Pra fechar a série, uma mensagem final sobre a essência do Universo Paralello
* Fotos por SENSE

Hoje apresento o terceiro e último capítulo da minha aventura na mais recente edição do Universo Paralello, que rolou entre o fim de 2017 e o começo de 2018 na praia de Pratigi, na Bahia. Depois de trazer, na primeira semana, dicas importantes para a viagem e, na semana passada, um relato sobre a música e os palcos, agora encerro falando sobre a essência do festival. Depois da conclusão, deixo também uma espécie de bônus, com dicas do que levar na sua bagagem.

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CAPÍTULO 3 – O conceito

Depois de todos esses capítulos, percebe-se que a experiência do Universo Paralello vai muito além de música e festa. Tudo ocorre entre vários tipos de energia diferentes e cabe a você buscar atrair apenas as melhores, sentindo-as de alguma maneira. É por essas e outras que cada um sai com um sentimento, uma percepção diferente. O Universo busca não só trazer a música para seus participantes, mas também o respeito ao próximo e o respeito também com a natureza.

A todo o momento o UP em suas redes sociais, ou até mesmo dentro do evento, compartilha mensagens motivadoras e incentivadoras com o cuidado ao meio ambiente e às pessoas, inclusive entre sua equipe, prezando muito em espalhar a bondade e a educação. Todos os funcionários são atenciosos, bem-educados, e isso é retribuído ainda mais quando nós, público, também o somos. O festival mostra que compartilhar com as pessoas é também receber, e que compartilhar coisas boas é colher bons sentimentos; que todos somos iguais, entre todas as etnias, nacionalidades, religiões, todos somos um só, e merecemos respeito.

A equipe de limpeza trabalhava dias e horas a fio para deixar que a praia de Pratigi se mantivesse a mais limpa possível, e várias pessoas inclusive ajudavam nessa ação, recolhendo até mesmo o lixo daqueles que ainda não entenderam o espírito do evento. O Universo Paralello incentiva o que há de melhor no ser humano: a prezar a vida que vivemos, a entender a igualdade entre nós, enxergando que preconceitos são desnecessários. É um mundo onde se pode ser livre, onde devemos nos desprender de bens materiais e nos conectarmos à natureza — à nossa natureza e ao nosso corpo, à nossa essência e ao nosso espírito. É parar e se autorefletir, é sentir dentro de si seu verdadeiro eu; é libertar suas expressões, é viver intensamente; é uma experiência para trazer à realidade o que se transformou dentro de um, de fato, “universo paralelo”.

Um relato pessoal

Por eu estar sozinha no início, foi um pouco mais difícil de me soltar, me localizar completamente, entender tudo que acontecia por ali. Levou uns dois dias até cair a ficha, e só então, depois do Diksha, eu fui capaz  de realmente deixar os pensamentos de lado e focar no momento. Foi assim que eu me encontrei lá dentro e entrei mais a fundo no universo de Pratigi, me conectando com a música e passando a experienciar de verdade aquele momento. Foi também quando passei a conviver com os fatores e  as dificuldades de uma forma mais natural. É claro que você não os esquece, mas encontra uma maneira de lidar com eles; é quando você pega o jeito da coisa, descobre suas próprias manhas, se solta e se deixa levar.

Eu percebi que preocupações externas atrapalham, e então não devem andar na sua bagagem. Esta é uma viagem pra você se desligar de tudo e ocupar seus pensamentos apenas sobre você e sua própria vida. Um lugar onde você deve buscar a positividade, as alegrias; um lugar onde você conhece pessoas novas, suas histórias, povos e culturas diferentes; um lugar onde você encontra de tudo — pais e crianças, casais e idosos, grupos enormes e viajantes aventureiros. Você pode acordar cedo, tomar um banho de mar ao som de techno, pular ao som de Neelix depois do almoço e encerrar a tarde deitado no Chillout.

O Universo Paralello é a terra de todos, a terra da conexão, dos significados e da expressão dos seus sentimentos mais puros. Eu ainda pretendo voltar, desta vez na companhia que mais me fez falta, para entrar em busca de uma experiência ainda mais completa e sem preocupações: uma mente ainda mais aberta, em busca de novos significados e compreensões. Voltar buscando compartilhar ainda mais o que há de melhor dentro de mim com as pessoas e com quem eu amo. Obrigada, Universo Paralello, por me fazer vivenciar a natureza através da música.

EXTRA: Guia de bagagem

Ainda não acabou! Pra encerrar de vez a série sobre esse meu primeiro Universo Paralello, anexo aqui abaixo um pequeno guia de recomendações, que pode vir a ser útil na sua bagagem para os seus dias de acampamento.

