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Entrevista

Eli Iwasa e Du Serena falam sobre o próximo Warung Tour Campinas

Phouse Staff

Publicado em

28/09/2017 - 16:09

* Por Camila Giamelaro

O Warung é um dos clubs mais aclamados do mundo. O Inside, o Sound System, o Garden, o atendimento primoroso, o lineup conciso… Todos os detalhes são pensados com carinho e são fundamentais para proporcionar uma experiência maravilhosa para o público. Quem já foi sabe como é.

Infelizmente não é todo mundo que consegue ir até a Praia Brava pra poder sentir de perto o poder do Templo, mas pra isso existe o Warung Tour, projeto itinerante que leva toda a essência do beach club para algumas cidades do Brasil.

Em São Paulo, o Warung Tour é realizado nas cidades de Ilhabela, Maresias, Guarujá, Campos do Jordão, São Paulo e Campinas. Nesta última, a próxima edição acontece no dia 07, na Fazenda Atibaia (mesmo local que abrigou a festa em 2016), e traz nomes internacionais super relevantes: Stephan Bodzin e Marc Houle, se apresentando em formato live, e Kolombo, um dos artistas mais queridos pelos brasileiros na atualidade, e que estava devendo uma passagem por Campinas há algum tempo. Eli Iwasa, Dashdot, Boghosian, Fran Bortolossi, Gustavo Condé e Eric Olliver completam o time.

Du Serena e a própria Eli Iwasa são dois dos quatro nomes à frente da realização do evento. Juntos, eles planejaram, realizaram e ousaram. Assim, batemos um papo com a dupla pra descobrir o que o público pode esperar do Warung Tour Campinas 2017.

Eli Iwasa

Vocês atuam como DJs há muitos anos, e acredito que tiveram que se adaptar ao mercado e a tendências musicais nesse percurso. Como foi encarar esse processo?

Eli Iwasa: O processo é natural. Com o club e com a carreira de DJ, sinto a necessidade de me renovar o tempo todo, em contato com novas sonoridades, produtores, estilos. Com tanto tempo de noite, é fundamental se reciclar e se manter aberto a novidades para continuar inspirado, com gás, porque acomodação é fatal.

Du Serena: Pra mim não foi uma questão de adaptação, mas da eterna busca por novidade. Sempre toquei o que eu gostava e o que me fazia bem. Naturalmente, depois de um tempo cada artista sai em busca de novas sonoridades, tendências e eventualmente estilos. Às vezes o estilo que te agrada naquele período não acompanha sua fome por coisa nova.

Apesar do momento político-econômico delicado pelo qual nosso país passa, vocês conseguem entregar eventos de muita qualidade, como foi o caso da Destino e Warung Tour São Paulo. Qual o segredo para se manter o padrão de qualidade sem que isso afete o público final?

EI: Essa busca pela qualidade faz parte do DNA e da visão de todos sócios, então existe um esforço muito grande para esse padrão ser reproduzido em todos eventos. Soluções criativas, boas negociações e o espírito de parceria — a maioria dos nossos fornecedores trabalham conosco há muito tempo — têm sido fundamentais para os resultados finais serem positivos em todos sentidos.

DS: Primeiro ponto fundamental é ser apaixonado pelo que faz, então não medimos esforços para entregar o melhor sempre. O segundo fator fundamental é o nosso grupo, que é formado por experientes empreendedores do mercado de entretenimento, que se completam. Quando juntamos a expertise de todos, a receita mágica acontece.

Quais são as vantagens e desvantagens de se produzir um evento como o Warung Tour Campinas a quatro mãos?

EI: Eu só vejo vantagens em nosso caso. A sinergia entre os grupos é excelente, um complementa o outro, e o mais importante é que compartilhamos a mesma visão e paixão pelo o que fazemos.

DS: Não vejo desvantagens. É um grande prazer trabalhar com todos. Quando todo mundo soma e o grupo trabalha em sintonia, a sociedade fica saudável. Todos remam para a mesma direção com o mesmo gol.

O que teremos de diferente na edição de 2017 que não vimos ano passado?

EI: O que mais se destaca logo de cara é o lineup grandioso: sempre foi um sonho nosso trazer Stephan Bodzin para Campinas, ainda mais com o live. E desta vez, ele vem ao lado de Kolombo e Marc Houle, outros dois artistas que têm uma base muito leal de fãs na região.

