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Um papo com os caras da Gop Tun, que estão trazendo o Dekmantel para São Paulo

Flávio Lerner

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O conceituadíssimo festival holandês terá no Brasil, pela primeira vez, uma edição fora de Amsterdam; e nada disso teria acontecido se não fosse pelo coletivo Gop Tun.

Crise à parte, 2017 começa muito bem, obrigado, no cenário de festivais de música eletrônica no Brasil. E uma das melhores novidades é o evento que teremos agora em fevereiro, entre os dias 4 e 5, no Jockey Club, em São Paulo. O Dekmantel, festival holandês dos mais conceituados mundialmente, nunca tinha feito uma edição fora de seu país-sede, e escolheu ninguém menos que a capital paulista pra começar sua empreitada de desbravar o globo. “Foi assim, paixão à primeira vista. Nos apaixonamos por uma cidade. Por sua intensa cultura musical. Sua arquitetura impressionante. Nos apaixonamos por uma selva de pedras. […]Pela primeira vez na história do Dekmantel Festival sairemos da nossa amada Floresta em Amsterdam para desembarcar lá no Brasil”, diz o release do Dekmantel Festival São Paulo.

Nada disso teria acontecido, porém, se não fosse o intermédio de um coletivo paulistano, a Gop Tun, que começou despretensiosamente como um grupo de troca de música no Facebook, até se estabelecer como um dos bons projetos da cultura de pista nacional. A iniciativa dos DJs TYV, Gui Scott, Caio Taborda, Nascii e Kurc vem há cinco anos crescendo vertiginosamente, movimentando bastante o cenário da cidade com uma ênfase maior em um nicho muitas vezes esquecido no cenário clubber nacional: o da disco house, com foco no groove. Já passaram pelas festas do núcleo — que hoje se divide na produção de eventos [incluindo a sublabel Tentáculo] e em um recém-lançado selo musical homônimo — expoentes mundiais como Crazy P, Mano Le Tough, Jacques Renault, Floating Points e Four Tet.

Lançado no último dia 21, Hey Benji é o terceiro lançamento da Gop Tun Records — com direito a remix feito por ninguém menos que um dos mestres da space disco, Prins Thomas

Em janeiro de 2016, receberam um showcase do Dekmantel, com direito a Fatima Yamaha e Young Marco, e foi aí que os holandeses caíram de amores pela “selva de pedra”, começando a costurar a edição paulistana do festival. Agora, em uma curadoria dividida igualmente entre ambos os núcleos, teremos nomes que vão do techno de Nicolas Jaar, Nina Kraviz Jeff Mills e Ben Klock ao jazz brazuca de Azymuth, Hermeto Pascoal e Bixiga 70, passando ainda por expoentes da música eletrônica brasileira como Renato Cohen, Zopelar, Cashu, L_cio, Selvagem e Carrot Green, em um dos eventos mais aguardados do país neste ano.

Pra entender melhor como se deu essa relação entre os dois selos e conhecer melhor as ideias por trás dos anfitriões, troquei uma ideia com os rapazes da Gop Tun, em papo que você lê abaixo.

Como exatamente se deu a negociação pra trazer a primeira edição do festival fora da Holanda? A tendência é que eles expandam logo mais para outros países também?

Nós fomos para lá primeiro como frequentadores. Conversamos depois a respeito de sediar um dos showcases que eles planejavam fazer através do mundo, e o resultado superou as expectativas. Surgiu a sugestão de levarmos a parceria a outro nível e aqui estamos, com um Dekmantel Festival em São Paulo. O lance de levar o festival para outros locais é algo que só os holandeses podem responder, mas estamos extremamente orgulhosos de termos sido a primeira opção deles, algo que sabemos que tem muito a ver com a similaridade de nossos coletivos, em termos de proposta, trajetória, compromisso…

Como vocês vislumbram o impacto do Dekmantel São Paulo para a cena brasileira? Pode vir a ser um divisor de águas?

Esperamos que sim, mas é claro que esse não é o objetivo do festival. Se o que fazemos para promover a música que amamos e o tipo de experiência que desejamos trazer para o público trouxer uma mudança positiva e necessária, tanto melhor. Mas estimular a cena paulistana e brasileira é algo que sempre fizemos em nosso eventos e é outro ponto em que nós e o pessoal do Dekmantel nos assemelhamos.

“Estimular a cena paulistana e brasileira é algo que sempre fizemos, e é outro ponto em que nós e o pessoal do Dekmantel nos assemelhamos.”

Logo que vocês anunciaram o Dekmantel São Paulo, a produtora Érica Alves — que também é militante feminista — problematizou a falta de mais mulheres no lineup. Como enxergam essa questão e que resposta dariam a ela?

