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Uma viagem ao reino do King Cobra: o que aconteceu de melhor no palco principal do Electric Zoo Brasil

Pedro Fialdini

Publicado em

02/05/2017 - 20:14

Há exatamente uma semana, a cena raver de São Paulo e do Brasil de maneira geral se reuniu no Autódromo de Interlagos para celebrar a primeira edição brasileira do tradicional festival nova-iorquino Electric Zoo. A Phouse, é claro, esteve por lá e nas palavras da Julia Gardel, já relatou um pouco de como foi a experiência no palco Awakenings, o templo do techno no EZoo. Agora, contaremos um pouco mais do que aconteceu por lá, desta vez no imponente palco principal, o famoso King Cobra.

De uma maneira geral, a organização do festival estava muito boa. A entrada não pareceu apresentar problemas, os caixas tinham filas pequenas e os bares eram rápidos e com bom serviço. Havia banheiros em boa quantidade e mesmo a questão da chuva, que chegou a assustar muita gente durante o dia, não prejudicou tanto o terreno quanto era imaginado. Valeu muito a decisão de cobrir os dois palcos menores, diminuindo o impacto negativo do clima no evento.

O público foi bom e todos os palcos conseguiram se manter cheios durante a maior parte do festival. O mainstage, é claro, reunia a maior parte das pessoas. O palco em si se mostrou surpreendente pequeno para quem ficou acostumado com os mega-palcos do Tomorrowland, Ultra, etc, mas bonito, moderno e de tamanho adequado ao público do evento. A maior parte da tarde e início da noite correu em uma mistura de excelentes shows e fortes pancadas de chuva, com o primeiro elemento levando grande vantagem na influência sobre a galera, que curtia as apresentações sem medo da água.

Entre as atrações que tomaram conta do palco durante a primeira metade do festival, Bruno Martini e Illusionize chamaram bastante a atenção com excelentes sets, mantendo a galera muito animada mesmo debaixo da chuva. Foi o próprio Illusionize que deixou o público em ponto de bala para o surpreendente set de Alan Walker, um dos principais nomes do line-up. Quem esperava um set morno, com muitas música no estilo de “Faded”, teve uma grata surpresa na forma de um set bastante agitado e contagiante executado com maestria pelo norueguês.

A partir daí foi que o evento realmente pegou fogo de vez. Com a entrada de Vintage Culture o público foi simplesmente à loucura e pirou no excelente set. Sem dúvida neste momento o festival já se encontrava em seu auge. R3hab se apresentou em seguida, fazendo um set razoável, muito bom em algumas partes e morno demais em outras, mas falou bastante com a galera e conseguiu encerrar em bom nível, mantendo o público animado para as duas grandes atrações da noite.  

E se há uma certeza sobre o Electric Zoo Brasil, foi que estes dois astros da música internacional não decepcionaram. Quando KSHMR subiu ao palco, uma surpresa: a tradicional estória que permeia seu set, como uma espécie de transição entre os momentos de pico, estava traduzida para o português. Mesmo que a tradução estivesse bastante rudimentar e com forte sotaque, mostrou uma louvável consideração com o público local. KSHMR também se esforçou para falar com a plateia em português, embora muitas vezes acabasse apelando para um rústico portunhol.

Mesmo toda esta gentileza, porém, ficou em segundo plano diante do belíssimo espetáculo que o inglês de origem indiana trouxe ao E-Zoo. Um excelente set, com vários momentos marcantes como toda a galera cantando “Secrets” a plenos pulmões, ganhou para KSHMR um confortável lugar entre as melhores apresentações do festival. Recheada de produções próprias, a exibição dele foi de altíssimo nível e deixou o público mais do que satisfeito, à espera da última e grande atração do evento.

A expectativa pela entrada de Hardwell era imensa e palpável. Duas vezes eleito o melhor DJ do mundo, astro internacional e dono de inúmeros hits, o holandês era a principal razão de muitos estarem ali. Após uma hora e meia de set, não há nenhuma dúvida ao afirmar que as expectativas foram alcançadas e até mesmo superadas de longe. Mesmo para os fãs de longa data de Hardwell (como este que vos escreve) a apresentação foi incrivelmente boa. Com praticamente todas as novidades que revelou no Ultra Miami, Hardwell levou a galera ao delírio sem um minuto de folga.

