Connect with us
XXX Leaderborder
Federal Leaderborder

Entrevista

“Um negócio como o Laroc não pode durar menos de quatro anos, ou terá sido tempo e dinheiro perdidos”

Flávio Lerner

Publicado em

07/10/2016 - 12:24

O sócio-diretor do Laroc fala sobre proposta, trajetória e objetivos do “primeiro sunset club do Brasil” — que logo completa um ano —, além de crise, elitismo, funk carioca e mais.

Em junho, o Luckas Wagg, editor-chefe da Phouse, foi pra Valinhos, São Paulo, conferir de perto se todo o hype que recebia o Laroc — novo superclub fundado em outubro de 2015 e já muito elogiado por grandes DJs globais — se justificava. O Luckas foi numa tarde em que o headliner era o Eric Morillo, e conheceu de perto as dependências e estrutura daquele que se posiciona como o “primeiro sunset club do Brasil”.

Quem fez as vezes de anfitrião foi o Mario Sergio de Albuquerque, um dos sócio-fundadores da casa. O Mario Sergio trabalha no mercado clubber desde 2002, quando começou no Anzuclub, em Itu, e hoje, além do Laroc, é também diretor de produção na Plus Talent. Portanto, às vésperas do mês de aniversário da sua casa noturna — em que prometem uma programação especial —, tive a oportunidade de trocar uma ideia com o Mario para saber mais detalhes da trajetória e dos bastidores de um club que explodiu com muita força e muito rápido. Conceito e curadoria, mainstream X underground, crise econômica, elitismo e ostentação, baile funk e conflitos de interesse entre agências e clubs ou festivais foram alguns dos temas do nosso papo, que você confere a seguir.

laroc-sao-paulo-770x513

Mario Sergio, como surgiu o projeto do Laroc e quais os principais objetivos com essa empreitada?

O Silvio [Soldera], que é meu sócio no projeto, é proprietário de uma empresa de infraestrutura que atende grandes eventos como Rock in Rio, Lollapalooza, Tomorrowland, Olimpíadas, e em 2014 fizemos a primeira edição do Armin Only no Sambódromo do Anhembi em uma tenda, algo inédito. Ali começaram as conversas embrionárias do projeto.

O Silvio foi o cara que encontrou o local, fez o primeiro esboço e foi o idealizador do Laroc, inclusive do nome, que pouca gente sabe o significado. Laroc veio de “a rocha”, “la roc” [em francês], que remete a uma grande pedra que temos no local e é o nosso ícone. Após o início das obras, veio o convite oficial para ser parte do time de sócios. Hoje somos em cinco, cada um atua em diferentes áreas.

O objetivo principal, sem dúvida nenhuma, é ser um club de expressão mundial. Para isso temos um longo caminho, porém pelo fato de sempre ter trabalhado com o mercado de música eletrônica, desde 2002, quando ainda não era algo tão mainstream, vamos tentar encurtar os caminhos para atingirmos nossas metas.

E quais as principais referências para montar o “primeiro sunset club do Brasil”?

Hoje em dia, principalmente na cidade de São Paulo, nós acompanhamos praticamente o fim dos nightclubs. Nós temos o D-EDGE que se mantém vivo e é referencia, pois tem uma clientela fiel e preza pelo conteúdo musical. Fora isso, a cultura de clubs praticamente morreu.
Os eventos itinerantes tomaram conta da programação dos jovens, sempre em busca de novidades, temas, locais e contextos diferentes.

Além disso, grandes festivais, Ushuaïa, Day Clubs, em Las Vegas, acontecem durante o dia. Com essas premissas, somadas ao ambiente do Laroc que é rodeado por natureza, o pôr do sol, chegamos ao conceito Laroc, que transmite a sensação de um evento open air, coberto e com conforto de um club. O ânimo das pessoas é outro quando o evento se inicia à tarde, bem diferente de algo que começa na madrugada e vai até o amanhecer. O clima é outro, além da experiência de ver a mutação do club do dia para a noite.

