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Análise

Tecnoxamanismo no tecido urbano: Tantša e a força de um ritual comunal

Chico Cornejo

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Tantša
Conheça a Tantša, festa que apresenta outra face do techno em meio a rica cena alternativa de São Paulo.
* Fotos por Image Dealers

Após um período inicial de posicionamento entre pares de peso em São Paulo, a itinerante Tantša se estabeleceu como uma das alternativas mais empenhadas curatorialmente com uma conexão estética entre a cena paulistana e o universo do techno transatlântico. Não que isto a tenha limitado esteticamente ou muito menos se estabelecido como um tipo de horizonte intransponível, mas foi exatamente esse comprometimento conceitual que colaborou diretamente para seu momento atual como um dos mais confiáveis centros de celebração corporal e nutrição cerebral em torno do gênero.

Itinerante desde sua primeira edição — em setembro do ano passado —, ela é a materialização dos anseios de um par de amantes da música eletrônica oriundos de cidades cuja vida cultural guarda pouca semelhança com a metrópole, mas cuja visão se projetou sobre um cenário urbano e musical auspicioso no momento certeiro. Madu e Victor viram uma fresta justamente onde sentiam que seus gostos não eram exatamente contemplados na já consideravelmente ampla oferta musical na vida noturna da cidade. Foi daí que surgiu o ímpeto de criar um evento que, segundo eles, “desse a experiência que buscávamos”.

Um início comum a tantas outras iniciativas que hoje pontuam a vida noturna da capital paulista, mas que no caso deles, se materializou através de um conceito muito bem definido daquilo que o gênero pode significar: “Techno para nós é um som para dançar… até cansar. O homem contemporâneo e o homem das cavernas não são muito diferentes. Há milhares de anos eles se reuniam em tribos, pintavam seus corpos e dançavam ao ritmo de tambores em cavernas escuras. Hoje nos encontramos em clubes e galpões abandonados, tatuamos nossos corpos e dançamos até o amanhecer ao som do bumbo que reverbera das caixas de som. O instinto é o mesmo, é atemporal. Tantša significa ‘dança’ em SeSotho, um dialeto sul-africano”. Uma ideia original bastante irrepreensível em sua intenção que a dupla buscou tornar impecável em sua execução.

O DJ ucraniano Etapp Kyle já teve faixas lançadas por selos como Klockworks e Ostgut Ton, e é um dos curadores da Tantša

As diretrizes que guiaram cada edição se mantiveram firmes, muito por conta destes princípios e das preferências musicais comuns deles — elementos que guiaram as escolhas de headliners por um campo percussivo, futurista e industrial que ressoou no interior do público amante do techno local de forma poderosa. E foi assim que, após inícios discretos, nos quais apostaram em artistas que atrairiam o tipo de conhecedor com o qual eles mesmos se identificavam, cimentaram sua reputação entre um nicho que pudesse comportar nomes como Dubspeeka e Acronym, partindo em seguida para Cleric, Lewis Fautzi, Ettap Kyle e Answer Code Request, estendendo o convite a outros mais amplamente conhecidos, como Perc e Radio Slave, mais recentemente.

Tantša

Além disso, o projeto ofereceu desde seus primeiros momentos uma forte presença visual e autenticidade linguística, que pautaram sua identidade em meio a uma variada fauna festiva. Nessa linguagem, cada iniciativa procura se distinguir através de idiomas cifrados e propostas plásticas exuberantes em sua comunicação. Para eles, a o papel desses componentes é integral ao conceito: “Somados à dança, essas três expressões artísticas formam o alicerce conceitual da Tantša. Todas representam um conjunto de relações sintético-orgânicas dos seres humanos. Gostamos de dizer que é um olhar do presente para o passado, e deste para o futuro”.

