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Entrevista

“Um negócio como o Laroc não pode durar menos de quatro anos, ou terá sido tempo e dinheiro perdidos”

Flávio Lerner

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O sócio-diretor do Laroc fala sobre proposta, trajetória e objetivos do “primeiro sunset club do Brasil” — que logo completa um ano —, além de crise, elitismo, funk carioca e mais.

Em junho, o Luckas Wagg, editor-chefe da Phouse, foi pra Valinhos, São Paulo, conferir de perto se todo o hype que recebia o Laroc — novo superclub fundado em outubro de 2015 e já muito elogiado por grandes DJs globais — se justificava. O Luckas foi numa tarde em que o headliner era o Eric Morillo, e conheceu de perto as dependências e estrutura daquele que se posiciona como o “primeiro sunset club do Brasil”.

Quem fez as vezes de anfitrião foi o Mario Sergio de Albuquerque, um dos sócio-fundadores da casa. O Mario Sergio trabalha no mercado clubber desde 2002, quando começou no Anzuclub, em Itu, e hoje, além do Laroc, é também diretor de produção na Plus Talent. Portanto, às vésperas do mês de aniversário da sua casa noturna — em que prometem uma programação especial —, tive a oportunidade de trocar uma ideia com o Mario para saber mais detalhes da trajetória e dos bastidores de um club que explodiu com muita força e muito rápido. Conceito e curadoria, mainstream X underground, crise econômica, elitismo e ostentação, baile funk e conflitos de interesse entre agências e clubs ou festivais foram alguns dos temas do nosso papo, que você confere a seguir.

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Mario Sergio, como surgiu o projeto do Laroc e quais os principais objetivos com essa empreitada?

O Silvio [Soldera], que é meu sócio no projeto, é proprietário de uma empresa de infraestrutura que atende grandes eventos como Rock in Rio, Lollapalooza, Tomorrowland, Olimpíadas, e em 2014 fizemos a primeira edição do Armin Only no Sambódromo do Anhembi em uma tenda, algo inédito. Ali começaram as conversas embrionárias do projeto.

O Silvio foi o cara que encontrou o local, fez o primeiro esboço e foi o idealizador do Laroc, inclusive do nome, que pouca gente sabe o significado. Laroc veio de “a rocha”, “la roc” [em francês], que remete a uma grande pedra que temos no local e é o nosso ícone. Após o início das obras, veio o convite oficial para ser parte do time de sócios. Hoje somos em cinco, cada um atua em diferentes áreas.

O objetivo principal, sem dúvida nenhuma, é ser um club de expressão mundial. Para isso temos um longo caminho, porém pelo fato de sempre ter trabalhado com o mercado de música eletrônica, desde 2002, quando ainda não era algo tão mainstream, vamos tentar encurtar os caminhos para atingirmos nossas metas.

E quais as principais referências para montar o “primeiro sunset club do Brasil”?

Hoje em dia, principalmente na cidade de São Paulo, nós acompanhamos praticamente o fim dos nightclubs. Nós temos o D-EDGE que se mantém vivo e é referencia, pois tem uma clientela fiel e preza pelo conteúdo musical. Fora isso, a cultura de clubs praticamente morreu.
Os eventos itinerantes tomaram conta da programação dos jovens, sempre em busca de novidades, temas, locais e contextos diferentes.

Além disso, grandes festivais, Ushuaïa, Day Clubs, em Las Vegas, acontecem durante o dia. Com essas premissas, somadas ao ambiente do Laroc que é rodeado por natureza, o pôr do sol, chegamos ao conceito Laroc, que transmite a sensação de um evento open air, coberto e com conforto de um club. O ânimo das pessoas é outro quando o evento se inicia à tarde, bem diferente de algo que começa na madrugada e vai até o amanhecer. O clima é outro, além da experiência de ver a mutação do club do dia para a noite.

 “Principalmente em São Paulo, a cultura de clubs praticamente morreu.”

Há algo que diferencie o Laroc dos outros grandes clubs do Brasil e do mundo?

