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Review

Mais relevante do que nunca, o Warung comemorou seus 15 anos com grandes perspectivas

Jonas Fachi

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Warung 15 anos review
Vivendo seu auge, o clube da Praia Brava recebeu Chris Liebing e um showcase da All Day I Dream no segundo dia de sua comemoração de aniversário.
Fotos por Gustavo Remor (à exceção da primeira)

Quantos clubs no mundo têm 15 anos de vida? Alguns poucos. No último dia 14, o Warung Beach Club alcançou essa marca estando mais relevante do que nunca. Ainda, se considerarmos que enfrentou todos os tipos de dificuldade que uma instituição poderia passar, ter chegado tão longe possivelmente é um feito único. E mais: conquistado completamente fora dos grandes centros geradores de conteúdo cultural eletrônico no mundo, mesmo assim, desde os primeiros anos o Templo recebeu reconhecimento da mídia internacional como um dos mais importantes do circuito global, algo inimaginável para o Brasil até então.

Porém, todas as pessoas que fazem parte dessa história — desde os DJs de todo o planeta que pedem para se apresentar a até quem o conheceu pela primeira vez na última festa — sabem que alguma coisa diferente acontece lá dentro. Desde o icônico título “Paradise Found”, concedido pela revista britânica DJ Mag em 2006, a “um dos lugares para se conhecer antes de morrer” (de outras publicações), o club reuniu noites e manhãs que poderiam ser facilmente recontadas em documentários ou livros, aqueles registros que irão permanecer na eternidade. Entretanto, não precisamos citar os diversos momentos emblemáticos ou fatos marcantes com algum DJ, afinal se tornaria algo injusto escolher um ou outro.

que é importante destacar é que estar fora do eixo global eletrônico nunca foi nenhum demérito para a região do litoral norte de Santa Catarina. Todos que vivem a avançada cena desenvolvida em mais de três décadas sabem que o que foi construído não se deve em nada para o resto do mundo. Alguns clubs como Baturité e Ibiza, em Balneário Camboriú, tiveram relevância fundamental para o surgimento do Warung e em tudo que veio a criar mais tarde. Por isso, este review especial de aniversario é uma oportunidade para fazer algumas considerações que julgo serem importantes na contextualização do evento mais longo do ano, com comemorações se iniciando ainda às 16h do dia 18 de novembro.

Warung 15 anos review

Uma das imagens mais famosas do club, usada como capa do álbum Warung Brazil 001, produzido por 16 Bit Lolitas, em 2008 (foto por Fábio Mergulhão)

O Warung foi idealizado para absorver um cenário local efervescente, porém sua história ao longo desses 15 anos de atividade conta que ele fez um pouco mais. Muito além de oferecer algo inédito em uma região com fortes tendências à cultura de pista, o Templo passou a ditar o ritmo não apenas local, mas de toda a região Sul do país. Hoje, é possível perceber o impacto social profundo por gerações de clubbers quando se descobre que pessoas alteraram escolhas fundamentais de vida em função de poder fazer parte do estilo cultural que o club apoia e representa. Isso é algo que talvez em nenhum outro lugar tenha acontecido de forma tão brilhante, fazendo tudo parecer ainda mais surreal.

+ Warung celebra seus 15 anos com duas festas no final de semana

Qual o segredo? Não existe apenas um. Como tudo na vida, uma carreira bem-sucedida ou um fato marcante, o Warung é resultado de uma série de acontecimentos que não estavam nos scripts, somados a caminhos pensados estrategicamente sobre uma alta dose de coragem, tudo isso sem possibilidade de voltar atrás. Para manter uma instituição relevante por tanto tempo é preciso mais do que planejamento, investimento e vontade; é preciso perceber os diversos pontos-chave durante a trajetória, em que várias novas situações surgem em cima da mesa e não se pode deixar passar.

Warung 15 anos review

Se hoje se tornou uma marca consolidada nacional e internacionalmente, realizando inclusive mais eventos fora do que em sua própria casa, é porque houve pessoas por trás que nunca deixaram de acreditar no potencial intrínseco que ela possuía. Um dos pontos mais admiráveis do relacionamento do Templo com o público é que em nenhum momento foi deixada transparecer toda a dificuldade que só quem trabalha na noite pode saber. A verdade é que a música sempre esteve acima de tudo.

Outro ponto de notoriedade é que, durante todos esses anos, a curadoria da casa fez e faz um trabalho excepcional. A busca por equilíbrio entre os estilos e a abertura por ouvir o que as pessoas desejam são fundamentais. Porém, o que chama atenção é a capacidade de sempre captarem o melhor timing para trazer os artistas, quase sempre alinhado com seus momentos de destaque no cenário global.

