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TALENTO vs MARKETING: o que realmente importa na carreira de DJ/Produtor?

Everson K

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Colocar as palavras “DJ” e “Marketing” na mesma frase é uma grande aventura. Estas palavras, juntas, costumam causar grandes emoções nos amantes da música e da arte. Se você é DJ/Produtor e ainda não conquistou seu espaço, mais ainda.

Eu entendo completamente o motivo de tanta raiva: o mundo está de ponta-cabeça mesmo. Todos os dias vemos Fake DJ/Produtores tomando o espaço de artistas talentosos, que nunca conseguem as oportunidades que merecem.

Daí logo vêm aquela explicação clichê: “Tal DJ é puro marketing!”.

Esta maneira de ver o mundo e esta aversão ao Marketing trouxe a muitos DJs/Produtores a noção de que Talento e Marketing são opostos e que jamais, em hipótese alguma, podem andar juntos. Alguns acham até que Marketing é coisa do diabo! (Sério, já ouvi isso da boca de gente grande).

Só que isso nos leva a um grande paradoxo:

Se você não pode fazer um bom Marketing para mostrar seu Talento para o mundo, como o mundo vai conhecer o seu Talento?

Ops… agora deu um nó no cérebro. :P

QUALQUER COISA que você faça para divulgar seu trabalho, por mais simples que seja, já podemos dizer que é Marketing. Mesmo que você faça com todo o coração e não chame por este nome.

  • Postar um set na Internet é Marketing;
  • Divulgar a festa que você vai tocar é Marketing;
  • Colocar sua música pra vender no Beatport é Marketing;
  • Até mesmo dizer que você é DJ e se colocar a disposição para tocar é Marketing.

Absolutamente qualquer coisa que conecte seu trabalho com outras pessoas e, potencialmente, possa tirar você escuridão, é Marketing. Quer você goste, quer não!

Então, se você quer crescer como DJ/Produtor, mostrar seu talento para o mundo e construir uma carreira de forma PROFISSIONAL, talvez esteja na hora de rever os seus conceitos. E para rever seus conceitos é preciso derrubar 2 mitos que talvez estejam aí, em algum lugar, dentro da sua mente.

Mito #1: Marketing é uma maneira de enganar as pessoas para que elas gostem de maus artistas.

Tem lógica que tantos DJs/Produtores pensem assim. Como disse, tem tanto artista ruim tocando por aí que só podemos atribuir estes resultados ao “Puro Marketing” que eles fazem.

Porém, fazer “marketing” de um “produto” ruim é MAU MARKETING e, geralmente, só leva a 15 minutos de fama. Não se sustenta no longo prazo.

“Um bom Marketing não pode salvar um produto ruim, mas um Marketing ruim pode destruir um bom produto”.  (Phillip Kotler, um dos maiores gurus de Marketing do mundo)

Em outras palavras: não dá pra enganar por muito tempo se você não for bom no que faz!

Para pra pensar: onde estão hoje os Fake DJs de 1, 2 ou 3 anos atrás? Já sumiram do mapa! Incomodaram por um tempo, mas já foram. Enquanto isso, os DJs que estão aí há 5, 10, 15 anos são os DJs DE VERDADE, e são bons no que fazem. Caso contrário, já teriam caído.

Então, a partir de agora, sempre que você ver alguém dizer que tal DJ é “puro marketing”, lembre-se que este é o mau marketing.

O bom Marketing começa com um bom “produto” e, no caso de um artista, o bom “produto” é você e o seu Talento. Para construir uma carreira grandiosa, tudo começa com o Talento!

Beatles: a junção perfeita de Talento e Marketing criou esta banda lendária que mudou a história da música e impacta vidas até hoje.

Beatles: a junção perfeita de Talento e Marketing criou esta banda lendária que mudou a história da música e impacta vidas até hoje.

O bom Marketing é baseado na VERDADE e AUTENTICIDADE. Este é o Marketing que VOCÊ deve usar para mostrar o seu trabalho para o mundo e atingir mais gente com sua arte.

RESSALVA: não confunda artistas que VOCÊ não gosta com artistas ruins ou sem Talento. Por exemplo: eu não sou fã do Skrillex. Não é o que quero ouvir quando vou numa festa. Mas eu sei que ele é FODA no que faz. Entendo que existe gente no mundo que gosta exatamente daquilo, e está tudo bem. Entender que nosso gosto musical não é o único “certo” é um sinal de maturidade. ;)

Mito #2: Quem tem Talento não precisa de Marketing: o Talento fala por si.

Esta é outra visão muito comum entre amantes da música. Afinal, é o Talento, a arte, a música que nos conecta com aqueles artistas que admiramos.

Mas peraí… você já parou pra pensar o que precisou acontecer nos BASTIDORES para que o trabalho dos artistas que você ama chegassem até você?