Hardwell tocou diversas tracks ainda não lançadas, com destaque para as colaborações “We Are Legends”, em parceria com Kaaze, e “Badam”, parceria com Henry Fong . Apresentou também seus tradicionais mashups, que reúnem desde seus grandes clássicos até as músicas mais populares da atualidade. Um exemplo perfeito foi o mashup do clássico “Spaceman” com “Scared to Be Lonely”, lançamento recente de Martin Garrix, que levou a galera a loucura.

Naquele que sem dúvida foi um dos momentos mais marcantes, Hardwell chamou o próprio KSHMR para subir ao palco e apresentarem juntos sua nova colaboração. A existência dessa parceria já era bastante discutida entre os fãs e foi uma baita moral ao Brasil que ambos tenham escolhido o E-Zoo para oficializar a notícia. No encerramento, Hardwell foi quem mais fez uso dos efeitos pirotécnicos, com um belo espetáculo de fogos para fechar o festival com o ID “Creatures of the Night” e o devastador remix de Dr. Phunk para Apollo.

Sem dúvida, um encerramento digno daquele que provavelmente foi o maior evento da cena eletrônica no país este ano. Apesar do tamanho bem menor e da produção mais modesta, o Electric Zoo foi um substituto muito bom para os fãs que estavam desapontados com a ausência do Tomorrowland este ano. As atrações fizeram muito bonito e a organização estava de modo geral excelente, criando um evento muito agradável para o público.

A única reclamação relevante ouvida de alguns fãs e também constada in loco pela Phouse foi uma qualidade aquém do desejável no sistema de som. Muitas pessoas relataram um som “baixo” e “abafado” e realmente foi essa a sensação que ficou durante boa parte do tempo, mas nada que chegasse a ser um problema que comprometesse a qualidade do espetáculo. Estamos certos de que a primeira edição brasileira do Electric Zoo foi um sucesso tanto entre a crítica quanto entre o público.

Nós aqui da Phouse mal podemos esperar as notícias sobre uma possível volta do King Cobra ao Brasil em 2018 e temos apenas uma certeza: se ele vier, nós estaremos lá mais uma vez pra te contar tudo!

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Review

Techno e atitude: Ellen Allien lança 1º EP por outro selo em 20 anos

Ícone do techno de Berlim, DJ toca no Caos, em Campinas, neste sábado

Phouse Staff

Publicado há

Ellen Allien
Foto: Kieran Behan/Divulgação
* Por Gabriela Loschi
** Edição e revisão: Flávio Lerner

Para alegria de todos aqueles que amam um batuque sintético bem louco e hipnotizante nas pistas, o Caos, club que tem balançado as estruturas do interior paulista uma sexta-feira por mês, abre suas portas exclusivamente neste sábado (25) para receber a genuína e multifacetada artista berlinense Ellen Allien em apresentação única no Brasil — porque sim, ela pode.

Idealizadora do imponente selo BPitch Control, que lança não só o seu trabalho, mas de outros gigantes da cena, como Paul Kalkbrenner (astro do famoso filme Berlin Calling), Ellen é indiscutivelmente uma das mulheres mais respeitadas do techno mundial. A alemã está na Colômbia em tour e chega ao Brasil para apresentar seu techno incandescente em três horas de set, que provavelmente englobarão algumas novas faixas do EP Take a Stand  — as primeiras em 20 anos que ela lança por outra label que não a sua BPitch.

Com lançamento previsto para a próxima sexta, 31, pela Nonplus Records, tivemos acesso ao disco na íntegra, e posso afirmar: se trata de uma pérola techneira tão poderosa quanto dançante. Enquanto o disco não chega, você pode escutar um preview abaixo, e me acompanhar aqui nestas palavras pra já ir aquecendo pra amanhã.

Para entender o que está por trás deste novo trabalho, precisamos voltar para quando o techno de Berlim foi moldado nos porões das squats em toda a capital alemã. Ellen não só estava lá participando de tudo, como continua sendo uma defensora incansável de todos os aspectos dessa cultura, imprimindo os valores em cada um de seus trabalhos: da sua série de eventos internacionais, Vinylism, à sua música.

Take A Stand é o EP de estreia na Nonplus (selo do inglês Boddika), e como não poderia deixar de ser, carrega elementos implacáveis para a pista, mostrando toda a paixão que sempre a moveu em 30 anos de carreira. Ellen consegue imprimir toda a sua experiência e sua personalidade alegre, expansiva e empática neste novo trabalho, mas deu às três faixas do EP densidade crítica e a ideia de ser sobre (e para) o aqui e o agora.

