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Entrevista

Com 3 anos, o coletivo Trip to Deep ajudou a consolidar a cena catarinense

Jonas Fachi

Publicado em

20/10/2017 - 17:58
Trip to Deep
Entrevistamos Luís Henke, idealizador de um dos projetos mais importantes da cena eletrônica de Florianópolis
Fotos por Masiero Santos e Ronei Junior; vídeo por Thiago Machado

Há pouco mais de dez anos, o auge da cena eletrônica no norte catarinense atingia seu ápice. Na época, todos se perguntavam o que acontecia em Balneário Camboriú e região para conseguirem ter um movimento noturno tão intenso e diversificado, com dezenas de clubs abrindo de segunda a segunda durante todo o ano. Paralelamente, a capital do Estado central sulista praticamente vivia dias de miséria, onde até existia uma cena comercial de verão, porém muito superficial, sendo levada por um público jovem interessado em outros tipos de vida noturna.

Ouvia-se que Florianópolis possuía muito mais potencial do que a cidade dos ainda não tão famosos prédios mais altos do país, por ter uma infraestrutura viária boa, aeroporto considerável para os padrões do Sul e universidades recebendo muitas pessoas novas todos os anos — e que supostamente buscavam lugares para se divertir. Mas principalmente por ser uma ilha, faziam-se comparações com certa outra espanhola. Diversos pilares para potencializar o surgimento da música eletrônica estavam ali, porém o título de “Ibiza brasileira” era concedido a BC.

Mas então, o que estava faltando? O turismo de verão sempre foi um dos mais rentáveis do país, com possíveis espaços para realização de eventos bem mais amplos do que em outros pontos do litoral. No mais, você sabe, capital é capital — historicamente sempre foi onde os movimentos surgiram, desde música e arte até política. De fato era uma situação difícil de entender na época, parece que simplesmente não rolava. Tudo começou a mudar quando o complexo de clubs em Jurerê Internacional — praia mais badalada e requisitada da cidade — recebeu o Terraza Music Park.

Aos poucos, o club resistiu através da soma de ótimos DJs residentes e uma curadoria que sempre buscou autenticidade diante do que o público poderia entender. Foi a faísca que faltava para colocar a cidade como referência no país e, hoje, no mundo. A partir disso, parece que a roda da música dita como “underground” começou a girar e, como seria de se esperar, diversos outros núcleos menores surgiram buscando atingir outros tipos de movimento dentro da cultura eletrônica, como o Sounds in da City.

Trip to Deep

Uma cena só é possível de se estender quando consegue sempre estar se inovando com determinada quantidade de pessoas dispostas a entrar nesse processo. Entre essas viradas, há três anos surgiu a Trip to Deep, evento inicialmente itinerante, que veio a se estabelecer mais tarde em um club no centro da cidade. A ideia frontal de seu mentor era mixar música experimental — mas que funcionasse para pista —, resgate cultural da cidade, interação social, e principalmente a promoção de uma ideia de comunidade como forma de evolução pessoal. Isso tudo tendo como ancora música de qualidade.

Aos poucos, até projetos sociais foram introduzidos e a marca ganhou respeito e admiração dos frequentadores da noite em Floripa e região. Histórias como essa, de como cenários não conseguem surgir mesmo em ambientes propícios, são ótimos exemplos de como é difícil ainda promover música eletrônica em nosso país. Porém, nossa amostragem hoje é de algo que vem dando certo, e que revela que a formalização de ideias que fazem parte do imaginário coletivo e estão no anseio da sociedade contemporânea, pode ser uma das chaves que venha a sustentar pessoas ao entorno de uma marca.

A Trip to Deep é resultado de criatividade e espírito inovador que tem feito Floripa ser um dos polos da dance music em toda a América do Sul. Para entender um pouco melhor como essa engrenagem funciona, fomos conversar com Luís Hencke — artista que buscou criar seu próprio espaço, e tem sido peça fundamental dessa consolidação.

Luís, conte-nos de onde vem suas influências para idealizar a Trip to Deep, e como ela aconteceu nos primeiros eventos.

A Trip to Deep surgiu de viagens a fundo pela música. Momentos assim me fizeram despertar e compreender as infinitas possibilidades e sensações que a música tem o poder de proporcionar.