O que nos diferencia dos demais clubs do Brasil, sem dúvida nenhuma, é o horário e o tempo de duração das aberturas. São quase 11 horas, bem diferente de um nightclub, que tem normalmente quatro horas de pico. Com os demais clubs do mundo? Somos um minifestival com sete atrações, efeitos especiais, dia e noite, fora dos grandes centros e envolto na natureza!

Uma pergunta que você já deve ter ouvido muito, mas é meio inevitável: como gerenciar um negócio que move tanto dinheiro em meio à crise econômica atual? Ainda mais porque o Laroc nasceu bem no meio dela…

Em época de crise, uns choram, outros vendem lenços. As coisas aconteceram rapidamente, desde encontrar o terreno, iniciar as obras e principalmente a definição da data de abertura que resolvemos, pois havia um artista disponível. Enxergamos como oportunidade. Talvez se tivéssemos pensado muito, não teríamos seguido em frente. Dos sócios iniciais, dois já saíram, justamente por não terem a mesma sinergia e crença dos que ficaram.

Pode parecer meio insano, mas a grande verdade é que existem momentos em que você tem que agir com a emoção e em outras com a razão; aqui a emoção, a realização de um sonho tomou conta e estamos muito satisfeitos em ter acreditado e seguido em frente. Hoje o Laroc é uma realidade. Vamos sempre analisar pelo lado bom. O fato de a crise estar à frente de todos fez com que tivéssemos maiores cuidados com despesas, o que no futuro pode ser benéfico ao nosso negócio, que ainda está em fase de maturação.

“O ânimo das pessoas é outro quando o evento se inicia à tarde.”

Por que você diria que a casa, em tão pouco tempo, tem sido referenciada por alguns dos DJs mais populares do planeta como o novo maior club do mundo?

Receber elogios de artistas como Hardwell, Axwell, Erick Morillo, Robin Schulz e tantos outros que estão em todos os lugares do mundo é realmente algo motivador. Sempre produzi eventos e estou acostumado a lidar com artistas do alto escalão e seus times, que são extremamente exigentes. Você tem que saber entender quais são os anseios desses caras e prover a eles exatamente o que esperam. Você imagina o quão desgastante é estar em tour, dormir pouco, chegar em um local e não ter as questões técnicas exigidas? Ter que discutir com fornecedores que normalmente não falam inglês? Este é somente um dos pontos que tentamos suprir com excelência: uma grande produção de som, luz, vídeo, efeitos, camarim, hospitalidade em geral. São esses caras que vão falar de nós para o mundo. Mas de nada adianta ter toda essa repercussão artística se a entrega não fosse boa para o nosso cliente. Prezamos pelo serviço diferenciado e o contato próximo. Todos nós somos acessíveis e temos canal aberto com público.

O Laroc trouxe DJs de vertentes e nichos: desde artistas do topo do mainstream, como Hardwell e Nicky Romero, brasileiros extremamente populares, como Alok e FTAMPA, expoentes do deep house, como Kolombo e Phonique, e “cabeçudos” do techno, como Junior C; este é residente, bem como o Marcelo Cic, que traz uma proposta bem mais popular. Afinal, qual o conceito musical da casa, e como ela o trabalha?

A última coisa que queremos é ser rotulados. Somos um club de música eletrônica que tem por obrigação disseminar a cultura. Por isso não podemos nos limitar à vertente A ou B. O mercado é cíclico, sabemos que os estilos vêm e vão na mesma velocidade, e o club tem que acompanhar isso. Faz parte da curadoria artística “educar” o público, sem julgamentos. Se você gosta de mainstream, tem uma noite para isso; se você é do underground também pode frequentar o club e viver a experiência Laroc. Talvez este seja um dos problemas do nosso mercado: muitos produtores não têm convicção sobre o que estão fazendo e simplesmente surfam na onda do momento.

“São raros os eventos que conseguem entregar uma pista grande como a nossa para artistas underground, e nós temos conseguido.”

Vocês não consideram o Laroc um club comercial?

Somos um club big room, e talvez por isso as pessoas entendam que somos do mainstream e comercial. São raros os países e os eventos que conseguem entregar uma pista grande como a nossa para artistas underground e conceituais, e nós temos conseguido. A ideia é que o público varie, assim como a atração, dependendo do conteúdo. Somos um superclub de música eletrônica e a prova disso é que tivemos, como você citou, artistas como Phonique, Lee Foss, Kolombo e outras novidades futuras como Luciano, por exemplo, que de comercial não tem nada.

