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Entrevista

“Um negócio como o Laroc não pode durar menos de quatro anos, ou terá sido tempo e dinheiro perdidos”

Flávio Lerner

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O sócio-diretor do Laroc fala sobre proposta, trajetória e objetivos do “primeiro sunset club do Brasil” — que logo completa um ano —, além de crise, elitismo, funk carioca e mais.

Em junho, o Luckas Wagg, editor-chefe da Phouse, foi pra Valinhos, São Paulo, conferir de perto se todo o hype que recebia o Laroc — novo superclub fundado em outubro de 2015 e já muito elogiado por grandes DJs globais — se justificava. O Luckas foi numa tarde em que o headliner era o Eric Morillo, e conheceu de perto as dependências e estrutura daquele que se posiciona como o “primeiro sunset club do Brasil”.

Quem fez as vezes de anfitrião foi o Mario Sergio de Albuquerque, um dos sócio-fundadores da casa. O Mario Sergio trabalha no mercado clubber desde 2002, quando começou no Anzuclub, em Itu, e hoje, além do Laroc, é também diretor de produção na Plus Talent. Portanto, às vésperas do mês de aniversário da sua casa noturna — em que prometem uma programação especial —, tive a oportunidade de trocar uma ideia com o Mario para saber mais detalhes da trajetória e dos bastidores de um club que explodiu com muita força e muito rápido. Conceito e curadoria, mainstream X underground, crise econômica, elitismo e ostentação, baile funk e conflitos de interesse entre agências e clubs ou festivais foram alguns dos temas do nosso papo, que você confere a seguir.

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Mario Sergio, como surgiu o projeto do Laroc e quais os principais objetivos com essa empreitada?

O Silvio [Soldera], que é meu sócio no projeto, é proprietário de uma empresa de infraestrutura que atende grandes eventos como Rock in Rio, Lollapalooza, Tomorrowland, Olimpíadas, e em 2014 fizemos a primeira edição do Armin Only no Sambódromo do Anhembi em uma tenda, algo inédito. Ali começaram as conversas embrionárias do projeto.

O Silvio foi o cara que encontrou o local, fez o primeiro esboço e foi o idealizador do Laroc, inclusive do nome, que pouca gente sabe o significado. Laroc veio de “a rocha”, “la roc” [em francês], que remete a uma grande pedra que temos no local e é o nosso ícone. Após o início das obras, veio o convite oficial para ser parte do time de sócios. Hoje somos em cinco, cada um atua em diferentes áreas.

O objetivo principal, sem dúvida nenhuma, é ser um club de expressão mundial. Para isso temos um longo caminho, porém pelo fato de sempre ter trabalhado com o mercado de música eletrônica, desde 2002, quando ainda não era algo tão mainstream, vamos tentar encurtar os caminhos para atingirmos nossas metas.

E quais as principais referências para montar o “primeiro sunset club do Brasil”?

Hoje em dia, principalmente na cidade de São Paulo, nós acompanhamos praticamente o fim dos nightclubs. Nós temos o D-EDGE que se mantém vivo e é referencia, pois tem uma clientela fiel e preza pelo conteúdo musical. Fora isso, a cultura de clubs praticamente morreu.
Os eventos itinerantes tomaram conta da programação dos jovens, sempre em busca de novidades, temas, locais e contextos diferentes.

Além disso, grandes festivais, Ushuaïa, Day Clubs, em Las Vegas, acontecem durante o dia. Com essas premissas, somadas ao ambiente do Laroc que é rodeado por natureza, o pôr do sol, chegamos ao conceito Laroc, que transmite a sensação de um evento open air, coberto e com conforto de um club. O ânimo das pessoas é outro quando o evento se inicia à tarde, bem diferente de algo que começa na madrugada e vai até o amanhecer. O clima é outro, além da experiência de ver a mutação do club do dia para a noite.

