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Review

Vivenciando um Universo Paralello: Capítulo 2 – O festival

Júlia Gardel

Publicado em

23/01/2018 - 14:49
Universo Paralello o Festival
Vamos falar do que realmente importa agora: o festival

Seguimos hoje com o segundo capítulo da minha aventura na mais recente edição do Universo Paralello, que rolou entre o fim de 2017 e o começo de 2018 na praia de Pratigi, na Bahia. Depois de trazer, na semana passada, dicas importantes para se preparar para a viagem e o que esperar do UP, agora vamos direto ao coração do evento: a música, os palcos e a experiência do festival em si.

+ CLIQUE AQUI para ler a primeira parte deste review

CAPÍTULO 2 – O festival

Se você é novo no Universo Paralello, ao chegar lá você não entende nada, é normal. Eu demorei uns dois dias para me localizar lá dentro, principalmente porque o evento é montado enquanto ocorre. Não são todos os palcos que funcionam no primeiro dia, então ao chegar no UP você se depara com o Main Floor terminando de ser construído, assim como alguns bares e a praça de alimentação, mas tudo fica pronto bem rápido. Lá tem pouca sinalização ou placas, mas faz parte da aventura de experimentar um “universo paralelo”.

Palcos

Main Floor (Foto por Fernando Sigma)

Neste ano o evento contou com seis palcos: o UP Club, o Chillout, o 303 Stage, o Tortuga, o Palco Paralello e o Main Floor, além da área do Circulou.

O UP Club é mais voltado para o low BPM, onde se apresentaram diversos artistas brasileiros e internacionais, tocando do deep ao techno e tudo que há de melhor num visual voltado para o mar, numa estrutura toda de bambu e um palco de cabeça de índio gigantesco e sensacional!

Chillout (Foto por Fernando Sigma)

O 303 Stage é um palco voltado 100% ao high BPM das sub vertentes do trance, como o high tech. Já o Chillout possui um nome autoexplicativo. Cada dia você ouve um ritmo diferente: samba, reggae, música indiana, árabe… De tudo um pouco pra você relaxar de frente pro mar. A maioria das apresentações foram em live set.

O Tortuga teve bastante mistura também: hip hop, dubstep, trap… Foi um palco mais alternativo, decorado nesta última edição em formato de polvo. Enquanto isso, o Palco Paralello recebeu lendas da música brasileira, como Lenine e Gabriel Pensador. Um ambiente bem cultural e mais voltado para bandas, cantores e rappers.

303 Stage (Foto por Flashbang)

Já o Main Floor é histórico. Nesta edição o coração do festival contou com uma lona em decoração de escama de cobra referente ao conto de Adão e Eva, tema que foi abordado pelo flyer do evento. No quesito decoração, ele deixou a desejar aos antigos frequentadores do festival, que disseram tê-lo preferido nas edições anteriores. Aos novatos como eu, esse fator passou despercebido e tudo pareceu muito lindo e psicodélico. O palco contou com nomes ilustres da cena do trance, tanto nacionais quanto internacionais, passando por diversas das subvertentes do gênero.

No primeiro dia (27 de dezembro), apenas o Tortuga, o UP Club e o 303 Stage estavam abertos. O Main Floor abriu no dia 29 ao som da Ekanta, a mãe do Alok e do Bhaskar, anfitriã do UP. O Palco Paralello abriu no dia 28, e o Circulou deu início a suas atividades também no primeiro dia. No dia 04 de janeiro, nada acontece no evento; os portões fecham cedo e o som termina na noite anterior, data em que a maior parte das pessoas já foi embora. Se você está indo sozinho, voltar no dia 03 é uma boa sugestão.

Tortuga (Foto por SENSE)

O Circulou, pra quem não sabe, é uma Zona de Preservação das Culturas do Universo Paralello — um grupo fantástico de pessoas que realizam diversas oficinas e atividades culturais. Seus afazeres se iniciam antes mesmo do festival, com algumas pessoas da região de Ituberá ou próximas.

No espaço voltado para o Circulou, você encontra teatro, malabares, palhaços, danças, apresentações musicais de todos os tipos, oficinas de artesanato, aula de parada de mão, entre muitos outros (você pode conferir a programação completa das atividades do último ano aqui).

Circulou (Foto por Flashbang)

Em quase todos os dias, das 10h às 14h, ocorreram as sessões do Diksha, uma tradição do Universo Paralello que atrai muitas pessoas em busca de um estado meditativo para curtir ainda mais o festival. A Diksha é uma transmissão de energia que busca aquietar a atividade mental, propiciando experiências de transcendência e expansão da consciência. As pessoas que a aplicam são iniciadas pelos avatares Sri Amma e Sri Bhagavan para serem canais de energia.

