que se encontrava então em desenvolvimento). Em 1985, o grupo Phuture (formado por Spanky, DJ Pierre e Herb J) gravou “Acid Tracks”, uma jam de 12 minutos que deu início a um novo gênero: o acid house.

O conhecido som “acid” pode ser produzido com um TB-303 tocando uma melodia enquanto se altera a frequência de corte do filtro, a ressonância e a modulação do envelope. Muito utilizado por artistas como New Order, Daft Punk, Aphex Twin, Orange Juice, Josh Wink, DJ Pierre e Hardfloor.

3 – Roland Juno

A série de sintetizadores Juno da Roland é uma das mais famosas e populares da história — entre eles, o Juno-6, Juno-60 e o Juno-106, lançados entre 1982 e 1983. Eles sem dúvida estão entre os mais amados e utilizados por amadores e profissionais. Muito disso se deve à sua grande sonoridade e fácil programação.

O Juno não foi essencial apenas para o electropop dos anos 80, mas também ajudou a definir as primeiras cenas de house e techno dos anos 90. Seu som de lead pesado, com muitos harmônicos, ficou conhecido como “hoover”, o que viria a ser um dos principais timbres do trance e hard house da década de 90.

Um preset simples, aparentemente inofensivo chamado “WhatThe”, foi programado como uma piada (daí o nome) pelo técnico Eric Persing, mas foi pego pelo produtor de techno Joey Beltram em 1991 e um novo estilo nasceu. Depois que Beltram e seus amigos iniciaram a tendência com a faixa “Mentasm” em 91, a Human Resource colocou o preset “WhatThe” nas paradas com o rap-techno “Dominator”. Mais notavelmente, os britânicos do Prodigy atingiram os corações e as mentes de uma geração com o controverso single “Charly”.

O Juno tem sido usado extensivamente por diversos artistas famosos e influentes, o que contribui para a popularidade duradoura e o respeito desses sintetizadores, apesar de sua arquitetura relativamente simples e alcance limitado de possibilidades sonoras. Alguns artistas que utilizaram o Juno são: Fatboy Slim, Moby, Depeche Mode, The Prodigy e The Chemical Brothers.

4 – Yamaha DX-7

Lançado pela Yamaha em 1983, foi o primeiro sucesso comercial da era de sintetizadores digitais. Foi o primeiro também a utilizar síntese FM, o que gerava sonoridades completamente distintas de tudo que se ouvia até então.

O DX-7 é bem conhecido por seu piano elétrico, sinos e outros “plucks”, com sons que possuem attack bem presente e complexos. Seu característico timbre pode ser ouvido em muitas gravações, especialmente de música pop desde a década de 1980.

Todavia, era considerado difícil de ser programado, devido à complexidade da síntese FM. Consequentemente, seus sons predefinidos (presets) foram amplamente utilizados, o que significa que a maioria dos músicos preferiam se apresentar e gravar com os sons prontos que já vinham no sintetizador em vez de criarem seus próprios. Esses sons foram tão usados, que até o final da década de 1980 eles já eram considerados como clichê.

Foi usado por artistas como The Crystal Method, Kraftwerk, U2, The Cure, Beastie Boys e Astral Projection. Mais recentemente, a empresa Native Instruments fez uma emulação de software desse sintetizador, o FM-8, que vem sendo muito utilizado para criar sons complexos como os do dubstep. Não à toa, é tido como um dos favoritos do Skrillex.

5 – Access Virus

O Access Virus é um sintetizador analógico virtual feito pela empresa alemã Access Music GmbH. O primeiro modelo, Virus A, foi lançado em 1997, e desde então tem sido atualizado com frequência. Essa evolução ajuda a explicar por que ele ainda é um queridinho dos músicos hoje em dia.

Conhecido por seu poderoso som e sua flexibilidade, ele oferece uma maneira fácil de conectar o hardware do sintetizador com o software de produção musical no computador, fornecendo integração total entre os dois, parte crucial para o funcionamento de um estúdio moderno.

Este é o sintetizador mais recente da lista, tendo sido incluído por ser um dos responsáveis pela nova sonoridade da música eletrônica, principalmente no techno e no trance. Foi usado por DJs como Headhunterz, Hardwell, Angerfist, Paul Oakenfold, DJ Sammy e Sasha, além de ter sido utilizado em larga escala por artistas de diversos outros gêneros — Nine Inch Nails, Depeche Mode, Dr. Dre, Linkin Park, TJR, Excision e até o famoso compositor de trilhas sonoras Hans Zimmer são exemplos.

Em suma, a música eletrônica pode ser um gênero considerado inovador, mas sempre teve muita inspiração no passado. Muitos produtores possuem uma certa reverência por ferramentas vintage e pelo som de sintetizadores clássicos, que se tornaram a marca de muitos estilos musicais. A sonoridade dessas máquinas icônicas estará sempre enraizada na história da música eletrônica.

* Danilo Bencke assina a novíssima coluna da AIMEC na Phouse.

Avicii, Swedish House Mafia, Guetta… Confira os DJs mais pesquisados no Google em 2018

O falecido DJ foi o segundo assunto mais buscado no mundo neste ano

O Google liberou ao público o seu tradicional “Year in Search”, que mostra uma retrospectiva do site no ano, com os assuntos e termos-chave mais buscados durante os últimos 365 dias.

 

Avicii, que tragicamente nos deixou em abril, foi o segundo assunto mais pesquisado no mundo, atrás apenas da Copa do Mundo. Das celebridades que não estão mais entre nós, a pesquisa pela estrela da música eletrônica também ficou no topo, na frente de nomes como Mac Miller e Stan Lee. No Brasil, entre as pessoas que nos deixaram neste ano, Avicii foi a segunda mais buscada, atrás de Stan Lee.

O Google divulgou também uma lista com os artistas mais pesquisados de acordo com cada gênero musical. Para nossa [não] surpresa, o Swedish House Mafia é quem está no lugar mais alto, seguido de David Guetta e Armin van Buuren. Fatboy Slim, Benny Benassi, Carl Cox, Paul Oakenfold, Laidback Luke, Steve Angello e marshmello completam o top 10.