Pode parecer bobagem, mas em uma cena sul-americana, para uma casa trabalhar com a quantidade de artistas internacionais que o Warung apresenta quinzenalmente, não pode existir muitos espaços para erros. Como exemplo, por vezes é melhor você deixar algum nome fora por dois anos ou mais, para quando ele voltar, existir uma expectativa acumulada suficiente para lotar a casa.

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Quando observamos os artistas escolhidos para fazer parte da segunda noite de comemorações, fica evidente a tradição de captar o momento certo de cada um deles. Vamos pegar o caso de Lee Burridge. Ele fez parte dos primeiros anos do club quando esteve no seu auge, após a virada do século. Depois, passou um longo período distante de nossa cena, a ponto de os novos frequentadores nem saberem que já tinha se apresentado em outra era.

Lee renasceu em 2012 junto com Matthew Decay, iniciando uma nova era dos baixos BPMs. Seu estilo leve, tribal e emotivo foi impresso em músicas que serviram como ponto de partida, como “Für Die Liebe”, segundo lançamento da All Day I Dream, e “Lost in a Moment” — obra que ajudou a definir o estilo sonoro que Dixon apostaria para a Innervisions. De lá para cá, o inglês voltou à frente do cenário liderando um time de talentosos produtores que eram desconhecidos até então. Com eles, vem realizando eventos em diversas cidades, com maior destaque em Los Angeles e Nova Iorque, ajudando-as inclusive a reviver suas cenas locais. O mais legal é que Lee sempre liderou sua label/party lado a lado com seus produtores — prova disso é ter concedido o horário final do show case a YokoO, no Garden.

Warung 15 anos review

A proposta de iniciar o evento ainda à tarde para o clima estar totalmente de acordo com a ideia das festas day/night da ADID foi um pouco arriscada, visto que já houve outras tentativas por parte do club de iniciar mais cedo, sem adesão do público. Desta vez, porém, os protagonistas da música iriam estar desde o início, e o conceito da label convidada ajudou na atratividade.

Lee era um dos poucos lendários que ainda faltava riscar de minha lista. Quando adentrei o Garden às 18h em ponto, ele estava se aprontando para assumir o comando após Lost Desert. O dia havia sido marcado por uma intensa chuva pela manhã e o sol estava coberto por nuvens no fim da tarde; mesmo assim, a surpresa de já ter uma ótima pista curtindo a sonoridade única proposta por eles foi impressionante.

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Sempre me entusiasmo quando ouço logo os primeiros minutos de set de artistas que pertencem à geração dos anos 90, como Burridge, em que mostram a sensibilidade na mixagem e um estilo de construção de set que só caras dessa época sabem fazer. A descontração por parte de todos e o clima mais próximo que ele estava criando, somados a seu carisma e a um sistema de som na medida, fizeram todos se esquecerem de que ainda era o começo da festa. Ninguém pôde se preservar, e o ritmo dançante do DJ fez todos vibrarem.

Na segunda hora, Lee entrou em uma onda inesperada, fugindo das melodias e pendendo para um lado sério e fechado, porém ainda com poderosos baixos e baterias tribais. Era talvez sua forma de “subir o ritmo”, não com a intensidade, mas dentro de um estilo que lembra sons destinados ao auge da noite. O interessante de ver um DJ desse nível é que você sempre pode esperar mais dele, pois em algum momento irá fugir um pouco do óbvio.

Primeira hora de set Lee Burridge, transmitida pela BE-AT.TV

Na terceira hora, seu set recebe maior introspecção e momentos de melodias cinematográficas ganham espaço. Era sua resposta diante da escuridão que havia chegado — um novo momento para os ouvintes. As decorações com flores por todos os lados perderam atenção para o sistema de leds pendurados na vertical, uma das iluminações mais criativas que já vi no club. Aliás, em noites comemorativas é tradição você encontrar decorações e iluminações diferentes. A felicidade estampada no rosto do artista dizia o quanto dessa proposta tinha dado certo, jogando luz sobre uma possibilidade de adaptação para o Warung no futuro.

Entrando na parte final de um set de três horas, mas que tranquilamente poderia ser de seis, é impossível não destacar a emoção de todos na faixa “Cocoon”, de Mirian Vaga, com uma reinterpretação fabulosa de Guy J — só poderia ser dele. Nas últimas faixas o ritmo estava estabelecido e YokoO parecia tranquilo para assumir o comando.