O duo paulistano Lacozta (formado por L_cio e Daniel Cozta) foi atração da Tantša em março

E é com um senso de pertencimento a este momento fértil da noite paulistana que sua proposta vicejou, e ambos estão bem cientes de que o caminho que trilham foi pavimentado por uma sequência de esforços que construíram o momento atual. “O momento atual da música eletrônica em SP é fruto dessas iniciativas, então indiretamente somos parte dessa prole. Enxergamos um ambiente mais propício a ‘coopetição’ — ou seja, cooperar com um senso de competição, que faz todos subirem a régua e serem melhores para si e para o público.” E aqui eles expressam um sentimento que certamente é benéfico para toda a comunidade, mantendo sua coesão e fazendo a sua pujança atual.

Tantša

Este é o contexto da Tantša hoje em dia: prenhe de um imenso potencial que de pouco valeria se não fosse a visão de seus timoneiros, uma que parece estar bem fixada no futuro de seu empreendimento e do mercado em que ele se insere. É assim que eles agregam perspectivas musicais, visuais e profissionais a uma já prismática gama de projetos que colorem a noite da metrópole e, no processo, se consolidam como uma referência dentro do seu cenáculo pelo mundo todo. Metonímia pelo método e pelo efeito.

* Chico Cornejo é colaborador eventual da Phouse.

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Entrevista

Em grande fase, Beowülf assina com Plus e Armada e concede sua primeira entrevista

Phouse Staff

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Beowülf
Às vésperas de lançar pelo selo de Armin, Beowülf fala com a imprensa pela primeira vez

Há cerca de um ano e meio, apareceu no cenário eletrônico brasileiro, quase como uma tempestade, um cara com uma bandana que esconde seu rosto, e traz o desenho de um animal místico. Marcantes, suas tracks rapidamente entraram para os sets de alguns dos principais DJs do Brasil e bateram os sete dígitos nas plataformas de streaming.

Com conhecimento musical profissional e forte veia clubber, o misterioso Beowülf rapidamente protagonizou momentos sonhados por todo artista que está começando uma carreira, como se apresentar duas vezes no Ultra Brasil — onde estreou —, tocar pelos principais clubs e eventos do país, ganhar uma residência (no caso, no Field Club, em Papanduva–SC), fazer collabs com expoentes do seu estilo (como FELGUK, Cat Dealers, KVSH e JØRD) e ter uma base de fãs extremamente leal e participativa.

Tocando no último Rio Music Carnival

Este mês de março foi um tanto mais especial para Beowülf do que o costume, já que ele entrou para o casting da Plusnetwork e se prepara agora para lançar seu novo single, “Plomo”, pela Armada Deep — sublabel da gigante Armada Music, de Armin van Buuren, com quem assinou contrato. A track só vai sair oficialmente no dia 29 de março, mas já figura nas tracklists dos shows de gigantes do cenário como Martin Garrix e Dimitri Vegas & Like Mike.

Para celebrar este momento, Beowülf, apesar de seguir mantendo sua verdadeira identidade em segredo, concordou em conceder à Phouse sua primeira entrevista exclusiva. No texto a seguir, você pode conferir esse papo, em que conversamos sobre essas novas conquistas, suas influências, a construção do seu personagem, relação com os fãs e postura como profissional.

Conte-nos mais sobre essa persona que você criou para o projeto Beowülf. O quanto de “herói” existe no personagem que você encarou para a sua carreira artística?

Sou fã de uma boa história, seja ela contada através do cinema ou da música. O Beowülf, do conto antigo, era um caçador de monstros e dragões [mitologia nórdica]. Toda vez que uma cidade ou um povo eram atacados por alguma criatura, ele era contratado para matar a fera, por maior e mais assustadora que ela fosse. Gosto de pensar que herdo um pouco desse espírito destemido toda vez que uso a bandana. Sempre enfrento meus desafios e objetivos com muita garra e determinação, especialmente nesse mundo doido da música.

Fale um pouco sobre suas inspirações musicais: quem são suas maiores referências e o que você costuma ouvir dentro e fora da música eletrônica?