Du Serena

Vocês acham que hoje existe uma demanda maior pelo formato live nos eventos de música eletrônica? É um atrativo a mais?

EI: Estamos falando de dois artistas que figuram entre os mais importantes dentro desse formato. O live é algo muito peculiar, que exige conhecimento técnico, assim como a experiência em criar a dinâmica certa para agradar não somente quem conhece as tracks dos artistas. Para os fãs, o live é prato cheio — nada mais emocionante que ouvir as músicas favoritas de Bodzin e Houle. Para quem ainda não é tão familiarizado com o trabalho deles, é a oportunidade de conferir dois dos mais talentosos produtores da história do techno, mostrando o que fazem de melhor.

DS: Eu acho que sempre houve demanda para live. O primeiro live que tocou para mim foi o Astrix, em 2002. O próprio Bodzin tocou seu live na Tribe em 2007, assim como muito outros. Só que agora ele aprimorou muito sua performance ao vivo, está ainda mais técnico, mais atualizado, mais divertido de se assistir. Para ser mais atrativo de verdade precisa ser um live de verdade, como Bodzin, Booka Shade, Plastikman, entre tantos outros fazem — onde os caras de fato estão ali tocando em cima da base já criada.

Dentro dos artistas selecionados, podemos conferir bastante diversificação de estilos, dentro da house music e do techno. Qual foi o critério de seleção para se chegar nesse resultado?

EI: Desta vez pensamos em trazer artistas para quem gosta de ambos os estilos — afinal de contas, todos nós gostamos de música de qualidade de uma maneira bem abrangente. Acho também que faz parte do espírito do Warung trazer artistas relevantes dentro da house music tanto quanto do techno, e o lineup reflete isso.

DS: O critério é sempre coerência musical dentro do universo sonoro do Warung. House, techno, tech house, deep house, tudo se encaixa. Todos os artistas e estilos escolhidos sempre terão ligação ou história com o club.

Qual a expectativa para o Warung Tour Campinas 2017?

DS: Minha expectativa é muito grande. Campinas foi uma das festas mais legais da tour de 2016 e vamos trabalhar para entregar um evento ainda melhor neste ano.

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Entrevista

Ney Faustini: “Estude música, mais do que você já estuda”

Rodrigo Airaf

Publicado há

Ney Faustini
Foto: Gabriel Quintão/Divulgação
Às vésperas de tocar no Caos, Ney Faustini fala sobre presente, passado e futuro
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Pesquisador musical ávido, discotecário premiado e produtor aclamado por nomes que vão de Ben Sims a Rainer TrübyNey Faustini é um cara habituado a seguir o fluxo do que manda seu coração em quaisquer etapas de sua vida. Como DJ, começou na cena de drum’n’bass. Antes disso, já participava de campeonatos de Kart, paixão herdada do seu pai, piloto da Stock Car nos anos 80 e 90.

As corridas continuam até hoje, mas isso nunca o impediu de curtir e absorver tudo o que a música eletrônica tem a oferecer, fosse nos anos 2000, com os eventos memoráveis como Skol Beats e clubs mitológicos como o Lov.e e o Overnight — fez parte da história destes dois últimos nas cabines, inclusive —, seja como um dos DJs e produtores mais experientes e musicalmente vorazes da atualidade. Hoje costuma carimbar sua presença tanto nos principais clubs atuais brasileiros, como o D-EDGE, onde realiza uma residência muito benquista, quanto em turnês no exterior.

Em uma conversa inspirada e pautada em aspectos do passado, presente e futuro, batemos um papo com o DJ paulistano às vésperas de sua apresentação no Caos, club de Campinas onde vai se apresentar durante três horas nesta sexta-feira, dia 15 de junho, ao lado de Chris Liebing e Victor Ruiz

No maior estilo “somos a média das cinco pessoas com quem mais convivemos”, você se lembra de pessoas, momentos, gestos, crenças ou cenas específicas do seu passado que ficam até hoje marcadas na sua memória como turning points para o desenvolvimento do Ney Faustini como o profissional que conhecemos hoje?