 “Principalmente em São Paulo, a cultura de clubs praticamente morreu.”

Há algo que diferencie o Laroc dos outros grandes clubs do Brasil e do mundo?

O que nos diferencia dos demais clubs do Brasil, sem dúvida nenhuma, é o horário e o tempo de duração das aberturas. São quase 11 horas, bem diferente de um nightclub, que tem normalmente quatro horas de pico. Com os demais clubs do mundo? Somos um minifestival com sete atrações, efeitos especiais, dia e noite, fora dos grandes centros e envolto na natureza!

Uma pergunta que você já deve ter ouvido muito, mas é meio inevitável: como gerenciar um negócio que move tanto dinheiro em meio à crise econômica atual? Ainda mais porque o Laroc nasceu bem no meio dela…

Em época de crise, uns choram, outros vendem lenços. As coisas aconteceram rapidamente, desde encontrar o terreno, iniciar as obras e principalmente a definição da data de abertura que resolvemos, pois havia um artista disponível. Enxergamos como oportunidade. Talvez se tivéssemos pensado muito, não teríamos seguido em frente. Dos sócios iniciais, dois já saíram, justamente por não terem a mesma sinergia e crença dos que ficaram.

Pode parecer meio insano, mas a grande verdade é que existem momentos em que você tem que agir com a emoção e em outras com a razão; aqui a emoção, a realização de um sonho tomou conta e estamos muito satisfeitos em ter acreditado e seguido em frente. Hoje o Laroc é uma realidade. Vamos sempre analisar pelo lado bom. O fato de a crise estar à frente de todos fez com que tivéssemos maiores cuidados com despesas, o que no futuro pode ser benéfico ao nosso negócio, que ainda está em fase de maturação.

“O ânimo das pessoas é outro quando o evento se inicia à tarde.”

Por que você diria que a casa, em tão pouco tempo, tem sido referenciada por alguns dos DJs mais populares do planeta como o novo maior club do mundo?

Receber elogios de artistas como Hardwell, Axwell, Erick Morillo, Robin Schulz e tantos outros que estão em todos os lugares do mundo é realmente algo motivador. Sempre produzi eventos e estou acostumado a lidar com artistas do alto escalão e seus times, que são extremamente exigentes. Você tem que saber entender quais são os anseios desses caras e prover a eles exatamente o que esperam. Você imagina o quão desgastante é estar em tour, dormir pouco, chegar em um local e não ter as questões técnicas exigidas? Ter que discutir com fornecedores que normalmente não falam inglês? Este é somente um dos pontos que tentamos suprir com excelência: uma grande produção de som, luz, vídeo, efeitos, camarim, hospitalidade em geral. São esses caras que vão falar de nós para o mundo. Mas de nada adianta ter toda essa repercussão artística se a entrega não fosse boa para o nosso cliente. Prezamos pelo serviço diferenciado e o contato próximo. Todos nós somos acessíveis e temos canal aberto com público.

O Laroc trouxe DJs de vertentes e nichos: desde artistas do topo do mainstream, como Hardwell e Nicky Romero, brasileiros extremamente populares, como Alok e FTAMPA, expoentes do deep house, como Kolombo e Phonique, e “cabeçudos” do techno, como Junior C; este é residente, bem como o Marcelo Cic, que traz uma proposta bem mais popular. Afinal, qual o conceito musical da casa, e como ela o trabalha?

A última coisa que queremos é ser rotulados. Somos um club de música eletrônica que tem por obrigação disseminar a cultura. Por isso não podemos nos limitar à vertente A ou B. O mercado é cíclico, sabemos que os estilos vêm e vão na mesma velocidade, e o club tem que acompanhar isso. Faz parte da curadoria artística “educar” o público, sem julgamentos. Se você gosta de mainstream, tem uma noite para isso; se você é do underground também pode frequentar o club e viver a experiência Laroc. Talvez este seja um dos problemas do nosso mercado: muitos produtores não têm convicção sobre o que estão fazendo e simplesmente surfam na onda do momento.