Quando você está prestes a assistir a um artista que só conhece pela qualidade das produções, é normal ficar um pouco reticente. Porém, o francês impôs um ritmo até mais rápido do que ocorria até então, talvez como uma forma de já quebrar o gelo em um ambiente novo. Aos poucos e com sabedoria, trouxe tudo novamente para o “estado ADID” de apreciar música. Quando falam que pegar um evento da label é uma verdadeira experiência musical, isso nada mais é do que a verdade. Guardadas as devidas proporções, é claro, entre os produtores que compuseram o lineup do showcase, você pode perceber que os seus elementos básicos, já citados aqui, sempre estarão presentes.

Warung 15 anos review

YokoO alternou entre momentos super emocionais e outros carregados de energia. Enquanto isso, Lee fazia questão de descer junto ao público atrás do palco para conversar, bater fotos e trocar experiências sobre sua música. Ele é o tipo de cara que faz amizade com todos, gosta de ouvir o que você tem para falar — são poucos os artistas que têm essa disposição. Um exemplo para a cultura de superioridade que muitos novos artistas tentam impor junto a seus públicos.

Começando a segunda fase das comemorações à meia-noite, resolvi tirar um tempo para descansar e conversar com amigos. O club — que ainda recebia Stephan BodzinRenato RatierVolkoderBoghosianFlow & Zeo — não estava lotado, com público na medida ideal para aproveitar qualquer um dos espaços. Subi ao Inside para assistir à hora final de Mind Against. O duo estava aplicando uma sonoridade de muita personalidade. Sabe aquele clima de aniversário, quando você acha algum artista no meio da noite e se surpreende? Era com eles. Após isso, voltei a atentar-me à música somente na entrada de Chris Liebing, às 04h. O lendário DJ alemão é outro caso de escolha do momento ideal — nesse caso, para finalmente fazer seu debut.

Warung 15 anos review

Nos últimos anos ele estabeleceu uma ótima relação com o país, e aplicou um set muito elogiado no Warung Day Festival neste ano. Estava pronto para assumir a eterna pista principal, e de quebra, em um momento tão importante. Que estava à altura, ninguém tinha dúvidas. Chris conquistou uma legião de fãs ao redor do planeta com seu talento particular em calcular a intensidade do seu techno que cada pista deve receber.

Desde o começo, a sensação era de que ele já conhecia o Templo há anos, com ritmo e momentos explosivos calibrados para enfrentar o restante da noite até o amanhecer. Com o dia novamente em posição, Liebing cadenciou suas ações por meia hora, e depois voltou a fazer a pista vibrar. Às 08h, eu já estava realizado em também lhe assistir pela primeira vez, então resolvi me retirar um pouco antes do final — algo que poucas vezes fiz em tantos anos frequentando a casa.

Talvez o sentimento de sair um pouco antes do termino fale algo sobre o que podemos esperar do Warung para os próximos anos e, principalmente, o que representam esses 15 de atividade. Foram muitos acontecimentos para se guardar, mas o sentimento ainda é de que se pode evoluir mais. É cedo para falarmos em legado, ainda que ele já exista.

Warung 15 anos review

Momento mais aguardado: o nascimento do sol em frente ao mar (imagem de alguma noite durante os 15 anos de club)

Em um futuro distante, a história do Warung vai ser descoberta por alguma nova sociedade na prateleira mais alta dos registros, onde, ao verem do que se tratava, sentirão inveja do quão felizes eram as pessoas que tiveram a chance de frequentar o espaço de madeira conhecido por desafiar tudo para se colocar entre os maiores de todos os tempos. Sabe o que é melhor nesse review de aniversário? É que não somos o futuro, somos o presente; estamos fazendo parte de tudo.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Parceria entre Boiler Room e Ballantine’s retorna ao Brasil em novo projeto

Flávio Lerner

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Boiler Room São Paulo
Foto: Reprodução
Série “Hybrid Sounds” mescla artistas eletrônicos com nomes orgânicos 

Juntos há cinco anos, Boiler Room e a marca de uísque Ballantine’s já montaram projetos ousados e incríveis no cenário musical. A partir de 2016, a união foi ainda mais longe com o lançamento da série Stay True, que visitava diversos países com lineups cuidadosamente curados para celebrar a cultura de cada nacionalidade. Naquele ano, tivemos nada menos que o Boiler Room Stay True Brazil — o lendário Boiler Room de Recife, que fez história em nosso país. Em 2017, a parceria voltou rebatizada como True Music, trazendo nomes como Seth Troxler e Little Louie Vega a Salvador, junto a expoentes brazucas como Fatnotronic e Renato Ratier, e agora, em 2018, a Stay True traz seu novo projeto, Hybrid Sounds, para São Paulo.