 Foto: Screenshot

Ainda no ranking de pesquisas mundiais, o Brasil acabou representado pela famigerada greve dos caminhoneiros (que está entre as dez notícias mais buscadas), pelo polêmico presidente eleito Jair Bolsonaro (sexta posição entre as pessoas mais pesquisadas), pelo craque Philippe Coutinho (que driblou muitos nomes para aparecer como oitavo atleta mais buscado) e pela novela Segundo Sol (nona posição entre os programas de TV).

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Collab de Guetta e Black Coffee ganha vídeo e remixes do underground

Paul Oakenfold será o primeiro DJ a tocar no Stonehenge

O evento será assistido por apenas 50 pessoas

Diversos DJs têm se superado quando o assunto é tocar em lugares inusitados, e agora é a vez de Paul Oakenfold dar mais um passo à frente nesse quesito. O lendário artista britânico, que já tocou em picos como o Monte Everest e a Muralha da China, vai comandar uma performance em lugar ainda mais lendário: o Stonehenge, um dos monumentos mais incríveis do mundo, que foi construído milhares de anos antes de Cristo e hoje é Patrimônio Mundial da UNESCO.

Segundo a imprensa internacional, um público seleto de 50 pessoas testemunhará o espetáculo, que será gravado e lançado como Live at the Stonehenge. Ainda não há uma data confirmada para o evento.

“Eu tenho muita sorte de poder compartilhar minha música em um lugar tão icônico”, declarou Oakenfold à imprensa. “A energia ali será diferente de qualquer outro lugar no planeta, e isso irá refletir na minha música e na minha performance. Apesar de já ter tocado em eventos e locais incríveis em todo o mundo, o pôr do sol no Stonehenge será o mais mágico.”

Organizado pela Universe, o show pretende angariar fundos para a English Heritage, organização que ajuda na preservação de diversos lugares históricos no Reino Unido — incluindo o próprio Stonehenge.

Amsterdam Dance Event revela primeiros artistas para 2018

O evento espera reunir até 400 mil pessoas

Maior conferência mundial de festivais e negócios para música eletrônica, o Amsterdam Dance Event anunciou a primeira seleção de artistas para 2018. A lista é grande, já que a programação de eventos inclui baladas e eventos em mais de cem lugares.

Entre os nomes já divulgados estão Bonobo, Charlotte de Witte, Ben Klock, Chris Liebing, Jeff Mills, Derrick May, Joseph Capriati, Laurent Garnier, Solomun, Martin Garrix, David Guetta, Hardwell, Nicky Romero, Paul Oakenfold, Nina Kraviz, Luciano, Orbital, Claptone, Peggy Gou, Dubfire, Dixon, DJ Koze, Helena Hauff, Floating Ponts, Sven Väth, Tom Trago, Leon Vynehall, Maya Jane Coles e Richie Hawtin. Confira a lista:

ADE 2018

Nesta 23ª edição, os organizadores esperam receber um número recorde de 400 mil visitantes. Programado para outubro, o encontro oferece arte, cinema e fotografia, além, claro, de muita música, networking e conversas sobre as últimas tendências do mercado.

O Amsterdam Dance Event 2018 engloba vários locais, assim como programações simultâneas, mas a maioria dos painéis e palestras acontecem pelo segundo ano no Teatro Nieuwe DeLaMar, entre 17 e 21 de outubro.

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Gui Boratto participa de disco de remixes para lenda da música

O lendário Paul Simon, que está se aposentando em breve, lançará um disco de remixes para um de seus álbuns mais conceituados

Paul Simon, um dos músicos mais reverenciados globalmente nas últimas décadas, terá em breve um discos de remixes para o seu clássico Graceland, vencedor do Grammy de álbum do ano de 1986. O lançamento será feito no dia 1º de junho, via Sony/Legacy.

O disco contará com 11 faixas, com remixes de expoentes da cena mais conceitual da música eletrônica, incluindo o nosso Gui Boratto, que virá com sua própria versão de “That Was Your Mother”. Além dele, gigantes da dance music, como Joris Voorn, Groove Armada, Joyce Muniz, Sharam, Paul Oakenfold e Thievery Corporation, também assinam seus remixes. No player abaixo, você pode conferir cinco dessas 11 faixas que já foram disponibilizadas para audição.

Paul Simon é um ícone da cultura pop, tendo influenciado incontáveis bandas e projetos desde 1957. Experimentando com vertentes que vão do folk à world music, foi pioneiro em usar referências da música africana (afrobeat) com a música pop. Com o amigo Art Garfunkel, integrou o famoso duo de folk Simon & Garfunkel, e em breve está se aposentando da vida nas estradas. Em fevereiro, o músico anunciou uma turnê de despedida, com datas no Canadá e nos Estados Unidos, entre maio e junho.

Até por isso, um disco de remixes vem bem a calhar para colocar a música de Paul Simon devidamente onde ela também merece estar: nas pistas de dança.

Tracklist:

01 “Homeless (Joris Voorn Remix)”
02 “Gumboots (Joyce Muniz Remix)”
03 “I Know What I Know (Sharam Remix)”
04 “Crazy Love, Vol. II (Paul Oakenfold Remix)”
05 “The Boy In The Bubble (Richy Ahmed Remix)”
06 “You Can Call Me Al (Groove Armada Remix)”
07 “Under African Skies (Rich Pinder & Djoko Remix)”
08 “Graceland (MK with KC Lights Remix)”
09 “That Was Your Mother (Gui Boratto Remix)”
10 “Diamonds On The Soles Of Her Shoes (Thievery Corporation Remix)”
11 “All Around The World Or The Myth Of Fingerprints (Photek Remix)”
12 “Homeless (Joris Voorn Kitchen Table Mix)”

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Assista ao novo trailer de documentário com Carl Cox e Martin Garrix

What We Started” será lançado em março, durante o Ultra Miami

Pré-lançado no ano passado no Los Angeles Film Festival, o documentário What We Started, que conta a história da música eletrônica ao enganchar o legado de Carl Cox com a rápida ascensão de Martin Garrix, ganhou agora um novo trailer.