Posso dizer que vivi muitas experiências, algumas boas e outras nem tanto, que me influenciaram diretamente na minha formação como artista nesses quase 20 anos de discotecagem. Falando pelo lado bom, experiências de pista, entre festas, clubs e festivais, são sempre especiais. Lembro bem da primeira vez que ouvi o DJ Marky tocando em uma rave no interior de São Paulo, ainda antes da residência dele no Lov.e, e como aquilo me influenciou a querer tocar drum’n’bass. Da primeira edição do Skol Beats, em 2000, que foi o primeiro festival de música eletrônica que frequentei, e onde pude ouvir vários dos DJs que eu já acompanhava. Das primeiras vezes que vi o Laurent Garnier se apresentando em São Paulo. Dos inúmeros DJs e live acts que pude presenciar nos clubs que mais frequentei na vida, D-EDGE e Lov.e. Sem querer ser nostálgico demais, o meu conceito do “ser DJ” teve base nessa época, final dos 90 e início dos 2000.

Profissionalmente, algumas ocasiões estão marcadas na memória como se tivessem acontecido ontem: minha primeira vez tocando no Lov.e em 2001, abrindo a noite pro Marky; a primeira gig na Freak Chic em 2010, no D-EDGE; a apresentação no primeiro Boiler Room no Brasil, em 2013; mais recentemente, tocar pela primeira vez no Rock in Rio no palco Eletronica, e abrir o palco do Dekmantel em São Paulo, no mesmo dia em que o Jeff Mills o fechou, foram experências fantásticas. Saindo um pouco da discotecagem, lançar meu primeiro disco em vinil, o Sleepless, em 2012 pela Foul & Sunk, foi um divisor de águas pro meu amadurecimento como produtor. Uma lembrança puxa a outra, mas essas foram as primeiras que vieram à cabeça.

A maturidade é algo natural na vida de qualquer pessoa — ainda bem! Como artista, qual o conselho essencial que você daria para o Faustini de uns 20 anos atrás e por quê? 

Eu diria “estude música, mais do que você já estuda”. Eu sempre tive muito prazer em pesquisar, frequentar lojas de disco, descobrir músicas e artistas novos, independentemente de estilos. Esse sempre foi meu foco como apreciador de música, além de DJ. Porém, mesmo começando a produzir, lá por 2009, eu nunca tive uma real formação musical e não me aprofundei no estudo de nenhum instrumento. O que eu sempre tive comigo era o que eu gostava de escutar, meu repertório, e dali eu buscava minha inspiração pra produzir. Estudar a música mais profundamente, mergulhando ainda mais na parte teórica, além de toda diversidade cultural e histórica, é algo que venho fazendo mais recentemente e gostaria de ter feito antes.

“Sinto falta do tempo em que as pessoas se preocupavam mais em aproveitar o momento do que ficar registrando tudo no celular.”

Você é considerado um DJ mais próximo das sonoridades da house music, mas pra esta sexta você foi escalado para um lineup mais techno, ao lado de Chris Liebing e Victor Ruiz. É possível que com esse “empurrãozinho” veremos um lado musical seu ainda mais amplo em Campinas?

Eu naturalmente tenho uma preparação muito particular pra cada situação, e nesta noite não será diferente. Eu evito me rotular e, dentro do possível, gosto sempre de variar, especialmente em sets mais longos. Mas também gosto desses casos, em que existe um foco mais específico. E afinal, Detroit é uma das minhas maiores influências musicais, então a expectativa em abrir uma noite mais voltada ao techno com um set de três horas é enorme. Estou separando várias músicas especialmente pra esta ocasião.

Explorando um pouco mais este seu lado “techneiro”, conta pra gente quais foram as descobertas mais incríveis deste gênero que você realizou ultimamente? 

Além das referências de Detroit e Berlim, tenho escutado também muitos artistas e gravadoras holandesas, francesas, suecas… A Delsin sempre foi uma das minhas gravadoras favoritas e segue firme numa extensa agenda de lançamentos com velhos e novos artistas, assim como a também holandesa Clone. Taapion é um selo mais jovem e que apresentou um time francês de produtores que gosto muito, encabeçado pelo Shlømo. De uma maneira geral, estou sempre acompanhando gravadoras como Echocord, ESHU, ARTS, Tikita, Ilian Tape, Curle, Mistress, Suchitech, The Corner, Non Series, Skudge, entre tantos outros.