Seguindo o modelo padrão de clubs do tipo no mundo, o Laroc tem altíssimo investimento e, naturalmente, visa o lucro, em um mercado em que atualmente gira muita grana. Por isso, cobra valores que são praticáveis a um seleto grupo de pessoas com alto poder aquisitivo. Nas ruas brasileiras, um movimento contracultural iniciado em São Paulo tem encrencado com os clubs por considerá-los elitistas, e então levou a cultura DJ para a rua, de graça, resgatando os valores democráticos da origem da cultura clubber. Como vocês encaram essa questão da diversidade versus a cultura dos VIPs e camarotes na cena DJ global?

Acho que não devemos separar dessa maneira. Tudo esta relacionado a investimento, como citado por você. Além do investimento para construção e concepção do negócio que obviamente deve retornar, existe outro variável que é o artístico. Em diversas situações a abertura não é rentável, mas faz parte de um planejamento assumir prejuízos pensando no longo prazo, na construção de marca, e isso acontece conosco no primeiro ano. Muita gente acha que o negócio já é rentável ao abrir e pelo contrário, existe um tempo de maturação para ter o inicio de retorno investido para daí então pensar no lucro. Um negócio como o Laroc não pode durar menos de três, quatro anos, ou caso contrário foi tempo e dinheiro perdido. Acho louvável o movimento cultural, até porque só fortalece a cena, mas acho errada essa categorização de que [o nosso negócio] é para um seleto grupo.

É um negócio como qualquer outro, que deve sempre analisar investimento X retorno para precificar ingresso. Nosso ingresso não aumenta substancialmente se temos uma atração de primeira linha. Nós subsidiamos muitas vezes para não inviabilizar. Outro ponto é de que infelizmente o brasileiro compra status; hoje em dia enxergam um demérito você estar na pista e não no camarote. E aí é a lei básica da economia — oferta X demanda. Porém no Laroc nós temos uma capacidade de área VIP, por exemplo, que não tem como aumentar. Se esgotar, acabou! E nem por isso aumentamos o preço pela demanda.

“Infelizmente o brasileiro compra status; enxergam um demérito você estar na pista e não no camarote.”

E por que abrir apenas de 15 a 20 vezes por ano? Não acaba sendo um desperdício ter uma estrutura tão grandiosa pra usar poucas vezes?

Pode parecer desperdício, mas abrir e sofrer prejuízo é pior. Justamente pelo tamanho do negócio, nosso ponto de equilíbrio é elevado. Às vezes é melhor ter uma abertura com quatro mil pessoas do que duas com duas mil. O custo fixo mensal é o mesmo, mas o operacional, de produção e artístico dobra. Além do fato de que é legal a expectativa que se cria para a próxima abertura. O cenário perfeito seriam duas aberturas por mês, com conteúdos musicais opostos [“mainstream” e “underground”] — vamos ver se com o tempo nós conseguimos implantar isso. Muita gente não conhece o Laroc, e uma coisa é fato, quem conhece volta! Com isso aumentamos nossa base de clientes, então há expectativa de um crescimento exponencial que sustente essa ideia.

Em fevereiro, o Laroc abriu as portas para o MC João, que estava estourando com “Baile de Favela”. Vemos, entre grande parte dos fãs brasileiros de EDM, um forte ódio ao funk carioca — quando o RMC anunciou o Baile do Dennis, por exemplo, houve muita reclamação. Em cima disso, imagino que tenha ocorrido com vocês algo semelhante. Como lidaram com isso? Pretendem seguir abrindo as portas pro baile funk e suas ramificações?