Sou bastante eclético, mas os gêneros que mais curto são rock, hip-hop, blues, jazz, reggae, música latina, música clássica e claro, música eletrônica — house e derivados, dubstep, trap, moombahton, funk, drum’n’bass… Acho que levo um pouco disso tudo para o estúdio quando vou produzir. Mas no geral, costumo me inspirar em produtores inovadores que considero “next level”, como Skrillex, Knife Party, deadmau5, Boombox Cartel e Matroda.

“Não é apenas música, não é apenas marketing, não é apenas performance, e sim o conjunto.”

A sua primeira aparição como DJ aconteceu logo no palco do Ultra Brasil. O que isso representou para a sua carreira? Ao mesmo tempo em que te impulsionou no início, trouxe também uma certa pressão de se manter alocado no mercado?

Ter a estreia do seu projeto em um dos mais consagrados festivais do mundo, ainda por cima em sua cidade natal, é a melhor estreia possível [risos]. Me deu aquele sentimento de estar indo no caminho certo, e foi extremamente motivante. Desde então, venho trabalhando muito, focado e determinado para não deixar a bola cair, sempre dando o melhor de mim. Meu plano é tentar ser o melhor que eu puder ser, seja no estúdio, no palco ou nos bastidores.

Seu crescimento foi muito rápido, mas consistente. Assinou com a Sony Music, entrou na Plusnetwork e agora vai lançar pela Armada Music. Olhando para trás, quais são os elementos que você considera terem sido decisivos para trilhar um caminho sólido em tão pouco tempo?  

No início lancei muitas tracks em pouco tempo porque queria que o público conhecesse a minha identidade sonora, a minha marca. Umas bombaram mais que outras, mas a “Suavemente” acabou virando um hit e isso trouxe bastante reconhecimento. A bandana também foi algo que acrescentou muito para todo o conceito do Beowülf. E por fim, fazer um trabalho organizado, com planejamento, estratégia e uma equipe competente com “sangue no olho” também teve peso.

É notória a atenção que você deposita nas produções. Sua agenda de lançamentos é bem alta, e músicas como “Suavemente” e “Like Home” já passaram dos três milhões de plays no Spotify. Como se dá o seu processo criativo em estúdio, e em que formato você se sente mais à vontade produzindo?

Eu sempre procuro ir para o estúdio com a cabeça bem aberta, sem tentar copiar outros produtores que são do mesmo gênero. Acho muito importante desenvolver uma identidade musical própria, o que não é nada fácil, então eu foco bastante nisso. Quando faço uma track, geralmente começo pelo drop ou por algum sample — um vocal, um riff de guitarra, uma melodia inusitada…

Desenvolvo a ideia principal e em seguida trabalho nos detalhes. Eu gosto muito de produzir sozinho, mas trabalhar com parceiros é ótimo para ser objetivo ao tomar decisões juntos, o que acaba acelerando o processo de produção. Sou meio indeciso quando o assunto é timbre, então isso ajuda. São muitas opções para tudo. Quem produz música eletrônica sabe bem o que estou dizendo [risos].

Você também criou os “DRUM REMIXES”, vídeos em que toca músicas, em sua maioria suas, em uma bateria. Você é músico de formação?

Estudei música na escola e tive algumas bandas durante a adolescência. Com umas dessas bandas, tive oportunidade de gravar faixas em estúdios, me apresentar ao vivo e também tocar em peças musicais. Eu toco um pouco de tudo [risos], mas meu instrumento mesmo, que toco desde pequeno, é a bateria. Sou formado em Desenho Industrial, mas nunca exerci a profissão.

É comum na cena eletrônica vermos artistas usando máscaras para esconder suas verdadeiras identidades e construir personas misteriosas. Isso vem ao menos desde o Daft Punk, e hoje temos vários outros expoentes do tipo, como deadmau5, marshmello, SBTRKT… Por que você também optou por esse caminho, e o que te motiva a se manter anônimo para o grande público?