Vale muito a pena participar, mas é preciso acreditar e liberar a mente pra que você possa experimentar ainda mais esse momento. Eu deveria ter feito isso mais vezes, foi o dia que eu mais curti e me soltei. Tirou toda a agitação e preocupação da minha mente, o que me fez focar apenas no momento que eu vivenciava.

Diksha no Circulou (Foto por Flashbang)

Comidas, bebidas e preços

Dentro do evento você encontra diversas opções de comida. Desde pratos feitos a pratos de arroz feijão, comida japonesa, pizza, opções veganas, wraps, crepes, churros, sorvete e tudo que você pode imaginar. Você tem opções até para o seu café da manhã. Há tendas de açaí com granola, opções de sucos da poupa, e tudo por um preço muito acessível. Eu não vi nenhuma opção que custasse mais do que R$ 25,00.

O açaí era servido em um copo bem grande e custava em torno de R$ 15,00. As pizzas tinham diversos tamanhos e custavam de R$ 15,00 a R$ 20,00. Eram vendidas por tamanho e inteiras, não em fatias únicas à parte, por isso achei um preço bem justo.

Um prato de arroz e feijão com frango ou carne grelhado era também R$ 20,00. Tudo girava em torno dessa faixa de preço, e outras opções como churros e sorvetes eram tudo a R$ 6,00. Dava para se alimentar muito bem, de forma saudável e a um preço justo. Além disso, existe no espaço do Circulou a cozinha comunitária, onde aqueles que levaram suas próprias panelas ou comidas se reúnem para cozinharem juntos em um fogão à lenha.

+ Assista ao set completo do Alok no Universo Paralello

O preço dos bares era também excelente, principalmente se comparado às festas de São Paulo:

Água – R$ 4,00

Refrigerantes e sucos – R$ 6,00

Gatorade e energético desenvolvido pelo próprio Universo Paralello – R$ 10,00

Catuaba – R$ 9,00

Drink de quiosque – R$15,00 o frozen de vodka sabor tangerina, limão, uva ou maracujá

As doses de vodka e whisky não eram assim tão caras também. Ainda é permitida a entrada, por pessoa, de uma garrafa de champanhe para a virada do ano — é a única bebida alcoólica permitida na revista do evento. Caso você não tenha levado, você encontra quiosques que realizam reservas de garrafas de champanhe para a virada, tudo em torno de R$ 120,00 e R$ 150,00.

Um pequeno imprevisto foi a questão do gelo. Após alguns dias devido à alta temperatura, houve falta de gelo, e por isso a entrega de copos com gelo para refrigerantes, sucos e energéticos foi proibida, sendo estes usados apenas para drinks como copos de catuaba. Porém, cada bar passava uma informação diferente. Uns diziam que eram só para sucos e drinks, outros para energéticos e sucos, outros somente para drinks, o que gerou um desconforto para alguns pelo fato de ter que tomar um guaraná às vezes quente num calor de 40º. Mas no fim tudo se ajeitou.

UP Club (Foto por Fernando Sigma)

Lojas

Muitas lojinhas se encontram no festival: lojas de roupa, de acessórios, a loja oficial do UP, entre muitas outras coisas, mas nem tudo é tão barato assim. Se você gosta de comprar, prepare os bolsos e preste atenção — algumas coisas parecidas você pode encontrar em lojas diferentes e por preços diferentes. Há desde saias artesanais lindas de R$ 300,00 a blusinhas e tops por R$ 40,00.

Você também encontra vendedores artesanais, os conhecidos hippies, de brincos, colares, pulseiras e as demais bugigangas de praia. Muitos cobram caro, alguns exageram um pouco por causa dos gringos, mas de tudo você encontra e muita coisa bonita!

Foto por Flashbang

Wi-fi

A proposta do UP é se desligar do mundo, e lá o sinal é realmente muito ruim, mas sabemos que passar oito dias sem contato com a família ou pessoas próximas pode ser um pouco complicado. Até para emergências é sempre bom você ter um meio de comunicação. Nesse caso o evento fornece wi-fi pago. Você tem a opção de pagar por um dia de uso ou pelo festival inteiro, e os preços se alternam.

No começo, um dia de internet saia por R$20,00, enquanto o pacote completo custava R$ 80,00. Esses preços vão diminuindo conforme o evento vai passando, até o ponto em que, por exemplo, três dias saia por R$ 40,00, e o festival todo R$ 60,00.

O wi-fi só funciona próximo ao local do stand, mas às vezes ele pega fora dali. Quando há muitas pessoas utilizando a internet o sinal vai cair muitas vezes, vai ser preciso reconectar toda hora, mas o sinal pega, você envia suas mensagens numa boa. Em horários em que quase ninguém se encontra por ali, ele flui perfeitamente.