As primeiras sementes foram plantadas com bastante carinho.  Desde sempre usamos a música como forma expressão e união — já fizemos eventos nos mais variados formatos, todos sem perder a essência e o propósito do projeto.

O quão importante é o perfil cultural da cidade para do sucesso de um evento como o seu?

Além do privilégio de estar em uma região repleta de riquezas naturais e pontos turísticos, a diversidade cultural que encontramos em Floripa é uma característica que reflete e impulsiona positivamente o todo.

A cidade abraçou verdadeiramente a música eletrônica e aprendeu como viver junto a ela.

De certa forma, a Phouse também é resultado do crescimento da cena em Floripa. Apesar de a revista focar no Brasil inteiro, as bases foram estabelecidas na capital catarinense. Hoje são diversos DJs e artistas que escolhem viver na cidade pela importância que tem. Como você tem visto essa evolução?

Tudo evoluiu rápido demais. Hoje são muitas as pessoas de fora que realizam o sonho de morar e tentar a vida aqui. Estamos no centro de uma ilha paradisíaca, que se consolidou como uma das principais rotas de importantes artistas e labels da música eletrônica nacional e internacional.

Eu sou muito novo e acompanhei apenas parte dessa evolução, mas vejo que importantes marcas como a Phouse e o Alataj fizeram um excelente trabalho para a disseminação da música eletrônica e o amadurecimento do cenário regional.

A personalidade musical da Trip to Deep parece ter tendências experimentais, algo importante dentro do contexto de um cenário maior. Você enxerga o evento como um ponto de início de novos adeptos à música eletrônica ou daqueles que já estão buscando um algo a mais?

Para nós, a música é livre de rótulos. O que estamos fazendo em Floripa é quase um ponto fora da curva. Na festa, atualmente frequentam pessoas ecléticas e outras que já estão familiarizadas às sonoridades eletrônicas. O mais importante é que sempre reunimos um público enérgico e curioso, que está em constante busca por novas descobertas musicais.

Trip to Deep

O live da Mari Hezner foi atração de uma das edições da Trip to Deep

Nesses quase quatro anos de existência, você destacaria algum artista ou momento em que o público mais se identificou?

Desde o início do projeto nos identificamos, arrepiamos, dançamos e curtimos diversos artistas inspiradores. Seria impossível citar apenas um, mas entre os destaques estão L_cio, Finnebassen, WyroMari HerzerEXZ, Shadow Movement e Nicolas Pera. Além, claro, dos nossos residentes, Alaikke, Aspeckt, Danee, Marqs, Mezomo, Spaniol e Marcelo Oriano.

Um dos destaques da Trip é a busca por interações sociais do publico. Quando a música transcende o objetivo fundamental e propõe ações que refletem em toda sociedade, é algo notório. É nesse sentido que você incluiu o projeto de arrecadação de brinquedos?

Exatamente. O coletivo busca, sempre, fazer a sua parte em relação à sociedade e o universo. Além dos 500 brinquedos arrecadados nas últimas semanas, somente neste ano foram doadas mais de mil peças de roupas (agasalhos e cobertores) e mais de 500kgs de alimentos, chocolates e materiais escolares para crianças carentes.

O que tem acontecido neste semestre e o que vem por ai na programação?

Neste semestre muita coisa boa aconteceu, como a estreia dos residentes Alaikke e Danee. Também rolaram parcerias com agências e núcleos como Plusnetwork, D.Agency, Carlos Capslock, Sunset Sessions, Mamba Negra, Sonido Trópico e Detroitbr.

Para o fim de ano já temos confirmado: Apoena, L_cio, Tessuto, Gerra G, Shadow Movement e Entropia Entalpia (Mamba Negra).

Como artista integrante da marca, como tem percebido o reflexo da sua festa em seu próprio entendimento sobre música?

O reflexo é surpreendente e positivo. Educar um público que até então conhecia muito pouco sobre determinadas sonoridades requer persistência e planejamento. O caminho escolhido para isso não poderia ter sido melhor. Devagar e sem pular etapas, respeitando as pessoas e todas as dificuldades do cenário.