Com pouco mais de dois minutos, o trailer traz alguns trechos já conhecidos — como as falas de Seth Troxler e Paul Oakenfold, e a conversa de David Guetta com Garrix —, mas muitas cenas novas.

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Falando sobre as origens da cultura das pistas de dança, Cox alega que era necessária muita habilidade para manejar os decks antigamente, enquanto Moby recorda de quando a dance music era totalmente separada da cultura pop — era o refúgio alternativo dos excluídos, dos que não se encaixavam nos padrões da sociedade.

O lançamento está programado para 22 de março, em Miami — época do Ultra. A partir de junho, o filme também deve estar disponível no Netflix.

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Linha do tempo: Veja o legado que o Anzuclub deixou à cena trance nacional

De Armin van Buuren a Paul Oakenfold e Markus Schulz, passando por Ferry Corsten e Above & Beyond; relembre os grandes nomes da cena trance mundial que passaram pelo Anzuclub.
Agradecimentos: Marlon Bastos Barbosa e Cristiano Henrique Prazeres
Fotos: Anzuclub / Gui Urban / Natali Hernandez / Babalu / Eder Leandro / Reprodução 

Depois de 20 anos de historia e milhões de espectadores, o Anzuclub encerrou suas atividades nesse último sábado, dia 07, em uma festa que trouxe o belga Lost Frequencies como headliner, acompanhado por uma reunião de todos os DJs que um dia já foram residentes da casa.

Se você não conheceu, certamente ouvirá muitas histórias sobre várias apresentações inesquecíveis de um dos clubes mais antigos do Brasil. Inaugurado em 2 de outubro de 1997, o Anzu foi palco de grandes eventos da música eletrônica em terras tupiniquins.

Tornando-se um club semanal, já trouxe aproximadamente três milhões de pessoas para dançar, cantar, alegrar e se emocionar ao som dos DJs mais renomados do mundo — além da constelação de artistas nacionais que puderam se apresentar na casa.

Com o ciclo tendo se encerrado no último fim de semana, deixamos aqui uma última homenagem, com um resgate histórico dos artistas da cena trance e progressive que marcaram presença na casa, ficando para sempre em nossas memorias.

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2004 – Scott Project

Anzu Trance

No sábado, 17 de janeiro de 2004, o Anzuclub promoveu uma das maiores festas itinerantes europeias com um dos maiores DJs da atualidade: Gatecrasher, com o alemão Scott Project (trance/hard-trance). A balada contou ainda com os residentes Mora e Edgard Fontes.

2004 – Armin van Buuren

Anzu Trance

No dia 12 de junho daquele ano, o holandês foi até o Anzuclub para se apresentar pela primeira vez no Brasil. Naquele ano, Armin van Buuren era considerado o terceiro DJ mais popular do mundo, ficando atrás de Tiësto e Paul van Dyk.

2005 – Marco V

Anzu Trance

Já em 2005, no dia 12 de março o Anzuclub recebeu novamente a festa do selo Godskitchen, que contou com o convidado Marco V, além dos residentes Mora, Edgard Fontes e Paulinho Boghosian. Naquele ano, o holandês era considerado o 16° DJ mais popular do mundo.

2006 a 2007 – SOTs

Anzu Trance

Entre os anos de 2006 a 2007, os eventos SOT – State of Trance, do núcleo de trance brasileiro Energy BR, realizou aproximadamente dez edições no Anzuclub. Em parceria com o club, o projeto trouxe várias atrações internacionais além de lançar novos DJs nacionais em evidência no Brasil. O casting do núcleo contou com nomes como Jack, Fabio Stein, Danilo Ercole, Superti, o duo DTC (Dorph e Ted Corr), Everson K e Danny Oliveira.

2007 – Ali Wilson

Anzu Trance

Em 31 de março de 2007, uma nova edição da SOT recebeu Ali Wilson. O top DJ britânico estava em turnê pelo Brasil naquele ano para promover o pré-lançamento de seu primeiro álbum solo, de sua própria gravadora Tekelec Records. Além da atração principal, o line contou com os DJs JackFabio SteinFranky Homma, Fabio Hed e o VJ Léo.

2007 – Brian Cross

Anzu Trance

Ainda em 2007, o clube do interior paulista recebeu a festa Amnesia Ibiza World Tour, de um dos mais badalados clubs de Ibiza. Nessa primeira edição, que ocorreu vez em 7 de abril, o Anzu teve como atração principal o catalão Brian Cross, que naquele ano foi indicado em três categorias no prêmio Spanish DJ. Além de ser o residente das noites Armada, no Amnesia, Brian era a pessoa escolhida para fazer a tour mundial. O line contou ainda com os DJs Mora, Edgard Fontes e Netto.

2008 – Eddie Halliwell

Anzu Trance

Com seu estilo único, o britânico Eddie Halliwell também marcou presença em Itu. No dia 12 de janeiro, Eddie mostrou que misturando trance, techno, house e electro, a pista do Anzu iria ficar pequena. Para aqueles que estiveram nessa data fatídica, o canto do público está até hoje em suas memorias: “EDDIE! EDDIE! EDDIE!”.

2008 – deadmau5

Anzu Trance

Em 28 de junho, o Anzuclub recebia pela primeira vez no Brasil o canadense Joel Thomas Zimmerman, mais conhecido mundialmente como deadmau5. Naquele ano, Zimmerman ainda era pouco conhecido entre os brasileiros. Entretanto, não demorou muito tempo para que seu trabalho ganhasse o mundo.