Para a barraca:

– Barraca

– Colchão de ar ou de piscina (acredite, apenas o isolante te causará uma enorme dor nas costas)

– Travesseiro

– Saco de dormir (eu duvido que você use, porque é muito quente, mas tem quem goste de se cobrir, ou você o utiliza como travesseiro)

– Lençol (caso você prefira se cobrir sem algo muito quente como o saco de dormir)

– Pano de chão (você vai perceber a utilidade deste item ao voltar todas as vezes com o pé muito sujo na barraca)

– Cadeado (isso não vai evitar roubos, mas ajuda)

– Barbante ou cordão para fazer de varal entre coqueiros

– Lona/lycra preta (para criar uma sombra por cima da sua barraca, amarrando-as entre coqueiros)

– Gazebo (segunda opção para substituir o item acima)

Itens pessoais:

– Repelente

– Protetor solar (o festival recomenda protetores de spray, mas já aviso que se for levá-los, leve mais de um, pois eles acabam muito mais rápido. E não é porque você está na Bahia que um protetor 50 é necessário; se você usar um fator 30 com cuidado e várias vezes por dia, é suficiente)

– Escova de cabelo (você vai ver que passados os dias no evento, mesmo com ele limpo, a terra impregna e seu cabelo vai ficar bem ressecado; pentear ajuda a diminuir os nós)

– Creme de pentear (pode vir a ser útil, mas não recomendo usá-lo antes do banho, por conta da quantidade de terra que pode ter em seu cabelo sem você perceber)

– Pós-sol (se você passar do ponto, tem uma solução)

– Lanterna (acredite: esse item é essencial; você vai andar bastante por áreas não iluminadas)

– Canga (é extremamente útil, principalmente se molhada nos momentos de calor embaixo do sol)

– Óculos de sol

– Boné/viseira/chapéu de palha

– Saco de lixo para descarte pessoal na barraca

– Sacola para roupa suja

– Carregador portátil

– Alimentos (um amendoim, um biscoito ou uma barra de cereal sempre podem ser úteis durante a festa)

– Cartucheira (para documentos, dinheiro e itens importantes ou de valor, caminhando sempre com você)

– Cadeira* (se possível, leve uma cadeira de praia ou de acampamento, é muito útil)

– Chinelos (essencial! Leve mais de um, já que perder por lá é normal e o chão é bem quente)

Itens de higiene ou cuidados:

– Pomada para assaduras

– Remédios (dor de cabeça, dores musculares, enjoo, resfriado, gripe, anti-inflamatórios, etc.)

– Band-aid

– Merthiolate

– Lenços umedecidos (são muito úteis após utilizar o banheiro ou para limpar o rosto, os pés e o resto de terra que sempre resta em você, mesmo depois do banho)

– Álcool gel (útil para lavar as mãos antes de comer ou quando for necessário)

– Escova de dente

– Pasta de dente

– Enxaguante bucal

– Gaze

– Esparadrapo

– Toalha de rosto

– Toalha de banho (dica: existe uma na Decathlon, feita de um tecido específico para secar mais rápido)

– Sabonete líquido

– Shampoo

– Condicionador

* Cadeiras — observação final:

A cadeira me fez muita falta, por mais que eu achasse desnecessário. Primeiro que você está na praia: se for tomar sol ou quiser ficar olhando o mar, você pode levar sua canga, mas uma cadeira é ainda melhor. Mas é o de menos — a cadeira fez falta mesmo na pista. Na pista? Sim, na pista!

A primeira vez que eu fui em um festival de trance em São Paulo, me recomendaram levar uma cadeira, dessas de praia mesmo, e eu achei o item mais desnecessário do mundo, peso à toa. Pois é, chegando lá eu vi a festa inteira com cadeiras, e no Universo Paralello eu finalmente entendi a vibe da história.

Em um evento de oito dias, a cadeira fez sentido pra mim. Ela é um complemento pra você não deixar de estar na pista. Tem horas em que você está exausto, andou quilômetros, já pulou e dançou o dia todo, mas ainda tem grandes DJs pra ver, mesmo que você não se aguente mais em pé. Então o que você faz? Você senta na cadeira e curte sua vibe dali mesmo, sem ter que sair de lá pra descansar em outro lugar. Em terra sem cadeira, canga é a solução, mas não das melhores: esticar a canga na praia é tranquilo, mas esticar na pista nem tanto, já que você sai cheio de areia.

Júlia Gardel cobre eventos para a Phouse.

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