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“Minha própria história e as experiências na cena techno me inspiraram a motivar as pessoas a defenderem o que pensam, por suas opiniões e seus direitos. Muitas pessoas dizem que o techno não é político, mas por que não? Ele pode sim ser político, obviamente”, afirma a produtora, já mostrando que sua música tem poder — e não estamos falando só do grave e da energia.

Ellen coloca um estrondoso apelo à ação ao mesmo tempo em que aposta no poder unificador da cultura raver. A faixa-título que abre a sequência traz os seus vocais, como se ela estivesse recitando amor ao universo, às pessoas e ao poder que todas elas carregam. Enquanto suas letras podem parecer meio vagas no início — “tomar uma posição a favor ou contra o quê?” —, elas vão desvendando seu mistério enquanto a trilha se desenrola gradualmente.

Ellen Allien
Foto: Divulgação

Começando como um barulho esparso do porão, “Take a Stand” lentamente se transforma em um hino ácido e vai mudando seu curso sutilmente até o final. Ao longo de dez minutos e meio, Ellen Allien revive o otimismo alegre da revolução original do techno, enquanto se posiciona contra a falta de alegria inerente a tantos technos hoje em dia. “Esta é uma revolução que você pode dançar”, afirma o seu release de imprensa.

No lado B, “Trigger” é uma viagem igualmente hipnotizante pelo “buraco de minhoca” da cultura raver contemporânea. Combinando um groove contundente com uma linha de baixo “achatada” e “amortecida”, ela dialoga com porões e salonas underground com seus pingos de suor.

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Em “Flying Objects”, a artista usa sua voz novamente, desta vez terminando o que poderia muito bem ser o manifesto musical oficial para o que ela geralmente se refere a “space techno” — uma declaração futurista colorida que não deixa ninguém desanimado.

É um belíssimo trabalho musical que traz toda a poesia de seu ser (que em muitos momentos se confunde com a própria pista) embutida. Quem tiver a sorte de poder conferir de perto a mulher que deu o pontapé inicial na carreira de muitos artistas que explodiram mundo afora após passarem por sua gravadora, como Modelesektor e Appartat, não vai se arrepender. Você pode conferir mais informações sobre o evento neste link.

* Gabriela Loschi é colaboradora eventual da Phouse.

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Review

Novo filme do Netflix, “Ibiza” é um desserviço à cena eletrônica

Nayara Storquio

Publicado há

Ibiza Filme
Foto: Reprodução
Apenas mais um besteirol com DJs como pano de fundo

Lançado no final de maio pelo NetflixIbiza parece ser um filme interessante para os fãs da experiência na ilha, sobretudo os fãs de dance music. Só que não. Dirigido por Alex Richanbach, a produção é apenas mais uma comédia romântica boba em que tanto Ibiza quanto a arte dos DJs são estereotipadas.

Pra começo de conversa, em nenhum momento o filme demonstrou o interesse de se aprofundar sobre a realidade da cena eletrônica local. Seu roteiro baseado na historinha clichê hollywoodiana chega a ser tão blasé que a música de abertura é “New York, New York”, do Frank Sinatra. Não dava pra esperar muito já partindo daí.

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Harper, a mocinha, tem uma vida estressante de publicitária numa grande empresa administrada pela típica chefe estilo O Diabo Veste Prada. Só que no longa a chefona não apresenta a classe da eterna Miranda, e ainda acompanha muitos palavrões e sexualismos que já declaram ali o estilo besteirol que acompanha o filme inteiro.

De cara, percebemos que a protagonista cai de paraquedas na Espanha, com duas amigas atrapalhadas, para apresentar uma proposta para um possível cliente, e acaba sendo levada pela vida noturna de Barcelona. Ela conhece o mocinho, DJ Leo, tocando numa balada, e rola o momento fofo. Só que em nenhum momento o trabalho do DJ é evidenciado, nem quando ele vai pra Ibiza tocar como headliner no Club Flow. Leo é um cara aleatório, raso como todas as personagens da trama.

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A trilha sonora também não ajuda em nada. Com uma playlist desconexa, marcada por sucessos mainstream bem estilo “festival”, mistura EDM, popreggaeton e até hits como “Na Sua Cara”, de Anitta e Pabblo Vittar com o Major Lazer.