“São raros os eventos que conseguem entregar uma pista grande como a nossa para artistas underground, e nós temos conseguido.”

Vocês não consideram o Laroc um club comercial?

Somos um club big room, e talvez por isso as pessoas entendam que somos do mainstream e comercial. São raros os países e os eventos que conseguem entregar uma pista grande como a nossa para artistas underground e conceituais, e nós temos conseguido. A ideia é que o público varie, assim como a atração, dependendo do conteúdo. Somos um superclub de música eletrônica e a prova disso é que tivemos, como você citou, artistas como Phonique, Lee Foss, Kolombo e outras novidades futuras como Luciano, por exemplo, que de comercial não tem nada.

Seguindo o modelo padrão de clubs do tipo no mundo, o Laroc tem altíssimo investimento e, naturalmente, visa o lucro, em um mercado em que atualmente gira muita grana. Por isso, cobra valores que são praticáveis a um seleto grupo de pessoas com alto poder aquisitivo. Nas ruas brasileiras, um movimento contracultural iniciado em São Paulo tem encrencado com os clubs por considerá-los elitistas, e então levou a cultura DJ para a rua, de graça, resgatando os valores democráticos da origem da cultura clubber. Como vocês encaram essa questão da diversidade versus a cultura dos VIPs e camarotes na cena DJ global?

Acho que não devemos separar dessa maneira. Tudo esta relacionado a investimento, como citado por você. Além do investimento para construção e concepção do negócio que obviamente deve retornar, existe outro variável que é o artístico. Em diversas situações a abertura não é rentável, mas faz parte de um planejamento assumir prejuízos pensando no longo prazo, na construção de marca, e isso acontece conosco no primeiro ano. Muita gente acha que o negócio já é rentável ao abrir e pelo contrário, existe um tempo de maturação para ter o inicio de retorno investido para daí então pensar no lucro. Um negócio como o Laroc não pode durar menos de três, quatro anos, ou caso contrário foi tempo e dinheiro perdido. Acho louvável o movimento cultural, até porque só fortalece a cena, mas acho errada essa categorização de que [o nosso negócio] é para um seleto grupo.

É um negócio como qualquer outro, que deve sempre analisar investimento X retorno para precificar ingresso. Nosso ingresso não aumenta substancialmente se temos uma atração de primeira linha. Nós subsidiamos muitas vezes para não inviabilizar. Outro ponto é de que infelizmente o brasileiro compra status; hoje em dia enxergam um demérito você estar na pista e não no camarote. E aí é a lei básica da economia — oferta X demanda. Porém no Laroc nós temos uma capacidade de área VIP, por exemplo, que não tem como aumentar. Se esgotar, acabou! E nem por isso aumentamos o preço pela demanda.

“Infelizmente o brasileiro compra status; enxergam um demérito você estar na pista e não no camarote.”

E por que abrir apenas de 15 a 20 vezes por ano? Não acaba sendo um desperdício ter uma estrutura tão grandiosa pra usar poucas vezes?

Pode parecer desperdício, mas abrir e sofrer prejuízo é pior. Justamente pelo tamanho do negócio, nosso ponto de equilíbrio é elevado. Às vezes é melhor ter uma abertura com quatro mil pessoas do que duas com duas mil. O custo fixo mensal é o mesmo, mas o operacional, de produção e artístico dobra. Além do fato de que é legal a expectativa que se cria para a próxima abertura. O cenário perfeito seriam duas aberturas por mês, com conteúdos musicais opostos [“mainstream” e “underground”] — vamos ver se com o tempo nós conseguimos implantar isso. Muita gente não conhece o Laroc, e uma coisa é fato, quem conhece volta! Com isso aumentamos nossa base de clientes, então há expectativa de um crescimento exponencial que sustente essa ideia.

