Tokimonsta

Esta DJ superou uma doença rara no cérebro para voltar a fazer música

Jennifer Lee, mais conhecida como TOKiMONSTA, é uma DJ e produtora norte-americana que fez sua marca construindo um hip hop com uma roupagem inovadora, trilhando uma carreira de sucesso nos últimos dez anos. Na última semana, porém, a artista revelou ao Pitchfork ter passado por um quadro de saúde complicadíssimo, que tirou dela a capacidade de compor novas músicas.

Lee foi vítima de uma doença cerebral rara e potencialmente fatal, chamada Moyamoya — uma redução do tamanho de artérias importantes do cérebro, fazendo com que o sangue sobrecarregue veias de calibre menor, podendo levar a aneurismas, trombose, ou infarto. Nessa condição, se não receber o tratamento adequado, a expectativa de vida é reduzida para em torno dos 40 anos de idade.

Na entrevista, Jennifer conta que desde que recebeu o diagnóstico no final de 2015, manteve o assunto em um tom extremamente privado, pois não queria gerar uma discussão pública sobre quanto tempo de vida ela teria e também sobre os riscos da cirurgia que iria fazer para combater a doença. Após duas cirurgias em um curto intervalo de tempo, ela perdeu boa parte de suas funções e teve que as reaprender, como fez com a fala e a caminhada. Mas seu maior desafio foi voltar a fazer música.

Ela relata que sua interação com a música mudou totalmente, pois não percebia mais com clareza as melodias e tudo soava muito estranho, inclusive na hora de tentar compor algo novo. “Durante todo mês de fevereiro [2016] eu tentei me acostumar novamente com a minha vida. A coisa mais difícil de todas foi tentar trabalhar com música. Eu abria o Ableton e não conseguia entender o que eu estava fazendo, apesar de naquela época minha fala estar a 90%. Eu tentava fazer música e era tudo lixo. A parte do meu cérebro que sabia como juntar sons estava quebrada. Eu não entendia por que aquilo não fazia sentido. Quando você faz música, é muito intuitivo e natural. Eu sempre conseguia juntar sons, tocar uma melodia no piano. Eu nunca tinha que pensar sobre o que fazer. […] Eu não queria sentir pena de mim, mas era uma dor de torcer o coração”, contou.

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A cirurgia ocorreu em janeiro de 2016 e no final de março, após alguns meses fazendo muito esforço para retomar suas habilidades, a TOKiMONSTA conseguiu comparecer ao SXSW. Em abril daquele ano, ela se apresentou para milhares de pessoas no Coachella, e em breve lança seu novo álbum, Lune Rouge, com todas as faixas compostas após sua recuperação. Segundo a artista, todas as músicas desse novo disco se referem às dificuldades enfrentadas no processo de recuperação da Moyamoya — incluindo o que ela considera o momento mais triste que passou: quando, ainda readquirindo suas capacidades cognitivas, seu então namorado terminou com ela.

“Eu fui operada em janeiro de 2016. […] Saí em várias turnês depois disso, e ninguém sabia de nada sobre essa minha experiência. Estou compartilhando a história agora pra trazer atenção sobre a Moyamoya, por ser uma condição muito rara, mas também para chamar atenção para todos os desafios que tive que enfrentar. Acho que as pessoas às vezes se esquecem de que artistas são humanos também. Todos nós passamos por períodos duros e coisas terríveis. Ter conseguido tocar no Coachella três meses depois da operação foi muito significante para mim. Se eu consegui, qualquer um consegue”, concluiu.

Lune Rouge será lançado em 06 de outubro, via Young Art Records. Você pode ler a matéria do Pitchfork na íntegra aqui.

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