No meu caso foi importante porque eu tinha outros projetos de música eletrônica que rodaram pelo Brasil e outros países, e ao criar o Beowülf eu queria separar as coisas. Queria que as pessoas gostassem de mim pela minha música e não por quem eu sou. A bandana acabou se tornando mais do que algo para esconder o rosto — se tornou uma marca.

Falando em bandana, ela já se tornou parte importante da sua trajetória. Frequentemente vemos fãs utilizando uma bandana sua inclusive em apresentações de outros artistas. Como funciona, as pessoas pedem bandanas pra você? Você imaginava que algo do tipo poderia rolar?

Nunca esperava que a bandana fosse causar esse efeito todo. Usei ela mais para ocultar minha identidade mesmo, mas acabou se tornando algo muito maior. Achei muito legal como isso aconteceu naturalmente. Muita gente me pede uma, então eu levo sempre algumas para os shows e dou para a galera que está animadaça na frente do palco.

Infelizmente, são poucas bandanas por show, mas em breve venderei pela minha loja virtual para todo o Brasil. Algumas pessoas pedem para eu mostrar o rosto e já até tentaram arrancar ela à força algumas vezes [risos], mas pretendo continuar assim. Quando qualquer pessoa usa a bandana, ela encarna o espírito da lenda e se torna o Beowülf. Foi assim que surgiu a hashtag #WeAreBeowülf.

Tocando “Plomo” no Rio Music Carnival

Já que estamos falando de público, sua página possui um engajamento muito bom comparado a outros artistas. Como foi que você conseguiu construir uma base de fãs tão sólida? Que dicas você pode dar a outros artistas?

Acho que ser verdadeiro e atencioso com meus fãs, ter um trabalho sério, com tracks de qualidade constantes, dedicação. Não é apenas música, não é apenas marketing, não é apenas performance, e sim o conjunto. Eu recomendaria ter amor aos detalhes — seja nas músicas, redes sociais e carreira em geral —, e também, para se diferenciar de alguma forma, ser original, pois hoje em dia está tudo muito igual nesse mercado.  

Quais serão os próximos passos e planos do Beowülf?

Estou agora colhendo os primeiros frutos da “Plomo”, que já teve support de artistas como Martin Garrix e Dimitri Vegas & Like Mike. Estou muito ansioso para o lançamento dela. Depois disso, pretendo continuar lançando uma música a cada três ou quatro semanas, pois tenho mais de dez prontas no momento, entre remixes, originais, collabs… Não vejo a hora de poder mostrar todas essas tracks para o mundo.

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Phouse Tracks

PHOUSE TRACKS: Lazy Bear se junta a projeto emergente em “Away From Me”

Phouse Staff

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Veterano da cena fala com a Phouse sobre o lançamento com o Classical Tapes

O nosso lançamento da Phouse Tracks de hoje é muito especial — afinal de contas, como nos propomos a lançar talentos jovens e promissores que estão começando suas carreiras, não é todos os dias que assinamos música de artistas populares e bem consolidados. Assim, “Away From Me”, do Lazy Bear com o novíssimo e praticamente desconhecido projeto Classical Tapes, já está disponível para ouvir pelo Spotify e para baixar via SoundCloud e The Artist Union. A faixa une diferentes grooves do brazilian bass com uma levada mais pop, sobretudo no vocal.

Gustavo Assis, o nome por trás do Lazy Bear, revelou que a collab surgiu a partir de um dos integrantes do Classical Tapes, que entrou em contato com ele e enviou uma prévia da faixa. “Começamos um papo, marcamos uma visita dele em meu estúdio, onde, pessoalmente ele me mostrou a ideia de ‘Away From Me’ com os vocais e a guitarra. Na hora já consegui imaginar algo com aquela pitada ‘dancefloor’, e este é o resultado desse trabalho colaborativo”, conta o produtor paulista, apaixonado por sintetizadores analógicos.