Para o futuro, idealizamos o lançamento da nossa gravadora, que levará o mesmo nome da festa. O primeiro VA já é uma realidade e conta com a participação de diversos artistas, inclusive citados nesta entrevista. Estamos bastante ansiosos para apresentar o resultado.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Notícia

Marisco Festival tem programação diversa na próxima semana

Flávio Lerner

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Marisco Festival
Em 2017, o Marisco Festival rolou no Colégio do Jockey Club. Foto: Reprodução/Facebook
Terceira edição do festival mescla música, conversas e oportunidade para produtores

Organizado pela label Mareh Music, de Guga Roselli, o Marisco Festival traz uma programação bastante diversa para este ano, em São Paulo. A terceira edição do evento foi dividida em quatro datas: um show especial que rolou nessa última quarta [30], com banda em tributo ao lendário maestro brasileiro Lincoln Olivetti; dois dias da chamada “Talks”, que traz painéis, conversas e até juri para avaliar produtores brasileiros [dias 06 e 07]; e o festival em si, no dia 09, que traz Ed Motta como principal atração, além de DJs e produtores como Nuts, Selvagem, Edu Corelli e Roger Weekes e Ashley Beedle [Inglaterra].

Um dos destaques da Talks é uma grande oportunidade para novos talentos nacionais que produzem sons que casam com a proposta da Mareh — isto é, música eletrônica groovada e tropical, mais voltada à disco music, disco house, sons baleáricos e brasilidades. A mesa “New kids on the block” vai trazer dez músicas de produtores brasileiros para serem tocadas e julgadas ao vivo por três DJs experientes: Caio Taborda [Gop Tun], Mari Rossi [We Sounds] e Benjamin Ferreira [Stay Free].

+ Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

As faixas serão selecionadas mediante seleção prévia do DJ Camilo Rocha, um dos curadores do evento. Para participar, basta enviar até as 18h do dia 05 sua faixa em 320 kbps para o camilorocha68@gmail.com e ficar na torcida. Os dez escolhidos serão convidados a participar do evento — segundo o Camilo, quem não estiver em Sampa poderá assistir posteriormente à sessão em vídeo.

Além da mesa, haverá ainda inúmeros outros painéis com grandes expoentes da cena nacional, como Tessuto, Claudia Assef, L_cio, Carrot Green e Sonia Abreu.

Expoente do groove nacional, Marcos Valle foi atração em 2017. Foto: Reprodução/Site oficial

Confira a programação completa da Talks e do Festival:

Marisco Talks: Conversas e escutas sobre música

Local: Cobertura do Excelsior Hotel — Av. Ipiranga 770, Centro

QUARTA – 6 de junho

A cidade e a música 17h – 18h

Pena Schmidt, consultor de produção musical, Fabiana Batistela, diretora do SIM São Paulo, e Paulo Tessuto (DJ e fundador da festa Capslock) falam sobre desafios e oportunidades nas relações entre as cidades e a música que é vivenciada nelas.

Futuro do pretérito 18h15 – 19h15

Os produtores musicais L_cio e Carrot Green falam sobre os passos da criação do edit/remix, da recriação ao licenciamento, a partir de suas experiências nessa área.

Os discos mais raros do Brasil pt. 1 19h30 – 20h30

Os DJs Nuts e Paulão tocam e comentam raridades nacionais das suas coleções enquanto conversam com o público sobre música brasileira, colecionismo e garimpagem de discos. Mediação de Renata Simões.

Dancing queens: as mulheres da disco brasileira 20h45 – 21h45

Duas mulheres icônicas da disco music brasileira, a DJ Sonia Abreu e Vivian Costa Manso (Harmony Cats) falam sobre suas experiência como artistas femininas na indústria musical e na noite dos anos 70. Mediação de Claudia Assef.

QUINTA – 7 de junho

Disquecidos 16h – 17h

Há quatro anos a Vice Brasil vem contando as histórias por trás de discos que não estouraram em seus lançamentos, mas que se tornaram referências musicais, fetiches de colecionadores e raridades no mercado de vinis. O repórter Peu Araújo fala sobre os bastidores desses papos.

New kids on the block 17h15 – 18h15

Diante do público e um júri, novos produtores exibem faixas para julgamento ao vivo de três DJs com tarimba de anos de pista: Caio Taborda, Mari Rossi e Benjamin Ferreira.

