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Review

Vivenciando um Universo Paralello: Capítulo 1 – A experiência

Júlia Gardel

Publicado em

16/01/2018 - 15:12
UNIVERSO PARALELLO EXPERIÊNCIA
Um festival que marcará sua vida para sempre

Hoje começo a contar aqui na Phouse minha experiência nessa última edição do Universo Paralello, que rolou agora entre 27 de dezembro e 04 de janeiro. Minha proposta com esse texto não é fazer um verdadeiro review formal, comentando e classificando o festival, mas narrar o que é vivenciar o UP, como é estar por lá, além de trazer algumas dicas. Venho aqui para dizer como é esse evento, que muito se fala e pouco se sabe, para fazer um guia e ao mesmo tempo um relato sobre a festa na famosa praia de Pratigi, em Ituberá, na Bahia. E lembre-se: não falo aqui como uma expert, já que esta foi apenas minha primeira edição.

Mais que um festival, o Universo Paralello é uma experiência de renovação. Cada um possui uma interpretação própria. A experiência vai além da curtição, é um aprendizado. Ir para lá é abrir o coração e praticar a lei do desapego.

O UP é uma experiência que todos deveriam vivenciar um dia na vida, não só por ser um lugar apaixonante para os amantes de música eletrônica, mas também por suas energias. A proposta é proporcionar o respeito ao próximo, à cultura em suas diversas formas, à expressão do amor, seja ele pelas pessoas, pela natureza ou pela música. É um mundo para expressar a liberdade do corpo, um universo que muitos compreendem como um estudo do eu interior. Diversas pessoas sentem suas vidas transformadas depois do festival.

Dre Guazzelli e sua namorada no palco Chillout (Foto por Fernando Sigma)

Eu fui sozinha vivenciar essa experiência e descobri que ela pode ter diversos significados e múltiplas interpretações. Tudo depende da sua energia e do que você atrai por lá, porque sim, Pratigi é um lugar de muitas energias. Vai de cada um como senti-las: através de gestos de respeito, de bondade, através da sintonia com a música, com a natureza, com o ambiente, com as pessoas ou da forma que for.

A ida ao Universo Paralello pede por uma mente aberta, caso contrário você vai acabar com o clima positivo da festa — o que pode ser revertido em um aprendizado ainda maior. Para  entrar na experiência é preciso estar de mente vazia, com zero preocupações, e esta é uma das maiores propostas do evento: se desligar do mundo, para não se distrair de todo o resto que deve ser aproveitado. Isso não significa relaxamento e descuido total, pois infelizmente não se pode dar bobeira, sempre existem pessoas com más intenções.

Foto por SENSE

CAPÍTULO 1 – A experiência

Existe um porquê de dizer que ir pro UP é praticar a lei do desapego, e isso não é um ponto negativo. Primeiro porque você vai passar perrengue. Não tem jeito! Você até tem formas de diminuir isso, claro, mas algum tipo de perrengue você vai passar. E não se importe com isso, faz parte da experiência. O legal de tudo é que bens materiais por lá são desnecessários.

Como o próprio festival diz, esqueça o look chique e invista no confortável. Você pode se vestir como quiser, mas há 90% de chances de em algum momento você desistir de tudo e simplesmente optar por ficar de biquíni porque lá é muito quente, mas com o tempo você até que acostuma um pouco — nada que entrar no mar não resolva por um tempo.

Foto por Fernando Sigma

Existem roubos, sim, mas como em qualquer lugar no mundo. Só não dê bobeira e não cisme com isso. Não deixe que coisas ruins tomem sua cabeça — invista no oposto e pare para pensar em tudo que está à sua volta, no momento único que você está vivendo. Se te preocupa, é só ficar ligado. Se levar algum bem de valor, deixe no locker oferecido pelo festival, no máximo leve seu celular ou uma câmera, e tenha esses itens andando sempre com você, inclusive seu dinheiro, de preferência na cartucheira. Na barraca, deixe apenas roupas e utensílios de uso pessoal. Não leve suas roupas mais caras ou difíceis de lavar, elas vão sujar. Mas fique tranquilo que a energia do evento não é essa.