 “Principalmente em São Paulo, a cultura de clubs praticamente morreu.”

Há algo que diferencie o Laroc dos outros grandes clubs do Brasil e do mundo?

O que nos diferencia dos demais clubs do Brasil, sem dúvida nenhuma, é o horário e o tempo de duração das aberturas. São quase 11 horas, bem diferente de um nightclub, que tem normalmente quatro horas de pico. Com os demais clubs do mundo? Somos um minifestival com sete atrações, efeitos especiais, dia e noite, fora dos grandes centros e envolto na natureza!

Uma pergunta que você já deve ter ouvido muito, mas é meio inevitável: como gerenciar um negócio que move tanto dinheiro em meio à crise econômica atual? Ainda mais porque o Laroc nasceu bem no meio dela…

Em época de crise, uns choram, outros vendem lenços. As coisas aconteceram rapidamente, desde encontrar o terreno, iniciar as obras e principalmente a definição da data de abertura que resolvemos, pois havia um artista disponível. Enxergamos como oportunidade. Talvez se tivéssemos pensado muito, não teríamos seguido em frente. Dos sócios iniciais, dois já saíram, justamente por não terem a mesma sinergia e crença dos que ficaram.

Pode parecer meio insano, mas a grande verdade é que existem momentos em que você tem que agir com a emoção e em outras com a razão; aqui a emoção, a realização de um sonho tomou conta e estamos muito satisfeitos em ter acreditado e seguido em frente. Hoje o Laroc é uma realidade. Vamos sempre analisar pelo lado bom. O fato de a crise estar à frente de todos fez com que tivéssemos maiores cuidados com despesas, o que no futuro pode ser benéfico ao nosso negócio, que ainda está em fase de maturação.

“O ânimo das pessoas é outro quando o evento se inicia à tarde.”

Por que você diria que a casa, em tão pouco tempo, tem sido referenciada por alguns dos DJs mais populares do planeta como o novo maior club do mundo?

Receber elogios de artistas como Hardwell, Axwell, Erick Morillo, Robin Schulz e tantos outros que estão em todos os lugares do mundo é realmente algo motivador. Sempre produzi eventos e estou acostumado a lidar com artistas do alto escalão e seus times, que são extremamente exigentes. Você tem que saber entender quais são os anseios desses caras e prover a eles exatamente o que esperam. Você imagina o quão desgastante é estar em tour, dormir pouco, chegar em um local e não ter as questões técnicas exigidas? Ter que discutir com fornecedores que normalmente não falam inglês? Este é somente um dos pontos que tentamos suprir com excelência: uma grande produção de som, luz, vídeo, efeitos, camarim, hospitalidade em geral. São esses caras que vão falar de nós para o mundo. Mas de nada adianta ter toda essa repercussão artística se a entrega não fosse boa para o nosso cliente. Prezamos pelo serviço diferenciado e o contato próximo. Todos nós somos acessíveis e temos canal aberto com público.

O Laroc trouxe DJs de vertentes e nichos: desde artistas do topo do mainstream, como Hardwell e Nicky Romero, brasileiros extremamente populares, como Alok e FTAMPA, expoentes do deep house, como Kolombo e Phonique, e “cabeçudos” do techno, como Junior C; este é residente, bem como o Marcelo Cic, que traz uma proposta bem mais popular. Afinal, qual o conceito musical da casa, e como ela o trabalha?

A última coisa que queremos é ser rotulados. Somos um club de música eletrônica que tem por obrigação disseminar a cultura. Por isso não podemos nos limitar à vertente A ou B. O mercado é cíclico, sabemos que os estilos vêm e vão na mesma velocidade, e o club tem que acompanhar isso. Faz parte da curadoria artística “educar” o público, sem julgamentos. Se você gosta de mainstream, tem uma noite para isso; se você é do underground também pode frequentar o club e viver a experiência Laroc. Talvez este seja um dos problemas do nosso mercado: muitos produtores não têm convicção sobre o que estão fazendo e simplesmente surfam na onda do momento.