O que foi levantado ali foi uma questão de extrema importância, talvez o timing e o modo não tenham sido os mais frutíferos. E, como já sabíamos desde aquela época, o lineup sempre é a melhor resposta, e continua sendo.

A Gop Tun se notabilizou como um projeto que enfoca na disco e em sons baleáricos e ensolarados, enquanto o Dekmantel tem boa parte de sua curadoria voltada ao techno. Como as duas marcas dialogam esteticamente?

Se você for analisar mais a fundo, vai ver que temos muito mais pontos em comum do que de distinção. A Gop Tun é mais ampla do que essas sonoridades que você citou, mesmo porque, como DJs, gostamos de ter a liberdade de poder usar as linguagens que quisermos em nossos diálogos com a pista.

O Dekmantel certamente começou como uma festa mais voltada ao techno e o festival traz isso em seu genoma, mas o ecletismo e o foco numa musicalidade mais refinada e distante da comercialidade trivial é o grande mote da marca.

Em dezembro, o coletivo lançou este minidoc mostrando como foi a turnê do grupo pela Europa

Apesar de vocês terem sempre uma grande atração estrangeira em suas festas, há bons representantes e novas promessas da disco house no Brasil, como Tahira, Fatnotronic, Selvagem, Carrot Green, Arcade Fighters… Está nos planos abrir mais espaço pra essa galera, que muitas vezes é mais reconhecida lá fora do que no próprio país?

Sempre foi e continuará sendo uma prioridade ajudar quem quer que seja das cenas regional e nacional a se estabelecer da melhor forma que pudermos, ainda que sejamos cinco DJs tocando em nossas próprias festas, o que limita um pouco a nossa capacidade de absorver mais talentos. Para isso temos diversas plataformas: o selo, a Gop, a Tentáculo… Enquanto houver a possibilidade, vamos continuar investindo em artistas que, como nós, se esforçam em apresentar algo de novo. E, de fato, dos nomes citados por você, três já tocaram em algum projeto nosso em algum momento e mais de uma vez.

O que está previsto para o futuro da Gop Tun?

Entre nossas aventuras mais próximas e que podemos revelar aqui estão uma turnê sul-americana em março, uma norte-americana em meados de 2017 e uma segunda jornada europeia, incluindo uma nau da Gop como um dos palcos do festival Selectors, que o Dekmantel realiza na costa da Croácia. De resto, o selo vai vir a todo vapor e vamos continuar fazendo o que amamos fazer, nos aprimorando no processo. ~

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Entrevista

Produtora mais nova do mundo? Com apenas 10 anos, a DJ Rivkah tem chamado a atenção da cena nacional

Flávio Lerner

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Rivkah
Foto: Divulgação
Garota de Brasília cresceu rápido e virou atração entre grandes eventos e expoentes da cena eletrônica

Crianças prodígio costumam chamar a atenção no meio da música eletrônica pelo fator inusitado: ainda não é comum vermos gente tão nova discotecando profissionalmente, por razões óbvias que vão do fator ambiente [quase sempre mais adulto] à própria inserção no mercado de trabalho — passando ainda pelo fato de que um bom DJ requer uma boa bagagem musical, que por sua vez exige tempo de conhecimento e maturação.

Mas talvez o futuro breve nos reserve mais crianças que se destacam no ofício. Décadas após o A-Trak vencer o DMC, e poucos anos depois do “fenômeno” Arch Jnr, que ganhou reality na África com apenas três anos de idade — e que, vamos ser honestos, não parecia ter muita noção do estava rolando —, temos no Brasil mais um caso recente que vem atraindo cada vez mais olhares em uma velocidade impressionante: Rebecca Rangel, mais conhecida como DJ Rivkah [seu nome de batismo em hebraico].

Foto: Divulgação

A menina nasceu na Noruega, onde viveu até os seis anos de idade, mas tem cidadania brasileira e francesa, e hoje mora em Brasília com a mãe e o padrasto — “o maior incentivador e patrocinador de toda essa história”, segundo a mãe de Rebecca. Assim, com apenas dez anos, desde que decidiu abraçar de corpo e a alma essa carreira, vem chamando a atenção em eventos não só em sua cidade: no BRMC, que rolou nessa última semana, em São Paulo, Rivkah parecia onipresente, podendo ser vista a toda hora pelas salas em que se realizavam os painéis e circulando pelas áreas de lounge.