A viagem

A viagem começa no meio de transporte escolhido. Para quem tem espírito aventureiro, ir de carro é uma opção interessante, viajando pelas praias conhecendo novos lugares — mas quem vem de longe tem que ter pique para mais de 20 horas na estrada. Ônibus é a mesma loucura e ainda demora um pouco mais. Envolve muito mais gente, sem paradas à vontade, mas muitos preferem essa opção. Eu confesso que não teria esse pique. De avião a chegada é mais rápida, pouco exaustiva e você enfrenta apenas seis horas de translado de Salvador até Ituberá.

Dica: Saiba com que companhia você está viajando. Transportes clandestinos podem trazer muitos riscos. Há várias histórias de ônibus clandestinos que quebram no meio do caminho, fura um pneu, ou translados de empresas desconhecidas, como vans, que não aparecem no aeroporto para te levar ao seu destino final. O barato pode sair caro.

Recomendação: Procure por opções de translados no site oficial do Universo Paralello, que indica empresas que trabalham com eles há anos. Tanto opções de transfers do aeroporto, quanto pacotes que incluem passagem. A Brasil Oriente é uma das empresas mais indicadas do evento, mas procure se informar melhor e se planeje com antecedência.

Detalhes importantes: Caso você volte de avião, não esqueça que o trajeto por terra vai de cinco a seis horas de viagem, por isso escolha um horário de volta do transfer com pelo menos oito horas de antecedência do seu horário de voo para evitar atrasos. Nem sempre o transfer sai no horário pontual. Além disso, Salvador não possui horário de verão: não esqueça de verificar se a companhia aérea de sua escolha já possui seu horário atualizado na hora de comprar.

Foto por Flashbang

O Universo

O Universo Paralello ocorre na praia de Pratigi, localizada na cidade de Ituberá. Próximo ao acesso do festival existe a Vila dos Pescadores, na famosa rotatória. Nela você encontra tendas de comida por um preço bom, mas não muito diferente dos do próprio evento. A água você consegue por um preço mais baixo, o que é bom para se abastecer dentro do festival, já que é permitida a entrada na revista.

Dica: Garrafas de 5L para necessidades pessoais, como escovar os dentes e lavar as mãos é bem útil, porque a água dos chuveiros não é própria para beber. Colocá-la na boca não é uma boa ideia, e lá você não encontra pias.

Foto por Flashbang

Da vila você chega ao festival de duas maneiras: no pau de arara ou nos buggys.

> Pau de arara: uma espécie de caminhãozinho. Por R$ 50,00, você pode usa-lo à vontade durante o evento.

> Buggy: R$20,00 a cada viagem, e se você for em mais pessoas vocês podem dividir.

Se você pretende ir muito à vila, o pau de arara compensa; se não, o buggy é uma boa opção. Eu paguei o pau de arara acreditando voltar muito à vila, mas vendo todo o trajeto a pé até a saída do evento, confesso que não o utilizei mais de uma segunda vez. Você anda muito no evento o dia todo.

Próximo à vila existem pousadas e casas a serem alugadas para quem prefere dormir em uma condição um pouco melhor, e dentro do festival há a Vila Mundo, mas se prepare para os custos e a caminhada para entrar no evento todos os dias — nesse caso recomendo o pau de arara! Em algumas casas a energia cai, mas faz parte também. Como eu disse, algum perrengue vai ter durante a viagem, não tem jeito!

Foto por Fernando Sigma

Acampar no UP

Se você quer a experiência ainda mais completa, bem-vindo ao camping do Universo Paralello!

O camping no UP não é uma área reservada ou separada do evento como um Dreamville no Tomorrowland. Não. Lá você acampa pelo festival inteiro. Existem alguns lugares proibidos de acampar, mas de resto, por onde você andar você vai ver uma barraca. Seja no caminho entre os palcos, seja na areia da praia, nas partes mais afastadas, na entrada ou até no meio do mato, tem barraca pra todo lado! Acampar próximo à vila dos artistas é uma boa opção por conta da quantidade de seguranças, e lugares de muito movimento são um pouco mais propícios a roubos.

Para achar uma sombra você vai ter que chegar lá bem cedo e nem sempre compensa essa correria toda. Tem gente que chega no dia 26 e fica na fila até a abertura do evento no dia 27 para isso. Vai com calma, enfrenta o sol e vida que segue. Muitos fizeram algo que nem sequer passou pela minha cabeça: levaram lonas ou lycras escuras para amarrarem entre os coqueiros e criar uma espécie de sombra. É muito eficiente, mas depende de bagagem, e para quem vem de avião trazer tudo isso não é tão simples assim, principalmente para quem vai sozinho.