“São raros os eventos que conseguem entregar uma pista grande como a nossa para artistas underground, e nós temos conseguido.”

Vocês não consideram o Laroc um club comercial?

Somos um club big room, e talvez por isso as pessoas entendam que somos do mainstream e comercial. São raros os países e os eventos que conseguem entregar uma pista grande como a nossa para artistas underground e conceituais, e nós temos conseguido. A ideia é que o público varie, assim como a atração, dependendo do conteúdo. Somos um superclub de música eletrônica e a prova disso é que tivemos, como você citou, artistas como Phonique, Lee Foss, Kolombo e outras novidades futuras como Luciano, por exemplo, que de comercial não tem nada.

Seguindo o modelo padrão de clubs do tipo no mundo, o Laroc tem altíssimo investimento e, naturalmente, visa o lucro, em um mercado em que atualmente gira muita grana. Por isso, cobra valores que são praticáveis a um seleto grupo de pessoas com alto poder aquisitivo. Nas ruas brasileiras, um movimento contracultural iniciado em São Paulo tem encrencado com os clubs por considerá-los elitistas, e então levou a cultura DJ para a rua, de graça, resgatando os valores democráticos da origem da cultura clubber. Como vocês encaram essa questão da diversidade versus a cultura dos VIPs e camarotes na cena DJ global?

Acho que não devemos separar dessa maneira. Tudo esta relacionado a investimento, como citado por você. Além do investimento para construção e concepção do negócio que obviamente deve retornar, existe outro variável que é o artístico. Em diversas situações a abertura não é rentável, mas faz parte de um planejamento assumir prejuízos pensando no longo prazo, na construção de marca, e isso acontece conosco no primeiro ano. Muita gente acha que o negócio já é rentável ao abrir e pelo contrário, existe um tempo de maturação para ter o inicio de retorno investido para daí então pensar no lucro. Um negócio como o Laroc não pode durar menos de três, quatro anos, ou caso contrário foi tempo e dinheiro perdido. Acho louvável o movimento cultural, até porque só fortalece a cena, mas acho errada essa categorização de que [o nosso negócio] é para um seleto grupo.

É um negócio como qualquer outro, que deve sempre analisar investimento X retorno para precificar ingresso. Nosso ingresso não aumenta substancialmente se temos uma atração de primeira linha. Nós subsidiamos muitas vezes para não inviabilizar. Outro ponto é de que infelizmente o brasileiro compra status; hoje em dia enxergam um demérito você estar na pista e não no camarote. E aí é a lei básica da economia — oferta X demanda. Porém no Laroc nós temos uma capacidade de área VIP, por exemplo, que não tem como aumentar. Se esgotar, acabou! E nem por isso aumentamos o preço pela demanda.

“Infelizmente o brasileiro compra status; enxergam um demérito você estar na pista e não no camarote.”

E por que abrir apenas de 15 a 20 vezes por ano? Não acaba sendo um desperdício ter uma estrutura tão grandiosa pra usar poucas vezes?

Pode parecer desperdício, mas abrir e sofrer prejuízo é pior. Justamente pelo tamanho do negócio, nosso ponto de equilíbrio é elevado. Às vezes é melhor ter uma abertura com quatro mil pessoas do que duas com duas mil. O custo fixo mensal é o mesmo, mas o operacional, de produção e artístico dobra. Além do fato de que é legal a expectativa que se cria para a próxima abertura. O cenário perfeito seriam duas aberturas por mês, com conteúdos musicais opostos [“mainstream” e “underground”] — vamos ver se com o tempo nós conseguimos implantar isso. Muita gente não conhece o Laroc, e uma coisa é fato, quem conhece volta! Com isso aumentamos nossa base de clientes, então há expectativa de um crescimento exponencial que sustente essa ideia.