Em fevereiro, o Laroc abriu as portas para o MC João, que estava estourando com “Baile de Favela”. Vemos, entre grande parte dos fãs brasileiros de EDM, um forte ódio ao funk carioca — quando o RMC anunciou o Baile do Dennis, por exemplo, houve muita reclamação. Em cima disso, imagino que tenha ocorrido com vocês algo semelhante. Como lidaram com isso? Pretendem seguir abrindo as portas pro baile funk e suas ramificações?

Eu não vejo produtos como o Baile do Dennis acontecendo no Laroc, são propostas completamente diferentes. O MC João foi um fato isolado. O Hardwell havia acabado de tocar pela primeira vez a versão não oficial do remix em Brasília no domingo anterior. Durante a semana de descanso ele se aprofundou na produção e inclusive obteve a autorização para lançar o remix oficial. O assunto da semana havia sido o “Baile de Favela”. Na sexta feira de carnaval, dia da apresentação do Hardwell no Laroc, recebi a ligação do MC João, que estaria em Jundiaí para um show e queria ir pro club. Abrimos as portas, não tem por que barrar. Ao mesmo tempo toda polêmica é bem-vinda, ainda mais em um momento de início de história como era o nosso. Viramos assunto. Isso se repetiu um mês depois com o Jack U e o Mc Bin Laden no Lollapalooza, por exemplo.

“Muitos produtores não têm convicção sobre o que estão fazendo e simplesmente surfam na onda do momento.”

Mario, você é sócio-diretor do Laroc, mas também trabalha na Plus Talent. Esse tipo de relação profissional no Brasil parece normal — um dirigente de uma casa ou um festival ter associação com outra marca/agência do ramo —, mas não acaba gerando conflito de interesses? O Tomorrowland Brasil, por exemplo, ativou certa polêmica por trazer muitos artistas da Plus Talent

Acho ótima essa pergunta, pois vou ter a oportunidade de explicar algo que gera dúvidas e ao mesmo tempo dar minha opinião. Eu não acredito em conflito de interesses. Hoje a Plus Talent não é somente uma agência de conteúdo — muito pelo contrário, se tornou um dos grandes players do mercado de eventos. Minha atuação dentro do grupo é como diretor de produção. São áreas de atuação distintas. E se você olhar a programação do Laroc, já recebi artista de outras agências sem nenhum problema. Não há nenhuma exclusividade. O próprio Vintage Culture, que é um artista muito solicitado, se apresenta dia 19 de novembro.

Sobre a polêmica que envolveu o Tomorrowland, eu acho uma grande hipocrisia. Isso acontece em qualquer segmento ou mercado. Não digo que é protecionismo, mas há uma preferência, sem dúvida nenhuma. Você vê artistas de outro empresário do sertanejo tocando no Villa Mix, por exemplo?

Por 2008 ou 2009, quando eu dirigia o Anzuclub, tinha grande dificuldade em conseguir conteúdo com a Plus Talent, que na época era parceira do grupo Pacha & Sirena. É algo normal, faz parte do mercado que vivemos. O Lolla na maioria das vezes prioriza talentos da WME, agência que é parceira da C3, e assim por diante.

O que você pode nos falar sobre essa celebração de um ano da casa?

Aniversário é sempre uma data especial, principalmente o primeiro. Nossa ideia é entregar algo diferente em termos de produção, intervenções artísticas e, óbvio, muita música boa. A premissa básica para essa comemoração é um artista emblemático, com bagagem musical e muita história na música eletrônica. Isso é o máximo que posso contar, senão vou acabar com a surpresa! ~

LEIA TAMBÉM:

O Laroc chegou com tudo para ser o mais novo melhor club do mundo

DANÇAR É UM ATO POLÍTICO — Assista a documentário sobre os coletivos de festas que estão revolucionando SP

Tá tranquilo e tá favorável pro funk carioca se misturar com a EDM brasileira

O Wesley Safadão se juntou ao “David Guetta do funk carioca” pra fazer um som EDM

Da BASE ao Tomorrowland; a trajetória e a visão da “personalidade do ano”, Luiz Eurico Klotz