Para pra pensar em algumas das formas que você já descobriu novos artistas:

  • Você viu um DJ fazendo um set incrível numa festa e se apaixonou pelo trabalho dele. Mas como ele foi parar naquele line-up?!
  • Você estava ouvindo novos artistas no Beatport e descobriu um produtor incrível. Mas como a música dele foi parar lá?
  • Você estava ouvindo Rádio ou Podcast, escutou uma música maravilhosa, colocou no Shazzan e descobriu um novo Talento. Mas como a música deste novo Talento foi parar naquela Rádio ou Podcast? E no Shazzan?

Estes são só alguns exemplos, mas você entendeu a lógica, né?

Quando somos apenas público, apreciadores de música, nós não pensamos nisso tudo. É como se isso acontecesse num passe de mágica. É uma parte do trabalho do artista que a gente não vê.

Mas, quando nos tornamos PROFISSIONAIS da música, não dá mais pra ser tão romântico e esperar que tudo isso aconteça no “piloto-automático”. Precisamos entender como funcionam os bastidores de uma carreira artística e quais as maneiras de mostrar nosso trabalho pro mundo.

O que está no palco, o que o público vê, é só 20% do trabalho de um artista. Os outros 80% acontecem nos bastidores, para que estes grandes momentos aconteçam.

VanGogh, por exemplo, é considerado um gênios das artes. Mas acho que ele nunca entendeu que uma CARREIRA não era apenas arte o tempo todo.

Talento ele tinha de sobra…. Ainda assim, morreu na miséria, frustrado e sem reconhecimento. Somente após sua morte a cunhada de VanGogh fez por ele o trabalho de Marketing que ele nunca havia feito. Hoje, algumas de suas obras valem mais de US$ 80 Milhões.

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VanGogh: mesmo tendo um talento inquestionável, morreu pobre e frustrado, sem nunca ter o reconhecimento que merecia.

VanGogh, de certa forma, foi um Talento desperdiçado. Não para o mundo, mas para ele próprio, que não chegou a colher os frutos de seu imenso Talento.

Você não quer ser mais um VanGogh como DJ/Produtor, certo?

Então está na hora de rever seus conceitos e entender que o elo de ligação entre seu Talento e o resto do mundo é o que chamamos de Marketing. Não é por que alguns usam esta ferramenta de forma errada que você não pode usar da maneira certa para impactar mais pessoas com a sua arte.

Moral da História

Talento e Marketing precisam andar JUNTOS se você quiser construir uma carreira profissional como DJ/Produtor.

Marketing sem Talento = 15 Minutos de Fama. Porém, Talento sem Marketing = certeza de frustração, vivendo escuridão, sem conseguir mostrar seu trabalho pro mundo nem ter o reconhecimento que você merece.

Meu trabalho, nos últimos 3 anos, tem sido ajudar os verdadeiros DJs (aqueles que tem o Talento) a construírem carreiras de sucesso através a Academia de Marketing para DJs. A partir de agora, estarei compartilhando dicas e insights sobre isso, quinzenalmente, aqui na Phouse também.

Próximos Passos

Se você gostou deste conteúdo, aqui vão os próximos passos:

1) Me diga nos COMENTÁRIOS, abaixo, qual foi sua principal sacada entre tudo o que foi dito aqui. Que ideia ou conceito mais te impactou? Vou ler e responder todos os comentários postados.

2) COMPARTILHE com seus amigos DJs. Tem muita gente que precisa entender isso para poder crescer! Você pode ajudá-los e eles também ficarão felizes com você por isso. :)

3) Neste artigo eu falei sobre 2 Mitos. Mas, na verdade, existem 16 Mitos que te Impedem de Vencer como DJ. “Verdades” que NÃO SÃO BEM ASSIM e podem estar minando a sua carreira. Clique no link para acessar agora esta vídeo-aula que liberei com exclusividade para os seguidores da Phouse.

Lembre-se: se você tem um Talento, o mundo precisa conhecê-lo! Utilize todas as armas que estão à sua disposição para mostrar seu Talento para o mundo e construir a carreira que você tanto sonha.

Quando mais os verdadeiros DJs conquistarem seu espaço, menos espaço sobra para os oportunistas. :)

Sobre Everson K:

Everson K é pós-graduado em Marketing pela FGV e trabalhou 16 anos na Cena Eletrônica como DJ, Produtor de Eventos e dono de Agência de DJs. Hoje, ajuda outros DJs/Produtores a construírem carreiras de sucesso através da Academia de Marketing para DJs.

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Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

Parceria entre Boiler Room e Ballantine’s retorna ao Brasil em novo projeto

Flávio Lerner

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Boiler Room São Paulo
Foto: Reprodução
Série “Hybrid Sounds” mescla artistas eletrônicos com nomes orgânicos 

Juntos há cinco anos, Boiler Room e a marca de uísque Ballantine’s já montaram projetos ousados e incríveis no cenário musical. A partir de 2016, a união foi ainda mais longe com o lançamento da série Stay True, que visitava diversos países com lineups cuidadosamente curados para celebrar a cultura de cada nacionalidade. Naquele ano, tivemos nada menos que o Boiler Room Stay True Brazil — o lendário Boiler Room de Recife, que fez história em nosso país. Em 2017, a parceria voltou rebatizada como True Music, trazendo nomes como Seth Troxler e Little Louie Vega a Salvador, junto a expoentes brazucas como Fatnotronic e Renato Ratier, e agora, em 2018, a Stay True traz seu novo projeto, Hybrid Sounds, para São Paulo.