“A Rivkah sempre gostou muito de música, e já teve aulas de violino e teclado antes de virmos morar em Brasília. Desde os quatro anos ela já tinha música eletrônica no celular, em vez de músicas infantis. Ouvia muito Swedish House Mafia e Tiësto“, conta a orgulhosa mãe Valesca Rangel — constantemente presente ao lado da filha — em depoimento à Phouse. “Ela sempre pediu para ser DJ, e no ano passado eu a matriculei em um curso e acompanhei diariamente nas aulas. Um curso que duraria três meses ela terminou em apenas um!”

Na Praia, em Brasília, foi onde a Rivkah começou a chamar atenção

Logo, a menina já atraiu um dos tutores do curso, o DJ Sony, e ganhou a chance de tocar em um evento chamado “Na Praia”, que rolou entre junho e setembro, durante os finais de semana, na capital federal. “O DJ Sony deu a chance de a Rivkah tocar em um domingo à tarde, em um palco menor, e logo na primeira apresentação o espaço lotou. Rapidamente, foram muitas matérias em jornais e sites de Brasília. Ela explodiu rapidamente”, segue contando Valesca, que destaca que a filha já tem agenda fechada até outubro.

De fato, em conjunto com um trabalho forte de assessoria de imprensa, a menina saiu em diversas reportagens, de jornais locais a jornais do SBT. Assim, a família tratou de cuidar dos trâmites para que ela pudesse trabalhar legalmente, sempre com a presença de um adulto responsável — e Valesca não vê qualquer possibilidade da infância da filha ser prejudicada. “Fomos orientados pelo Conselho Tutelar a pedir um alvará na Vara da Infância, e assim foi feito. A Rivkah toca, se apresenta, mas não deixou de ser criança. Ela tem uma coleção de bonecas que é aumentada pelo menos duas vezes por ano, e gastamos com as bonecas talvez mais do que com equipamentos. Apesar de estar saindo enquanto as amigas estão ficando em casa, a maioria delas já está se relacionando com meninos, e a Rebecca nem pensa nisso ainda. Ela é madura para exercer seu dom, mas ainda é criança e se diverte como tal. A prioridade para ela é a escola, e ela está muito bem amparada psicologicamente.”

Foto: Divulgação

O fato de o ambiente da música eletrônica estar normalmente associado a uma embalagem mais adulta [noite, bebidas, drogas, sexo…] também não preocupa. “Para mim, a música eletrônica nunca remeteu a bebidas, drogas ou sexo, pois eu nunca bebi e sempre frequentei festas, raves e shows. Sou capaz de virar a noite sendo a pessoa mais feliz da festa bebendo Coca-Cola Zero (risos)! O primeiro evento em que a Rivkah participou foi o Na Praia, que tem um clima maravilhoso e muito familiar. Vende-se bebida da mesma forma que se vende bebida em qualquer praia brasileira. Os demais, em sua maioria, foram sunsets com censura livre em beach clubs, ou eventos em lojas, para famílias”, segue Valesca.

“Quando o evento é mais tarde, ela não tem contato com o público, a entrada de artista é diferenciada e ela fica em camarim ou área reservada. Quando não se apresenta, vamos em outros programas e assistimos com ela a atrações diversas. Na maioria das vezes, estamos no backstage ou camarote, que são ambientes mais reservados. Temos uma relação muito próxima, eu e ela, e a Rebecca realmente segue o dom de sua personalidade. Alok e Bhaskar cresceram dentro de festas rave, e quem conhece sabe que são muito bem criados e muito educados, de personalidade e caráter indiscutíveis.”

A dupla, aliás, é uma das maiores referências da garota, que cita o brazilian bass e o trance como suas principais vertentes. Outros nomes citados são Sevenn, Chemical Surf, Vintage Culture, JetLag, Capital Monkey, Skazi, Chapeleiro e Astrix — além de Guga Guizelini, do Make U Sweat, que a tem ajudado com dicas de produção musical. “Conhecer a Rivkah foi uma grata surpresa. Ela é super cativante, e não é apenas uma criança que gosta de música e de DJs — ela realmente sabe tocar, e bem! Tem presença de palco e arranca olhares surpresos o tempo inteiro! Certeza que se ela continuar apaixonada pelo que faz, tem um futuro brilhante pela frente”, afirmou o DJ.

Agora, a Rivkah quer ir ainda mais longe: depois de aulas de produção com Guga e outros nomes do cenário brasileiro, está finalizando a masterização de suas primeiras músicas, feitas em parceria com artistas de Brasília: uma collab com o DJ e produtor Icy Sasaki e uma canção com letra e voz de Babi Ceresa. A família já a está rotulando como a produtora mais nova do mundo, e pretende pleitear oficialmente esse título. “A assessoria dela e eu estamos preparando todas as evidências para requerer a quebra de recorde no Guinness, pois lá o produtor mais jovem do mundo é um menino de 12 anos”, complementa a mãe.