REGRAS:

1) Cada produtor pode enviar apenas uma música

2) A música tem de ser em arquivo MP3 320 kbps. Para a seleção final, que será executada no evento, pediremos uma versão em WAV.

3) Preferimos que o estilo musical esteja coerente com a proposta do Marisco Festival, que fica no meio do caminho entre disco music, house e música brasileira.

4) Só serão aceitas músicas enviadas até 5 de junho às 18h.

5) Envie música ou link para camilorocha68@gmail.com

6) Os produtores selecionados serão avisados individualmente e convidados a ir ao evento.

Qual é a cara desse som? 18h30 – 19h30

Por que é importante construir uma identidade musical? E como se faz e não se faz isso? Venha ouvir as experiências e opiniões de três artistas sobre o tema: os DJs Max Underson, da Coletividade Namíbia e Capslock, Luanda Baldijão e Mauricio Fleury, do Bixiga 70.

Os discos mais raros do Brasil pt. 2 19h45 – 20h45

Augusto Olivani, da Selvagem, e Tata Ogan falam sobre pérolas da música brasileira da sua coleção, tocando discos e conversando com a plateia sobre coleção, pesquisa e recantos obscuros da música do país. Mediação de Guilherme Menegon.

Entrevista no palco – Ashley Beedle 21h00 – 22h00

Protagonista da música e pista britânica desde a acid house, participante de projetos históricos da house music como X-Press 2 e Black Science Orchestra, Beedle vai falar sobre história e carreira com Camilo Rocha. Uma oportunidade única de conhecer de perto os saberes e experiências de um dos mais celebrados veteranos da cena eletrônica.

Marisco Festival: Sábado, 09 de junho

Local: ainda a ser anunciado

Atrações:

Ed Motta (Baile do FlashBack)

Lincoln Olivetti BAND

Ashley Beedle

DJ Nuts

Selvagem

Edu Corelli 

Roger Weekes

Benjamin Ferreira

Vitor Kurc

DJ Paulão

Tata Ogan

Marcelo Dionisio

+ Mais nomes a serem anunciados

Os ingressos estão disponíveis via Event Brite. Mais informações podem ser encontradas no site oficial.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Grupo Laroc revela detalhes sobre novo clube underground

Flávio Lerner

Publicado há

Laroc underground
Nova casa terá projeto arquitetônico semelhante ao Laroc. Foto: Divulgação
Nova casa ficará exatamente ao lado do Laroc Club, em Valinhos
* Atualizado em 28/05/2017, às 19h47

O Grupo Laroc anunciou recentemente que está abrindo uma nova casa noturna, totalmente voltada à música eletrônica underground. A partir daí, a Phouse entrou em contato com Mario Sergio de Albuquerque, sócio-diretor do Laroc Club, que, além de confirmar a inauguração do empreendimento para 2018, revelou à coluna mais detalhes sobre o novo espaço.

Quando e onde

Segundo Mario Sergio, já está definido: o clube abre entre outubro e novembro deste ano. A localização será literalmente ao lado do Laroc, no quilômetro 118 da Rodovia D. Pedro I, em Valinhos, SP. Logo, o complexo que já abriga o Laroc Club e a casa de shows Folk Valley ganhará um novo membro dentro de poucos meses.

“O novo club vem pra ser a terceira casa do grupo, dentro de um complexo que praticamente estamos criando de entretenimento na cidade de Valinhos. É exatamente ao lado do Laroc, numa área mais elevada, mais alta, com uma visão 360 das montanhas, bem mais verde, super bacana”, revela o business man. “É como se fosse uma segunda pista, mas não é. As conversas surgiram dessa maneira, mas decidimos que é outro clube, outro nome, outra identidade, outra história”, continua.

Por estar em fase final de desenvolvimento, o nome ainda não foi revelado.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma do pop.”

Por quê

Criado há dois anos e meio, o Laroc costuma dar muito espaço a artistas da cena house/techno underground, abrindo noites completamente voltadas a esse nicho. Essas noites, porém, não costumam encher a casa, que tem capacidade para até seis mil pessoas. Assim, Mario Sergio explica que em um ambiente menor, diminuindo o tamanho e o custo operacional, fica muito mais viável seguir trazendo essas atrações — e também mais interessante do que a ideia inicial de abrir uma segunda pista. Segundo ele, a casa terá capacidade para cerca de duas mil pessoas.