Eu não vejo produtos como o Baile do Dennis acontecendo no Laroc, são propostas completamente diferentes. O MC João foi um fato isolado. O Hardwell havia acabado de tocar pela primeira vez a versão não oficial do remix em Brasília no domingo anterior. Durante a semana de descanso ele se aprofundou na produção e inclusive obteve a autorização para lançar o remix oficial. O assunto da semana havia sido o “Baile de Favela”. Na sexta feira de carnaval, dia da apresentação do Hardwell no Laroc, recebi a ligação do MC João, que estaria em Jundiaí para um show e queria ir pro club. Abrimos as portas, não tem por que barrar. Ao mesmo tempo toda polêmica é bem-vinda, ainda mais em um momento de início de história como era o nosso. Viramos assunto. Isso se repetiu um mês depois com o Jack U e o Mc Bin Laden no Lollapalooza, por exemplo.

“Muitos produtores não têm convicção sobre o que estão fazendo e simplesmente surfam na onda do momento.”

Mario, você é sócio-diretor do Laroc, mas também trabalha na Plus Talent. Esse tipo de relação profissional no Brasil parece normal — um dirigente de uma casa ou um festival ter associação com outra marca/agência do ramo —, mas não acaba gerando conflito de interesses? O Tomorrowland Brasil, por exemplo, ativou certa polêmica por trazer muitos artistas da Plus Talent

Acho ótima essa pergunta, pois vou ter a oportunidade de explicar algo que gera dúvidas e ao mesmo tempo dar minha opinião. Eu não acredito em conflito de interesses. Hoje a Plus Talent não é somente uma agência de conteúdo — muito pelo contrário, se tornou um dos grandes players do mercado de eventos. Minha atuação dentro do grupo é como diretor de produção. São áreas de atuação distintas. E se você olhar a programação do Laroc, já recebi artista de outras agências sem nenhum problema. Não há nenhuma exclusividade. O próprio Vintage Culture, que é um artista muito solicitado, se apresenta dia 19 de novembro.

Sobre a polêmica que envolveu o Tomorrowland, eu acho uma grande hipocrisia. Isso acontece em qualquer segmento ou mercado. Não digo que é protecionismo, mas há uma preferência, sem dúvida nenhuma. Você vê artistas de outro empresário do sertanejo tocando no Villa Mix, por exemplo?

Por 2008 ou 2009, quando eu dirigia o Anzuclub, tinha grande dificuldade em conseguir conteúdo com a Plus Talent, que na época era parceira do grupo Pacha & Sirena. É algo normal, faz parte do mercado que vivemos. O Lolla na maioria das vezes prioriza talentos da WME, agência que é parceira da C3, e assim por diante.

O que você pode nos falar sobre essa celebração de um ano da casa?

Aniversário é sempre uma data especial, principalmente o primeiro. Nossa ideia é entregar algo diferente em termos de produção, intervenções artísticas e, óbvio, muita música boa. A premissa básica para essa comemoração é um artista emblemático, com bagagem musical e muita história na música eletrônica. Isso é o máximo que posso contar, senão vou acabar com a surpresa! ~

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Opinião

10 nomes do underground brasileiro para ficar de olho em 2018

Jonas Fachi

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O duo Mumbaata
Mais uma seleção de artistas nacionais que têm tudo para fazer um ano brilhante
* Atualizado em 01/02/2018, às 21:27

Tradicionalmente no início de cada ano, a Phouse destaca alguns artistas que têm começado a obter projeção nacional para compor uma lista — sem ordem de grandeza — dos “nomes para ficar de olho” da cena eletrônica nacional. Desde 2015, já passaram por essas matérias figuras como ANNA, BLANCAh, Elekfantz, L_cio e Wilian Kraupp, que mais tarde de fato vieram a explodir, servindo hoje como inspiração para os novos.

Há um mês, o CEO da revista, Luckas Wagg, trouxe sua lista com 20 DJs promissores do mainstream. Hoje, eu trago aqui — assim como já o fiz em 2016 — minha seleção com dez nomes do underground brasileiro em quem aposto muito para 2018.

Inevitavelmente, todos os escolhidos têm a produção musical como maior destaque, recebendo assim o apoio de grandes artistas internacionais, que os levam a se apresentar em clubs de relevância em nosso país. Confira os dez nomes da vez:

Luciano Scheffer

Um dos líderes da introdução do house progressivo em São Paulo, recentemente dividiu cabine com Nick Warren em evento do núcleo Unik ID. Com apresentações comentadas no D-EDGE, o paulista também recebeu elogios do boss da respeitada label Microcastle por seu remix da faixa “Eivissa”, de Ewan Rill. Luciano ainda detém dois podcasts mensais nas webradios nube-music e cosmos, além de ser idealizador dos projetos InProgress e Progression.