Dica: Esse wi-fi é contado por horas, então se você o compra por um dia, você na verdade tem 24 horas de internet. Dificilmente você vai usar essas 24 horas de internet — você no máximo vai usar uma hora por dia, então às vezes um dia ou dois de pacote é suficiente.

Recomendação: Dificilmente seu power bank vai durar os oito dias, por isso você encontra uma solução dentro do UP: o guarda-volume eletrônico, um caminhãozinho repleto de tomadas que, por R$ 10,00, carrega o seu celular ou power bank. Tudo é nomeado e registrado por CPF, e funcionou perfeitamente bem.

Foto por Fernando Sigma

Cashless

Esta edição contou com o sistema cashless, abolindo as fichas de sua existência e evitando assim o gasto de papel e a perda de dinheiro. Cada um recebia, pelo valor de R$ 10,00, um cartão do Universo Paralello que você poderia recarregar quantas vezes necessário através dos caixas. Seu saldo era revelado a cada compra através de um cupom fiscal e do celular do atendente. Mas caso você esquecesse, era só solicitar no caixa mais próximo. O cuidado agora era não perdê-lo e não molhá-lo, para evitar o mau funcionamento do cartão e não perder todo o seu dinheiro.

RecomendaçãoNeste ano o evento passou a aceitar cartão de crédito e débito, mas apenas em alguns caixas. Leve sempre um cartão por garantia, mas ainda é melhor levar a maior parte do seu dinheiro em nota, para não correr risco de ficar sem.

Lineup

Logica (Foto por SENSE)

Meu propósito aqui não é falar sobre todos os nomes, nem todos os sets, até porque isso seria impossível e interminável. O que vale aqui é dizer que todos os DJs que pude ver fizeram um excelente trabalho, com sets de alguma forma notáveis ou inesquecíveis. A vibe do evento foi preenchida por muita música boa. Você acordava ouvindo clássicos e ia dormir ouvindo mais clássicos. A festa foi excelente do começo ao fim e citarei alguns dos momentos que mais me chamaram a atenção.

Sobre a escolha do lineup na virada, no palco do UP Club, não há nem o que comentar. A sequência de Patrice Baümel, Boris Brejcha e Guy J foi de longe a mais épica do palco, pra começar 2018 da melhor maneira possível. O Boris lotou o UP Club, criando mais uma vez uma atmosfera histórica. Guy J fez o primeiro amanhecer de 2018 ser eternamente memorável, e Baümel brindou a virada com seus melhores clássicos.

Gabe, Eli Iwasa ANNA marcaram presença no UP, assim como o Victor Ruiz em sua abertura ao som de Pink Floyd. Todos fizeram um set que marcou nossos corações. Além disso, Alok surpreendeu com um set bem underground e repleto de clássicos, fazendo todos dançarem do começo ao fim.

No Main Floor, Neelix foi uma das melhores apresentações. Além de ser um artista incrível, humilde e extremamente simpático, trouxe uma energia que emocionou a todos — assim como Zanon, Vegas, 4i20, Astrix e Vini Vici. O Infected Mushroom deixou a desejar no quesito set old school, como havia sido anunciado. A todos que pensaram ouvir a versão original de “Insane” e “I Wish” nesse UP, saibam que eu também senti a dor de vocês por ouvir na verdade dois remixes. Um momento que poderia ter entrado para a história, infelizmente não aconteceu. Enquanto isso, no mesmo ambiente, Alok e Bhaskar se reuniram através do seu antigo projeto Logica.

Eli Iwasa (Foto por Fernando Sigma)

A virada

A todo momento o UP te proporciona música e cultura, mas existem alguns breaks durante a festa, pausas no cronograma. O principal ocorre na virada do ano, quando todos os palcos param com o som por volta das 20h ou 21h, tirando o Main, que se mantém ativo por mais tempo. Nessa hora, todos se arrumam e a preparação dos palcos é feita. Só às 00h30 o restante volta à ativa.

Perto da meia-noite, todos se reúnem nas areias do Main Floor. Todo o festival reunido em um só lugar, uma energia contagiante perante a ansiedade do ano novo. Mas eu não vou contar o que ocorre na virada, ter a surpresa é muito melhor! É lindo, realmente marcante. Por mais simples que possa ser, é atrativo, intenso e emocionante. É aquele verdadeiro momento em que você percebe não só que o ano se passou, mas onde verdadeiramente você está.

Essa história não acaba por aqui: fiquem ligados na Phouse para o próximo e último capítulo sobre essa minha experiência no Universo Paralello: um relato final sobre a essência e o conceito do festival, junto a um guia de recomendações do que levar na sua bagagem.

ATUALIZADO: LEIA AQUI o próximo capítulo

Júlia Gardel cobre eventos para a Phouse.

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