Caso você não consiga uma sombra ou um jeitinho de não ficar 100% exposto ao sol, se prepare pra acordar às 06 horas da manhã todos os dias! Mas acredite, não é tão ruim assim. Você aproveita muito o dia, e quando pega o jeito da coisa, acorda mais tranquilo. Tudo isso depende muito do clima também. Algumas edições não foram tão quentes ou tiveram dias nublados. Os próprios funcionários do evento oferecem serviços: R$50,00 para carregar sua bagagem até o local de sua escolha e estruturas de bambu e folhas de coqueiro para uma sombra improvisada; vale a pena, mas custa R$150,00.

No primeiro dia você vai acordar correndo para fora da barraca porque você não está acostumado com aquele calor ainda, mas vou te contar uma coisa que muita gente faz: acorda, coloca sua roupa ou biquíni, passa um protetor, separa a canga e corre pro chillout; com sorte, você arruma um espaço na sombra e tem bons sonhos! O chillout na parte da manhã é o point da soneca do UP. Afinal, tem coisa melhor do que dormir ouvindo um reggae, um mantra, uma música indiana ou afins?

Palco Chillout (Foto por Fernando Sigma)

Banho

Tem quem prefira seguir acordado e opte apenas por um banho. Aqui entra mais um item para a lista mente aberta. A água do banho vem do mangue, é a única água de toda a região, por isso ela não cheira muito bem. Ela é fria e sempre será fria, e além disso o banho é comunitário entre homens e mulheres — não tem cortina. Ou seja, todo mundo se vê tomando banho. 98% das pessoas tomam banho de biquíni ou sunga, mas sempre, sempre vai ter alguém, um gringo ou alguém que simplesmente não liga e que vai tomar banho pelado. Conforme-se com isso, sério: relaxe, entre no espírito do UP, ali todo mundo se respeita.

DicaNão engula a água do chuveiro, ela não é pura para isso e pode te dar dor de estômago ou mal-estar. Não esqueça da bucha, porque você vai descobrir que mesmo depois do banho você ainda está cheio de terra. Este é um fator para se aceitar também: você vai conviver com muita terra e areia. A terra não sai tão fácil assim, e mesmo que saia, em menos de dez minutos você provavelmente estará sujo de novo. Mas relaxe, tudo isso faz parte!

Recomendação: Fique ligado com horários de banho, sempre tem os horários de pico. De manhã cedo é cheio, então vai ter fila, mas não demora tanto assim. E nem sempre todos os chuveiros funcionam. Banho à noite é preciso coragem, porque venta. Um banho de água fria no vento talvez não seja muito agradável, então fim da tarde pra noite é a hora que todos que não tomaram banho ainda correm pra tomar.

Foto por Flashbang

Isso tudo é parte do aprendizado da viagem: desapegar do calor, da água do banho, dos pertences caros, não ligar para a areia na barraca, para o pé sujo, não ligar para os perrengues, e encontrar uma forma de conviver com eles e fazer o que há de mais importante: aproveitar o lugar onde você está. Aproveitar a natureza, a aventura e se soltar nesse mundo de histórias deixando de lado as exigências e perfeições. Ali todos são iguais a você, todos estão vivenciando a mesma experiência. Então relaxe e aproveite, viva esse momento intensamente e verdadeiramente mesmo dentro das dificuldades que você vier a enfrentar. Não encane com eles, esqueça as preocupações e siga o ritmo da festa!

Essa história não acaba por aqui: fiquem ligados na Phouse para os próximos capítulos sobre essa minha experiência no Universo Paralello! O segundo capítulo vai tratar sobre o festival: preços, comidas, bebidas e palcos.

ATUALIZADO: LEIA AQUI o próximo capítulo

Júlia Gardel cobre eventos para a Phouse.

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Reconhecimento gringo: DJs brasileiras vão tocar em importante noite de techno no ADE

Phouse Staff

Publicado há

ANNA e Eli Iwasa
ANNA e Eli Iwasa. Montagem: Phouse
Evento é produzido pelo selo Ipso, de Kölsch, e pelo selo holandês straf_werk

O DJ Kölsch e a label holandesa straf_werk estão no comando de uma das baladas mais esperadas do circuito do ADE neste ano. Chamada “straf_werk x Kölsch presents Ipso”, a festa traz uma grande novidade para os brasileiros: a presença das nossas DJs ANNA e Eli Iwasa no lineup, o que evidencia o crescimento da representatividade brasileira na cena internacional.