Em fevereiro, o Laroc abriu as portas para o MC João, que estava estourando com “Baile de Favela”. Vemos, entre grande parte dos fãs brasileiros de EDM, um forte ódio ao funk carioca — quando o RMC anunciou o Baile do Dennis, por exemplo, houve muita reclamação. Em cima disso, imagino que tenha ocorrido com vocês algo semelhante. Como lidaram com isso? Pretendem seguir abrindo as portas pro baile funk e suas ramificações?

Eu não vejo produtos como o Baile do Dennis acontecendo no Laroc, são propostas completamente diferentes. O MC João foi um fato isolado. O Hardwell havia acabado de tocar pela primeira vez a versão não oficial do remix em Brasília no domingo anterior. Durante a semana de descanso ele se aprofundou na produção e inclusive obteve a autorização para lançar o remix oficial. O assunto da semana havia sido o “Baile de Favela”. Na sexta feira de carnaval, dia da apresentação do Hardwell no Laroc, recebi a ligação do MC João, que estaria em Jundiaí para um show e queria ir pro club. Abrimos as portas, não tem por que barrar. Ao mesmo tempo toda polêmica é bem-vinda, ainda mais em um momento de início de história como era o nosso. Viramos assunto. Isso se repetiu um mês depois com o Jack U e o Mc Bin Laden no Lollapalooza, por exemplo.

“Muitos produtores não têm convicção sobre o que estão fazendo e simplesmente surfam na onda do momento.”

Mario, você é sócio-diretor do Laroc, mas também trabalha na Plus Talent. Esse tipo de relação profissional no Brasil parece normal — um dirigente de uma casa ou um festival ter associação com outra marca/agência do ramo —, mas não acaba gerando conflito de interesses? O Tomorrowland Brasil, por exemplo, ativou certa polêmica por trazer muitos artistas da Plus Talent

Acho ótima essa pergunta, pois vou ter a oportunidade de explicar algo que gera dúvidas e ao mesmo tempo dar minha opinião. Eu não acredito em conflito de interesses. Hoje a Plus Talent não é somente uma agência de conteúdo — muito pelo contrário, se tornou um dos grandes players do mercado de eventos. Minha atuação dentro do grupo é como diretor de produção. São áreas de atuação distintas. E se você olhar a programação do Laroc, já recebi artista de outras agências sem nenhum problema. Não há nenhuma exclusividade. O próprio Vintage Culture, que é um artista muito solicitado, se apresenta dia 19 de novembro.

Sobre a polêmica que envolveu o Tomorrowland, eu acho uma grande hipocrisia. Isso acontece em qualquer segmento ou mercado. Não digo que é protecionismo, mas há uma preferência, sem dúvida nenhuma. Você vê artistas de outro empresário do sertanejo tocando no Villa Mix, por exemplo?

Por 2008 ou 2009, quando eu dirigia o Anzuclub, tinha grande dificuldade em conseguir conteúdo com a Plus Talent, que na época era parceira do grupo Pacha & Sirena. É algo normal, faz parte do mercado que vivemos. O Lolla na maioria das vezes prioriza talentos da WME, agência que é parceira da C3, e assim por diante.

O que você pode nos falar sobre essa celebração de um ano da casa?

Aniversário é sempre uma data especial, principalmente o primeiro. Nossa ideia é entregar algo diferente em termos de produção, intervenções artísticas e, óbvio, muita música boa. A premissa básica para essa comemoração é um artista emblemático, com bagagem musical e muita história na música eletrônica. Isso é o máximo que posso contar, senão vou acabar com a surpresa! ~

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Entrevista

Produtora mais nova do mundo? Com apenas 10 anos, a DJ Rivkah tem chamado a atenção da cena nacional

Flávio Lerner

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Rivkah
Foto: Divulgação
Garota de Brasília cresceu rápido e virou atração entre grandes eventos e expoentes da cena eletrônica

Crianças prodígio costumam chamar a atenção no meio da música eletrônica pelo fator inusitado: ainda não é comum vermos gente tão nova discotecando profissionalmente, por razões óbvias que vão do fator ambiente [quase sempre mais adulto] à própria inserção no mercado de trabalho — passando ainda pelo fato de que um bom DJ requer uma boa bagagem musical, que por sua vez exige tempo de conhecimento e maturação.