Foto: Divulgação

É difícil barrar a energia da noite de SP. Aliás, do dia também. Mas quais são as outras cidades brasileiras onde você já tocou e sentiu também uma energia singular no público ou na forma como consomem cultura e arte?

Os três estados do Sul estão com festas e projetos muito consolidados, mas acho que tenho uma relação mais próxima com Floripa, por conta da minha residência na Troop, e é sempre incrível tocar por lá. O que me impressiona no Sul, além do que rola nas capitais, é o interesse de um público cada vez maior por música eletrônica underground em cidades do interior.

Momento nostalgia: sua bagagem data desde o fim dos anos 80. Você fez parte de momentos históricos do cenário. De quais características da cena clássica você mais sente falta hoje? 

Eu tento não ser tão saudoso com situações e cenários de antigamente, porque dentro das inúmeras opções que existem de festas hoje, sempre dá pra achar alguma com a qual você se identifique. Dito isso, sinto falta do tempo em que as pessoas se preocupavam mais em aproveitar o momento do que ficar registrando tudo no celular. Nada contra fazer pequenos registros, eu gosto de relembrar alguns momentos também, mas rola um exagero hoje em dia.

“Temos que aproveitar as facilidades que o mundo moderno oferece à profissão, mas não se atinge um trabalho sólido e autêntico através de atalhos.”

Muitos DJs chegam ao sucesso de repente, às vezes já perto de um auge que pode acabar igualmente rápido. Mas você é de uma geração em que a maioria segue uma curva longa até um reconhecimento mais sólido. Que aspectos de uma longa carreira você acha impossíveis de serem adquiridos por DJs “fast-food”, e que realmente fazem falta para um artista? 

A quantidade de “novos DJs” que entram na profissão por motivos não tão musicais cresceu bastante de uns anos pra cá. Gente em busca de sucesso rápido e que nunca teve real interesse pela música e pela arte em si. Ser DJ exige alguns sacrifícios e muito amor, algo que vai bem além das ferramentas de marketing e redes sociais. Vi muita gente da minha geração, e da anterior também, abrindo mão de muita coisa na vida pra poder comprar vinil e equipamentos. Temos que aproveitar as facilidades que o mundo moderno oferece à profissão, mas não se atinge um trabalho sólido e autêntico através de atalhos, e acho que isso vale pra tudo na vida. Repertório e feeling de pista, por exemplo, são aprendizados longos e continuos, só pra citar dois aspectos essenciais.

Passarinhos me contaram que você tem algumas novidades pro futuro próximo, de internacionalidades ao vinil. Confirma pra gente?

Neste ano quero dar um foco maior aos meus trabalhos autorais, já que acabei fazendo mais remixes nos últimos três anos. O último que terminei, pro japonês Tominori Hosoya, deve sair em agosto pela Bucketround, gravadora espanhola de deep house que lança apenas vinil. Incluo nessa fase atual de trabalhos novas colaborações com meus amigos do Fractal Mood e com o sueco Sean Dixon. Pro segundo semestre também estou planejando uma tour em algumas cidades da Europa.

Foto: Divulgação

Uma cor, um filme, um movimento, um sentimento, uma ação, uma reação… O que mais pode te inspirar além do som?

Cidades são sempre inspiradoras, e essa relação de amor e ódio com São Paulo é uma influência constante. Em 2011 decidi passar dois meses em Berlim só pra experimentar a sensação de viver uma rotina, ou a falta dela, por lá. Eu tento sempre absorver um pouco de cada lugar que eu vou, a trabalho ou a passeio. Se tiver arte, museus pra visitar e lugares históricos, melhor ainda. Situações mais extremas de sentimento, de felicidade ou tristeza, também são muito inspiradoras.

Você já tocou algumas vezes no Club 88, mas será a primeira vez no Caosdos mesmos sócios. E estreia logo em, como já foi dito, noite grande de techno. Quais são as suas expectativas para o dia 15 de junho?