2011 e 2012 – Ferry Corsten

Anzu Trance

Apresentando-se por dois anos seguidos no Brasil, Ferry Corsten trouxe para Itu as maiores e melhores sensações que o público do trance tem de lembrança. Nos dias 15 de setembro de 2011 e 24 de setembro de 2012, o holandês manteve a sua tradição de se apresentar por horas e não sair da cabine até o sol nascer — tanto que até hoje é um dos artistas mais queridos do público do Anzu.

2012 – Sander van Doorn

Anzu Trance

Em comemoração aos 15 anos do Anzuclub, no dia 13 de outubro outro DJ e produtor holandês, Sander van Doorn, foi a cereja do bolo. Com a ajuda de clássicos como “Grasshopper”, “Punk’d and Riff” e “Love is Darkness”, SVD levou o publico ao delírio. O lineup também contou com os residentes Viktor Mora e Ulisses Nunes.

2012 e 2013 – Paul van Dyk

Anzu Trance

Uma das maiores lendas da música eletrônica também marcou presença no Anzu em duas oportunidades. O alemão Paul van Dyk participou em 17 de novembro de 2012 da famosa White Party do Anzuclub. Seu live foi tão marcante que a casa o convidou novamente para a festa de aniversario de 16 anos, em 12 de outubro de 2013.

2013 – W&W

Anzu Trance

Seguindo a tradição de sempre realizar pre-parties, warmups e after-parties de festivais de Itu, o Anzuclub realizou em 15 de novembro o WarmupXXX17, evento que contou com a presença do duo holandês W&W.

Naquele ano, a dupla formada por Willem van Hanegem Jr. e Wardt van der Harst estava passando por um processo de transição do trance/progressive para o electro house, house e EDM.

Ainda assim, faixas como “Shotgun”, “Moscow”, “Ghost Town”, “Invasion”, “Alpha”, “Impact”, “Arena”, “Mustang” e “Mainstage” foram executadas para alegria do público do trance presente.

2013 e 2014 – Above & Beyond

Anzu Trance

Outros artistas que também são queridos na casa são o trio britânico Above & Beyond, que somam duas aparições inesquecíveis. No dia 7 de setembro de 2014, Paavo Siljamäki e Tony McGuinness se apresentavam pela primeira vez no Anzuclub, e em 8 de março de 2014 a casa realizou sua tão famosa edição do Carnanzu, que contou com o trio — entretanto, Jono Grant e Paavo Siljamäki foram os escolhidos para vir ao Brasil.

Esta edição reservou uma surpresa que ninguém esperava: um pedido de casamento no meio da pista de dança, e com ajuda de Above & Beyond como cumplices. Durante a execução da música “Thing Called Love”, os DJs escreveram no telão do clube uma mensagem enviada por Fabio von Zuben à sua amada Gilmara Meneses (confira como foi esse momento aqui).

2016 – Paul Oakenfold

Anzu Trance

Em 4 de junho do ano passado, o Anzuclub, em parceria com o projeto Trance In Brazil, teve o prazer de receber pela primeira vez uma das maiores lendas da história do trance mundial: Paul Oakenfold. Além da lenda britânica, o brasileiro Wrechiski completou o lineup da edição temática Just Back.

2017 – Markus Schulz

Anzu Trance

Celebrando quatro anos de existência, o projeto Trance in Brazil se emparceirou mais uma vez ao Anzu para trazer outro grande nome da cena global — o alemão Markus Schulz.

No dia 16 de setembro, naquela que foi a penúltima abertura de portas da casa, o trance dominou o Main Stage mais famoso do Brasil, já que o lineup contou também com dois grandes nomes do cenário nacional: Danilo Ercole e Wrechiski. Além do palco principal, Markus ainda se apresentou no Afterhours, que levou o público a dançar até as 8h da manhã, fechando com chave de ouro a última atração de trance da história dos 20 anos da casa.

* Fernando Matt é colaborador eventual da Phouse.

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Confira todos os vencedores do primeiro Electronic Music Awards

O primeiro Electronic Music Awards rolou nessa noite de quinta-feira, em Los Angeles, com transmissão para o mundo todo via Twitter. A Phouse acompanhou o streaming de perto, então fiquem espertos que em breve soltaremos um review sobre o evento.

Enquanto isso, você já pode conferir abaixo quem foram os grandes premiados da noite:

Álbum do ano

Woman, Justice
Memories…Do Not Open, The Chainsmokers
9, Cashmere Cat
Epoch, Tycho
Migration, Bonobo (VENCEDOR)
Humanz, Gorillaz

Single do ano

Skrillex & Rick Ross – “Purple Lamborghini”
Major Lazer ft. Justin Bieber & MØ – “Cold Water” (VENCEDOR)
The Chainsmokers ft. Halsey – “Closer”
DJ Snake ft. Justin Bieber – “Let Me Love You”
Porter Robinson & Madeon – “Shelter”
Martin Garrix & Dua Lipa – “Scared To Be Lonely”

Faixa do ano

Kidnap Kid & Lane 8 – Aba
Kolsch  – Grey
Todd Terje – Jungelknugen (Four Tet Remix)
Lapsley – Operator (DJ Koze Extended Disco Version)
Rüfüs du Sol – Innerbloom (Sasha Remix) (VENCEDOR)

Festival do ano

EDC – Várias cidades (VENCEDOR)
Tomorrowland – Boom
Electric Forest – Rothbury
Movement – Detroit
Lightning In A Bottle – Bradley

Clube do ano

Berghain/Panorama Bar – Berlim
DC-10 – Ibiza
Elrow – Barcelona
Fabric – Londres
Omnia – Las Vegas
Output – Nova Iorque (VENCEDOR)
XOYO – Londres
XS – Las Vegas

Radio Show do ano (com dois vencedores)

Above & Beyond – Group Therapy
Annie Mac – Annie Mac Presents
Claude VonStroke – The Birdhouse
Danny Howard – BBC’s Radio 1 Dance Anthems
Diplo – Diplo & Friends (VENCEDOR)
Liquid Todd – Beta BPM
Nicole Moudaber – In The Mood
Pasquale Rotella – Nightowl Radio
Pete Tong – The Essential Selection (VENCEDOR)