Mas talvez o futuro breve nos reserve mais crianças que se destacam no ofício. Décadas após o A-Trak vencer o DMC, e poucos anos depois do “fenômeno” Arch Jnr, que ganhou reality na África com apenas três anos de idade — e que, vamos ser honestos, não parecia ter muita noção do estava rolando —, temos no Brasil mais um caso recente que vem atraindo cada vez mais olhares em uma velocidade impressionante: Rebecca Rangel, mais conhecida como DJ Rivkah [seu nome de batismo em hebraico].

Foto: Divulgação

A menina nasceu na Noruega, onde viveu até os seis anos de idade, mas tem cidadania brasileira e francesa, e hoje mora em Brasília com a mãe e o padrasto — “o maior incentivador e patrocinador de toda essa história”, segundo a mãe de Rebecca. Assim, com apenas dez anos, desde que decidiu abraçar de corpo e a alma essa carreira, vem chamando a atenção em eventos não só em sua cidade: no BRMC, que rolou nessa última semana, em São Paulo, Rivkah parecia onipresente, podendo ser vista a toda hora pelas salas em que se realizavam os painéis e circulando pelas áreas de lounge.

“A Rivkah sempre gostou muito de música, e já teve aulas de violino e teclado antes de virmos morar em Brasília. Desde os quatro anos ela já tinha música eletrônica no celular, em vez de músicas infantis. Ouvia muito Swedish House Mafia e Tiësto“, conta a orgulhosa mãe Valesca Rangel — constantemente presente ao lado da filha — em depoimento à Phouse. “Ela sempre pediu para ser DJ, e no ano passado eu a matriculei em um curso e acompanhei diariamente nas aulas. Um curso que duraria três meses ela terminou em apenas um!”

Na Praia, em Brasília, foi onde a Rivkah começou a chamar atenção

Logo, a menina já atraiu um dos tutores do curso, o DJ Sony, e ganhou a chance de tocar em um evento chamado “Na Praia”, que rolou entre junho e setembro, durante os finais de semana, na capital federal. “O DJ Sony deu a chance de a Rivkah tocar em um domingo à tarde, em um palco menor, e logo na primeira apresentação o espaço lotou. Rapidamente, foram muitas matérias em jornais e sites de Brasília. Ela explodiu rapidamente”, segue contando Valesca, que destaca que a filha já tem agenda fechada até outubro.

De fato, em conjunto com um trabalho forte de assessoria de imprensa, a menina saiu em diversas reportagens, de jornais locais a jornais do SBT. Assim, a família tratou de cuidar dos trâmites para que ela pudesse trabalhar legalmente, sempre com a presença de um adulto responsável — e Valesca não vê qualquer possibilidade da infância da filha ser prejudicada. “Fomos orientados pelo Conselho Tutelar a pedir um alvará na Vara da Infância, e assim foi feito. A Rivkah toca, se apresenta, mas não deixou de ser criança. Ela tem uma coleção de bonecas que é aumentada pelo menos duas vezes por ano, e gastamos com as bonecas talvez mais do que com equipamentos. Apesar de estar saindo enquanto as amigas estão ficando em casa, a maioria delas já está se relacionando com meninos, e a Rebecca nem pensa nisso ainda. Ela é madura para exercer seu dom, mas ainda é criança e se diverte como tal. A prioridade para ela é a escola, e ela está muito bem amparada psicologicamente.”