Morttagua

Liderando uma das gravadoras brasileiras mais reconhecidas internacionalmente, a Timeless Moment, o produtor e DJ carioca já esteve em tour pela Ásia, além de ter se apresentado em clubs como Green Valley, Pacha Floripa e Clash. Seu selo iniciado em 2016 figura constantemente no Top 100 do Beatport, e tem suporte de nomes como Sasha, Solomun e Guy Mantzur.

Morttagua também já remixou artistas como Betoko e Martin Roth, além de ter alcançado em 2013 o primeiro lugar de vendas mundial do Beatport no gênero progressive house. Trata-se do EP Sith Planets, o que o proporcionou uma grande projeção internacional logo no início de sua carreira.

Paulo Foltz

Com um primeiro álbum de estúdio lançado em 2017 pela Prisma Techno, o paulista recebeu suporte de ninguém menos que Richie Hawtin — o lendário DJ encerrou um set com a faixa “Mental Scanning”, de Foltz, no WAN Festival. Outros artistas, como Pan-Pot e BLANCAh, vêm tocando suas faixas, que também foram selecionadas para o podcast 206 da Suara Records, uma das dez mais populares gravadoras do Beatport.

Mumbaata

O duo formado por Lennox Hortale e Pedro Poyart se transformou rapidamente em um dos lives mais originais e criativos do país. Eles apresentam influências que passam por batidas africanas até jazz. Vencedores do Prêmio do BRMC (na época RMC) de 2017, na categoria Produtor Revelação, já receberam convites para apresentações em clubs como Green Valley e D-EDGE, além do palco eletrônico do Rock in Rio.

Gabriel Carminatti

Com suporte recente de Hernan Cattaneo no aclamado Resident — programa de rádio de Buenos Aires destinado a revelar novos artistas — e no set do Maestro realizado no Warung, Gabriel Carminatti surgiu como uma das novas promessas da tradicional cena gaúcha, conhecida por revelar alguns dos produtores e DJs mais importantes do país nos últimos 20 anos. O produtor é figura constante em alguns dos clubs e eventos relevantes do Estado em nível nacional, como Colours, Beehive, Hija e Mohave.

Mau Maioli

Outra figura da nova geração de produtores do Rio Grande de Sul, Mau Maioli se impõe a frente de projetos como o Muinho Club e Beat On Me, além de ser residente da festa Life Moments, em Santa Maria, e possuir uma coluna quinzenal no portal Somma+. Em 2017, Mau também obteve alcance no #48 do chart de techno do Beatport com Parallax, seu EP de estreia pelo Prisma Techno.

Carrot Green

O carioca Carrot Green é um dos lideres da consolidação da cena underground do Rio. Integrante da seleta Red Bull Music Academy em 2013, foi escolhido agora para fazer parte da compilação Cocada, de Leo Janeiro, pela gigante gravadora Get Physical, onde trouxe uma faixa remixada pelo duo Digitaria. O artista já dividiu palco com Marcel Dettmann e é um dos brasileiros escalado para o conceituado festival Dekmantel São Paulo, em março.

Binaryh

Binaryh Live

Descoberto pela conceituada gravadora berlinense Steyoyoke, o Binaryh fez parte neste mês da tour do selo no Brasil. A característica da dupla formada por Camila e Rene é de um conjunto sonoro intenso e imersivo, que recentemente desenvolveu sua apresentação em formato live.

Primeiros brasileiros a lançarem pela sublabel Steyoyoke Black, em apenas uma semana seu EP de estreia, Primary Code, estava entre o Top 40 de techno do Beatport. O duo já tem as suas primeiras datas na Europa confirmadas para este primeiro semestre.

Tarter

O catarinense é um dos destaques da cena techno no Sul do país. Suas produções já receberam suporte de nomes como Richie Hawtin, Joseph Capriatti, Sam Paganini e Renato Ratier. Parte do seleto time da conceituada D.AGENCY e cocriador da gravadora Urban Soul, voltada ao techno e suas vertentes, ele busca o fortalecimento do gênero no Brasil.

