Uma viagem ao reino do King Cobra: o que aconteceu de melhor no palco principal do Electric Zoo Brasil

Há exatamente uma semana, a cena raver de São Paulo e do Brasil de maneira geral se reuniu no Autódromo de Interlagos para celebrar a primeira edição brasileira do tradicional festival nova-iorquino Electric Zoo. A Phouse, é claro, esteve por lá e nas palavras da Julia Gardel, já relatou um pouco de como foi a experiência no palco Awakenings, o templo do techno no EZoo. Agora, contaremos um pouco mais do que aconteceu por lá, desta vez no imponente palco principal, o famoso King Cobra.

De uma maneira geral, a organização do festival estava muito boa. A entrada não pareceu apresentar problemas, os caixas tinham filas pequenas e os bares eram rápidos e com bom serviço. Havia banheiros em boa quantidade e mesmo a questão da chuva, que chegou a assustar muita gente durante o dia, não prejudicou tanto o terreno quanto era imaginado. Valeu muito a decisão de cobrir os dois palcos menores, diminuindo o impacto negativo do clima no evento.

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O público foi bom e todos os palcos conseguiram se manter cheios durante a maior parte do festival. O mainstage, é claro, reunia a maior parte das pessoas. O palco em si se mostrou surpreendente pequeno para quem ficou acostumado com os mega-palcos do Tomorrowland, Ultra, etc, mas bonito, moderno e de tamanho adequado ao público do evento. A maior parte da tarde e início da noite correu em uma mistura de excelentes shows e fortes pancadas de chuva, com o primeiro elemento levando grande vantagem na influência sobre a galera, que curtia as apresentações sem medo da água.

Entre as atrações que tomaram conta do palco durante a primeira metade do festival, Bruno Martini e Illusionize chamaram bastante a atenção com excelentes sets, mantendo a galera muito animada mesmo debaixo da chuva. Foi o próprio Illusionize que deixou o público em ponto de bala para o surpreendente set de Alan Walker, um dos principais nomes do line-up. Quem esperava um set morno, com muitas música no estilo de “Faded”, teve uma grata surpresa na forma de um set bastante agitado e contagiante executado com maestria pelo norueguês.

A partir daí foi que o evento realmente pegou fogo de vez. Com a entrada de Vintage Culture o público foi simplesmente à loucura e pirou no excelente set. Sem dúvida neste momento o festival já se encontrava em seu auge. R3hab se apresentou em seguida, fazendo um set razoável, muito bom em algumas partes e morno demais em outras, mas falou bastante com a galera e conseguiu encerrar em bom nível, mantendo o público animado para as duas grandes atrações da noite.  

E se há uma certeza sobre o Electric Zoo Brasil, foi que estes dois astros da música internacional não decepcionaram. Quando KSHMR subiu ao palco, uma surpresa: a tradicional estória que permeia seu set, como uma espécie de transição entre os momentos de pico, estava traduzida para o português. Mesmo que a tradução estivesse bastante rudimentar e com forte sotaque, mostrou uma louvável consideração com o público local. KSHMR também se esforçou para falar com a plateia em português, embora muitas vezes acabasse apelando para um rústico portunhol.

Mesmo toda esta gentileza, porém, ficou em segundo plano diante do belíssimo espetáculo que o inglês de origem indiana trouxe ao E-Zoo. Um excelente set, com vários momentos marcantes como toda a galera cantando “Secrets” a plenos pulmões, ganhou para KSHMR um confortável lugar entre as melhores apresentações do festival. Recheada de produções próprias, a exibição dele foi de altíssimo nível e deixou o público mais do que satisfeito, à espera da última e grande atração do evento.

A expectativa pela entrada de Hardwell era imensa e palpável. Duas vezes eleito o melhor DJ do mundo, astro internacional e dono de inúmeros hits, o holandês era a principal razão de muitos estarem ali. Após uma hora e meia de set, não há nenhuma dúvida ao afirmar que as expectativas foram alcançadas e até mesmo superadas de longe. Mesmo para os fãs de longa data de Hardwell (como este que vos escreve) a apresentação foi incrivelmente boa. Com praticamente todas as novidades que revelou no Ultra Miami, Hardwell levou a galera ao delírio sem um minuto de folga.

Hardwell tocou diversas tracks ainda não lançadas, com destaque para as colaborações “We Are Legends”, em parceria com Kaaze, e “Badam”, parceria com Henry Fong . Apresentou também seus tradicionais mashups, que reúnem desde seus grandes clássicos até as músicas mais populares da atualidade. Um exemplo perfeito foi o mashup do clássico “Spaceman” com “Scared to Be Lonely”, lançamento recente de Martin Garrix, que levou a galera a loucura.

Naquele que sem dúvida foi um dos momentos mais marcantes, Hardwell chamou o próprio KSHMR para subir ao palco e apresentarem juntos sua nova colaboração. A existência dessa parceria já era bastante discutida entre os fãs e foi uma baita moral ao Brasil que ambos tenham escolhido o E-Zoo para oficializar a notícia. No encerramento, Hardwell foi quem mais fez uso dos efeitos pirotécnicos, com um belo espetáculo de fogos para fechar o festival com o ID “Creatures of the Night” e o devastador remix de Dr. Phunk para Apollo.

Sem dúvida, um encerramento digno daquele que provavelmente foi o maior evento da cena eletrônica no país este ano. Apesar do tamanho bem menor e da produção mais modesta, o Electric Zoo foi um substituto muito bom para os fãs que estavam desapontados com a ausência do Tomorrowland este ano. As atrações fizeram muito bonito e a organização estava de modo geral excelente, criando um evento muito agradável para o público.

A única reclamação relevante ouvida de alguns fãs e também constada in loco pela Phouse foi uma qualidade aquém do desejável no sistema de som. Muitas pessoas relataram um som “baixo” e “abafado” e realmente foi essa a sensação que ficou durante boa parte do tempo, mas nada que chegasse a ser um problema que comprometesse a qualidade do espetáculo. Estamos certos de que a primeira edição brasileira do Electric Zoo foi um sucesso tanto entre a crítica quanto entre o público.

Nós aqui da Phouse mal podemos esperar as notícias sobre uma possível volta do King Cobra ao Brasil em 2018 e temos apenas uma certeza: se ele vier, nós estaremos lá mais uma vez pra te contar tudo!

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