RECEBA NOVIDADES NO E-MAIL

Deixe um comentário

Entrevista

Conquistando a Ásia: DJs brasileiros falam sobre o novo polo da música eletrônica

Nayara Storquio

Publicado há

Ásia
O jovem Liu estreia na Ásia nesta semana. Foto: Rafael Oliveira/Divulgação
Bhaskar, Liu, FELGUK e Cat Dealers relatam suas experiências no continente
* Com a colaboração, revisão e edição de Flávio Lerner

Quando falamos de dance music no contexto internacional, os primeiros destinos que vêm na nossa cabeça são Europa e Estados Unidos. Não se iluda; este é apenas mais um reflexo da influência musical e cultural que esses lugares têm sobre nós. A verdade é que o novo oásis da indústria da música eletrônica está bem mais longe do que imaginamos: na Ásia. E é pensando nisso que não só os Top DJs mundiais como também os brasileiros estão se aventurando em terras orientais e fazendo muito sucesso.

Que a Ásia vem roubando a atenção do mercado não é de hoje. É evidente que o continente proporciona condições ideais para realização de festivais, por exemplo. Se avaliarmos o clima, o público, as paisagens e o custo, fica fácil saber o porquê. Ainda em 2015, o CGA Strategy divulgou um ranking dos 250 melhores festivais do planeta, e a Ásia, com apenas dez concorrentes, emplacou cinco: o Sunburn, na Índia; o Zoukout, em Singapura; e Clockenflap e Storm Electronic Festival, na China. De lá pra cá, a cena só cresceu.

Sabendo da mina de ouro que se tornou o “mundo oriental”, os nossos DJs também resolveram desbravar o continente. Alok, FELGUK, Cat Dealers, Sevenn, Liu, Bhaskar, D-Stroyer, Gaby Endo, Wav3motion, Renato Cohen, Gui Boratto e André Pulse são alguns dos que se destacam nessa aventura, e a Phouse entrevistou alguns dessa lista que só aumenta.

Ásia

Foto: Divulgação

Neste sábado, dia 04, a label UP Club desembarca no Half Moon Festival, em Koh Phangan, Tailândia. O showcase do selo de Alok vai levar muita brasilidade consigo com Liu, Bhaskar, Shapeless, Ekanta, Logica (antigo projeto de Bhaskar e Alok) e o Tripical (o único artista que não é brasileiro) fechando o line. Alok já deixou suas marcas no Oriente, e é visto como um dos nomes que “puxou o carro” para os seus colegas terem mais espaço no outro lado do planeta. O DJ mais popular do Brasil faz várias turnês no continente asiático desde 2016, tocando em países como China, Indonésia, Vietnã e Filipinas.

Seu irmão, Bhaskar, também tem experiência no continente. O DJ já tocou no SKY Garden, em Bali, no 1900 Le Theatre, no Vietnã, além do próprio Half Moon Festival, e nos contou sobre suas impressões. “[Os asiáticos são] Um povo muito evoluído mentalmente. O que sinto é que é mais difícil perder a pista na Ásia. Todos estão super envolvidos do começo ao fim da apresentação, e parecem não se cansar nunca!”, complementa o DJ. O artista comentou também sobre as limitações da cena e sua crescente evolução. “Como a música eletrônica não tem barreiras, era de se esperar que chegasse aqui [na Ásia], e esse crescimento tem sido constante. Cada vez que eu volto eu noto a diferença. A única parte chata é que vários clubs têm limites de horários bem restritos, então se torna difícil fazer sets mais longos.”

Já o jovem Liu, que inclusive tem descendência chinesa, está chegando agora na cena oriental, e entende que o mercado asiático é promissor. “A Ásia é um dos maiores novos polos de música eletrônica do mundo, pois é um continente massivamente populoso e que está em constante expansão econômica”, argumentou. Ele defendeu ainda o “up” que tocar no continente pode dar na carreira.