A história gira totalmente em torno da busca implacável de Harper por conseguir passar uma noite com o DJ. A sexualização da imagem feminina na vida noturna é proeminente em todo o enredo. Promiscuidade é o gancho: esqueça a música, apenas cumpra seu papel de objeto sexual e use algumas drogas desconhecidas, que aparecem em todas as baladas — e são de graça, aparentemente. Controle de danos mandou lembranças.

Não existem aplicativos para envio de mensagens instantâneas nos filmes americanos, então Harper passa por vários perrengues para conseguir “marcar um encontro” com Leo, que abandona seu público no clube na metade do set pra ficar com ela. Em uma hora e meia de filme, a ilha de Ibiza não tem sua essência mostrada em nenhum aspecto, nem clubístico e nem turístico. O nome foi uma escolha completamente equivocada e descontextualizada — tanto que a comunidade autônoma da ilha espanhola cogitou processar os responsáveis pela comédia.

Como se não fosse ruim o suficiente, Richanbach foi entrevistado pela Mixmag e admitiu que nunca nem pisou em Ibiza, além de confirmar que nenhuma cena foi gravada no local — tudo foi filmado na Croácia e em Barcelona. Sobre a relação do ambiente de clubes com drogas, o diretor apenas se defendeu comparando o longa à trilogia Hangover. “Eu levo o uso de drogas a sério, isso é algo que foi baseado nas próprias experiências da nossa roteirista enquanto ela estava de férias, e o filme se destina a ser uma comédia grande e louca.” Sim, há uma cena em que uma personagem toma três pílulas de uma vez de uma substância não identificada — bem louca mesmo.

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A entrevista inteira em si é desconfortável para qualquer um, e Ibiza está o mais na contramão possível em se tratando de produções cinematográficas que envolvem a cena eletrônica. XoXo, também do Netflix, e We Are Your Friends, da Warner Bros.conseguem chegar bem mais perto do contexto no qual se baseiam. Desta vez o Netflix não pontuou.

Sabemos que a música eletrônica é muito diversa e complexa; é um gênero musical que vai muito além da música, em que curtir uma vibe inclui uma experiência sensorial e arrebatadora — algo que a ilha de Ibiza pode proporcionar com certeza, mas o filme Ibiza não. O título da versão em português acompanha um “Tudo pelo DJ” — bem mais adequado.

Nayara Storquio é colaboradora da Phouse.

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Review

Novo EP de Anderson Noise com Kleber consolida parceria de sucesso

Phouse Staff

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Anderson Noise
Foto: Divulgação
Em “This Way To Change”, dupla volta a mostrar sintonia

* Por Manoel Cirilo

O DJ e produtor Kleber está realmente se firmando entre os grandes nomes do techno no cenário nacional e mundial. Após um intenso trabalho de lapidação de suas técnicas no últimos anos, ele se uniu novamente ao medalhão brasileiro do gênero, Anderson Noise, para lançar mais um trabalho de peso.

Os dois já trabalharam juntos em 2016, quando lançaram o EP Input Mode pela Noise Music, gravadora de Anderson. Pelo mesmo selo, saiu recentemente This Way To Change, o novo disco da dupla, que é composto por sete faixas originais (cinco inéditas e dois relançamentos).

“Couple Galaxis” abre o EP de forma elegante, com breaks curtos e vocais que a completam. “This Way To Change”, faixa que dá nome ao EP, chega mais encorpada e mantém uma bassline constante até explodir após os dois minutos. “Right Away” é a música mais dinâmica — inicia super densa e com grave marcado, até evoluir e se traduzir dançante e acelerada.

Em “Transient”, temos o maior buildup: a track começa bastante melódica e vai ganhando elementos conforme evolui. Já “Rhyming Couplets” é uma produção super introspectiva, que conduz o ouvinte com elementos encaixados de maneira pontual.

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“Input Mode” é um dos relançamentos, assim como “November Blue”. A primeira, apesar de não ser a faixa mais acelerada, certamente é uma das que mais seguram o público na pista por sua sonoridade envolvente. A segunda consiste em um techno reto, com foco para a técnica de produção extremamente apurada.

A parceria entre Kleber e Anderson Noise rendeu bons frutos com o primeiro trabalho e, considerando a qualidade do novo material, certamente continuará a trazer retorno positivo. Diante disso, só podemos esperar que os dois artistas continuem a se engajar nessa parceria.

* Manoel Cirilo é colaborador eventual da Phouse.

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