Artista revelação do ano

Alison Wonderland (VENCEDORA)
Kungs
Marshmello
Mura Masa
Rezz
San Holo

DJ do ano

A-Trak
The Black Madonna
Claude VonStroke
Diplo
Eric Prydz (VENCEDOR)

Live Act do ano

Bob Moses
Bonobo
Eric Prydz
Flume
Porter Robinson x Madeon
Rüfüs du Sol (VENCEDOR)

Produtor do ano

Cashmere Cat (VENCEDOR)
Hot Since 82
ODESZA
Sasha
The Chainsmokers

Uma premiação de música eletrônica com pompa de Oscar; conheça o EM Awards

Além dessas categorias, o EM Awards entregou dois prêmios como menção de honra: o pioneiro do techno Juan Atkins foi condecorado com o Prêmio Inaugural de Inovação, enquanto Moby  recebeu o Prêmio de Realização de Vida.

O Electronic Music Awards foi coproduzido por Paul Oakenfold e pela companhia Hunt & Crest. A cerimônia chegou a ser anunciado para abril de 2016, com o nome de Electronic Music Awards & Foundation Show e transmissão da Fox. Cerca de duas semanas antes da data marcada, porém, o evento foi adiado, e relançado neste ano, com um nome ligeiramente diferente e transmissão pelo Twitter para o mundo todo.

Fique ligado aqui na Phouse para entender melhor o que foi e o que significou essa cerimônia para cena eletrônica.

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Uma premiação de música eletrônica com pompa de Oscar; conheça o EM Awards

* Foto: Daft Punk sendo premiado com um Grammy, em 2014

Seguramente, vivemos hoje a época de maior força da música eletrônica no mundo. Nunca se ouviu tanto house, techno, EDM, trap, future bass, e as misturas são cada vez mais ousadas. Nós temos incontáveis festivais, filmes e documentários, concursos e reality shows voltados a esse universo. Naturalmente — e apesar de já existirem diversas premiações de nicho, como a IDMA —, havia uma lacuna para uma cerimônia de prêmios com toda a pompa de um Oscar, um VMA ou um Grammy, focada exclusivamente no mundo da dance music. Pois essa lacuna foi preenchida: nasce neste ano o primeiro Electronic Music Awards.

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Serão premiados os melhores do ano em 11 categorias: melhor single, álbum, faixa, remix, clube, DJ, produtor, live act, festival, radio show e artista revelação. Entre os indicados estão grandes figuras, das vertentes mais variadas, como Justice, Skrillex, Gorillaz, Martin Garrix, Eric Prydz, Major Lazer, The Chainsmokers, Diplo, Todd Terje, Bonobo, Sasha, Hot Since 82, Claude VonStroke, Annie Mac, Pete Tong, The Black Madonna, Flume, A-Trak e Four Tet, além dos novatos (ou nem tão novatos assim) San Holo, Mura Masa, Alison Wonderland, Rezz, Marshmello e Kungs — estes concorrendo ao prêmio de melhor novo artista do ano.

A premiação rola no dia 21 de setembro, com transmissão ao vivo pelo Twitter, diretamente de um galpão no centro de Los Angeles, às 19h47 do horário local (23h47 em Brasília). Até o momento, Moby, Orbital, Ramzoid, Madeaux, Kidnap Kid, Illenium, Goldfish, Floorpan e Autograf são as atrações confirmadas para se apresentarem ao vivo — mais nomes ainda serão anunciados. Os responsáveis por apresentar a cerimônia são a DJ e jornalista Hanna Rad e o editor-chefe da Billboard Dance, Matt Medved.

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Com Paul Oakenfold como produtor executivo, o Electronic Music Awards chegou a ser anunciado em janeiro de 2016, com o nome de Electronic Music Awards & Foundation Show. O evento foi programado para abril daquele ano, com transmissão pela Fox direto do SLS Hotel, em LA, mas cerca de duas semanas antes da data marcada, o programa foi adiado, sendo relançado agora, com um nome ligeiramente diferente e sem transmissão televisiva.

Você pode conferir mais detalhes no site oficial do EM Awards.

Frequentadores da Hï Ibiza podem ajudar a salvar a mata atlântica

A destruição da Floresta Amazônica é um tema preocupante há anos. Além da devastação em escala, do fim de certos ecossistemas e das áreas verdes perdidas, a floresta é como um grande pulmão para o globo. Pensando em retardar os danos já causados e olhando para o futuro, Ricardo Perteus, empreendedor inglês de tecnologias inovadoras, e Tom Murray, Diretor de Inovação da Future Ready Schools, juntaram forças depois de se conhecerem no Burning Man e fundaram o Dance For 1 Meter (D41M) — iniciativa que dará ao pagante de grandes clubes e festivais parceiros a opção de doar um Euro. Cada Euro doado corresponde ao salvamento permanente de um metro quadrado da floresta.

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O projeto já rolou no HRBR Project, festival na Ilha do Governador em Nova Iorque, e recentemente fechou parceria com a Hï Ibiza, onde o público já tem a opção de doar o valor sugerido a cada festa frequentada. O release do projeto diz que, com o auxílio do Google Earth, cada doador poderá resgatar e ver de perto, por imagens de satélite, seu metro quadrado adquirido.

Em seu perfil do Linkedin, Porteus falou sobre como a ideia vem sendo bem recebida, e pode se tornar algo recorrente em festivais: “O projeto D41M está se desenrolando em escala global, e até agora todos com quem falamos aceitaram se juntar à nossa iniciativa. O D41M está crescendo com artistas como Paul Oakenfold e Judge Jules agora nos dando suporte”.

Com preços variando entre €45 e €55 (mais ou menos entre R$ 170,00 e R$ 200,00) para as noites da Hï Ibiza, seus frequentadores não devem ter problema em doar um Euro para essa iniciativa, podendo curtir a festa e contribuir com uma causa nobre ao mesmo tempo.