Toquei uma vez no Club 88, quatro anos atrás. Conheço a Eli Iwasa desde os tempos do Lov.e Club, e vinha acompanhando toda a montagem do Caos com a expectativa de que seria um club pra se tornar referência no interior de São Paulo. Vi fotos e vídeos de algumas das festas que rolaram nos últimos meses, e já deu pra sentir um pouco de como é a atmosfera por lá. O Chris Liebing é uma lenda, e imagino que vá rolar uma peregrinação partindo de várias cidades pra essa noite. Nada como experimentar a sensação de tocar em lugar novo com a casa cheia, e pegando essa energia de começo de festa. A ansiedade é enorme!

* Rodrigo Airaf é colaborador eventual da Phouse.

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Entrevista

Produtora mais nova do mundo? Com apenas 10 anos, a DJ Rivkah tem chamado a atenção da cena nacional

Flávio Lerner

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Rivkah
Foto: Divulgação
Garota de Brasília cresceu rápido e virou atração entre grandes eventos e expoentes da cena eletrônica

Crianças prodígio costumam chamar a atenção no meio da música eletrônica pelo fator inusitado: ainda não é comum vermos gente tão nova discotecando profissionalmente, por razões óbvias que vão do fator ambiente [quase sempre mais adulto] à própria inserção no mercado de trabalho — passando ainda pelo fato de que um bom DJ requer uma boa bagagem musical, que por sua vez exige tempo de conhecimento e maturação.

Mas talvez o futuro breve nos reserve mais crianças que se destacam no ofício. Décadas após o A-Trak vencer o DMC, e poucos anos depois do “fenômeno” Arch Jnr, que ganhou reality na África com apenas três anos de idade — e que, vamos ser honestos, não parecia ter muita noção do estava rolando —, temos no Brasil mais um caso recente que vem atraindo cada vez mais olhares em uma velocidade impressionante: Rebecca Rangel, mais conhecida como DJ Rivkah [seu nome de batismo em hebraico].

Foto: Divulgação

A menina nasceu na Noruega, onde viveu até os seis anos de idade, mas tem cidadania brasileira e francesa, e hoje mora em Brasília com a mãe e o padrasto — “o maior incentivador e patrocinador de toda essa história”, segundo a mãe de Rebecca. Assim, com apenas dez anos, desde que decidiu abraçar de corpo e a alma essa carreira, vem chamando a atenção em eventos não só em sua cidade: no BRMC, que rolou nessa última semana, em São Paulo, Rivkah parecia onipresente, podendo ser vista a toda hora pelas salas em que se realizavam os painéis e circulando pelas áreas de lounge.

“A Rivkah sempre gostou muito de música, e já teve aulas de violino e teclado antes de virmos morar em Brasília. Desde os quatro anos ela já tinha música eletrônica no celular, em vez de músicas infantis. Ouvia muito Swedish House Mafia e Tiësto“, conta a orgulhosa mãe Valesca Rangel — constantemente presente ao lado da filha — em depoimento à Phouse. “Ela sempre pediu para ser DJ, e no ano passado eu a matriculei em um curso e acompanhei diariamente nas aulas. Um curso que duraria três meses ela terminou em apenas um!”

Na Praia, em Brasília, foi onde a Rivkah começou a chamar atenção

Logo, a menina já atraiu um dos tutores do curso, o DJ Sony, e ganhou a chance de tocar em um evento chamado “Na Praia”, que rolou entre junho e setembro, durante os finais de semana, na capital federal. “O DJ Sony deu a chance de a Rivkah tocar em um domingo à tarde, em um palco menor, e logo na primeira apresentação o espaço lotou. Rapidamente, foram muitas matérias em jornais e sites de Brasília. Ela explodiu rapidamente”, segue contando Valesca, que destaca que a filha já tem agenda fechada até outubro.

De fato, em conjunto com um trabalho forte de assessoria de imprensa, a menina saiu em diversas reportagens, de jornais locais a jornais do SBT. Assim, a família tratou de cuidar dos trâmites para que ela pudesse trabalhar legalmente, sempre com a presença de um adulto responsável — e Valesca não vê qualquer possibilidade da infância da filha ser prejudicada. “Fomos orientados pelo Conselho Tutelar a pedir um alvará na Vara da Infância, e assim foi feito. A Rivkah toca, se apresenta, mas não deixou de ser criança. Ela tem uma coleção de bonecas que é aumentada pelo menos duas vezes por ano, e gastamos com as bonecas talvez mais do que com equipamentos. Apesar de estar saindo enquanto as amigas estão ficando em casa, a maioria delas já está se relacionando com meninos, e a Rebecca nem pensa nisso ainda. Ela é madura para exercer seu dom, mas ainda é criança e se diverte como tal. A prioridade para ela é a escola, e ela está muito bem amparada psicologicamente.”