“Acredito que exista uma grande relevância e respeito na carreira dos artistas em atingirem a Ásia, já que é um mercado fechado e difícil de chegar”. Liu revelou que já foi até convidado para participar de um reality show sobre DJs na China. “Foi uma grande honra em saber que represento os DJs chineses no Ocidente. Não sei se vou poder participar devido às minhas datas no Brasil”. O garoto toca nesta semana em dois showcases da UP Club (Vietnã, no dia 03, e Tailândia, no dia 04).

Os caras do Sevenn também podem ser considerados parte dessa história. Americanos de nascimento, mas brazucas de coração, os dois têm a maior parte da sua agenda hoje em dia voltada para o nosso país, sendo inclusive representados pela Artist Factory — agência de São Paulo que cuida da carreira de muitos dos nomes aqui citados. O Sevenn está com uma turnê recheada de destinos asiáticos para 2018. Só neste mês de agosto eles vão tocar no Japão, na Índia, na Tailândia e na Coreia no Sul. A Phouse tentou contato com o duo e o Alok para mais detalhes de suas experiências orientais, mas não recebemos resposta até o fechamento desta matéria.

Enquanto para uns a Ásia ainda parece ser “outro planeta”, para outros ela já faz parte da vida profissional. É o caso do FELGUK. Os brasileiros já tocam por lá há quatro anos, e revelaram pra gente que a presença eletrônica no continente só cresce. “Quando falamos da Ásia, falamos da maior população do mundo, a velocidade com que a música eletrônica cresce lá é impressionante. Os menores festivais são quase do tamanho dos maiores daqui. Acredito que nos próximos anos a Ásia será o novo polo da música eletrônica, se já não é”, comentam.

Os dois acrescentam que antes deles, o Wrecked Machines, antigo projeto do Gabe, já havia passado por lá. Ainda segundo os DJs, a vertente mais popular era o psytrance, e a maioria das festas e festivais aconteciam no Japão. Outra característica de destaque no cenário asiático de dance music é a estrutura. “São extremamente inovadores quando o assunto é produção de eventos. Os níveis de produção e tecnologia usados nos clubs e festivais, é de ficar de boca aberta”, lembrou o duo, que já tocou no M2 Club, em Shanghai, e V2Tokyo, no Japão.

“A música como um todo, inclusive a EDM, tem a capacidade de unir as pessoas, independentemente da cultura, do credo e da filosofia” — FELGUK.

Outra dupla que chegou na empreitada oriental recentemente é o Cat Dealers, cujos integrantes destacaram que grande parte da cena de lá é influenciada por padrões ocidentais. “O Top 100 da DJ Mag é bastante influente entre o público asiático. Vários países do continente têm acesso restrito a sites e redes sociais ocidentais, portanto países como a China usam o ranking para saber quem são os DJs em alta pelo mundo”, disseram, indo ao encontro da carta aberta ao público que 3LAU escreveu sobre a relação entre o Top 100 e a Ásia, em 2016.

Para os Dealers, a chegada ao continente asiático também foi proporcionada pela popularização de uma de suas produções mais recentes. Eles revelaram que “depois de ‘Sunshine’, que fez bastante sucesso na Rússia”, foi possível pôr a Ásia na agenda. A turnê incluiu shows na China, Hong Kong, Vietnã e Coreia do Sul, em julho deste ano. Apesar do crescimento do mercado, eles confessam que chegar na Ásia ainda é um “feito inusitado” para alguns. “Os outros DJs sempre nos perguntam como são os detalhes, como é a vibe do público, como são os clubs… Rola curiosidade demais, parece que fomos tocar na Lua”, brincam.

Os números não mentem: tanto os exemplos da exportação dos nossos DJs quanto as pesquisas evidenciam a Ásia como um potente mercado para o setor. Divulgado em maio, o IMS Business Report 2018 já tinha apontado a música eletrônica como o gênero que mais cresceu em popularidade no continente. O estudo revela que 64% da China e do Taiwan escutam dance music, chegando a 74% na Coreia do Sul. Dá pra apostar, então, que vai ter muito DJ indo pra lá nos próximos anos — e, tomara, cada vez mais brasileiros espalhando a sua arte.