Foto: Divulgação

O fato de o ambiente da música eletrônica estar normalmente associado a uma embalagem mais adulta [noite, bebidas, drogas, sexo…] também não preocupa. “Para mim, a música eletrônica nunca remeteu a bebidas, drogas ou sexo, pois eu nunca bebi e sempre frequentei festas, raves e shows. Sou capaz de virar a noite sendo a pessoa mais feliz da festa bebendo Coca-Cola Zero (risos)! O primeiro evento em que a Rivkah participou foi o Na Praia, que tem um clima maravilhoso e muito familiar. Vende-se bebida da mesma forma que se vende bebida em qualquer praia brasileira. Os demais, em sua maioria, foram sunsets com censura livre em beach clubs, ou eventos em lojas, para famílias”, segue Valesca.

“Quando o evento é mais tarde, ela não tem contato com o público, a entrada de artista é diferenciada e ela fica em camarim ou área reservada. Quando não se apresenta, vamos em outros programas e assistimos com ela a atrações diversas. Na maioria das vezes, estamos no backstage ou camarote, que são ambientes mais reservados. Temos uma relação muito próxima, eu e ela, e a Rebecca realmente segue o dom de sua personalidade. Alok e Bhaskar cresceram dentro de festas rave, e quem conhece sabe que são muito bem criados e muito educados, de personalidade e caráter indiscutíveis.”

A dupla, aliás, é uma das maiores referências da garota, que cita o brazilian bass e o trance como suas principais vertentes. Outros nomes citados são Sevenn, Chemical Surf, Vintage Culture, JetLag, Capital Monkey, Skazi, Chapeleiro e Astrix — além de Guga Guizelini, do Make U Sweat, que a tem ajudado com dicas de produção musical. “Conhecer a Rivkah foi uma grata surpresa. Ela é super cativante, e não é apenas uma criança que gosta de música e de DJs — ela realmente sabe tocar, e bem! Tem presença de palco e arranca olhares surpresos o tempo inteiro! Certeza que se ela continuar apaixonada pelo que faz, tem um futuro brilhante pela frente”, afirmou o DJ.

Agora, a Rivkah quer ir ainda mais longe: depois de aulas de produção com Guga e outros nomes do cenário brasileiro, está finalizando a masterização de suas primeiras músicas, feitas em parceria com artistas de Brasília: uma collab com o DJ e produtor Icy Sasaki e uma canção com letra e voz de Babi Ceresa. A família já a está rotulando como a produtora mais nova do mundo, e pretende pleitear oficialmente esse título. “A assessoria dela e eu estamos preparando todas as evidências para requerer a quebra de recorde no Guinness, pois lá o produtor mais jovem do mundo é um menino de 12 anos”, complementa a mãe.

Com Guga Guizelini. Foto: Divulgação

Ainda é muito, muito cedo para saber se todo o hype em cima da menina irá se confirmar, e se ela de fato irá se tornar um big name nacional — ou mesmo se vai seguir a carreira como DJ e produtora depois de adulta. A essa altura, o que realmente importa é que Rebecca Rangel se divirta, sem muito compromisso.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Executivo próximo a Avicii fala sobre novo álbum, segredo do sucesso e comportamento peculiar do artista

Phouse Staff

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Lonely Together
Foto: Reprodução
O presidente da Geffen Records fez revelações importantes sobre os bastidores do trabalho com o músico

Neil Jacobson, presidente da Geffen Records — selo que lançava as músicas de Avicii —, deu uma entrevista bastante profunda e esclarecedora para Shirley Halperin, da Variety, logo após a morte do artista. Jacobson trabalhava como A&R de Avicii desde que fechou contrato com a Interscope (selo-mãe da Geffen) para “Levels”, e, portanto, era uma das pessoas mais próximas dele.

Na entrevista, o executivo revelou que um novo álbum estava muito perto de ser lançado, que conversou com o sueco dois dias antes da sua morte, e falou sobre como o enxergava como um músico genial, pioneiro e diferenciado, que tinha como grande trunfo a capacidade de criar grandes melodias.