Foto: Divulgação

O fato de o ambiente da música eletrônica estar normalmente associado a uma embalagem mais adulta [noite, bebidas, drogas, sexo…] também não preocupa. “Para mim, a música eletrônica nunca remeteu a bebidas, drogas ou sexo, pois eu nunca bebi e sempre frequentei festas, raves e shows. Sou capaz de virar a noite sendo a pessoa mais feliz da festa bebendo Coca-Cola Zero (risos)! O primeiro evento em que a Rivkah participou foi o Na Praia, que tem um clima maravilhoso e muito familiar. Vende-se bebida da mesma forma que se vende bebida em qualquer praia brasileira. Os demais, em sua maioria, foram sunsets com censura livre em beach clubs, ou eventos em lojas, para famílias”, segue Valesca.

“Quando o evento é mais tarde, ela não tem contato com o público, a entrada de artista é diferenciada e ela fica em camarim ou área reservada. Quando não se apresenta, vamos em outros programas e assistimos com ela a atrações diversas. Na maioria das vezes, estamos no backstage ou camarote, que são ambientes mais reservados. Temos uma relação muito próxima, eu e ela, e a Rebecca realmente segue o dom de sua personalidade. Alok e Bhaskar cresceram dentro de festas rave, e quem conhece sabe que são muito bem criados e muito educados, de personalidade e caráter indiscutíveis.”

A dupla, aliás, é uma das maiores referências da garota, que cita o brazilian bass e o trance como suas principais vertentes. Outros nomes citados são Sevenn, Chemical Surf, Vintage Culture, JetLag, Capital Monkey, Skazi, Chapeleiro e Astrix — além de Guga Guizelini, do Make U Sweat, que a tem ajudado com dicas de produção musical. “Conhecer a Rivkah foi uma grata surpresa. Ela é super cativante, e não é apenas uma criança que gosta de música e de DJs — ela realmente sabe tocar, e bem! Tem presença de palco e arranca olhares surpresos o tempo inteiro! Certeza que se ela continuar apaixonada pelo que faz, tem um futuro brilhante pela frente”, afirmou o DJ.

Agora, a Rivkah quer ir ainda mais longe: depois de aulas de produção com Guga e outros nomes do cenário brasileiro, está finalizando a masterização de suas primeiras músicas, feitas em parceria com artistas de Brasília: uma collab com o DJ e produtor Icy Sasaki e uma canção com letra e voz de Babi Ceresa. A família já a está rotulando como a produtora mais nova do mundo, e pretende pleitear oficialmente esse título. “A assessoria dela e eu estamos preparando todas as evidências para requerer a quebra de recorde no Guinness, pois lá o produtor mais jovem do mundo é um menino de 12 anos”, complementa a mãe.

Com Guga Guizelini. Foto: Divulgação

Ainda é muito, muito cedo para saber se todo o hype em cima da menina irá se confirmar, e se ela de fato irá se tornar um big name nacional — ou mesmo se vai seguir a carreira como DJ e produtora depois de adulta. A essa altura, o que realmente importa é que Rebecca Rangel se divirta, sem muito compromisso.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

EDX: “Vários DJs brasileiros ganharão reconhecimento internacional nos próximos anos”

Phouse Staff

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Foto: Divulgação
Um papo exclusivo com o expoente suíço EDX

Veterano da cena eletrônica com mais de duas décadas de um caminho de sucesso como DJ, o suíço Maurizio Colella, mais conhecido como EDX, é um dos expoentes da EDM global que possui uma das relações mais fortes com o mercado brasileiro. Há dois anos, sua agência Sirup desenvolveu em conjunto com a DJcom o selo Muzica Records, que funciona até hoje para promover artistas da América Latina, sobretudo brasileiros.