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Alec Araujo: “O progressive house de hoje é bom demais para ser ignorado”

Em entrevista com Jonas Fachi, Alec Araujo fala sobre a estreia de seu programa mensal na Frisky Radio, de Nova Iorque — uma das rádios mais respeitadas do planeta.

Como artista, Alec Araujo alcançou altos níveis de reconhecimento e apoio, dos quais muitos produtores só sonham. De suporte de DJs como Hernan Cattaneo, Nick Warren, Paul Oakenfold e Dave Seaman a feedback positivo da icônica banda alemã Kraftwerk, Alec já conseguiu muito em sua carreira. Um dos pioneiros da cena eletrônica no Sul do país, ele ajudou a construir as bases de um movimento cultural que explodiu durante a primeira década do século 21 no Rio Grande Do Sul, e que agora está novamente circundando as mentes da nova geração de clubbers no país — o house progressivo.

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Sua dedicação à música por quase duas décadas de carreira é refletida através de poderosos sets, que compartilham de uma perspectiva única e atingem ouvidos afiados por novos talentos. A capacidade elevada em construir mixagens com energia e atmosfera são aclamadas em toda América do Sul, levando-o a ser convidado para se apresentar em clubs com Warung e D-EDGE, além de podcasts para diversos programas de todo mundo. Agora, a Frisky Radio — uma das rádios eletrônicas mais respeitadas do planeta, que recebe mixes e faz curadoria exclusiva há quase 20 anos de grandes expoentes, como Nick Muir, 16 bit Lolitas, Robert Babicz, Quiver, Martin Garcia e Miss Nine — ganha um novo integrante. Pelo podcast Fenix Sessions, Alec será o segundo brasileiro a fazer parte do disputado roster da Frisky, que dispõe de quase 40 artistas. Nesta entrevista, ele nos conta como conquistou seu espaço na consagrada rádio de Nova Iorque, além de referências, produções, insights sobre a cena nacional, e claro, detalhes do seu show mensal que vai ao ar na próxima segunda.

https://soundcloud.com/alecaraujo/alec-araujo-live-inprogress-showcase-estaleirinho-santa-catarina-august-06th-2017

Alec, conte-nos: como surgiu o convite da Frisky?

Há anos que recebo convites para sets na Frisky. O time da rádio sempre me apoiou, e a afinidade entre eles e minha música só cresceu durante esse tempo. Há algum tempo eu já amadurecia a ideia de ter meu próprio show, e acredito que o convite veio no momento certo — um momento em que me sinto maduro na minha carreira. Acredito que os trabalhos realizados durante esses anos de relacionamento só favoreceram para que o Fenix Sessions se tornasse real, e no momento adequado.

O nome escolhido para o seu programa é Fenix; parece que existe um simbolismo por trás dessa escolha.

Quando eu residia em Porto Alegre, diversos amigos sempre me questionavam quando eu iria ter minha própria festa, pois éramos uma turma enorme de pessoas que gostavam de um mesmo estilo, o progressive house — e não era normal escutar esse estilo em clubs. Naquela época, resolvi que teríamos que criar uma festa, com algo novo musicalmente. O nome “Fenix” veio da ideia de “renascer das cinzas”, da renovação esperada por todos em relação à música tocada, e pegou. Tenho um carinho especial pelo seu significado, e não poderia fazer diferente [com o nome do podcast]. Também pelo conceito nostálgico criado pelas pessoas em relação à festa, resolvi que manteria o nome no show.

“Fenix” também significa o novo. Por isso, fiz questão de trazer artistas que o público não conhecia para cada evento, e também produções deles para meus sets. Continuarei fazendo sempre isso nos shows mensais. Há musicas em que o propósito é diferente de tocar ao vivo, mas no show elas serão encaixadas no momento merecido, juntamente com sons que já funcionam nas apresentações. Quero fazer o diferente do meu jeito.

“Eu sempre acreditei que a cena é você quem faz.”

Você atualmente vive em São Paulo, mas é do Rio Grande do Sul, onde foi pioneiro. Em que época foi isso, e como você vê a cena do seu Estado de origem?

De 2000 a 2012 foram os anos em que mais toquei naquela cena. Era uma festa melhor que a outra. Eu amo meu Estado e tenho uma consideração enorme por todas as pessoas que, de uma forma ou de outra, ajudaram a construir a minha carreira. O RS realmente tem um público maravilhoso. Eu fico feliz de ver hoje artistas gaúchos como o Fran Bortolossi, produtor da Colours, fazer não só sua festa como a sua carreira de DJ um sucesso. Produtores como o Do Santos, que é meu conterrâneo, se destacarem não só no Brasil como no mundo com suas músicas é incrível.  Ouvi sets do Mezomo (Santa Maria) com excelente repertório. O PoSher, que é um DJ novo, é um artista dedicado e com gosto e técnica musical incríveis. Tem o Ednner Soares aka Zipman, que é um produtor e técnico de áudio dos melhores — o Marco Carola e o Stefano Noferini tocam músicas dele. O Cesar [Funck, do Sonic Future] já é para mim um dos maiores produtores mundiais. O Rodrigo Moita também, sempre foi um batalhador: mora hoje em SP e é sócio da Entourage, um dos maiores empresários do ramo no Brasil.

Estes são somente alguns de um leque de talentos inefáveis do meu Estado. Festas como a Levels contribuem a cada edição com excelentes atrações e público bonito em seus eventos, isso sem contar com clubs como a Beehive, que mantêm uma tradição em qualidade em seus lineups. Eu sempre acreditei que a cena é você quem faz, então acredito que as pessoas que trabalham com amor e dedicação com a música eletrônica estão colhendo bons frutos atualmente por lá.

Você também foi pioneiro na produção musical no país. Recentemente, sua faixa pela Global Underground foi relançada em uma série comemorativa da gravadora. Qual o sentimento em ter lançado por uma marca tão importante no cenário global?