Confira algumas das melhores declarações de Jacobson para a Variety, em tradução feita pela Phouse:

— Trabalhei com o Tim por muito tempo. Ele era o meu cara. […] Foi um grande amigo, um grande garoto. Tenho cuidado em não cometer exageros com essas declarações porque isso é algo fácil de se fazer quando alguém falece, mas pode falar com qualquer pessoa que o conheceu e vão te dizer que ele era um garoto bom e gentil.

— Tim era um artista original. […] Ele era muito consciente sobre o que estava rolando, e muito interessado em seguir um caminho diferente. […] Sempre tinha um pé no momento atual e o outro em algo completamente diferente e inesperado.

— A primeira vez que ouvi falar nele foi no Identity Festival, por volta de 2010. […] Escutei “Levels” e fiquei tipo, “caramba, isso é grande”. Era uma grande música, um grande sample, uma grande ideia, um grande drop. E você olhava pra ele e ele tinha aquele look incrível — a camisa xadrez, o cabelo loiro, a grande música. Tinha um ar de que você não podia chegar perto dele, e esse mistério foi mantido no primeiro ano, quando “Levels” não parava de crescer. Foi o grande surgimento da EDM, a dance music moderna, e ele surfou aquela onda como um profissional. Ele estava bem em frente a ela.

— O grande lance do Tim era o seu senso incomum para melodias — do tipo que grudam na sua cabeça. […] Seu ingrediente secreto era a sua melodia. O seu entendimento sobre ela, como identificá-la. Ele sempre escolhia a correta, sempre sabia como dirigir os cantores, em como eles deveriam entrar e sair de cada vocal. Ninguém fazia o que o Tim fazia, e eu acho que é por isso que ele seguiu tendo hit atrás de hit.

— [Sobre o novo álbum]: Estávamos trabalhando nele, e era o melhor material do Avicii em anos, pra ser sincero. […] Ele estava muito inspirado e empolgado. Tivemos um mês de sessões no estúdio, e tínhamos que delimitar horários de encerramento, porque se deixasse, o Tim ia trabalhar por 16 horas seguidas, era a natureza dele. Você tinha que tirá-lo disso, tipo: “Tim, vamos lá, vai dormir, descanse um pouco”. É uma tragédia. Tínhamos esse músico incrível, mágico.

— [Sobre o futuro do álbum]: Não faço ideia do que vai ser agora. Vou dar um tempo e trocar uma ideia com a família dele, depois que as coisas se acalmarem. […] Vamos tentar pegar alguma recomendação da família e então trabalhar pra fazer algo que ele gostaria que fizéssemos.

— [Sobre colaborações no álbum]: Sim, há algumas. Prefiro não dizer quem são. O Tim tinha uma lista de pessoas com quem ele gostaria de trabalhar nesse disco. Na verdade essa foi a última coisa que conversamos, dois dias antes [da morte do artista]. É meio assustador.

— Sim, ele era um perfeccionista, um workaholic. Até que ele fosse para o lado oposto. Por que ele estava em Omã? Eu estava, tipo: “Tim, onde fica Omã? Eu nem faço ideia”. E ele: “Eu vou pra Omã. Vai ser divertido”. Este era ele: trabalhava muito forte e então dava meia volta como se fosse um piloto de guerra.

— Quando estávamos lançando o último EP — porque nós conversamos muito sobre o futuro da música, sobre não ser mais sobre álbuns nem singles, e por isso decidimos lançar em pequenos blocos —, logo antes de termos tudo pronto e entregue, eu ficava martelando na cabeça dele todos os dias. Como o cara do A&R, eu preciso ter o disco pronto. De repente, ele pega um avião e vai pra Machu Picchu. Não tivemos notícias por três dias. E aí ele posta um vídeo de uma lhama no Instagram com “Friend of Mine” tocando ao fundo. Claro, ele estava certo. Seus fãs enlouqueceram, aquilo viralizou na internet, virou o trending topic número um em tudo que é canto. Promoveu perfeitamente o disco de Machu Picchu. Este era ele. Tipo: “Sério, Tim? Uma lhama?”