Nayara Storquio é redatora da Phouse.

LEIA TAMBÉM:

Documentário mostra o cenário da música eletrônica na China

Cultura hip hop é banida da televisão chinesa

Novo capítulo da série de Hot Since 82 mostra aventuras do DJ no Japão

Por favor, alguém traga este filme e estes DJs iranianos para o Brasil

A quem importa o ranking da DJ Mag?

Continue Lendo

Entrevista

Federal Music aposta em racionalidade e “pés no chão” para seguir bombando no Brasil

Nayara Storquio

Publicado há

Federal Music
Raul Mendes no Federal Music. Foto: Filipe Miranda/Reprodução
Raul Mendes explica como driblou o desânimo e os obstáculos para seguir firme com seu festival

O nosso país não passa por um dos melhores momentos econômicos já há algum tempo, e isso afeta vários setores da dance music nacional, entre eles os festivais. Em tempos de vacas magras, o Federal Music Festival vem procurando se reinventar para se manter na agenda, driblando as adversidades impostas pelo momento, pelo público e pelo mercado.

Em 2015, depois de uma intensa campanha publicitária que atraiu pessoas de todas as partes do país, o Brasil conheceu o Federal Music. O festival surgiu em 2011, com o intuito de tornar Brasília uma das cidades referência em música eletrônica, e nesses sete anos acumulou mais de 190 mil frequentadores, virando tradição na capital nacional.

“É muito triste apostar em tendências e as pessoas quererem somente o ‘feijão com arroz’. Meus sócios me fizeram enxergar o evento mais como business: fazer só o que o público quer” — Raul Mendes

O “Federal”, como os brasilienses o apelidaram, é hoje o maior evento de música eletrônica da sua região. “Criamos a maior marca de música eletrônica do Centro-Oeste do país e temos grande parte nisso, pois não medimos esforços até então para trazer o que há de melhor no mundo para cá”, comenta o DJ e produtor Raul Mendes — sócio-fundador do evento ao lado do DJ Raff —, em contato com a Phouse.

Mesmo com os grandes resultados da popularização do gênero no Planalto Central, nem tudo foram flores na trajetória do evento. Com a chegada da crise, que forçou cancelamentos de festivais ao redor do país nos últimos anos, o Federal teve que remar para não desaparecer. “Brasília é uma cidade que anda para trás. Fica cada vez fica mais difícil empreender no mercado de entretenimento. É a comunidade batendo de um lado, a gente tentando resolver de outro, e o público criticando. Difícil equalizar essa vibe. Se tivéssemos mais incentivo e mais tolerância, seria o ideal”, segue Mendes.

+ CLIQUE AQUI para ler mais notícias sobre festivais

As dificuldades chegaram a um ponto crítico no ano passado, quando Raul chegou a anunciar seu afastamento, alegando desmotivação. “É muito triste apostar em tendências, investir pesado e as pessoas quererem somente o ‘feijão com arroz’ comercial que toca toda hora”, explica. “Em 2015, 2016 e 2017 foi assim, e cada vez piorando, então tomei a decisão de sair. Porém, o negócio não anda 100% sem a minha presença, e meus sócios me fizeram enxergar o evento mais como business: fazer só o que o público quer realmente ouvir, e pronto.”

A partir de agora, o Federal se planeja para driblar os imprevistos, contratempos e dificuldades impostas pelo macroambiente com “pé no chão, pouca emoção e trabalhando mais dentro do racional”. A edição de 2018 segue dentro dos conformes, e já tem algumas atrações confirmadas. Infected Mushroom, SKAZI, Astrix, Paranormal Attack, Reality Test, Trindade B2B Dimitri Nakov, Freakaholics e Hi-Profile são os nomes para o palco de psytrance em destaque até agora, enquanto os brasileiros Felguk, Liu, Devochka, Cat Dealers, Evokings, KVSH e VINNE, além do italiano Jude & Frank, são os DJs já escalados para o segundo palco, de low BPM/brazilian bass. Diversos outros nomes ainda serão anunciados.