O Amsterdam Dance Event é a semana mais importante da dance music mundial, e já recebeu muitos artistas do Brasil. Porém, nossos DJs costumam tocar em festas de labels nacionais, como Warung e D-EDGE. Esta é a primeira vez que artistas brasileiros são chamados para um evento da Ipso (label de Kölsch) e da straf_werk no ADE — ANNA, entretanto, já tocou em noites do selo holandês em outros países.

“Senti uma alegria tremenda, e também bateu o sentimento de responsabilidade, a vontade de entregar um baita set. O straf_werk é um dos selos do grupo que também organiza o DGTL — onde toquei em 2017, na edição de SP —, e sou muito grata a todas pessoas envolvidas em fazer isto acontecer”, comentou Eli, em contato com a Phouse, sem deixar de destacar a evolução da cena brazuca no mundo. “A produção musical e a cena no Brasil amadureceram muito, e isso reflete no mercado internacional. Sempre tivemos grandes talentos por aqui, e naturalmente, os artistas nacionais começaram a ganhar mais e mais espaço, tanto na Europa quanto nos EUA”, acrescentou.

Não é a primeira vez que elas tocam na gringa, entretanto. Residente de Barcelona já há alguns anos, ANNA tem a maior parte de seu campo de atuação centralizado na Europa. Já a Eli acaba de voltar de mais uma temporada no continente, onde tocou em clubs importantes do techno mundial, como Egg, em Londres, Watergate, em Berlim, e na Pacha de Barcelona, em uma turnê de showcases do Warung — clube em que ela se tornou residente recentemente.

Além das duas e de um super set de Kölsch, a noite ainda conta com um grande time de astros do techno: Tiga, Recondite num B2B com Marcus Worgull, Denis Horvat e Bas Dobbelaer. A “Straf_Werk x Kölsch presents Ipso” está marcada para 19 de outubro, no Centro de Convenções De Kromhouthal, em Amsterdã. Os ingressos já estão disponíveis a partir de €27,50.

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Tomorrowland solta cronograma completo da transmissão do primeiro final de semana

Phouse Staff

Publicado há

Tomorrowland 2018 fase 2
Foto: Reprodução
Confira os horários de cada artista em cada um dos quatro canais

Depois de anunciar a transmissão ao vivo deste ano e posteriormente entregar mais alguns detalhes, como os palcos e alguns dos principais nomes, a produção do Tomorrowland divulgou hoje o programa completo do live streaming deste primeiro final de semana.

Basta conferir a arte abaixo para sacar quais artistas serão transmitidos na web e em quais horários, a partir de amanhã.

Tomorrowland 2018 ao vivo

Foto: Reprodução/Facebook

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Em cartão postal de SP, Rodrigo Ferrari estreia projeto de disco music

Alan Medeiros

Publicado há

Rodrigo Ferrari
Foto: Flashbang/Divulgação
Quinzenal, a 78 rola na cobertura do Museu de Arte Contemporânea

DJ Koze, Session Victim, Mano Le Tough, Kink. Nomes consagrados da dance music internacional passam por um momento em que as raízes da disco music do século passado exercem uma influência importante na construção de trabalhos atuais. Obviamente, isso não se limita a eles. Artistas da chamada “geração lo-fi house” também são bastante influenciados por nomes clássicos da disco, e essa onda internacional também reflete no Brasil.

Durante muito tempo, festas do gênero tinham um certo ar retrô/flashback. O jogo tem começado a mudar com uma interpretação mais contemporânea, charmosa e até mesmo futurista do estilo, sem deixar de lado as bases históricas, claro. Aqui no Brasil, grandes label parties têm bebido diretamente da fonte, entre elas Gop Tun, Selvagem e RARA, apenas para citar alguns. Nessa sexta-feira, Rodrigo Ferrari, DJ e produtor com longo currículo frente à cena paulistana, estreia seu novo projeto 78 no Bar Obelisco do Restaurante Vista, localizado na cobertura do Museu de Arte Contemporânea da capital paulista. A festa começa a partir das 21h.

Rodrigo terá uma residência quinzenal no projeto, que apresentará a vasta pesquisa musical do DJ frente ao estilo, passando também por house, soul, jazz e boogie. Para o primeiro encontro, Ferrari soma forças ao residente do Warung, Boghosian.

Alan Medeiros é colaborador eventual da Phouse.

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