Convidado a apresentações no Club Vibe, Warung Beach Club, Tribaltech e grandes noites no D-EDGE, tem um relacionamento próximo com importantes núcleos de sua região. Neste ano, fará a estreia de seu primeiro live show.

Danny Oliveira

Reconhecido como um dos produtores brasileiros mais respeitados na cena internacional na década passada, seu alter ego DNYO o levou a se apresentar por anos em países como Canadá, Argentina, Alemanha e Holanda. Também lançou pela gravadora Last Night On Earth, de ninguém menos que Sasha, remixando “Cut Me Down”, um dos maiores clássicos do ícone britânico. O paulista se dedicou nos últimos anos a trabalhar como engenheiro de áudio através de sua empresa Konker, especializada em mixagem e masterização. Após alguns anos de hiato, Danny está recomeçando sua carreira e nesse mês iniciou uma nova label chamada DSR (Deep Space Records).

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Notícia

10 festas para pular o Carnaval 2018 em ritmo eletrônico

Luckas Wagg

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Da EDM ao techno, confira dez boas dicas para curtir a festa mais popular do Brasil com muita dance music

O verão no Brasil sempre ferve com festas por todo o litoral, especialmente no Carnaval. Se você prefere curtir o feriado com uma marchinha eletrônica, então se liga nessas 10 dicas.

Tem atrações internacionais, da EDM ao techno, e grandes nomes do Brasil em diversos lugares, de clubes a praias, com lineups bem expressivos. Confira:

SUNFLOWER FESTIVAL

A terceira edição do festival acontecerá no dia, 11 de fevereiro, um domingo a partir das 16h, com sete expoentes brasileiros: Bruno Martini, ILLUSIONIZE, Chemical Surf, KVSH, Joy Corporation, Nato Medrado e o duo Two Birds. A grande atração confirmada é Armin van Buuren, que promete agitar o Mirante Beagá.

TERRAZA MUSIC PARK

Quem estiver em Florianópolis pode curtir o carnaval no Terraza Music Park, que já anunciou o DJ Luciano para embalar a noite do dia 12 de fevereiro com muito techno. Aninha, Ney Faustini e Ricardo Lin completam o time.

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A “ilha da magia” também recebe o Carnaval no famoso Parador 12, que já confirmou Alesso, Steve Angello, Claptone, Elekfantz e o eterno Bob Sinclair para os dias 10, 11, 12 e 13 de fevereiro.

BLOCO DA PUMP MANAUS

PUMP Santarém

Na capital da Amazônia, a festa está garantida no Bloco da PUMP, que neste ano traz Cat Dealers, JØRD, Chemical Surf, Doozie e Albie, além de um trio elétrico. O bloco vai dominara orla da ponta negra em Manaus no dia 13 de fevereiro, a partir das 14 horas.

CARNAVAL WARUNG

Warung 15 anos review

Já o Warung Beach Club, em Itajaí, vai fazer três dias de Carnaval com selos internacionais. Do dia 10 ao dia 12, a Rumors, a Spectrum e o Circo Loco irão tomar conta do “Templo” com Joris Voorn, Seth Troxler, Recondite (live), Guy Gerber, The Martinez Brothers, Gromma, Albuquerque e Eli Iwasa, entre outros (confira a agenda completa no site oficial).

CARNAVAL LAROC

Em Valinhos, no interior de São Paulo, o Laroc Club recebe ninguém menos que Alesso, no dia 10 de fevereiro, Kungs no dia 11, e Armin van Buuren no dia 12. O sunset club também escalou Bruno Martini como convidado especial, além de Wrechinski, Nato Medrado, Rodrigo Vieira e os residentes CIC e Renato Naya.

CAMAROTE SALVADOR

Dos dias 08 a 13 de fevereiro, o Space Club vai fazer parte do Camarote Salvador 2018 com inúmeras atrações. Além das residentes do duo NERVO, estarão presentes Vintage Culture, RICCI, Bruno Be, Ale Rauen, Steve Angello, Alesso, KVSH, Robin Schulz e a herdeira milionária Paris Hilton. Através de uma parceria com o recém-inaugurado Nanö Beach Club, o evento também recebe Cady, Kesia, Yves V, Romeo Blanco, Diefentaler e AJ Perez.