A faixa “Baghdad” foi feita em parceria com meu amigo e irmão de produção de muitos anos, o Fernando Goraieb. Para a gente, é sempre uma surpresa com alegria quando lançamos em um label como o GU. A nossa parceria se estende até hoje e somos amigos dentro e fora do estúdio; duas crianças grandes. O legal de lançar em um label expressivo, ao menos para mim, é a questão de os olhos lá focarem no Brasil como um lugar que tem, sim, produtores esforçados e com grande talento para a música.

Ouvi também sobre sua parceria com o Wolfgang Flur, um dos membros da lendária banda eletrônica Kraftwerk. Como aconteceu isso?

O Wolfgang curtiu um remix do Kraftwerk que fiz para o Hernan Cattaneo tocar. Falou que havia amado o trabalho, e perguntou se eu poderia enviar a ele uma cópia, juntamente com os canais do remix abertos para que ele fizesse sua própria versão. Fiquei lisonjeado com tudo isso. Em seu livro  I Was A Robot ele citou meu nome — achei muito gentil e educado. A partir disso, a amizade estreitou, e recentemente recebi dele uma proposta para um novo trabalho, um novo remix.

Atualmente, como está sua carreira? No que tem trabalhado?

Estou contente com as produções recentes, oportunidades e apresentações que têm surgido. Neste ano tive músicas lançadas nos labels Clinique e Nube Music.  A convite da Hot Cue Music, produzi um remix da faixa “Smyrna”, do Nightboy, que já tem o suporte do Hernan Cattaneo, e outro remix para a gravadora Chief Rouge Records. Há faixas também que serão lançadas por 3XA, Astrowave e Varona Label. Recentemente retornei de Santa Catarina, onde pude tocar no InProgress Showcase. Público lindo e vibe inacreditável. Santa Catarina possui uma energia pura e próxima com o progressive, e senti isso com muito mais intensidade desta vez.

Também estou muito contente pela oportunidade de mostrar meu trabalho no D-EDGE no dia 27, juntamente com um time de amigos e DJs que admiro. Aproveito para deixar o meu agradecimento pessoal ao clube pela recepção do Progression, e a todo o pessoal pelo empenho e trabalho já realizados. Faremos uma grande festa. Dia 14 de outubro retorno ao RS para tocar em Garibaldi, no Freedom Music. Eventos como este são importantíssimos para o crescimento da música eletrônica, pois são feitos com muito foco, determinação e principalmente amor — e o público é quem mais ganha com isso.

“Os clubs precisam abrir as portas para a boa música, independentemente do estilo.”

Existe um movimento que tenta inserir o house progressivo em São Paulo. Por que agora a cidade e até clubs importantes, como o D-EDGE, estão abrindo as portas para o estilo? Sabemos que o techno sempre predominou por aí…

Acredito no amadurecimento da música e das pessoas como um todo. Há o momento certo para as coisas acontecerem. Aqui em SP, o núcleo da Unik ID está fazendo um trabalho bonito dentro da cena progressiva, trazendo Darin Epslon e Cid Inc para a sua primeira edição — quer dizer, o movimento está mais forte. Progressive house é um estilo bonito de se tocar e de se mixar. Há toda uma técnica por trás, as músicas são mais trabalhadas, as harmonias mais intensas e os breaks das produções atuais são explosivos e completos. O que está acontecendo atualmente dentro desse estilo é bom demais para ser ignorado. Minha opinião é que os clubs precisam abrir as portas para a boa música, independentemente do estilo.

Quais são os produtores que têm frequentado sua playlist ultimamente? E você poderia nos adiantar algo sobre o set de estreia na próxima semana?

A lista é enorme. Tenho um respeito gigante pelo talento de cada um deles. Estão em outro nível nas produções e são pessoas incríveis. Vou citar alguns: Nicolas Rada, Ezequiel Arias, Lucas Rossi, Emi Galvan, Subconscious Tales, SHFT, Dmitri Molosh, Christian Monique, Martin Gardoqui, Franco Tejedor, Guhus, Ignacio Torne, Clyde Rouge, Santo Adriano, Bablak, Antrim, Michael A, Eze Ramirez, Sebastian Busto, Ewan Rill. No Brasil: Luciano Scheffer, Fer J, Danilo MorttaguaAndré Sobota e André Salata têm feito trabalhos com suporte de muito artista grande. Mas há vários ainda no anonimato, e não vejo a hora de ver a música deles em alguma edição do Fenix Sessions.

Quanto ao set, tenho recebido músicas que são verdadeiras histórias para se ouvir, e vai ser ótimo poder contá-las durante os 60 minutos do show. Vou trabalhar para ter uma obra prima a cada mês para oferecer a quem puder ouvir. O Fenix Sessions terá o que tenho de melhor, de mais novo, e também tudo o que aprendi nesses anos como DJ e produtor, em técnica e estudo musical. Não é para ser um simples set. É um trabalho para fazer parte da vida de alguém.

Estreando no dia 14, o Fenix Sessions vai rolar na Frisky Radio nas segundas segundas-feiras de cada mês. Você pode conferir a programação e o link para ouvir o lançamento do programa aqui.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Paul Oakenfold em quadrinhos: artista lançará romance gráfico de sua vida

Paul Oakenfold terá agora seu próprio livro. The Wonderful World of Perfecto: With Paul Oakenfold And Friends (O Mundo Fantástico de Perfecto: Com Paul Oakenfold e Seus Amigos, em tradução livre) se trata de um trabalho colaborativo, na forma de quadrinhos, com direito a trilha sonora original.

Segundo o artista, via assessoria de imprensa, o romance gráfico irá contar a história de sua vida “sem muito compromisso com a realidade”, retratando sua “ascensão ao sucesso, à fama e ao nirvana musical”.

Distribuído em volumes, cada um acompanhado de uma trilha, o lançamento será realizado pela Z2 Comics, a partir de 21 de novembro.