O DJ já havia nos revelado que o Brasil é um de seus principais, senão o principal mercado em que atua atualmente, e que pode ser considerado praticamente um dos nossos. Sua última participação por aqui foi em outubro, quando tocou no Playground BH e no Federal Music, e já há planos para uma nova turnê tupiniquim em breve. Pensando nisso, e na esteira de seus sucessos recentes, como “Anthem” — que bombou em playlists do Spotify como a brasileira EDM Room — e o remix para Janelle Monáe, trocamos uma ideia com o produtor sobre seus principais feitos recentes, novidades para o curto prazo e, claro, sua relação com o nosso país.

Maurizio, você continua lançando faixas surpreendentes, como “Anthem” e seu remix para “Make Me Feel”, da Janelle Monáe. Qual a diferença entre seus lançamentos regulares e a assinatura”Dubai Skyline”, que você utiliza para alguns remixes?

Foi uma jornada bem longa até aqui e ainda me faz muito feliz viajar pelo mundo e lançar novas músicas. Eu sempre tento trazer algo novo e fora da caixa em cada uma de minhas produções. “Anthem” foi uma faixa que fiz pensando nos festivais e clubes mais pra cima. Estou muito contente com o feedback e apoio que recebi nesse som. Quando se trata de remixes, eu sempre tento manter uma vibe e toque único no trabalho. A linha de remixes Dubai Skyline é destinada para lançamentos mais house e “radio friendly”.

Você já frequenta o Brasil há muito tempo e teve a oportunidade de conhecer melhor nosso país. Quais são suas coisas favoritas sobre o Brasil?

A cultura brasileira é gigante e diversa, o Brasil é praticamente um continente. Desde o início, eu só tive boas experiências, e é um dos meus destinos favoritos. Dez anos atrás foi minha primeira apresentação no Brasil e continuo sempre animado para voltar. Acho que foi amor à primeira vista. Eu também amo o churrasco brasileiro e a culinária em geral, o que é um bônus.

Os seus DJ sets no Brasil são muito diferentes dos que você costuma tocar pela Europa?

Não necessariamente. Em geral, eu sempre tento ler o público e dar a eles uma experiência única. Normalmente no Brasil meus sets acabam sendo um pouco mais sexy.

“Meu som precisa ser sexy e fazer as pessoas se sentirem felizes.”

Como você vê o desenvolvimento do mercado da música eletrônica no nosso país? 

Minha empresa tem uma colaboração com um selo brasileiro chamado Muzika, para ajudar a lançar artistas latino-americanos. Isso me ajuda a descobrir diversos artistas do país. O Brasil é um mercado único e com muitos profissionais, e eu acredito que vários DJs brasileiros irão ganhar reconhecimento internacional nos próximos anos.

Janelle Monáe é uma artista incrível e a faixa “Make Me Feel” está rapidamente se tornando um dos maiores lançamentos dela. Você pode nos contar um pouco sobre a história por trás do seu remix?

O selo da Janelle [Bad Boy Records] me convidou para produzir o remix. Eu costumo receber muitos pedidos, e naquele mesmo dia havia mais outros quatro, mas quando ouvi “Make Me Feel” senti uma grande conexão com a música, é uma grande obra. Eu acredito que é uma faixa que pode ganhar atenção tanto nas rádios quanto nos clubes. Eu não mudei muito a pegada funky, mas deixei ela com mais energia e uma vibe sexy. Espero que gostem!

Fora do mundo eletrônico, quais são suas inspirações? O que você ouve quando não está ouvindo música eletrônica?

Eu viajo noite e dia, e quando não estou no estúdio ou em algum clube, estou sentado na cadeira do meu escritório trabalhando, e tem música pra todo lado. Isso não me dá muito tempo para ouvir outras coisas. Eu sempre gostei muito de Barry White quando eu era criança, com certeza inspirou meu tipo de som. Precisa ser sexy e fazer as pessoas se sentirem felizes.

O que podemos esperar de novidades? Você já tem planos para retornar ao Brasil?

Estamos trabalhando na minha turnê de 2018, e contará com algumas datas no Brasil. É sempre bom ficar de olho na minha agenda através do meu site. Música nova é sempre uma prioridade para mim, então fiquem de olho! Estou pensando em adicionar uma vibe mais “deep progressivo” nos meus próximos lançamentos.

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