RIO MUSIC CARNIVAL

Rio Music Carnival 2018

Entre 09 e 13 de fevereiro, a Marina da Glória recebe o Rio Music Carnival, com mais de 20 artistas confirmados. Entre eles estão Alesso, Groove Delight, Dashdot, GABE, FELGUK, Diplo, Armin van Buuren, Tropkillaz, além de um dia com o Baile do Dennis. Através de promoção exclusiva pela Phouse, você pode comprar ingressos para duas dessas datas com 20% de desconto.

CARNAVAL HABBITAT

O novíssimo clube catarinense Habbitat traz o seu conceito all day living para o Carnaval. Por ora, as atrações são Kaskade, Claptone e a suíça Nora En Pure. Mais nomes ainda serão revelados.

CARNAVAL GREEN VALLEY CIRCUS

Com o tema “Circus”, o Green Valley vai se tornar em um picadeiro a céu aberto nos dias 10 e 12 de fevereiro. Vintage Culture e Steve Angello comandam o palco principal, acompanhados por Dashdot, Bruno Be, Aninha, VINNE e Thiago Mansur. Os palcos Underline_ e Lagoon completam o cardápio com vertentes de techno e psytrance, respectivamente. L_cio, Skazi, Fabrício Peçanha, Berg, Any Mello e Special M são algumas dessas atrações (confira todos no site oficial).

* Luckas Wagg é CEO da Phouse.

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Entrevista

EXCLUSIVO: Bruno Martini revela seus principais lançamentos para 2018

Flávio Lerner

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Bruno Martini 2018
Martini com o conceituado produtor americano Timbaland, com quem deve lançar álbum no segundo semestre
Da nova música com o Zeeba ao álbum com Timbaland, passando por collabs com Sunnery James & Ryan Marciano, Dennis DJ e lenda do hip hop

Nesta sexta-feira, 26, Bruno Martini vai lançar uma nova collab com Zeeba. Chamada “With Me”, a faixa chega via Aftercluv Dancelab, e além de celebrar o poder da amizade, integra campanha de conscientização e luta contra o câncer. Em contato com a coluna, o produtor — que teve uma ascensão meteórica em 2017, se tornando um dos principais novos expoentes da cena eletrônica/pop nacional — revelou em primeira mão que ele e Zeeba vão usá-la para ajudar o Instituto Vencer o Câncer, fundação sem fins lucrativos que ajuda na prevenção e divulgação de informações sobre a doença.

“A música chega nessa sexta, e no dia 04, que é o Dia Mundial do Câncer, vamos lançar o videoclipe, com uma campanha nas nossas redes pra recolher fundos pra essa instituição”, disse Martini. “Eu tive um priminho que teve câncer e isso me marcou muito. Eu lembro que pra ele vencer a doença, foi muito importante a ajuda das pessoas em volta dele, família e amigos. Por isso, a ‘With Me’ celebra também a amizade, nos momentos difíceis e nos de alegria. Minha vida mudou drasticamente de um ano pra cá, viajei o mundo inteiro tocando em diversos lugares, e foi muito importante minha amizade com o Zeeba ter se mantido, porque a gente se ajudou bastante nesses momentos de correria e solidão. Queríamos fazer uma música falando disso.”

Dirigido pela dupla Hymalayas, o vídeo foi gravado em São Paulo e traz justamente a história de um homem que precisa superar o câncer. Ainda segundo o artista, parte dos lucros da venda do single também serão destinados ao Instituto.

Preview exclusivo da faixa, cedido por Bruno Martini para a Phouse

Lançamento com o Dennis DJ

“With Me” é apenas o primeiro passo de um ano que promete bastante para o músico, que tem em 2018 uma temporada de confirmação. Ainda para este primeiro semestre, ele revelou que devem sair diversos outros singles, todos frutos de parcerias peculiares. O próximo, aliás, já pôde ser conferido pelos fãs em um post recente no Instagram: “Sou Teu Fã”, feita em conjunto com o Dennis DJ e o cantor Vitin, da banda de reggae Onze:20. O vídeo traz alguns segundos da apresentação da música sendo tocada no Baile do Dennis em Guarapari, Espírito Santo, para mais de 20 mil pessoas.

