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Uma olhada nos melhores lives, álbuns, selos, VAs e mixes de 2015, segundo o Resident Advisor

Depois do Top 100 de DJs do famoso portal de dance music, elencamos alguns destaques dos seus outros rankings.

* Por Flávio Lerner

Depois de um ranking de DJs bem diferente do infame Top 100 da DJ Mag, mas que também deu o que falar, o Resident Advisor continuou trabalhando em seu poll de 2015. Até o momento, além do Top DJs, o conceituado portal de cultura eletrônica soltou as listas de melhores lives, álbuns, selos e mixes/compilações do ano; os de DJs e lives foram votados pelos leitores, enquanto o restante foi elencado pela redação do RA.

Com 40 artistas, o ranking de lives apresentou uma diversidade sonora [bem pouquinho] maior que o de DJs — que praticamente só teve representantes do techno e de poucas vertentes da house —, mas ainda bastante eurocêntrico e voltado ao 4×4. Entre as escolhas, tivemos nomes como Fatima Yamaha [#35], Chemical Brothers [#27], Dubfire [#26, que debutou neste ano seu furioso live Hybrid], Todd Terje [#21, produtor favorito deste colunista, representando a disco/jazzy house e os sons mais orgânicos com muita classe], Floating Points [#19], Nicolas Jaar [#16] e Caribou [#14]; subiram ao pódio três techneiros: o duo alemão Âme [#3], o excelente produtor Recondite [#2] e, na primeira posição, o búlgaro KiNK.

Todd Terje live; só de ver essa porra numa telinha de computador já arrepio até as barba

Já a lista de melhores álbuns dispõe de 20 nomes, e como o RA bem colocou, os LPs são “uma chance de entrar no espaço criativo de um artista e descobrir novas facetas de sua personalidade. Você pode achar uma ou duas faixas favoritas, mas com grandes álbuns, você fica com vontade de passar mais tempo com a coisa toda”. De fato, grandes álbuns parecem ser cada vez mais raros, e uma experiência de imersão da qual só os fãs hardcore de música compartilham hoje em dia. Um “Álbum”, com “A” maiúsculo, não é apenas um compilado de músicas de um artista, mas — tal qual um DJ set — uma obra com começo, meio e fim, que representa uma unidade, com uma mensagem a ser passada.

O Top 20 do RA traz, em sua maioria, nomes bastante obscuros e não necessariamente voltados à música de pista — como eles mesmos destacam, a lista varia do “synth pop colorido, do alien noise e do jazz eletrônico ao techno intergalático, às baladas carregadas de soul e ao grime derretido no micro-ondas”. Entre os artistas mais conhecidos, temos Matrixxman, com o álbum Homesick em 18º lugar, Oneohtrix Pont Never [Garden of Delete — 12º], o Vunicultura da Björk em 5º e o disco homônimo de Levon Vincent em 2º lugar; o já destacado neste texto Floating Points faturou a primeirona, com o LP Elaenia.

Entre as labels, a tarefa de escolha complica bastante, porque além de extremamente subjetiva, naquela velha sinuca de bico que é comparar representantes de vertentes bem diferentes, temos a cada dia zilhões de selos novos pipocando aqui e ali; mesmo assim, o RA elegeu suas 20 favoritas do ano. “Cada selo no top 20 deste ano tem sua história. Alguns se desenvolveram em lojinhas físicas, outros cresceram no meio digital; uns poucos se destinam a uma única estética sonora, enquanto outros adotam alcances mais amplos; alguns cavocam no passado, outros vislumbram o futuro. […] Mas uma coisa une todos eles: curadoria.”

Entre selos como XL Recordings [#16], 50 Weapons [#15], Future Times [#9], Trip [#8, label da Nina Kraviz] Antinote [#5], Dekmantel [#4] e Northern Electronics [#3], o grande destaque foi o londrino Honest Jon’s, cujo manager não é ninguém menos que Damon Albarn, líder das bandas Blur e Gorillaz. Nas palavras do site, eles “não estão no Facebook. Eles até têm um Twitter, mas você pode ver que não é a deles, e certamente não há nenhuma máquina RP empurrando os seus lançamentos goela abaixo — assim, foi bastante fácil não tomar conhecimento do selo em 2015. Mas considere o seguinte: além de um catálogo fora de série com discos de DJ Sotofett, Ricardo Villalobos e Insalar, Moritz Von Oswald Trio, Simone White e Kassem Mosse, Tapes, Dresvn e Laurel Halo, a Honest Jon’s também foi responsável pelo primeiro lançamento ocidental do jazzista japonês cult Maki Asakawa, por um álbum de música gospel dos EUA e ainda compilou discos vocais mediterrâneos do começo do século XX.” O RA ainda destaca que a HJ também funciona como loja de discos, distribuidora e possui uma ética contracultural.

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Pra fechar, o poll de melhores compilações/mixes apresenta três Tops 10: melhores coletâneas, melhores mixes online e melhores mixes lançados oficialmente. A lista de dez melhores coletâneas traz recortes de muitos dos que estão nos rankings de melhores selos — o que é bastante coerente — e destaca um merecidíssimo primeiro lugar ao Sounds From the Far East. Lançado pela Rush Hour Recordings e curado pelo DJ nipo-holandês Hunee, Sounds… é uma compilação de 12 faixas centrada no lendário produtor japa Soichi Terada, um visionário do deep house asiático que em 1989 fundou a sua label Far East Recordings. Dessa forma, o disco jogou luz ao importante legado de Terada, tornando-o mundialmente reconhecido.

Entre os 10 mixes online, o RA trouxe um podcast da Juno [Tako Reyenga, #10], um live do Motor City Drum Ensemble no festival croata Dimensions [#6], outro do Ben UFO, na Factory de Osaka [#4], um b2b entre Four Tet e — olha ele aí de novo! — Floating Points [#2] e, em primeiro lugar, o mix conceitual This is Not, do anônimo DJ Metatron, que, segundo a redação, traz sentimentos reflexivos, raramente escutados numa pista de dança, como esperança, vulnerabilidade e solidão. “Dance music na sua forma mais delicada e poderosa.”

Entre os melhores mixes oficiais, enfim, temos Paradise Goulash, do sempre impecável Prins Thomas [#10], o DJ-Kicks da Nina Kraviz [#9] e o do Actress [#5], o Fabriclive do Mumdance e, em primeiro, mais um DJ-Kicks, assinado desta vez pelo sensacional DJ Koze. “O DJ-Kicks de Koze nos lembra de que um grande mix não precisa ser necessariamente mixado. […] O que faz esse mix tão bom são as mesmas coisas que fazem a gente amar a sua música: humor sarcástico e sentimentalismo explícito, entregues com uma batida sólida.”

Sim, eu já me manifestei bastante contra rankings dentro da música, e meu pé atrás com eles está bem justificado nesses textos anteriores. Esses apanhados de final de ano dos veículos, contudo, seguem sendo bem bacanas como resumões de um período versus a respectiva linha editorial, e servem, principalmente, pra descobrirmos bastante coisa boa. Pra quem quiser sacar mais detalhes dessas listas do RA — ainda falta a de melhores faixas de 2015, que deve sair em breve —, é só acessar aqui.

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