A proposta da Hybrid Sounds é trazer lives inéditos e inesperados, colocando no mesmo palco artistas de música eletrônica com projetos acústicos, que provavelmente nunca se encontrariam em outra oportunidade. Em SP, isso será visto através do conceituado grupo do underground paulistano Teto Preto, que tocará em conjunto com a produtora berlinense rRoxymore. Expoente da Chicago house, Derrick Carter é o headliner do evento, enquanto a MC Linn da Quebrada e o cantor e compositor Tom Zé — um dos grandes nomes da música brasileira — completam o lineup.

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Em local ainda mantido em segredo, o Boiler Room True Music: Hybrids Sounds São Paulo rola no dia 23 de maio, uma quarta-feira, e terá transmissão ao vivo pela plataforma, como de praxe. O evento sucede as edições que rolaram em Moscou e em Beirut, no Líbano, e antecede a edição de Valência, na Espanha, que encerra o projeto. Ao final, um EP da série Hybrid Sounds será lançado, com faixas inéditas dos artistas que colaboraram em cada região (Teto Preto X rRoxymore em SP; Overmono X Solo Operator em Moscou; Dollkraut X Zeid & Maii em Beirut; e KiNK com um artista ainda não revelado, em Valência).

Para quem quer participar da festa, é necessário se inscrever no site e torcer para ganhar o convite por e-mail.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Análise

O indie dance original respira com a volta do Friendly Fires

Flávio Lerner

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Friendly Fires
Foto: Reprodução
Depois de mais de seis anos sem lançamentos, o trio britânico que marcou os anos 2000 está de volta

Fundado em 2006, o trio britânico de dance-rock/indie danceFriendly Fires foi importantíssimo para uma guinada mais eletrônica e dançante à cena indie da década passada, que encontrava-se em sua era de ouro com a ascensão de bandas como The Killers, Franz Ferdinand, The Strokes e Bloc Party. Seu surgimento — somado à ascensão de grupos como Klaxons, Chromeo, Cut CopyMetronomy e o brasileiro Cansei de Ser Sexy — fez com que aquele cenário mais centrado nas guitarras passasse a ter um foco maior nos sintetizadores e nas batidas. O LCD Soundsystem não estava mais sozinho.

Comandando pelo carismático e rebolativo Ed Macfarlane — com suas dancinhas impagáveis ao vivo e nos videoclipes —, o Friendly Fires explodiu mesmo em 2008, com o primeiro e homônimo álbum, e desde então acumulou milhões de fãs no mundo inteiro. Nunca fizeram exatamente música eletrônica de pista, mas bebiam claramente de fontes como a house e o synth pop de grupos como New Order e Depeche Mode. E não só isso: a batida e a vibe ensolarada das músicas trazia muito da música brasileira. Singles como “Jump in the Pool” e “Kiss of Life” surgiram com fortes elementos de percussão de samba — e em 2008 e 2009, o grupo chegou a realizar apresentações em conjunto com uma escola de samba.

Em 2011, às vésperas do lançamento do segundo álbum, Pala, que se afastava ainda mais do indie rock, foram capa da conceituada revista inglesa NME, e tiveram a ousadia de dizer que preferiam escutar Justin Timberlake do que Morrissey — antigo líder do grupo The Smiths, que dominou a cena indie nos anos 80. Pra roqueiros britânicos que levam esse tipo de comparação muito a sério [o que, arrisco dizer, seja boa parte do público da revista], uma declaração do tipo soava como heresia.

O trio seguiu sua vida muito bem, obrigado. Pala também fez sucesso, e o FF seguiu apresentando-se em shows lotados no mundo inteiro nos próximos anos. Mas pararam de fazer música. Em 2014, deram um tempo de vez, e só foram voltar agora, quatro anos depois, com shows de retorno na Inglaterra realizados nas últimas semanas. E claro, novo single — o primeiro em mais de seis anos.

“Love Like Waves” foi lançada no último dia 05, e segue a linha do Friendly Fires que já estamos acostumados, sem grandes alterações na estrutura sonora. É uma canção boa e agradável, que resgata o saudosismo dos fãs e empolga pelas novas possibilidades, mas também não chega a ser dos melhores sons já feitos pelo trio.

Novos singles devem surgir nas próximas semanas, culminando, em breve, com o aguardadíssimo terceiro álbum. Se mantiver a qualidade dos LPs do passado, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2018.

Bóra relembrar outros grandes singles do grupo:

* Nota do Autor: Indie dance/nu disco, assim como progressive house e deep house, foi mais um dos estilos que caiu naquela salada de tags do Beatport, na década passada, e acabou passando a ser usado para se referir a uma sonoridade completamente diferente. Aqui, evidentemente, falo sobre o indie dance original, que vai de bandas como o Cut Copy a produtores como o Tensnake.

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