“Sou muito amigo do Dennis. Quando ele me mandou essa música, há mais ou menos um mês, eu achei foda demais, falei que queria trabalhar nela. Depois, pensamos na hora em chamar o Vitin pra fazer o vocal”, continua. “Rolou uma puta sinergia entre nós três. O resultado junta um pouco de cada um: é meio MPB com eletrônico e uma pitadinha de funk, uma parada mais praia. É a primeira música que faço em português nessa nova fase da minha carreira, e tô empolgadão com ela. Inclusive, comecei a tocá-la nos shows do ano-novo e é impressionante: a galera não conhece, mas chega na segunda parte do refrão e já sai cantando junto. Nunca tinha visto isso.”

Segundo o Bruno, essa collab deve sair logo depois do Carnaval, ainda em fevereiro, e também vai ganhar um videoclipe. Quando o perguntei se não se preocupava com as críticas — que certamente virão — por se juntar a um artista de funk, ele se mostrou bastante tranquilo. “Eu acho legal essa mistura. As pessoas criticam o funk porque não entendem de onde ele vem. Você tem que respeitar todos os estilos, suas histórias. E hoje em dia, com essas plataformas digitais, a galera mais nova escuta de tudo: sertanejo, funk, house… Tenho duas irmãs menores, e é impressionante. Então a união dos estilos vai acontecendo. Na época do vinil e do CD, a gente economizava nosso salário pra comprar o que queríamos ouvir. Era um pouco mais fechado. Hoje, você confere no Spotify o top 50 da Rússia, da Noruega, consegue ouvir tudo que rola no mundo inteiro.”

Bruno Martini 2018

Cena exclusiva do clipe de “With Me”, que será lançado no próximo dia 04

Collabs com gringos, lenda do hip hop e álbum com o Timbaland

Outra collab na ponta da agulha e prevista para este primeiro semestre é a faixa “Savage”, feita com Sunnery James e Ryan Marciano. Martini explica que conheceu a dupla em gig no Laroc, fortaleceu os laços com eles no Tomorrowland e recebeu convite pra dividir estúdio em Amsterdã. Depois dela, pretende lançar em seguida outro som, feito com o expoente chinês Carta.

Mas o lançamento que tem tudo para ser o protagonista neste 2018 de Bruno Martini deve chegar no segundo semestre: um disco com o Timbaland, um dos mais aclamados produtores do universo pop atual. “O Timbaland é meu herói. Gravei com ele no estúdio em Los Angeles onde o Michael Jackson gravou ‘Thriller’, foi do caralho. Era pra ter durado dois dias, mas acabamos ficando a semana toda produzindo esse álbum”, segue Bruno, revelando que foi procurado pela equipe do próprio Timbaland depois do lançamento de “Living on the Outside”. “Ficamos bem amigos e fizemos uma parada muito maluca, unindo o que cada um de nós faz de melhor, e o resultado ficou muito legal, bem diferente do som que eu normalmente faço. Tenho certeza que as pessoas vão ficar bem surpresas com o que a gente fez. Tô bem empolgado pra este ano.”

No estúdio com o lendário Afrika Bambaataa

Como se não fosse o suficiente, o brasileiro ainda tem mais uma carta na manga: uma collab com o lendário Afrika Bambaataa — um dos pioneiros do hip hop —, que ainda não tem previsão para lançamento, mas tem boas chances de chegar ainda em 2018. Como já havia revelado no ano passado, Martini tem amizade antiga com o Bambaataa; chegaram a gravar um som juntos quando o rapaz tinha apenas 18 anos, e agora aproveitou a vinda mais recente do rapper ao Brasil para gravar um novo som. “Sou amigo de um MC dele, de Nova Iorque, e o conheci quando ele veio pro Brasil, há um tempinho. Agora ele voltou pra cá, me ligou e a gente fez um som novo, bem hip hop old school mesmo [risos]! Respeito muito e aprendo muito com ele”, concluiu.

* Flávio Lerner é editor da Phouse; leia mais artigos de sua coluna

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