Criado no final de 2015, o Lazy Bear obteve uma ascensão rápida na cena eletrônica brasileira, fazendo-se presente em alguns dos principais festivais e clubes do país. Hoje, o projeto integra o casting da Entourage e coleciona em seu portifólio collabs, remixes e suportes de nomes como Dimitri Vegas & Like Mike, Tiësto, Martin Garrix, Alok, Vintage Culture e Cat Dealers.

Em suas apresentações, Gustavo — que na verdade já acumula 15 anos de experiência com música eletrônica — gosta de dizer que transporta o público “para uma viagem pela house music, com grooves marcantes e enérgicos, do mainstream ao underground”, sem definir rótulos. “O que mais me dá ânimo para continuar e dar o meu melhor são as mensagens, os comentários e até mesmo demonstrações maiores de carinho, como tatuagens com parte de minhas músicas ou com o logo. Saber que de alguma maneira o meu trabalho marcou alguém e ser lembrado por aquilo faz valer toda essa caminhada até aqui, e me deixa até maluco de pensar o que pode vir pela frente”, continua o músico.

Seus últimos sucessos incluem “Why Don’t You Love” (com Vintage e SELVA, pela Spinnin’) e o remix de “Make Me Wanna”, do SELVA com o Zerky. Depois deste lançamento pela Phouse Tracks, o artista promete a faixa “L.O.V.E”, com os irmãos do TwoNotty, pela Sony Music Brasil. “Para os amantes do underground, tenho trabalhado com uma linha mais voltada para o bass house, além de outras faixas com muitas pitadas de tech-house, daquele jeito que a pista gosta!”

Confira o papo que batemos com ele, aproveitando a ocasião deste lançamento:

O que levou vocês a escolherem a Phouse Tracks para esse lançamento?

Acreditamos que a Phouse Tracks possui uma maior proximidade com público do Brasil e da América Latina, de diversas vertentes, e que poderia ter um grande potencial para essa parceria. Aproveito aqui para agradecer ao Luckas [Wagg, CEO da Phouse] pelo espaço e carinho!

Qual você diria que é a principal característica do Lazy Bear?

Tento apresentar, tanto em minhas composições e remixes quanto em minhas apresentações, diferentes tipos de grooves e sonoridades. Dificilmente me prendo a uma fórmula ou bato sempre na mesma tecla.

Recentemente noticiamos que o Chemical Surf está prestes a lançar uma collab com o Tiësto. Se você pudesse escolher qualquer nome para lançar uma faixa com você, quem seria?

Bom, acho que o sonho de todo produtor é um dia lançar uma collab com o Tiësto. Seria com certeza o primeiro nome que eu citaria caso eu ganhasse o “golden ticket”. Mas, sendo um pouco mais humilde e realista, assim como patriota, fã e tiete [risos], escolheria o FELGUK. Eles são dois artistas que me surpreenderam sempre em seus releases, pela inovação, ousadia e qualidade.

Você se considera preguiçoso [risos]?

Sim, com certeza [risos], mas falando em modo pessoal. No trabalho, fico tão ansioso que poderia até ser chamado de “Lazyless Bear” [“urso sem preguiça”, em inglês]. Gosto sempre de estar antenado aos lugares que vou tocar, ouvir e buscar novas sonoridades, além de estar focado em nunca perder um show, um vôo… Então, sim, também sou agitado!

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Entrevista

Aninha fala sobre a carreira e anuncia nova residência

Jonas Fachi

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Aninha
Expoente da cena nacional, a DJ veterana, especialista em warmups e residente do Warung, revela o próximo clube em que promete fazer história

Uma das artistas mais queridas e respeitadas do cenário nacional há quase 20 anos, Aninha é reconhecida por seus warmups compostos de uma verdadeira aula de bom gosto e técnica. Com agenda sempre repleta de shows de norte a sul do país, além de turnês internacionais, uma das residentes mais antigas do Warung Beach Club soma apresentações históricas ao lado de gigantes da cena internacional, que frequentemente rasgam elogios ao seu talento inquestionável, construído por anos de personalidade musical própria.