Com Guga Guizelini. Foto: Divulgação

Ainda é muito, muito cedo para saber se todo o hype em cima da menina irá se confirmar, e se ela de fato irá se tornar um big name nacional — ou mesmo se vai seguir a carreira como DJ e produtora depois de adulta. A essa altura, o que realmente importa é que Rebecca Rangel se divirta, sem muito compromisso.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Executivo próximo a Avicii fala sobre novo álbum, segredo do sucesso e comportamento peculiar do artista

Phouse Staff

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Lonely Together
Foto: Reprodução
O presidente da Geffen Records fez revelações importantes sobre os bastidores do trabalho com o músico

Neil Jacobson, presidente da Geffen Records — selo que lançava as músicas de Avicii —, deu uma entrevista bastante profunda e esclarecedora para Shirley Halperin, da Variety, logo após a morte do artista. Jacobson trabalhava como A&R de Avicii desde que fechou contrato com a Interscope (selo-mãe da Geffen) para “Levels”, e, portanto, era uma das pessoas mais próximas dele.

Na entrevista, o executivo revelou que um novo álbum estava muito perto de ser lançado, que conversou com o sueco dois dias antes da sua morte, e falou sobre como o enxergava como um músico genial, pioneiro e diferenciado, que tinha como grande trunfo a capacidade de criar grandes melodias.

Confira algumas das melhores declarações de Jacobson para a Variety, em tradução feita pela Phouse:

— Trabalhei com o Tim por muito tempo. Ele era o meu cara. […] Foi um grande amigo, um grande garoto. Tenho cuidado em não cometer exageros com essas declarações porque isso é algo fácil de se fazer quando alguém falece, mas pode falar com qualquer pessoa que o conheceu e vão te dizer que ele era um garoto bom e gentil.

— Tim era um artista original. […] Ele era muito consciente sobre o que estava rolando, e muito interessado em seguir um caminho diferente. […] Sempre tinha um pé no momento atual e o outro em algo completamente diferente e inesperado.

— A primeira vez que ouvi falar nele foi no Identity Festival, por volta de 2010. […] Escutei “Levels” e fiquei tipo, “caramba, isso é grande”. Era uma grande música, um grande sample, uma grande ideia, um grande drop. E você olhava pra ele e ele tinha aquele look incrível — a camisa xadrez, o cabelo loiro, a grande música. Tinha um ar de que você não podia chegar perto dele, e esse mistério foi mantido no primeiro ano, quando “Levels” não parava de crescer. Foi o grande surgimento da EDM, a dance music moderna, e ele surfou aquela onda como um profissional. Ele estava bem em frente a ela.

— O grande lance do Tim era o seu senso incomum para melodias — do tipo que grudam na sua cabeça. […] Seu ingrediente secreto era a sua melodia. O seu entendimento sobre ela, como identificá-la. Ele sempre escolhia a correta, sempre sabia como dirigir os cantores, em como eles deveriam entrar e sair de cada vocal. Ninguém fazia o que o Tim fazia, e eu acho que é por isso que ele seguiu tendo hit atrás de hit.

— [Sobre o novo álbum]: Estávamos trabalhando nele, e era o melhor material do Avicii em anos, pra ser sincero. […] Ele estava muito inspirado e empolgado. Tivemos um mês de sessões no estúdio, e tínhamos que delimitar horários de encerramento, porque se deixasse, o Tim ia trabalhar por 16 horas seguidas, era a natureza dele. Você tinha que tirá-lo disso, tipo: “Tim, vamos lá, vai dormir, descanse um pouco”. É uma tragédia. Tínhamos esse músico incrível, mágico.

— [Sobre o futuro do álbum]: Não faço ideia do que vai ser agora. Vou dar um tempo e trocar uma ideia com a família dele, depois que as coisas se acalmarem. […] Vamos tentar pegar alguma recomendação da família e então trabalhar pra fazer algo que ele gostaria que fizéssemos.

— [Sobre colaborações no álbum]: Sim, há algumas. Prefiro não dizer quem são. O Tim tinha uma lista de pessoas com quem ele gostaria de trabalhar nesse disco. Na verdade essa foi a última coisa que conversamos, dois dias antes [da morte do artista]. É meio assustador.

— Sim, ele era um perfeccionista, um workaholic. Até que ele fosse para o lado oposto. Por que ele estava em Omã? Eu estava, tipo: “Tim, onde fica Omã? Eu nem faço ideia”. E ele: “Eu vou pra Omã. Vai ser divertido”. Este era ele: trabalhava muito forte e então dava meia volta como se fosse um piloto de guerra.