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O Amsterdam Music Festival já mostra que será um dos eventos do ano somente com a revelação de pouco mais de cem artistas, de um total de 2500 que irão se apresentar em 140 localidades.

Os nomes divulgados representam estilos variados, como Ben Klock, Paul Oakenfold, Dimitri Vegas & Like Mike, Joseph Capriati, Solomun, Stephan Bodzin, David Guetta, Seth Troxler, o recentemente constrangido Konstantin, Don Diablo, Dubfire, Joris Voorn, Nastia, Recondite, Tale Of Us, e também os lives já confirmados de Fatima Yamaha, Vessels, Hercules & Love Affair, entre outros.

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Martin Garrix também irá repetir a dose do seu show sem restrições de idade, e se diz muito feliz com isso acontecendo de novo, pois nem sempre seus fãs mais novos podem vê-lo. A outra grande novidade para este ano é que as conferências acontecerão em um local diferente, no Teatro Nieuwe DeLaMar, e nos 16 anos anteriores a casa foi o Felix Meritis, que está em processo de renovação.

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Confira o lineup completo:

Teaser de documentário tem Garrix, Guetta, Angello, Troxler e Oakenfold

Para acompanhar a première do documentário What We Started — que se deu ontem, no Los Angeles Film Festival, nos Estados Unidos —, um teaser de um minuto do filme foi divulgado na web.

Nele, temos um pedaço de um depoimento de Martin Garrix (protagonista da obra, ao lado de Carl Cox), falando sobre o quão louco foi ter ascendido tão rapidamente. Em seguida, David Guetta e Steve Angello aparecem no sofá, à frente de Garrix, corroborando com a ideia: “Imagina pra ele [Garrix], fez tudo isso em dois anos! Pra gente, levou dez!”, disse David. “Você [Garrix] saiu do seu quarto pra tocar na frente de cem mil pessoas em um ano! Isso é uma loucura!”, complementou o DJ.

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Seth Troxler, com seu tom debochado de costume, também figura no teaser: “Como diabos um garoto de 17 anos de repente é a cara da dance music? Que diabos?!”. O vídeo encerra com um questionamento de Paul Oakenfold: “Um garoto de 16, 17 anos faz uma faixa, não tem experiência nenhuma em discotecar para o público, e é bookado. Por quê?”.

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Mesmo sendo personagem principal do filme, Cox não aparece nesse teaser. What We Started — que traz uma narrativa da história da música eletrônica, enganchando o legado de Carl Cox com a insurreição de Martin Garrix — ainda conta com depoimentos de Tiësto, Moby, Erick Morillo, Afrojack, Sasha, Usher, Louie Vega, Richie Hawtin, Pasquale Rotella, Russel Faibisch, Ed Sheeran e James Barton. O documentário tem direção de Bert Marcus e Cyrus Saidi, e trilha sonora por Pete Tong.

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Acid House e cultura rave britânica ganharão série de TV: Ibiza87

A cultura rave britânica e o Acid House ganharão uma série especial chamada Ibiza87, que é de criação do escritor Irvine Welsh, do livro Trainspotting. A série será baseada nos produtores Nick Holloway, Paul Oakenfold e Danny Rampling, que detalharão suas histórias em um feriado em Ibiza 1987, a partir daí a introdução para o movimento britânico da época.

Também escrito pelo roteirista Dean Cavanagh e co-produzido por Leo Pearlman e Danny Potts, o Ibiza87 trará um detalhamento dos acontecimentos da época, entre eles estão o uso de drogas, rixas entre grupos, e o que é chamado pelos participantes de um “período incrível da cultura da música britânica”.

Um dos principais personagens dessa história, Paul Oakenfold se disse animado em retratar essa história: “Estou muito feliz com este projeto, como você sabe, ele se relaciona com o aniversário de 30 anos de nossa viagem a Ibiza e o que seguiu a partir de então: o nascimento dos clubs e a cena festival como sabemos É ótimo celebrar com este projeto, assim como minha turnê mundial este ano, são três gerações de música eletrônica”.

O lançamento oficial do projeto ainda não foi divulgado e os três produtores citados na matéria serão os responsáveis pela trilha sonora do Ibiza87.

 

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Vândalos atacam acampamento do Paul Oakenfold no Burning Man

Fundado pela lenda Paul Oakenfold e pelo bilionário russo Tumur Sardarov, o acampamento de luxo White Ocean, instalado no Burning Man, foi invadido por vândalos na noite da quarta-feira (31) de agosto. Em um comunicado feito no Facebook, organizadores relatam que arruaceiros danificaram grande parte da estrutura e desperdiçaram alimentos.

Conhecido por sua festa “White Party”, White Ocean contou que um bando de vândalos atacou, roubou, e cortou fios elétricos do seu acampamento. Como se não bastasse, os baderneiros também desperdiçaram 200 galões de água, e comida, essa em consequência dos fios elétricos cortados.

Ainda no comunicado, White Ocean conta que se sentiu sabotado de várias maneiras neste ano. O motivo? White Ocean é considerado um refúgio para os participantes que não aderem à cultura do Burning Man.

Confira:

Paul Oakenfold é premiado pela Creative Fusion Award

Por mais de três décadas ele é considerado uma lenda!

PaulOakenfold

Paul Oakenfold que já levou o Grammy 03 vezes como melhor produtor, ainda continua sendo uma das principais forças do cenário musical global. Esta semana, ele recebeu o prêmio Creative Fusion Award em Los Angeles, por conta de  suas contribuições extraordinárias para o cenário musical que tiveram um grande impacto no Reino Unido e EUA.

The 5 Annual Business Innovation Awards, apresentado pela Virgin Atlantic , vai comemorar com premiação pela  realização proeminente e inovação em: Tecnologia, Impacto Social , Design de Produto e Serviços Corporativos . No entanto, Paul será o mais prestigiado da noite .

Em 2011 Paul recebeu também o prêmio BritWeek, como o “Magnata” da música.
Estamos muito orgulhosos de você Paul, aguardamos você aqui pelo Brasil novamente.