Em uma era de artistas trocando de estilo constantemente, a DJ com base em Curitiba é uma das maiores referências sul-americanas de consistência sonora sem seguir tendências. Contudo, sua carreira ainda transcende a vida atrás dos decks através da liderança nos bastidores do mercado, ajudando a catapultar novos artistas e realizando seus próprios eventos.

Dona da AIA Records e sócia da Seas — label party que conquistou Balneário Camboriú por ser uma das últimas resistências de vida noturna da Barra Sul —, a DJ em breve lançará sua nova empreitada: a festa “Cr/se” (leia-se “crise”), em parceria com HNQO e Fabø. O projeto promete uma experiência única e revitalizadora para a cena. Além disso, Aninha nos contou em primeira mão que é a mais nova residente do Terraza Music Park, em Floripa.

Nesta entrevista exclusiva, ela nos conta detalhes sobre a carreira, os desafios do mercado e fala sobre sua nova residência.

Em tantos anos de carreira você coleciona uma série de apresentações emblemáticas, sempre relembradas pelos seus fãs. Poderia contar-nos sobre algum momento em especial ao longo de sua trajetória?

É difícil contar apenas um momento nesses 16 anos. Mas diria que tocar no Skol Beats SP (2006), antes do Loco Dice, tocar no Circoloco DC10 Ibiza (2006) antes de Tania Vulcano, abrir para a Magda no Warung (2013) — onde precisei estender meu set devido a problemas técnicos no laptop dela — e tocar antes do Villalobos, também no Warung (2011). Todos esses momentos foram desafiadores, de grande crescimento e claro, muito especiais.

Esta é uma pergunta recorrente em entrevistas com artistas que já possuem anos de estrada, porém gostaria de saber sua opinião também. Quais são as principais diferenças e os desafios de um DJ que está iniciando uma carreira hoje em relação ao artista de dez anos atrás?

A tecnologia é a principal delas. No meu caso, tocava com vinyl, mas não havia internet rápida para ouvir as músicas. Precisava ligar para as lojas ou passar cerca de oito horas pesquisando com internet discada — depois da meia noite, pra não atrapalhar minha família. Hoje está tudo tão fácil e mastigado, com todos os recursos à mão da galera, os melhores equipamentos, riders cumpridos [risos]. Naquela época não havia toca-discos na maioria das cidades, então precisava transportar sozinha a case de discos e as MKs. Não havia também tanto cuidado com logística, marketing e posicionamento, no entanto, não dávamos tanta importância, já que o principal objetivo era levar sua música para o número maior de cidades e pessoas que pudesse. Hoje o desafio é se manter interessante para esta geração que não se preocupa somente com a música, mas com o conjunto do artista.

Você sempre se destacou na importante e imprescindível função de preparar a pista para outros artistas. Parece que novos DJs têm dificuldade de assimilar como se deve comandar uma pista nos primeiros horários. Como você tem observado gente nova nessa função?

Isso não acontece apenas com os novos artistas, é algo geral. Mas será que eles gostam de ter essa função? Ou usam daquele horário para mostrar seu talento para ser no futuro o artista principal? Ou quem sabe não havia espaço no lineup para encaixá-lo da melhor forma? Vejo que muitos artistas tocam as mesmas músicas que tocariam como headliners com o BPM baixo, mas não podemos julgá-los, já que muitos passaram anos tocando seus estilos da melhor forma. Cabe ao promoter ter a sensibilidade na hora de definir seu evento e ao artista tentar ser sempre flexível para escolher músicas que encaixem para determinado horário. Enfim, “N” motivos. Por outro lado, conheço outros tantos que fazem o warump com maestria, e que se destacam em qualquer horário de uma festa.