— Quando estávamos lançando o último EP — porque nós conversamos muito sobre o futuro da música, sobre não ser mais sobre álbuns nem singles, e por isso decidimos lançar em pequenos blocos —, logo antes de termos tudo pronto e entregue, eu ficava martelando na cabeça dele todos os dias. Como o cara do A&R, eu preciso ter o disco pronto. De repente, ele pega um avião e vai pra Machu Picchu. Não tivemos notícias por três dias. E aí ele posta um vídeo de uma lhama no Instagram com “Friend of Mine” tocando ao fundo. Claro, ele estava certo. Seus fãs enlouqueceram, aquilo viralizou na internet, virou o trending topic número um em tudo que é canto. Promoveu perfeitamente o disco de Machu Picchu. Este era ele. Tipo: “Sério, Tim? Uma lhama?”

— [Sobre voltar a fazer shows]: Volta e meia a gente tocava no assunto. “E se você fizesse esse show?” Ele respondia: “Não, não, não. Não vou voltar a tocar, mas se eu fosse fazer algo, provavelmente seria aparecer de surpresa num clube underground, só pela diversão”. Ele sentia falta disso, de discotecar. Ele amava a dance music. Você quer enlouquecer? Vá para o meio dos fãs em um show do Avicii. Ele entendia o fluxo e o refluxo de um set, como fazer as pessoas dançarem, como diminuir a intensidade e depois trazer elas de volta. Você acabaria chorando durante três quartos do show e sem saber por quê. Era isso que ele fazia, esse era o seu talento.

— Se o Avicii voltasse a tocar em um ou dois anos, acredito que o cachê seria um número de sete dígitos, só pra começar. Tem tantas pessoas que gostariam de vê-lo, de dançar e enlouquecer num show dele. Teria sido lindo.

— [Sobre os problemas de saúde e especulações de abuso de drogas]: Não posso falar muito sobre isso porque eu não sei. Posso dizer o seguinte: se algum desses rumores fosse verdade, acho que eu teria visto algo. E por mais que eu estivesse o tempo todo em volta dele, nunca vi nada disso. Ele não fazia festa. Ia para um clube para ouvir o DJ.

— [Respondendo sobre o que mais vai sentir falta na ausência do Avicii]: Não vou sentir falta dele me ligando às 04h15 da madrugada (risos). Ele não entendia o tempo, não fazia sentido pra ele. Era uma pessoa noturna, e não compreendia os limites dessa questão. Só posso falar sobre sua música e sua força criativa no estúdio. Seu respeito pela arte, pela criatividade. Ele lutou para ser um grande artista. Nunca foi algo como “essa música já está boa, vamos embora”. Tinha que ser excelente, e eu vou sentir falta disso.

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Em novo e emocionado depoimento, família indica que Avicii cometeu suicídio

Phouse Staff

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Avicii suicídio
Foto: Reprodução
Família Bergling soltou novo comunicado para o público nesta quinta-feira

Dois dias depois de soltar seu primeiro comunicado para a imprensa, a família de Avicii voltou a falar — e desta vez, a mensagem foi bem mais reveladora. No novo comunicado, ao dizer que o músico “não conseguiu ir além” e “queria encontrar paz”, a família Bergling dá a entender que o DJ teria cometido suicídio.

Confira o depoimento na íntegra, em tradução livre feita pela Phouse:

Estocolmo, 26 de abril de 2018

Nosso amado Tim estava em busca de algo. Era uma alma artística frágil que procurava encontrar respostas para questões existenciais. 

Um perfeccionista que viajou e trabalhou duro em um ritmo que levou a um estresse extremo.

Quando ele parou com as turnês, queria encontrar um equilíbrio na vida entre ser feliz e conseguir fazer o que ele mais amava — música.

Ele realmente enfrentou muitos pensamentos sobre sentido, vida e felicidade.

Ele não conseguiu ir além.

Ele queria encontrar paz.

O Tim não foi feito para a máquina de negócios em que ele acabou se encontrando; era um cara sensível que amava seus fãs, mas evitava os holofotes.

Tim, você será amado para sempre, e deixa muitas saudades.

A pessoa que você era e a sua música vão manter sua memória viva.

Nós te amamos,

Sua família.

Tim deixa seus pais, Klas e Anki, seus dois irmãos, Anton e David, e sua irmã, Linda. O músico foi encontrado sem vida na sexta-feira passada (20), no Muscat Hills Resort, em Omã.

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