Festival de Detroit polemiza ao cobrar ingressos mais caros para brancos

Após muitas críticas, o AfroFuture Fest unificou os valores

Um pequeno festival americano chamado AfroFuture Fest recebeu uma enxurrada de críticas nas redes sociais após comercializar ingressos com valores diferentes para pessoas brancas e negras ou pardas. Para o primeiro grupo, os ingressos antecipados custavam 20 dólares, enquanto “pessoas de cor” — chamados por eles de “POC” (people of color) — pagariam apenas dez dólares.

Na própria sessão de FAQ do site do evento, havia uma explicação para a diferenciação dos preços acima:

“Por que temos ingressos “POC” (pessoas de cor) e “NONPOC” (pessoas brancas)? Que bom que você perguntou! Igualdade significa tratar todos da mesma maneira. Equidade é garantir que todos tenham o que precisam para ter sucesso. Nossa estrutura de ingressos foi construída para assegurar que as comunidades mais marginalizadas (pessoas de cor) recebam uma chance justa de desfrutar de eventos em sua própria comunidade”, justificou o festival. 

Após saber do ocorrido, Tiny Jag, rapper que iria se apresentar no evento, pediu para cancelarem sua presença e ser removida dos materiais promocionais. A artista, que se considera biracial (e afirmou que sua avó é branca), disse à CNN que ficou desconfortável porque “a prática faz com que um grupo de pessoas sinta que não é bem-vindo ao evento, e como se estivesse pagando uma dívida para outra comunidade”.

Tiny Jag cancelou sua participação no AfroFuture. Foto: Reprodução

A própria Eventbrite, plataforma de venda dos ingressos, também ameaçou retirar seus serviços do festival se os preços não fossem alterados. “Não permitimos eventos que exigem que os participantes paguem preços diferentes com base em suas características protegidas, como raça ou etnia”, disse em um comunicado.

Ao New York Times, Tiffany Ellis, advogada de direitos civis de Detroit, disse que a estrutura de preços era discriminatória e poderia ter resultado em ações judiciais. Após o ocorrido e todas as reclamações, o festival unificou o valor para 20 dólares, sugerindo ainda que pessoas brancas façam uma doação.

Organizado pelo coletivo Afrofutre Youth, o Afrofuture Fest vai rolar no dia 03 de agosto, em Detroit.

Spotify remove músicas de supremacistas brancos do seu catálogo

Frente aos acontecimentos recentes em Charlottesville, nos Estados Unidos, onde houve manifestação de grupos de supremacistas brancos que acabou em agressões entre movimentos antagônicos — culminando na morte de uma ativista —, o Spotify acaba de retirar do seu catálogo 27 bandas que, segundo a companhia, também pregavam a supremacia branca.

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A movimentação aconteceu após matéria do Digital Music News, que adicionou nomes a uma lista feita em 2014, pela ONG Southern Poverty Law Center, contendo um total de 37 bandas e até uma playlist voltada para marchas imperiais nazistas. Nenhum dos nomes, porém, tinha números expressivos na plataforma.

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A matéria foi publicada no último dia 14, e em menos de 24 horas o Spotify retirou do catálogo boa parte dos artistas apontados. A empresa emitiu um pronunciamento oficial, alegando estar revisando o material restante para tomar uma atitude assim que possível. “O Spotify toma ação imediata para remover qualquer material desse tipo assim que a informação chega até nós. Ficamos felizes com o alerta sobre esse tipo de conteúdo, e já removemos muitas das bandas identificadas hoje, enquanto urgentemente revisamos as restantes”, disse a companhia, em nota.

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Pouco tempo depois, o Deezer tomou medida semelhante, realizando revisão e limpeza de conteúdo considerado como discurso de ódio.

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