No último ano você protagonizou importantes noites em horários avançados. Como você tem conseguido adaptar seu set para atender a um momento da noite que exige mais energia, sem perder sua identidade? Você tem pensando em trabalhar mais vezes nessas fases da noite?

Sempre toquei em horários de mais destaque em outras cidades — aliás, adoro mostrar meu trabalho com mais amplitude. Mas muitas vezes não tive oportunidade no Warung ou em outros clubs, por causa de construção e coerência do lineup. Isso é normal.

Além de artista, você vem realizando uma série de eventos, a exemplo do Seas. Houve o anúncio de outra label party que está a caminho, denominada “Cr/se”. Conte-nos os detalhes sobre esses projetos, e no que diferem um do outro.

O Seas é nosso projeto de Balnaério Camboriú voltado à house com esse ar de praia — impossível não ser assim ali na região —, onde tenho como sócios o Nezello e o [seu irmão] Sharles Nezello. Faremos eventos em parceria com outros clubs e nossos próprios com mais independência. O Seas está tomando uma proporção muito maior do que esperávamos a curto prazo e estamos super felizes com o resultado!

Sobre o Cr/se, é nosso novo projeto em Curitiba, mais urbano e independente, de house a techno, com parceria dos artistas locais e outros núcleos independentes do Brasil. Estamos na fase final da estruturação dele e queremos fazer algo simples, em que todos se sintam livres, com valores justos, mas com muita qualidade.

Tenho acompanhado seus mini-vídeos em estúdio com o Fabø. Você parece estar destinando maior tempo para a produção musical. Como conciliar tudo? Quando serão os próximos lançamentos?

Sim. Consegui resgatar toda essa parte criativa que estava congelada nos últimos cinco anos, pois estava totalmente voltada à [antiga agência] 24bit, e posteriormente a Alliance [nova agência]. Já terminamos 12 tracks juntos, temos três lançamentos marcados para fevereiro e março (via Kingstreet Sounds, AIA-D e Eisenwaren), mas estamos aguardando a resposta dos outros selos. Sozinha tenho também um lançamento no meu selo AIA com um remix do L_cio em abril, um remix para a Any Mello e outro lançamento na Austro Music.

O mercado da música eletrônica é cíclico e muito dinâmico. Você está com uma nova residência no Terraza, club que hoje em dia pode ser considerado um dos mais underground do Brasil e que ajudou a moldar a cena em Florianópolis. Conte-nos um pouco sobre essa nova fase.

Sempre tive essa relação de amor com o Terraza. Mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. A oportunidade chegou na melhor hora e estou muito feliz. O club está em sua fase mais madura e com muitos planos para um novo posicionamento no mercado. Estamos em momentos bem parecidos e ajudarei o [DJ residente] Ricardo Lin e todo o grupo no que for preciso para que esse crescimento aconteça.

Como artista, é preciso sempre estar se reinventado e se unindo a pessoas que tenham o mesmo ideal. Quando você iniciou, imaginava que estaria onde está hoje? Qual a chave para manter-se relevante em um mercado cada vez mais competitivo?

Nossa, nunca imaginei. Mesmo porque, era tudo muito novo em Santa Catarina. Eu só me dei conta que estava sério quando não conseguia mais estudar por causa das minhas viagens e tive que largar o emprego também. Sobre manter-se relevante, devemos observar as novas ondas e nos adaptarmos a elas sem perder a nossa essência. Estamos em constante mudança e isso não se limita apenas ao Brasil. Sou artista da velha guarda, mas que ama estar entre os novos grupos, de ouvi-los e aprender com eles. Gosto de olhar para frente e de ser prática. Se não deu certo em algo ou se não me adapto, já invento outra coisa e bola pra frente. O importante é não parar.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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