A proposta da Hybrid Sounds é trazer lives inéditos e inesperados, colocando no mesmo palco artistas de música eletrônica com projetos acústicos, que provavelmente nunca se encontrariam em outra oportunidade. Em SP, isso será visto através do conceituado grupo do underground paulistano Teto Preto, que tocará em conjunto com a produtora berlinense rRoxymore. Expoente da Chicago house, Derrick Carter é o headliner do evento, enquanto a MC Linn da Quebrada e o cantor e compositor Tom Zé — um dos grandes nomes da música brasileira — completam o lineup.

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Em local ainda mantido em segredo, o Boiler Room True Music: Hybrids Sounds São Paulo rola no dia 23 de maio, uma quarta-feira, e terá transmissão ao vivo pela plataforma, como de praxe. O evento sucede as edições que rolaram em Moscou e em Beirut, no Líbano, e antecede a edição de Valência, na Espanha, que encerra o projeto. Ao final, um EP da série Hybrid Sounds será lançado, com faixas inéditas dos artistas que colaboraram em cada região (Teto Preto X rRoxymore em SP; Overmono X Solo Operator em Moscou; Dollkraut X Zeid & Maii em Beirut; e KiNK com um artista ainda não revelado, em Valência).

Para quem quer participar da festa, é necessário se inscrever no site e torcer para ganhar o convite por e-mail.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Análise

O indie dance original respira com a volta do Friendly Fires

Flávio Lerner

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Friendly Fires
Foto: Reprodução
Depois de mais de seis anos sem lançamentos, o trio britânico que marcou os anos 2000 está de volta

Fundado em 2006, o trio britânico de dance-rock/indie danceFriendly Fires foi importantíssimo para uma guinada mais eletrônica e dançante à cena indie da década passada, que encontrava-se em sua era de ouro com a ascensão de bandas como The Killers, Franz Ferdinand, The Strokes e Bloc Party. Seu surgimento — somado à ascensão de grupos como Klaxons, Chromeo, Cut CopyMetronomy e o brasileiro Cansei de Ser Sexy — fez com que aquele cenário mais centrado nas guitarras passasse a ter um foco maior nos sintetizadores e nas batidas. O LCD Soundsystem não estava mais sozinho.

Comandando pelo carismático e rebolativo Ed Macfarlane — com suas dancinhas impagáveis ao vivo e nos videoclipes —, o Friendly Fires explodiu mesmo em 2008, com o primeiro e homônimo álbum, e desde então acumulou milhões de fãs no mundo inteiro. Nunca fizeram exatamente música eletrônica de pista, mas bebiam claramente de fontes como a house e o synth pop de grupos como New Order e Depeche Mode. E não só isso: a batida e a vibe ensolarada das músicas trazia muito da música brasileira. Singles como “Jump in the Pool” e “Kiss of Life” surgiram com fortes elementos de percussão de samba — e em 2008 e 2009, o grupo chegou a realizar apresentações em conjunto com uma escola de samba.

Em 2011, às vésperas do lançamento do segundo álbum, Pala, que se afastava ainda mais do indie rock, foram capa da conceituada revista inglesa NME, e tiveram a ousadia de dizer que preferiam escutar Justin Timberlake do que Morrissey — antigo líder do grupo The Smiths, que dominou a cena indie nos anos 80. Pra roqueiros britânicos que levam esse tipo de comparação muito a sério [o que, arrisco dizer, seja boa parte do público da revista], uma declaração do tipo soava como heresia.

O trio seguiu sua vida muito bem, obrigado. Pala também fez sucesso, e o FF seguiu apresentando-se em shows lotados no mundo inteiro nos próximos anos. Mas pararam de fazer música. Em 2014, deram um tempo de vez, e só foram voltar agora, quatro anos depois, com shows de retorno na Inglaterra realizados nas últimas semanas. E claro, novo single — o primeiro em mais de seis anos.

“Love Like Waves” foi lançada no último dia 05, e segue a linha do Friendly Fires que já estamos acostumados, sem grandes alterações na estrutura sonora. É uma canção boa e agradável, que resgata o saudosismo dos fãs e empolga pelas novas possibilidades, mas também não chega a ser dos melhores sons já feitos pelo trio.

Novos singles devem surgir nas próximas semanas, culminando, em breve, com o aguardadíssimo terceiro álbum. Se mantiver a qualidade dos LPs do passado, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2018.

Bóra relembrar outros grandes singles do grupo:

* Nota do Autor: Indie dance/nu disco, assim como progressive house e deep house, foi mais um dos estilos que caiu naquela salada de tags do Beatport, na década passada, e acabou passando a ser usado para se referir a uma sonoridade completamente diferente. Aqui, evidentemente, falo sobre o indie dance original, que vai de bandas como o Cut Copy a produtores como o Tensnake.

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