“A gente sabe que tem umas cinco datas no ano que aceitam uma segunda pista e que têm público suficiente pra acomodar mais do que as seis mil pessoas. Mas a gente também entende que abrir uma pista apenas cinco vezes no ano seria algo ocioso, então não seria tão interessante, já que a ideia é aumentar o volume de operações. O Laroc abre hoje em 18 datas no ano, vai passar a abrir 14 — uma por mês mais duas durante o Carnaval —, e o club novo vem pra abrir mais 12 datas. Com isso, os dois clubes passam a ter 26 datas, o que nos dá mais oito eventos no ano, e com maior pluralidade de atrações. Praticamente, de quatro finais de semana de um mês, o grupo abre em três: Laroc, club novo e Folk”, explica.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma de mais mainstream, mais comercial, mais pop. Esse é o principal motivo da abertura de um novo espaço: entender que a gente tem um público muito bom de techno/tech house, mas que o Laroc ainda é muito grande.”

Isso não significa, no entanto, que a sonoridade do Laroc será sempre a mesma. “Sempre bati na tecla de que o Laroc era um club multicultural que poderia atender qualquer tipo de evento, e isso continua existindo”, segue de Albuquerque. “Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

Laroc underground

Complexo de entretenimento em Valinhos tem Folk Valley, Laroc e espaço mais à direita para o novo clube. Foto: Divulgação

Identidade

Mario Sergio revela que o novo espaço traz a mesma assinatura visual das outras duas casas do complexo em Valinhos, mas adaptada para traduzir seu próprio conceito. “Todas as casas do grupo têm as mesmas características. Elas são conceituadas a partir da tenda, que é nosso artigo principal. Tanto Laroc quanto Folk têm a mesma característica arquitetônica, e o clube novo vem na mesma linha, inclusive de layout e acabamentos”, revela.

“O público é exigente em todas as vertentes, não é porque é underground ou mainstream, e a gente manterá esse nível de excelência, de qualidade, no clube novo. Vamos agregar bastante em produção, que é um diferencial da nossa parte, porque os clubes do underground são mais minimalistas, não têm tanto esse nível de exigência. Então este é mais um motivo pra trazermos esse conceito novo pro underground, com características fortes do nosso grupo.”

O sócio-diretor também explicou como se divide a construção do projeto gráfico: “A concepção do Laroc, os projetos, desenhos, foi feita por nós, os sócios. Somente a parte de stage design, light design e video content foi produzida por um escritório holandês, o TWOFIFTYK, que provavelmente estará conosco nesse projeto também, desenvolvendo a parte interna da tenda, de palco e tudo o mais. A gente deve ter um pouco mais de pegada cenográfica na parte externa, brincando com o ambiente, e deixar a casa com características diferentes — mais luz, menos led, menos papel picado, mas ao mesmo tempo com bastante efeito visual.”

“Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

O Laroc não corre riscos?

Em pouco tempo de existência, o Laroc vem sendo considerado por muitos — de artistas a frequentadores — como um dos melhores clubes do mundo. Perguntei ao Mario Sergio se, agora que o clube vai mais ou menos se dividir em dois, deixando a parte mais pop/comercial ao Laroc, ele não corre o risco de perder um pouco do seu charme e prestígio. O empresário foi acertivo:

“Não, muito pelo contrário. A gente ganha força como grupo agindo em bloco, a gente vê cases de sucesso pelo mundo como o próprio Hï Ibiza, que é um derivado do Ushuaïa — que é um pouco diferente, lá um é clube dia e o outro é noite… Nós manteremos o club novo também como sunset club, porque o ambiente segue tendo bastante a agregar, mantendo a história do pôr do sol como atrativo. Isso atrai mais fatores positivos e deixa o Laroc ainda mais exclusivo, porque diminui o número de aberturas: uma por mês dá pra ficar com saudade e querer ir de novo. Ao mesmo tempo, cria mais uma opção pra outra vertente musical, outro tipo de público, o que também será um diferencial nosso”.

A nova casa deve ter seu nome e mais detalhes revelados dentro dos próximos meses.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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