Primeira fase, anunciada no começo do mês, já tem acréscimos

“No psytrance, os heróis são os artistas internacionais. Na house, deixamos de priorizar os gringos e estamos consumindo mais cena nacional. Analisamos quem está mais em evidência no momento em nossa cena — os artistas mais pedidos e os eventos que estão mais bombando”, explica o boss do Federal Music. Além dos dois palcos, em que prometem “cenografia inédita”, o evento trará novidades para este ano. Em primeira a mão, Raul nos adiantou que desta vez o festival terá sua primeira edição “que adentrará o dia”, em vez de se encerrar na madrugada, como de praxe. A produção ainda promete elevar as expectativas em qualidade: “Vamos ter uma entrega jamais vista. Nesta edição teremos muito a nível de experiência, fora o lineup”, concluiu.

Em local inédito, ainda mantido em segredo, a oitava edição do Federal Music vai rolar no dia 11 de outubro. Em lote promocional, os ingressos já disponíveis via Sympla.

Nayara Storquio é colaboradora da Phouse.

Continue Lendo

Premiere

PREMIÈRE: Gezender, Moebiius – Samadhi (BLANCAh Remix)

Phouse Staff

Publicado há

BLANCAh Hernan Cattaneo
Foto: Reprodução
Faixa será lançada em EP pela Neurom Records

Hoje tem lançamento de faixa exclusivo aqui pela Phouse. Trata-se do remix de BLANCAh para “Samadhi”, collab entre os produtores brasileiros Gezender e Moebius. A faixa faz parte do EP Tantra, que será lançado oficialmente no próximo dia 26, pelo selo berlinense Neurom Records. Além da original e da produção da BLANCAh, o disco traz remixes dos projetos paulistanos TessutoTeto Preto.

“A BLANCAh é nossa amiga há muitos anos. Ela é de Florianópolis, de onde eu vim, e onde o Moebiius mora, e nosso trabalho tem muitas coisas em comum”, explicou Gezender à imprensa. “Eu mostrei a música para ela, que adorou e topou fazer o remix.” Em contato com a Phouse, a artista complementou: 

“Geralmente quando eu aceito fazer remixes para outros artistas, tenho uma tendência de colocar muito da minha identidade, a ponto de quase parecer outra música. No caso desse remix específico, foi diferente. Foi o trabalho mais generoso que eu fiz porque fiz pensando no Tiago Franco [Gezender]. Pelo carinho que eu tenho por ele, pelo fato de eu já conhecê-lo há um tempão, por conhecer um pouquinho do gosto musical dele, da cena que ele criou em Floripa…”, declarou a BLANCAh. “Então eu tentei usar os sintetizadores um pouco mais rasgadinhos, alguns momentos lembrando de leve um electro, pensando bastante nas lembranças que eu tinha dele. Eu não criei muitas viagens etéreas nele, fui mais específica e direto ao ponto.”

E apesar de o EP só chegar daqui a sete dias, é nesta noite de quinta que vai rolar a festa de lançamento do EP. O rolê é no Tokyo, em São Paulo, a partir das 23h. O lineup traz os autores de Samadhi e dois dos remixers do EP: BLANCAh e Tessuto.

“Convidamos dois dos artistas que fizeram remixes para a ‘Samadhi’, com sets que passeiam entre house, electro e techno”, complementa Gezender. “As influências japonesas presentes no Tokyo, onde acontece a festa, passeiam também pelas nossas produções, e o local escolhido pra este lançamento vem muito a calhar. Vai ter pista fervendo até as 6h da manhã!”

Você pode conferir mais informações na página do evento.

LEIA TAMBÉM:

BLANCAh lança EP “funcional” e revela novo álbum a caminho

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Continue Lendo

Publicidade

Federal Music 300×250
XXXperience 300×250
TM Festival (300×250)

Facebook

PLAYLIST

Trending

-->

Copyright © 2018 Phouse

Translate »
TM Festival Pop UP