— [Sobre voltar a fazer shows]: Volta e meia a gente tocava no assunto. “E se você fizesse esse show?” Ele respondia: “Não, não, não. Não vou voltar a tocar, mas se eu fosse fazer algo, provavelmente seria aparecer de surpresa num clube underground, só pela diversão”. Ele sentia falta disso, de discotecar. Ele amava a dance music. Você quer enlouquecer? Vá para o meio dos fãs em um show do Avicii. Ele entendia o fluxo e o refluxo de um set, como fazer as pessoas dançarem, como diminuir a intensidade e depois trazer elas de volta. Você acabaria chorando durante três quartos do show e sem saber por quê. Era isso que ele fazia, esse era o seu talento.

— Se o Avicii voltasse a tocar em um ou dois anos, acredito que o cachê seria um número de sete dígitos, só pra começar. Tem tantas pessoas que gostariam de vê-lo, de dançar e enlouquecer num show dele. Teria sido lindo.

— [Sobre os problemas de saúde e especulações de abuso de drogas]: Não posso falar muito sobre isso porque eu não sei. Posso dizer o seguinte: se algum desses rumores fosse verdade, acho que eu teria visto algo. E por mais que eu estivesse o tempo todo em volta dele, nunca vi nada disso. Ele não fazia festa. Ia para um clube para ouvir o DJ.

— [Respondendo sobre o que mais vai sentir falta na ausência do Avicii]: Não vou sentir falta dele me ligando às 04h15 da madrugada (risos). Ele não entendia o tempo, não fazia sentido pra ele. Era uma pessoa noturna, e não compreendia os limites dessa questão. Só posso falar sobre sua música e sua força criativa no estúdio. Seu respeito pela arte, pela criatividade. Ele lutou para ser um grande artista. Nunca foi algo como “essa música já está boa, vamos embora”. Tinha que ser excelente, e eu vou sentir falta disso.

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Em novo e emocionado depoimento, família indica que Avicii cometeu suicídio

Phouse Staff

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Avicii suicídio
Foto: Reprodução
Família Bergling soltou novo comunicado para o público nesta quinta-feira

Dois dias depois de soltar seu primeiro comunicado para a imprensa, a família de Avicii voltou a falar — e desta vez, a mensagem foi bem mais reveladora. No novo comunicado, ao dizer que o músico “não conseguiu ir além” e “queria encontrar paz”, a família Bergling dá a entender que o DJ teria cometido suicídio.

Confira o depoimento na íntegra, em tradução livre feita pela Phouse:

Estocolmo, 26 de abril de 2018

Nosso amado Tim estava em busca de algo. Era uma alma artística frágil que procurava encontrar respostas para questões existenciais. 

Um perfeccionista que viajou e trabalhou duro em um ritmo que levou a um estresse extremo.

Quando ele parou com as turnês, queria encontrar um equilíbrio na vida entre ser feliz e conseguir fazer o que ele mais amava — música.

Ele realmente enfrentou muitos pensamentos sobre sentido, vida e felicidade.

Ele não conseguiu ir além.

Ele queria encontrar paz.

O Tim não foi feito para a máquina de negócios em que ele acabou se encontrando; era um cara sensível que amava seus fãs, mas evitava os holofotes.

Tim, você será amado para sempre, e deixa muitas saudades.

A pessoa que você era e a sua música vão manter sua memória viva.

Nós te amamos,

Sua família.

Tim deixa seus pais, Klas e Anki, seus dois irmãos, Anton e David, e sua irmã, Linda. O músico foi encontrado sem vida na sexta-feira passada (20), no Muscat Hills Resort, em Omã.

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